Notas iniciais
Nunca tive grande aptidão para escrever fanfics de Twilight que envolvesse o universo vampírico, mas há muito tempo atrás comecei uma Ali/Emm e fiquei muito satisfeita com o desenrolar que tomou.Espero que gostem ♥

Capítulo 1

Lembro-me do dia exato em que eu decidira me alistar para as Forças Armadas. Era recém formada em medicina, o mundo estava em conflito eu só conseguia pensar em sair de Forks e ir atrás de algo maior. A minha família seguia uma longa linhagem de médicos ou militares, nós nunca havíamos aprendido a ser outra coisa que não fosse isso, eu no meu caso, eu havia escolhido ser os dois.

Assim que terminei a faculdade e passei a fazer minha residência no Hospital Escola Johns Hopkins, fiz toda minha especialização em trauma e cirurgia cardiotorácica, e quando fui aceita no exército americano, logo me vi convocada a servir no Afeganistão como cirurgiã da cárdio e com uma boa chance de ser promovida a chefe de trauma do Hospital de Campo Americano.

De Forks a Dartmouth, de Darmouth a Baltimore, de Baltimore a Guerra... Com toda certeza isso chocaria qualquer um. Colocaria medo em qualquer um. Faria qualquer um desistir de todos os seus planos e voltar a optar pela vida pacata de cidade pequena. Mas eu não, eu decidira lutar.

Mesmo tendo que ir para a Guerra, minha vontade de servir não diminuiu. Eu estaria deixando minha família para trás, um noivo para trás e todo planejamento de anos por uma vida calma e pacata como atendente no hospital de Forks.

Hoje, três anos depois, não houve um só momento em que eu tenha me arrependido de tomar essa decisão.

Somente eu sabia o quanto eu me completava e me realizava toda vez que salvava a vida de algum dos soldados americanos, ou de crianças afegãs. Eu era uma médica interna, que ficava no acampamento apenas recebendo os feridos e cuidando de cada um deles. Iraque, Bálcãs e agora Afeganistão. Um ano em cada lugar. Três anos assistindo os horrores da guerra de camarote. Três anos levando e trazendo cartas de vida e de amor daqueles soldados que não tinham outro meio de se comunicar com a família. Três anos conhecendo o exemplo maior de honra e humanismo através de jovens que estavam ali apenas querendo honrar seu país.

Poderia parecer absurdo, mas desses três anos eu nunca mais voltei em Forks em nenhuma de minhas licenças. Por ser responsável por toda a Equipe Médica Força A que servia na guerra, dificilmente eu tinha um real descanso. Geralmente, nas minhas licenças, ficava na base da Infantaria Alemã, aonde Jasper, meu namorado, ia me ver, e onde eu podia conversar com minha família pela internet, ao menos.

Muitos me perguntavam como eu podia aguentar ficar tanto tempo fora de casa, fora da minha cidade Natal e principalmente, vendo Jasper apenas uma vez por ano. Bom, para isso nem eu tinha uma resposta. Acho que quando há amor pelo que se faz fica bem mais fácil enfrentar essas dificuldades. Mas a verdade é que depois de todo esse tempo, a minha missão na guerra finalmente estava chegando ao fim. Daqui a poucos dias eu estaria em Forks novamente, revendo e abraçando minha família, recebendo minhas honrarias em Washington e tendo uma vida tranquila trabalhando como cirurgiã no hospital das Forças Armadas em Seattle.

A verdade era que eu não podia pedir nada além disso.

Como prestei os exames para a universidade mais cedo, com 28 anos já estava com faculdade e residência completas. E agora, com quase 31 anos, já havia visto a guerra, atravessado o mundo e pronta para voltar pra casa. Sim, finalmente eu estava voltando.

Quando a Equipe Médica Força B convocou a minha equipe para auxiliá-los, eu já poderia imaginar que havia um confronto daqueles, onde o número de feridos seria enorme, tanto de civis quanto de nossos soldados. E foi preparada para isso que eu cheguei ao acampamento àquela manhã. Os barracões estavam basicamente vazios, o que deixava óbvio que os rapazes já estavam em missão.

Foi por volta das duas da tarde, eu creio, que os feridos começaram a chegar. O tumultuo foi geral. Médicos correndo para todos os lados, ferimentos leves, ferimentos graves... Já estava terminando minha milésima sutura do dia quando ouvi me gritarem.

– ALICE!

Amarrei a atadura do soldado com firmeza e corri em direção a dois enfermeiros que chegavam com uma maca.

– O que é?

Falei, seguindo-os até uma área mais reservada.

– Tiro de raspão no na costela. Está perdendo muito sangue, porque foi bem fundo.

– Certo, deixem que eu tome conta disso. Agora vão!

No mesmo momento peguei a minha caixa de curativos emergencial, com uma tesoura cortei parte da farda do rapaz e comecei a tratar do ferimento. Quando comecei e desinfetar o ferimento que estava coberto de areia, ouvi uma exclamação de dor da parte dele e finalmente o olhei.

Obviamente ele estava sujo, mas sua expressão não era exatamente de sofrimento ou desespero, e sim de reclamação. Quando abriu os olhos, percebi duas iris azuis me encarando e sorri.

– Dói mesmo, soldado. – falei sorrindo – Agora vou colocar algo que vai arder ainda mais e pelo jeito que está, terá que ficar fazendo efeito por uns cinco minutos.

– Merda! – ele xingou baixinho, mas concordou.

Molhei bandagens com água oxigenada e pus sobre o ferimento, fazendo-o gritar novamente.

– Ora, você está na guerra. Já era pra ter se acostumado. – falei, dando de ombros.

– Três anos depois e ainda não me acostumei. – riu – Pode tirar meu capacete, por favor?

– Claro, só um momento.

Retirei minhas luvas e então desabotoei o seu capacete. Ele tinha cabelos loiros, já um pouco compridos e sem corte. Era um homem absurdamente bonito, isso dava pra reparar logo de cara. Não só pelo seu tamanho – já que ele chegava a ser absurdo de tão grande e musculoso – mas sim por ter um sorriso de criança que podia encantar qualquer mulher. Até aquelas que assim como eu, preferia os nerds magrelos aos musculosos populares.

– Desde quando tem médicas bonitas desse jeito servindo aqui? – ele perguntou, rindo fraco.

– Desde hoje. – respondi – Sou da Equipe A. Vim em auxílio.

– Tenente Emmett McCarty, ao seu inteiro dispor, doutora.

– Sou a Doutora Brandon-Cullen, sargento da Infantaria Alemã.

– É um prazer, Doutora Brandon.

– Bom, Tenente, se prepara que vamos começar com os curativos. A bala passou de raspão, e aparentemente não encontro nenhuma lesão que possa ter afetado seus pulmões ou seu coração. Diga-me, como estão as coisas lá fora?

– Se acalmaram – respondeu baixinho – Fiquei fazendo guarda até meu pelotão voltar. Foi um confronto difícil, mas a área agora é nossa.

– Toda vez que têm esses confrontos meu coração fica na mão por todos vocês.

– Sofre por pessoas que não conhece? – ele perguntou e pela sua expressão, achava estranho.

– Claro que sim – respondi prontamente – Sou eu que vou cuidar de vocês depois.

– Olhando por esse lado, você está certa.

Sorri enquanto cortava um pedaço do esparadrapo para segurar as bandagens.

– Vai ter que manter esse braço parado por um tempinho, Tenente.

– Estou indo pra casa mesmo. – deu de ombros – Agora é festa.

Não pude evitar e ri.

– Acabou sua missão?

– Sim. Vou embora na quinta.

– Seja bem-vindo ao clube.

– Sério? Também sou da Infantaria Alemã. E eu nunca te vi por lá? Tá aí uma coisa que eu não esperava.

– Não somos do mesmo pelotão, Tenente. Nossas licenças saem em épocas diferentes, o que basicamente faz com que a gente não se encontre nunca. O que não é o caso de agora, obviamente. Mas se não se importa, tenho mais soldados para salvar.

– Tudo bem, Doutora. Obrigada por... Por essas coisas aqui no meu braço. – ele falou desajeitado, se sentando na maca.

– Disponha – sorri – Qualquer coisa, só chamar.

Assim que me virei e continuei atendendo os soldados, perdi a conta das vezes que peguei Emmett McCarty me observando de longe. É claro que depois de tanto tempo servindo em um local composto basicamente por homens, a gente acaba se acostumando com olhares, mas o dele era diferente. Não era um “Quero te comer”, era mais um “Talvez eu queira te comer, mas no momento estou te admirando”. Não me pergunte como eu sabia disso, mas é que com o tempo você vai adquirindo a prática.

Dois dias depois

Não eram nem cinco da manhã quando o despertador do acampamento tocou. Meu coração palpitava de ansiedade só de imaginar que daqui a alguns minutos eu estaria voltando para casa. Bom, não para casa diretamente, pois primeiro iríamos para a base na Alemanha pegar o que restou de nossos pertences e participar de uma confraternização informal com todos que estavam no fim de suas missões.

Peguei a foto de Renesmee, minha sobrinha que acabara de completar um aninho, e pus na mochila. Eu sequer a conhecia...

Olhei o acampamento a minha volta, pensando em quantos médicos ainda dormiriam ali, salvariam vidas ali, viveriam anos de sua vida ali e me emocionei. Jane, que servia junto comigo, me abraçou e me puxou para fora.

– Nem dá pra acreditar que acabou né?! De alguma forma estranha, parece que não existe outra vida lá fora a não ser essa que a gente tem aqui.

– Acho que vai ser difícil pra gente se acostumar o mundo normal. – falei por fim, pondo meus óculos aviador no rosto e amarrando meu coturno.

– Você tem que me prometer que vai manter contato, Ali. Você mora muito longe.

– Ah, não tenho culpa se você mora na Califórnia, Jane.

– Bom, você pode ir me visitar no verão. – ela sorriu – Agora vamos porque o pelotão da Equipe B já chegou.

Não era como se eu quisesse, mas a primeira pessoa em que eu pensei foi em Emmett McCarty. Será que ele também estaria ali? Provavelmente sim.

Assim que subimos no avião, joguei-me em um canto qualquer e logo vi Emmett, ao longe, deitado em sua mochila e olhando alguma fotografia. Imediatamente quis falar com ele, mas ao perceber que provavelmente ele estava desfrutando do mesmo momento nostálgico em que eu estava, achei melhor ficar na minha, afinal teríamos tempo de nos falar depois.

Não demorou muito para que decolássemos e quando percebi já estava dormindo novamente. Sei que foi uma viagem longa, mas eu só fui realmente prestar atenção em algo quando já estávamos na Alemanha.