Fins e Recomeços

11 4.11 - Por quê?


Notas iniciais
Blaine, finalmente, tem suas respostas.

– Vamos, respondam! – Esbravejou Burt – O que fazem aqui? – Ele olhou para o quarto, estava todo bagunçado. Depois olhou para o local do criado mudo, ele estava arrebentado e sem uma gaveta – Por que quebraram minha porta e minha casa? Vocês, por um acaso, perderam a noção das coisas?! – Burt ficava cada vez mais aborrecido.

Blaine tremia, ora olhava para arma que o homem apontava, ora olhava para Tina. Ela estava imóvel, talvez pensando no que fazer.

– Será que eu vou ter que perguntar de novo? Vocês têm cinco segundos para me responder, a partir de agora. – Disse ele.

– Não precisa de cinco segundos, eu falo. – Tina tomou coragem.

Blaine a encarou. Sentiu medo do que ela podia estar planejando.

– Ótimo, assim que eu gosto. – Disse Burt.

– Nós sabemos de tudo e temos as provas. Você matou o Sam, Burt. E vai pagar por isso.

O homem olhou para ela por um tempo, depois para Blaine. Analisou os dois minunciosamente, depois riu.

– Do que ri?! Isso é sério, seu calhorda! – Tina estava furiosa.

Burt continuava rindo. Blaine continuava nervoso com tudo aquilo. Temia que o senador mal caráter fizesse algo contra ele e a mulher.

– Vocês acham mesmo que eu matei o Sam? – Ele riu ainda mais.

Os dois se olharam.

– Sim, temos as provas aqui. A arma e a outra luva do par. – Disse Blaine apontando.

– Luva? – Burt perguntou e depois a olhou.

– Não finja, sabemos de tudo. A Frida nos contou.

Burt os dirigiu um olhar preocupado, depois engoliu em seco.

– A Frida o quê?! – Perguntou voltando a tomar as feições de raiva. – Aquela vadia pestilenta. Ah! – Resmungou.

– Ela nos contou, sabemos tudo ao seu respeito, Burt. – Disse Blaine.

– É isso aí. E você não vai escapar. – Tina pegou o celular – Mas não mesmo!

Um disparo.

Rapidamente, Burt mirou no aparelho e o acertou, levando-o a mil pedaços. A mão de Tina tremia e doía um pouco, do impacto. Não sabia como ele não a havia acertado.

– Você é louco?! – Ela gritou.

A mulher quis avançar em Burt, e até começou a se mover, mas o homem voltou a apontar a arma. Ela parou, Blaine tremeu.

– Escutem-me bem, vocês que estão loucos. Como vêm a minha casa, a invadem e ainda me acusam? Se fosse outra pessoa, vocês já estariam mortos agora. – Disse Burt – E eu não matei o Sam, não conseguem ver o tamanho da luva? Estão tão cegos assim? – Disse apontando para ela, eles olharam. Realmente, não parecia se adequar as mãos do homem – Ela não é minha. E se eu fosse o assassino do Sam, vocês estariam mortos já, desde a hora que me falaram sobre a descoberta. – Disse ele, mais aborrecido.

Fazia sentido. Blaine caminhou até a cama e sentou, suas pernas mal o obedeciam.

– Voltamos à estaca zero então. – Disse o solista.

– Não. – Tina falou – Não tínhamos só o Burt como suspeito. A luva está aqui e junta de uma arma. Se não foi ele, então...

Kurt.

Blaine queria estar morto, talvez assim fosse melhor. Não suportava mais tudo aquilo.

– Eu sei muito bem quem foi. – Disse Burt – Tudo se encaixa perfeitamente – Ele esmurrou a parede – Vamos, venham comigo. – Os chamou e saiu.

Blaine e Tina se olharam.

– O que acha? – Perguntou ele.

– Estamos no fogo, então vamos nos queimar. – Tina falou e o seguiu.

O solista foi junto.

Burt foi até o local de trabalho, ao congresso. Levou consigo os dois. Ao chegar, saiu correndo feito louco, procurava alguém.

– Mas o que ele faz aqui? – Perguntou Tina. – Pensei que fôssemos atrás do Kurt. – Disse surpresa.

– Ele parece procurar alguém, veja. – B. apontou.

Jane vinha caminhando, ele a parou desesperado.

– Você precisa me ajudar. – Disse ofegante.

– O que foi, homem?! Alguma outra pessoa foi morta? – Perguntou ela.

– Não. Ainda não. – Disse Burt. – Você viu a Frida?

Blaine sentiu um frio na espinha, Tina o mesmo. Eles se olharam e, em seguida, caminharam calmamente até Burt.

– Droga! – Esbravejava o homem – Aquela pilantra... – Resmungou entre os dentes.

– Você quer saber onde está a Frida? – B. perguntou.

Burt o olhou. Por um momento, havia esquecido a presença dos dois ali.

– Claro que eu quero. Você sabe onde ela foi?!

– Não, nós não sabemos. – Disse Tina.

Blaine a olhou. A asiática fez uma careta. Eles não podiam dizer aquilo a Burt. De certe, ele queria fazer algo a moça. Talvez até matá-la.

– Vamos, falem! – Ordenou o pai de Kurt.

– Por que deveríamos fazer isso? – Perguntou B.

O senador sorriu.

– Porque ela sabe quem é o verdadeiro culpado. Isso eu posso garantir.

Poderia ser um blefe, ou não ser. O solista não sabia se podia arriscar. Engoliu em seco. Olhou para Tina, ela fez um sinal de negação com a cabeça. Olhou então para Burt e Jane, eles pareciam esperar por uma resposta.

Blaine respirou fundo e tomou sua decisão.

– Para casa. Depois, iria viajar. Ela queria fugir de você que, na visão dela, era um monstro. – Disse o solista.

– Maldita! – O pai de Kurt gritou. – Vamos, temos que encontra-la agora. – Falou a todos

– Mas por quê? Ela sabe realmente quem matou o Sam?! – Tina cada vez se perdia mais naquela história.

Burt sorriu para ela.

– Você também, Jane. Venha comigo, talvez precisemos de sua ajuda. Todos para o carro. — Disse e correu.

– Será que a Frida nos escondeu algo? – Perguntou a mulher a Blaine.

Ele suspirou e nada falou. Apenas seguiu Burt. Os outros fizeram o mesmo em seguida.

Burt acelerou o carro. Tina e Blaine no banco de trás e Jane foi na frente com ele. Por vários minutos, ele dirigiu e nada falava aos dois que estavam atrás. Era como se eles não existissem. Conversava aos cochichos com a outra senadora.

Tina mandou uma mensagem para Blaine.

“Queima de arquivo”

“O quê?” Ele a dirigiu um olhar sem entender.

“É isso mesmo! Eles vão nos levar a algum lugar e nos matar. Está óbvio de que foi um plano. Os dois devem estar mancomunados na morte do Sam. Agora é nossa vez, Blaine.”

O solista engoliu em seco. Olhou para frente, fazia sentido. Burt dirigia sem parar e, onde quer que ele fosse, não estacionava. Parecia procurar o local ideal para aquilo, para outro crime.

“E agora, o que fazemos?” Blaine enviou.

“Deixe comigo, eu estou preparada.”

Devagar, Tina levou a mão para baixo. B. a acompanhou com os olhos. A mulher estava de bota. Ela levou a mão a lateral do calçado e baixou um zíper que a fechava. Blaine gelou.

“Que tipo de filme você anda vendo?! Cada hora eu me assusto mais com você, Tina. Não faça nada, sua louca!!! Guarde isso!!!”

De nada serviu a mensagem, Tina puxou um pequeno punhal que guardava ali. Lentamente, ela o tirou e posicionou. Blaine estava apavorado. O solista queria gritar, mas sufocou o som em sua garganta. A mulher mirou bem no pescoço de Burt, na veia jugular. Tinha que cortar, não afundar a lâmina em seu pescoço. Queria ver o sangue daquele maldito jorrando.

Tina preparou-se para deferir o golpe, sua mão tremia e seus lábios estavam secos. Se ela errasse, seria o fim. Burt os mataria ali mesmo. Ela começou a contar mentalmente. No três o mataria.

Um...

Sua respiração ofegava, Tina tremia muito ainda. Blaine havia fechado os olhos, não queria ver a cena.

Dois...

Ela observava o contorno do pescoço de Burt e um traço, que era certamente a veia jugular que descia, drenando todo o sague podre e sujo da mente articulosa daquele homem.

Três...

Era hora, ela subiu a mão e começou a descer.

– Não! – Blaine gritou.

A mão de Tina foi freada, o solista a segurava em seu pulso.

– Sem mais sangue, Tina. Eu não quero mais isso. – Disse ele.

Ela ficou apavorada, olhou para Burt e Jane. Ele havia freado o carro, estava imóvel, junto da outra mulher, olhando para a lâmina, que brilhava afiada na mão de Tina.

– Você é louca?! – Gritou – Eu devia ter metido uma bala na sua cabeça quando tive a oportunidade! – Esbravejou. – Tome isso dela, Blaine. Vamos!

O solista o fez, arrancou o punhal das mãos de Tina e o guardou.

Burt parecia aliviado, uma gota de suor descia de sua testa.

– Agora, é melhor ficar quietinha. É sua última chance de se comportar, senão... – Ela a olhou sorrindo.

Tina sentiu um calafrio, aquele olhar era cheio de maldade e fúria. Achou melhor obedecer.

“Frouxo” Enviou a Blaine.

“Louca” Ele respondeu.

Após mais um tempo, Burt enrolou em uma rua meio deserta e estacionou. Já era noite.

– Aqui, a casa é aquela. – Disse apontando para um local afastado.

Tina e Blaine viram umas luzes. Eles sentiram o coração menos pesado, poderia não ser o fim.

Eles então desceram. Caminharam um pouco até chegar à casa. Estavam mais aliviados. Burt, afinal, não os mataria. O homem tocou uma campainha. Uma mulher abriu.

– Pois não? – Perguntou à porta.

Todos se olharam. Aparentemente, era uma mulher. Mas tinha uma voz meio grossa, que lembrava a de um homem e, olhando para o corpo, tinha algumas feições masculinas.

– É aqui que a Frida mora? – Perguntou Burt.

– Sim. Minha filha está no quarto, mas ela está prestes a sair. Não sei se poderá falar com alguém agora. – Disse.

Filha. Sam nunca havia falado os pais de Frida, ele talvez não os conhecesse. E aquela pessoa, ela era de fato muito estranha.

– Não tem importância. Queremos vê-la. – Disse Blaine.

A mulher pensou um pouco. Alguém falou algo atrás dela, só então os convidou para entrar.

Na sala, estava um homem sentado em uma poltrona lendo algo.

– Quem são essas pessoas, meu amor? – Perguntou.

– São amigos da Frida, querido. – Disse a mulher.

– Eu sou o patrão dela. – Falou Burt.

Os pais de Frida então se olharam.

– Você disse... patrão? – A mulher parecia estar assustada.

– Sim. – Burt sorriu. – Vamos, vão chama-la. Preciso conversar com ela.

A mulher assentiu, ainda nervosa, e subiu. Foi chamar a filha.

Após algum tempo, Frida desceu ao lado dela. A garota estava cabisbaixa. Lentamente, Blaine se locomoveu até ficar mais à frente do que todos. Tina olhou aquilo sem entender. O solista também parecia triste.

Frida estava na sala, frente a frente com Blaine.

O solista dirigiu um olhar a ela, somente raiva existia ali.

– Por quê? – Gritou ele.

Frida nada falou, ela permaneceu imóvel. Os pais da garota se olhavam, sem entender. Tina também parecia perdida.

– O que está havendo aqui? – Perguntou a asiática a Burt.

– Apenas observe. – Disse o pai de Kurt.

Blaine respirou fundo. Ele tinha chamas nos olhos de tanta fúria.

– Eu vou perguntar de novo e pela última vez. – Falou em um tom imperativo – Por quê?

Frida levantou a cabeça, a mulher que a foi buscar estava ao seu lado. Ela deu a mão a aquela que parecia ser sua mãe.

– Por eles, por minha família. – Disse. Pela primeira vez, ela não parecia sofrer ao tratar daquele assunto – Pelos mesmos motivos que o Sam lutou a vida toda, para proteger os meus.

– Eu desejei que você fosse feliz! – Esbravejou B. – Eu chorei ao seu lado no velório dele. Como pôde ser tão cínica! – Gritou – Sua assassina! Assassina!

Os pai de Frida levantou-se da poltrona, assustado. Como que por impulso, foi para o lado da filha também e segurou sua mão. A moça começou a chorar. Mas não parecia em nada desesperada.

– Você não entende. – Ela disse – Eu sofri e sofro. Veja meu estado, eu estou deplorável. Eu amava o Sam, o amei de todo coração. Ele era o homem mais magnífico que já existiu. O melhor chefe, o político exemplar, um pai de família sem igual. – Ela limpou o rosto e encarou B. — Ele morreu como um herói, como um mártir. Com certeza, o Sam Evans entrou para a história desse país.

Frida falou aquilo com os olhos brilhando, como se estivesse cheia de orgulho. Blaine apenas balançou a cabeça. Toda aquela dor da perda o tomou de novo.

– Só uma coisa não se encaixa. – Jane aproximou-se também – No que matar o Sam ajudaria a salvar sua família?

Frida riu.

– A culpa é sua, toda sua. – Disse acusando Jane – O Sam lutou a vida toda para aquilo que era justo e devido a uma minoria. Aí veio você e, do nada, resolve querer tirar isso. Quando o Sam me contou sobre o Burt querer te matar e de como ele o convenceu a não fazer isso, porque iria torna-la uma mártir, logo todo o plano se formou na minha cabeça. E tudo teria dado certo, se não fosse a maldita luva que eu esqueci lá! – Ela falou.

De repente, tudo voltou a cabeça de Frida.

Ela subia as escadas ofegante, tinha que ser rápida. Estava lá desde cedo, observando a festa e esperando a hora oportuna de agir. Blaine e Marley haviam saído, essa era sua chance.

Chegou de frente a porta do apartamento de Sam e tocou a campainha, a porta se abriu.

– Frida? O que faz aqui? – Perguntou o loiro, que estava extremamente alegre pela vitória do dia – Vamos, entre! Venha comemorar comigo! Logo o Blaine e a Marley voltarão.

Um frio em sua espinha, a moça tinha que ser rápida. Ela entrou.

– O que tem? Está tão calada... E estranha. – Sam comentou.

– Eu peço desculpas, Sam. Saiba que eu te amo, de todo o coração. Mas preciso defender minha família, assim como fez com a sua hoje. – Falou ela tremendo.

– Do que fala, Frida? Você não parece bem. Quer beber algo?

– Sim. – Disse ela – O seu sangue.

A moça puxou a arma e atirou. O disparo foi ouvido lá de baixo. Ela precisava ser rápida, logo Blaine voltaria e ela não queria mais vítimas. Contudo, se fosse preciso, ela faria.

Um barulho veio do quarto de Mag, Frida tremeu. Olhou para o chão, Sam estava se afogando em uma poça do seu próprio. Estava feito, não tinha mais volta. Frida correu. No meio do percurso, bateu em um móvel e sua luva rasgou um pedaço, caindo em seguida.

Frida voltou para apanha-la, mas ouviu um barulho de uma porta se abrindo. Podia ser algum quarto.

– Droga! – Ela resmungou e correu.

Escondeu-se em um lugar, até Blaine e Marley passarem e entrarem. Frida então correu, desceu. No meio do caminho, ouviu o grito de horror dado por Blaine Anderson. Seu coração estava destroçado por ele, suas lágrimas desciam feito um rio.

Ela voltou a si, estava novamente em sua sala.

– Vamos, me responda! – A senadora estalou os dedos. Era como se a moça estivesse em transe. Jane riu. – E você hein, Burt? Me matar? Pensei que fosse menos amador. Comentar logo com o Sam. – Riu novamente.

– Cale a boca, sua suja! – Esbravejou Frida – Não percebe? Não vê? – Apontou para os pais.

Todos olharam bem para eles.

– Claro. – Disse Jane, espantada – Não são uma mãe e um pai, são realmente dois pais.

Foi então que a ficha do restante caiu. A mulher tinha uma voz estranha, além de um corpo e rosto um pouco másculo.

– Aos três anos. – Começou Frida – Eu fui abandonada por um casal heterossexual, casal esse que me gerou, mas que em nenhum momento algum deles mereceu o título de pai, ou de mãe. – Disse. – Fui então para um orfanato, vivi lá dos três aos seis anos. Foram os dias mais terríveis da minha vida. A dor de uma criança abandonada não é nada comparada a uma criança abandonada e sem ninguém. Tios, avós, família, eu não tinha nada disso. Até que eles chegaram. – Pegou na mão dos dois pais e sorriu para cada um – Como uma luz no final do túnel, eles chegaram e me salvaram. Não sei o que seria de mim sem meus dois pais. Eles me mostraram o que é ter uma família, alguém na vida por quem a gente faz tudo para ver feliz.

Jane riu. Os outros ouviam atenciosamente.

– Sim, uma família. – Frida continuou – Foi isso que sempre fomos e seremos. Embora vivessem juntos, só um deles pôde me registrar como filha naquela época. Não foi fácil, o preconceito ainda era algo muito entranhando em nossa sociedade. Pessoas como você, Jane, existiam em maior quantidade. Mas o tempo passou e pessoas como o Sam foram surgindo. Há alguns anos, eu consegui ver a luta de uma vida valer a pena. Meus pais, de fato, foram meus pais perante a lei. Eu puder ter o nome dos dois no registro. Foi o dia mais feliz da minha vida. – Disse emocionada.

De repente, Frida passou a ser tomada por uma raiva descomunal, ela dirigiu um olhar para Jane e ficou claro para todo ali uma coisa. Talvez não fosse Sam que a garota quisesse ter matado.

– Aí você apareceu. Quando tudo estava perfeito, quando a minha felicidade e vida estavam ganhas, você apareceu e eu vi tudo desmoronando. – Ela olhou para Blaine, parecia cheia de vergonha — Não tive outra forma de conseguir isso, Blaine. Eu fiz o que o Sam sempre fez, defendi a minha família com unhas e dentes. Tenho certeza de que ele faria o mesmo no meu lugar, ele me mataria se fosse preciso para salvar a você e seus filhos. E eu morreria feliz, pois seria uma causa justa.

Blaine sentia uma mistura de dor, pena e ódio. Não sabia mensurar qual desses sentimentos pesava mais naquele momento.

– Se você não tivesse sido tão idiota, Jane. – Disse o solista – Talvez as coisas pudessem terem sido diferentes.

– E seriam. – Falou Frida – Eu amava o Sam, graças a ele eu pude realizar o maior de meus sonhos. Por isso o admirava daquela forma. Eu sofri tanto quanto vocês pelo que fiz, ou mais. Acreditem.

Jane voltou a falar, sempre cheia de sarcasmo.

– Quer dizer que ela soa como uma louca extremista e eu que sou a vilã? – Jane riu. – Eu não mereço ouvir isso. – Resmungou.

Frida aproximou-se mais, olhou para Jane, depois para Burt também.

– Vilões não existem na vida real, são coisas de cinema e dos livros. Na vida real, Jane, somos todos pessoas cheias de bondade e maldade. Às vezes, um pesa mais do que o outro e, em momentos de decisões difíceis, somos tomados a recorrer a essa vilania a que se refere. Então acho que todos aqui somos vilões, se pudermos classificar assim. – Disse sorrindo.

Burt foi até ela também.

– Você tinha futuro, Frida. Para que foi me entregar? – Falou meio baixo. Mesmo assim, todos ouviram. – Nós poderíamos ter lhe dado uma grande carreira política.

Blaine, Tina e os pais da garota estavam perplexos com o que ouviram. Frida balançou a cabeça, ela odiava Burt. Então tomou outra atitude extrema.

Ela cuspiu na cara do senador.

– Eu tenho nojo de você! – Disse – E de tudo isso que se tornou. – O olhava consternada — Como um homem tão bom quanto você pôde se deixar corromper por esse sistema podre? Você envergonha a todos, a sua luta e ao seu filho, Burt. Pense nisso. Eu já ouvi falar do Kurt, sei que ele é um homem de bem e extraordinário. Você é o inverso dele.

Aquilo mexeu com o senador. Mas não só com ele. Blaine também, ele concordava com Frida e havia pisado na bola com o filho de Burt, com um dos seus melhores amigos. O homem mais velho parecia alterado. Levou um lenço ao rosto e o limpou.

– Você cometeu o maior erro de sua vida agora, Frida. – Disse Burt – Não deveria ter se colocado contra mim, não nessa situação que se encontra.

A moça riu.

– Você quem cometeu o maior erro de sua vida quando se pôs no meu caminho, Burt. Não pense que eu afundarei junto. Você vem comigo. – Disse o olhando nos olhos.

O dossiê. Burt pensou e engoliu em seco.

Frida notou que o homem percebeu, ela se deliciava por dentro.

– Você não... – Ele começou.

– Sim. – Ela o interrompeu – E a essas horas ele já está em mãos da polícia. É o seu fim, Burt Hummel. – A moça então olhou para Jane – E você, senadora Lohan, antes de tentar lutar contra alguma minoria de novo, lembre-se de uma coisa.

– Pois não, minha querida. Sou toda ouvidos. – Disse sorrindo.

Jane havia destruído dois inimigos no mesmo dia, não havia como estar triste.

– Eu ouvi falar que seu neto estava para nascer, é verdade? – Perguntou Frida.

Ela assentiu. A moça sorriu.

– O que me neto tem a ver com tudo isso?! Eu não entendo sua pergunta.

– Simples, ele estará vivo em breve. Será um ser humano como eu e você. Sujeito a todas as peças que o mundo pode pregar. Não se esqueça que a homossexualidade não é uma doença, não é homossexualismo. Por isso, não há vacina, seu neto não está incólume, Jane. Um dia, ele vai crescer e, por ironia do destino, poderá fazer parte de alguma minoria. Você e suas leis se voltarão contra ele e você poderá estar indo contra um dos seus, contra alguém que deveria amar e proteger, como eu fiz. – Novamente, Frida sorriu para os pais. Os três se aproximaram e se abraçaram. – Pense nisso, Senadora.

A mulher ficou consternada com o que ouviu. Queria responder, mas nada veio à cabeça. Ela só conseguia olhar para a moça, cheia de fúria.

– Eu estou pronta. – Disse Frida.

– Para quê?! – Perguntou um dos seus pais.

– Para me entregar. – Ela respondeu sorrindo – Eu fiz o que tinha que fazer, pai. É hora.

Os dois pais de Frida a abraçaram forte, chorando.

– Está feito, Blaine. Eu provei que era inocente. – Disse Tina ao solista.

– Sim. Obrigado. – Ele respondeu. – Se não fosse sua determinação e coragem, eu não teria conseguido. Peço desculpas de novo.

– Não é só a mim que você devia desculpas, não se esqueça.

– É, eu sei. – Disse B., com um semblante triste.

O pai de Frida que estava sentado na poltrona, no começo, levou Blaine, Tina e a filha a polícia. A moça iria se entregar e confessar o crime.

Burt e Jane seguiram no carro do homem. No meio do caminho, a senadora recebeu uma ligação.

– Alô? Filho, aconteceu algo? Você me ligando a noite? – Perguntou ela, que ficou em silêncio por um tempo, apenas ouvindo – É sério?! Mas que alegria! – A mulher quase que pulava do carro, ela queria saltar e gritar por aí, de tão feliz que estava – É um menino? – Seus olhos se encheram de lágrimas – Já, já eu chego. Não esquece que eu te amo, um beijo! – E desligou.

– Vejo que seu neto nasceu. – Disse Burt.

Ela assentiu, ainda eufórica.

– Pense no que a Frida disse. Ela pode ter razão, afinal. – Disse o homem.

A senadora então mudou de humor, ficou pensativa.

– Eu pensei. E tomei uma decisão. – Disse Jane.

– Qual?

– Eu não vou mais tentar mudar as emendas constitucionais do seu partido. Continuo achando errado, mas cada um leva a vida que quer. No fim, a condenação ou absolvição virá, cabe a eles sofrerem as consequências. Eu não vou julgar mais ninguém, nem tentar impedir suas práticas.

Burt que dirigia, quase bateu em um poste a frente.

– Você fala sério?! – Ele perguntou surpreso.

Ela anuiu.

Enfim, a luta da vida de Sam estava ganha. Jane Lohan estava derrotada. Mesmo que não por votos no congresso, mas sim pelo seu coração mole de avó. Tudo que Frida falou e fez a tocou, a família novamente falou mais alto. Tudo que Jane menos queria era, um dia, ver aquele pedaço de vida que havia acabado de vir ao mundo sofrer. Ela não permitiria isso, nunca.

Blaine chegou em casa já de madrugada. A primeira coisa que fez foi olhar para o chão, para o lugar onde havia encontrado Sam jazendo em uma poça de sangue naquele dia, que foi o pior de sua vida. Ele suspirou, lembrar do loiro foi como reacender a chama de uma vela apagada, ou reabrir uma ferida já fechada. O solista se sentiu invadido por saudade. Foi até um aparelho de som e o ligou. Precisava cantar e desabafar.

Everything I want I have

Money, notoriety and Rivieras

I even think I found God

In the flash bulbs of your pretty cameras

Pretty cameras, pretty cameras

Am I glamorous? Tell me, am I glamorous?

Hello? Hello?

Can can you hear me?

I can be your china doll

If you want to see me fall

Boy you're so dope

Your love is deadly

Tell me life is beautiful

They all think I have it all

I've nothing without you

All my dreams and all the lights mean

Nothing without you

Summertime is nice and hot

And my life is sweet like vanilla is

Gold and silver line my heart

But burned into to my brain all these stolen images

Stolen images, baby, stolen images

Can you picture this?

Picture a life we could've lived?

Hello? Hello?

Can can you hear me?

I can be your china doll

If you like to see me fall

Boy you're so dope

Your love is deadly

Tell me life is beautiful

They all think I have it all

I've nothing without you

All my dreams and all the lights mean

Nothing without you

We were two kids, just tryin' to get out

Live on the dark side of the american dream

We would dance all night, play our music loud

When we grew up nothing was what it seemed

Hello? Hello?

Can can you hear me?

I can be your china doll

If you like to see me fall

Boy you're so dope

Your love is deadly

Tell me life is beautiful

They think that I have it all

I've nothing without you

All my dreams and all the lights mean

Nothing without you

Hello? Hello?

Can can you hear me?

I can be your china doll

If you like to see me fall

Boy you're so dope

Your love is deadly

Tell me life is beautiful

They think that I have it all

I've nothing without you

All my dreams and all the lights mean

Nothing without you

All my dreams and all the lights mean

Nothing if I can't have you

Ao fim da canção ele chorava. Marley estava na porta do quarto de Mag, havia acordado com a cantoria. Ele correu até a amiga e a abraçou.

Estava feito, o caso do Sam estava resolvido. Blaine poderia, enfim, recomeçar.

Alguns dias depois, Kurt voltou a NY. Ele ouviu os boatos sobre o pai e o tal dossiê. Correu para a cidade desesperado.

Entrou em casa louco, subiu ao quarto do pai correndo. Ele estava lá, sentado, olhando para uma arma.

– Pai? – Ele correu até o homem – Dê-me isso, pai! Agora. – Pediu a arma.

– Não se preocupe, meu filho. Não estou pensando em nenhuma besteira. Essa arma foi a que a Frida usou para matar o Sam e plantou aqui em casa. – Explicou ele.

Ele então assumiu um semblante de alivio. Aproximou-se do pai.

– Eu ouvi falar sobre isso. E não só sobre isso. – Falou Kurt, que estava triste.

– O dossiê, não foi?

O filho assentiu.

– Eu não tenho o que falar, sinto muito. – Burt estava muito triste também.

– Por quê? – Perguntou, ele nunca iria entender os motivos de Burt para se tornar tão sujo — Eu sempre pensei que você fosse um exemplo na vida pública. E quando eu via aqueles casos de corrupção na TV, eu nunca pensei que você pudesse ser um deles. Não você, o pai que sempre lutou por tudo de melhor para mim, que entrou na política para defender e assegurar meus direitos.

Kurt parecia decepcionado. Burt nada respondeu, um lágrima se formava no canto do seu olho.

– Você acha que pode ser preso? – Ele perguntou ao pai.

– Não. Eu não matei ninguém, como a Frida, nem me entreguei ou confessei algum crime. Estou sob investigação, mas só me entregarei caso condenado. Meus advogados estão intercedendo por mim, não se preocupe.

O filho foi até o pai, que estava sentado em um poltrona no quarto, ele se ajoelhou e o abraçou.

– Eu te amo. – Disse Kurt. – E assim como você sempre lutou por mim, eu lutarei por você. Aconteça o que acontecer, meu pai. – Ele sorriu.

Aquilo sorriso era o mundo de Burt, seu porto seguro. Ver Kurt feliz era o que o dava força. O filho e Carole eram sua família, ele só fez tudo que fez para vê-los feliz. Achava aquilo justificável, então. Embora as leis de seu país não concordassem com ele.

– Você é tudo em minha vida, meu filho. – Respondeu ele sorrindo – Agora, é melhor você sumir por um tempo. Pedi a Carole que se acolhesse na casa da Rachel, peço a você que vá também. Os jornalistas vão bater em cima de você, caso fique. Eu não quero isso.

– Tudo bem. – Disse Kurt, que levantou-se e limpou as lágrimas.

Seu celular tocou, ele olhou e desligou.

– Quem era?

– O Blaine. Mas não quero falar com ele, não agora. Ele me liga desde que descobriu a verdade. Entretanto, ainda estou muito chateado. Acredita que ele chegou a me acusar?

– A mim também. – Burt riu – No fim, ele quebrou a cara. Mas eu não o culpo, meu filho. A raiva é um sentimento que nos envenena, aprenda isso.

Kurt concordou com a cabeça.

– Só mais um pedido, será que eu posso? – Perguntou Burt.

– Todos que quiser, meu pai. – Respondeu sorrindo o filho.

– Não leia o dossiê, por favor.

Kurt suspirou, ele não leria, mesmo se o pai não tivesse pedido. Tinha uma imagem perfeita de Burt e queria mantê-la até o fim de sua vida. Ele era o melhor pai do mundo, independente do homem que fosse

Ele voltou a abraçar o pai e fez o que ele pediu, se foi. Só que não para a casa de Rachel. Ele decidiu sumir de verdade por um tempo e assim ele fez.

Após isso, um mês se passou. Rachel iria lançar seu single e Artie tinha um anuncio a fazer. Para isso, resolveram marcar uma festa no Scandals. O advogado de Brittany conseguiu uma autorização e ela também foi, mesmo sendo a noite.

– Parece que o Kurt sumiu mesmo, não foi? – Marley perguntou a Blaine, que estava em um canto ao lado dela.

Blaine assentiu.

Santana e Dani estavam ali, conversavam com Tina e Brittany, que pareciam nutrir uma amizade muito especial uma pela outra no último mês.

– E aquelas duas, será que está rolando algo? – Perguntou também Má.

Blaine riu.

– Do jeito que a Tina é confusa, não duvido. – B. olhou para outro canto, lá estava Jake – E vocês dois, vão se acertar quando?

Marley sorriu para o amigo e nada respondeu. Tomou um gole de uma bebida.

– É melhor deixar o tempo responder essa sua pergunta. Eu não tenho nada a declarar. – Sorriu e disse, por fim.

Então a porta se abriu, alguém entrou. Para a surpresa de todos, era ele.

– Kurt. – B. engoliu em seco.

Havia ligado para o filho de Burt durante muito tempo, na tentativa de se desculpar. Ele sempre recusava, até que trocou de número. Nem Rachel sabia onde ele estava, ou do novo número dele.

– Ele não deixaria de prestigiar a Rachel. – Comentou Marley.

Kurt então caminhou, calmamente, até Blaine.

– Oi, Blaine. Quanto tempo, não? – Falou de forma simpática.

– Sim, muito tempo. – B. sorriu – E eu tenho tanta coisa para te falar... Kurt, eu...

– Não agora, Blaine. Por favor. Viemos para ouvir em primeira mão o primeiro single da Rachel e porque o Artie tinha um anúncio a fazer, não?

Blaine assentiu, meio sem graça.

– Então deixe que Artie comece, veja. – Apontou, o cadeirante subia ao palco – Acho que ele tem coisas a falar, vamos ouvir e depois conversamos.

Kurt pegou uma taça e olhou para Marley.

– Um brinde então?

Ela também ficou sem graça, desconfiou dele por um tempo.

– Um brinde. – Disse corada.

Blaine pegou uma taça também e eles brindaram.

– A Rachel! – Disse Kurt.

– A Rachel! – Os outros responderam.

Voltaram todos os olharem ao palco, Artie já tinha o microfone em mãos. Era hora do anúncio, uma grande novidade estava por vir.

Notas finais
Música: Without You - Lana Del Rey E aí, surpresos? hahaha Em breve, o último capítulo. Não deixem de comentar e dar a opinião de vocês sobre esse! Abraços, até o fim - ou o recomeço!