Fins e Recomeços
10 4.10 - A Luva
Notas iniciais
Tina e Blaine se olharam por algum tempo, o solista ainda tinha raiva da mulher. Mesmo que não tivesse sido a autora do crime, a asiática tinha feito algo horrível para ele na noite do velório. Contudo, nos olhos dela, B. viu que mesmo que não quisesse, teria que deixa-la entrar. O modo determinado como ela agia o deixou curioso, então ele cedeu passagem.
Tina entrou e cumprimentou Marley com um olhar. B. apontou para o sofá e sentou em seguida. Ela permaneceu em pé.
– Eu serei breve. – Disse Tina, ainda tentando se manter firme.
– Então fale logo a que veio. – Pediu B.
Tina aproximou-se do solista e o encarou, olhou-o nos fundos dos olhos, precisava de sinceridade.
– Você acredita realmente que eu matei o Sam? – Perguntou.
Blaine desviou o olhar baixando a cabeça, não estava mais tão certo do que acreditava, ou em quem, naquele momento.
Tina assentiu, um pouco mais feliz.
– Ótimo. Já estamos bem melhor. – Disse a asiática – Eu sinto muito pelo que fiz, não há justificativa, eu sei. Nós nunca mais seremos amigos de novo, também sei disso. Mas não foi justo também todas as barbaridades que me disse, muito menos a acusação que me fez. Por isso, quero justiça, Blaine. – Disse a mulher.
Blaine a olhou, aquela não parecia a Tina que conhecia. Talvez por isso tivesse permitido ela ali. O solista levantou-se, cada vez mais curioso.
– Bem, o que quer que eu faça? – Perguntou.
– Primeiro, me peça desculpas. É o mínimo.
Marley e B. olharam-na surpresos. Aquele pedido era, no mínimo, comico.
– Nossa... – Blaine riu, aquilo soou grotesco, mas divertido. O solista olhou para Má, que assentiu – Então, tudo bem. Desculpe-me, Tina, por tudo que eu disse aquele dia. Palavras ditas em situações como aquelas não devem ser consideradas. – Falou.
Tina anuiu.
– Desculpado. Agora, eu quero mais que suas desculpas, quero provar minha inocência.
Blaine franziu o cenho, olhou para Marley de novo, ela também parecia não entender.
– Eu vou te ajudar a achar o culpado, Blaine. E nós vamos conseguir isso. Vou te provar que não sou esse monstro que você pensa, que você estava errado.
Blaine e Marley ficaram surpresos e, embora o solista não gostasse tanto mais de Tina, ele não poderia negar sua ajuda.
O dono do apartamento voltou a se sentar. Ficou pensativo. Nada falou.
– Se quer ajudar mesmo, Tina, sente-se então. – Disse Marley – Vamos conversar sobre como você podei fazer isso.
A asiática assim o fez, sentou-se. Má a acompanhou.
– Se se dispôs a ajudar, creio que já pensa em algo, não é? – Perguntou Marley, B. continuava calado.
– Sim. Primeiro, vocês já têm mais alguma suspeita? Fora eu, claro.
A pupila de B. se dilatou e seu punho se cerrou. Ele sabia que aquela pergunta viria, por isso estava calado. A asiática captou o sinal e sorriu. Ela percebeu porque B. não suspeitava mais de sua pessoa, ele tinha outro em mira.
– De quem você suspeita, Blaine? – Perguntou Tina.
O solista não queria falar, aquele era um jogo sem fim. Quanto mais alimentava as desconfianças, mais se afundava.
– Vamos, fale. – Pediu ela.
Novamente o silêncio, ele olhou para Marley. Também havia receio no olhar da amiga, não encontrou nenhuma resposta ali.
– Vocês vão ficar calados mesmo? – Insistiu Tina.
Blaine suspirou.
– Eu suspeito do Kurt. – Falou.
Se a asiática não tivesse sentada, talvez tivesse caído. Ficou boquiaberta e olhando para os dois, esperando explicações. Quais motivos Kurt teria para fazer aquilo? Era algo impossível na cabeça de Tina. Ela riu, perplexa. Olhou para B. de novo, viu que ele sofria com aquela desconfiança. Ficou triste pelo amigo, sua dor tinha proporções inimagináveis. Sorriu para ele.
– Tudo bem. – Disse, tentando confortá-lo – Vamos, conte-me por que acha que pode ser ele.
Blaine não conseguia, ele tentou, mas as palavras não saíram.
– Eu conto. – Disse Marley ao ver a situação do amigo.
Ela contou tudo a asiática.
Tina ouviu e analisou cada informação calmamente, talvez não fosse algo tão impossível como ela imaginou.
– Mas e a polícia? Ela não tem nenhuma prova? – Perguntou.
Desconfianças não levariam a nada, provas eram a chave de tudo.
– Uma luva. – Disse Blaine. – Essa é a única prova que temos.
– Eu quero vê-la, então. – Disse Tina e levantou-se – Se é o que temos, vamos trabalhar com isso.
Blaine e Marley já tinham ido ver a prova, eles sabiam que ela não ajudaria em nada. Na cabeça do solista, aquilo seria só alimentar esperanças.
– Vamos, Blaine, levante-se! – Exclamou Tina – Você vem comigo, não se esqueça que é algo que se refere ao seu marido.
– Tudo bem. – B. levantou-se, depois de relutar um pouco consigo mesmo.
Juntos, eles foram a polícia.
Marley permaneceu no local, tratou logo de arrumar o apartamento. Sem avisar a Blaine, ela também ligou para um corretor e o colocou à venda. Sabia que o solista nunca tomaria a iniciativa, ele, de certa forma, amava aquele lugar, mesmo não sendo mais seu lar.
A campainha tocou.
– Mas já? – Perguntou ela, em voz alta. – Que rápido, não saíram não faz nem meia hora. – Falou e foi abrir a porta.
Não era Blaine, muito menos Tina.
– Jake. – Marley engoliu em seco.
Ele entrou.
No arredores de Nova Iorque, Dani se preparava para um show. Seria em um parque, estava havendo um festival de artistas independentes naquela cidade e ela participaria.
Estava em seu trailer, mas não era a mesma coisa.
A mulher sentia muita falta de Santana. Às vezes, se pegava olhando fotografias antigas que tinha ao lado dela. As abraçava sempre com um enorme peso no coração. O pior de tudo era sempre a noite, antes de dormir, pegar o celular e olhar as fotos que tinha ao lado da latina, era como uma morte lenta e dolorosa.
Estava quase na hora do show, Dani fazia justamente aquilo, olhava fotografias da morena em um álbum antigo. Eram fotos de quando elas começaram a viajar.
Ela suspirou.
– Você fez tanto por mim, por que teve que ser assim? – Perguntou ao álbum e sorriu – Cantar sozinha, depois de tanto tempo... Como eu conseguirei? – Perguntou de novo.
– Talvez você não precise fazer isso sozinha. – Disse uma voz ao fundo.
Era uma voz conhecida, o coração da mulher palpitou. Não poderia ser, ela pensou. Então virou-se, era.
Santana e Dani ficaram frente a frente.
A morena havia corrido até ali quando descobriu o paradeiro da mulher. Ao chegar na cidade, soube do festival e então foi fácil saber onde encontrar Dani.
Elas correram uma a outra e se abraçaram por um tempo.
– Por que você se foi? Disse que ia esperar. – Falou Santie.
Dani a olhou, incrédula. Começou a chorar de alegria.
– Eu não consegui, fui embora naquele dia mesmo. – Respondeu ela tristemente — Eu pensei... Bem, eu pensei... – Não conseguia falar.
– Que eu ficaria com a Brittany. – A morena completou – Vê? Você não me conhece tão bem como deduz. Mas tudo bem, terá muito tempo para aprimorar seus conhecimentos. – Falou sorrindo a latina e abraçou de novo.
– Desculpe-me. – Disse a mulher de cabelos tingidos, ainda chorando.
– Você é minha, nem Brittany, nem ninguém pode mudar isso, entendido? – Perguntou Santie a mulher.
Ela assentiu. Santana a beijou.
– Eu fechei com a Rachel para abrirmos parte da turnê dela, o que acha?
Dani a olhou, surpresa. Seria uma ótima oportunidade de divulgar seu trabalho e firmar uma carreira ao lado de Santana.
– Eu acho que estamos prestes a deixar de ser artistas independentes! – Brincou.
Santie riu, olhou para a mulher e sorriu. A latina pegou na mão da companheira.
– Pronta para cantar? – Perguntou.
– Ao seu lado, estou pronta para tudo. – Respondeu sorrindo – Cantar, amar e ser feliz!
Elas então foram.
Subiram ao palco e cantaram.
Ambas:
Froo-oo-oo-oot
La la lala lala
Ju-u-u-uice
La la lala lala
Santana:
I’ve seen seasons come and go
From winter sun to summer snow
This ain’t my first time at the rodeo
Nature ain’t a fruit machine
She’s gotta keep her credits clean
Good things come to those who wait
But I ain’t in a patient phase
It’s summer time and I hang on a vine
They’re gonna make me into sweet red wine
Hanging around like a fruit on a tree
Waiting to be picked, come on cut me free
Come on fill your cup up
Looking for some good luck
Good luck, good luck to you
Hanging like a fruit
Ready to be juiced
Juiced, juiced
Ambas:
Living la dolce vita
Life couldn’t get much sweeter
Don’t you give me a reason
That it’s not the right season
Baby, I love you a lot
I’ll give you all I’ve got
Yeah, you know that it’s true
I’ve been saving all my summers for you
I’ve been saving all my summers for you
Like froot, like froot
Dani:
Baby, I am plump and ripe
I’m pinker than shepherd’s delight
Sweet like honeysuckle late at night
Leave it too long I’ll go rot
Like an apple you forgot
Birds and worms will come for me
The cycle of life is complete
I’m your carnal flower, I’m your bloody rose
Pick my petals off and make my heart explode
I’m your deadly nightshade, I’m your cherry tree
You’re my one true love, I’m your destiny
Come on fill your cup up
Looking for some good luck
Good luck, good luck to you
Autumn, I’ll be gone
Birds will sing their mourning song, song
Santana:
Living la dolce vita
Life couldn’t get much sweeter
Don’t you give me a reason
That it’s not the right season
Baby, I love you a lot
I’ll give you all I’ve got
Yeah you know that it’s true
I’ve been saving all my summers for you
I’ve been saving all my summers for you
Like froot, like froot
Ambas:
Oh, my body is ready
Yeah it’s ready, yeah it’s ready for your love
Oh, my branches are heavy
Yeah they’re heavy, yeah they’re heavy
Living la dolce vita
Life couldn’t get much sweeter
Don’t you give me a reason
That it’s not the right season
Baby, I love you a lot
I’ll give you all I’ve got
Yeah you know that it’s true
I’ve been saving all my summers for you
I’ve been saving all my summers for you
Like froot, like froot
Living la dolce vita
I’m in love
Living la dolce vita
I’m in love
I’m in love
Fizeram uma linda apresentação e cantaram da forma mais apaixonada que puderam. Olharam-se do começo ao fim, distribuindo sorrisos e gracejos tanto uma para a outra, como para o público.
Saíram do palco. Era um novo recomeço para a história delas, elas esperavam por felicidade dessa vez.
Tina e Blaine foram à delegacia. Chegaram e chamaram pelo delegado. Sentaram e esperaram um pouco, logo o homem chegou.
Ele cumprimentou a ambos.
– Em que posso ajuda-lo, Sr. Anderson? – Perguntou o delegado.
– Nós gostaríamos de ver as provas do caso do Sam. – Respondeu Tina, se metendo na conversa.
– Claro. Mas... Vocês querem ver a luva? – Ele olhou para Blaine, confuso – O senhor naquele dia não parecia interessado nela, apareceu algo novo? Algum suspeito? – Perguntou o delegado.
Blaine ficou incomodado com a pergunta, olhou para Tina que fez um gesto com a cabeça, negando.
– Não. – Disse ele- Só queremos averiguar melhor a prova, é isso.
– Tudo bem então. – Disse o homem – Vamos, me acompanhem.
E seguiu até uma sala.
Chegaram e ele os entregou um saco plástico contendo a luva.
Blaine a pegou e olhou, era doloroso. A mão do assassino do seu marido havia estado ali dentro, ele quis estraçalhar o objeto. Tina então o tomou de sua mão. B. e o delegado a olharam, sem entender. Ela a analisou calmamente.
Após um tempo, entregou ao homem de volta. Calados, eles saíram da delegacia.
– Então, agora vê que é só uma luva? – Perguntou o solista do lado de fora.
– Não é apenas uma luva, Blaine, é A luva. Ela diz mais coisas do que imagina, tenho certeza de que é a chave para descobrimos quem matou o Sam. – Disse sorrindo.
Blaine cerrou o cenho, pensou novamente na luva. Não via nada de especial nela, nada que pudesse levar ao autor do crime.
– É uma luva da PRI, não notou?
– Agora que você falou, acho que sim, eu vi isso, mas não dei bola.
– Ela não é uma estilista qualquer, desenha peças aclamadas e usadas em larga escala pelo público gay. – Falou a asiática.
– Aonde você quer chegar, Tina? Não enrole.
– Simples. A pessoa que matou o Sam é alguém ligado ao mundo gay, ou próximo a um. Pode ter sido até mesmo um gay. – Disse ela.
Blaine engoliu em seco. Novamente, um nome passou pela sua cabeça. A mulher notou isso.
– É, eu pensei a mesma coisa que você. – Disse Tina. – Mas, antes de mais nada, precisamos ir a alguém que pode nos ajudar ainda mais.
– Quem? – O solista não conseguia imaginar ninguém.
– Frida, a secretária. Ela era quase a sombra do Sam. Se tem alguém que pode nos ajudar, é ela.
A secretária não havia passado pela cabeça do solista antes. Ela amava e o admirava. Também acusava Jane piamente, provavelmente pelos mesmos motivos que o resto da população do país. Contudo, ela poderia ajuda-los de alguma forma, qualquer informação a mais poderia ser crucial nesse caso.
Eles então saíram, foram atrás de Frida.
No apartamento, Jake e Marley encontravam-se sentados. Ele entrou e ela foi preparar um café. Depois o serviu e pegou para ela também, ambos sentaram-se, Má esperava que ele falasse algo.
– Nós não podemos fugir disso, Marley. – Disse ele.
– A que se refere?
– De tudo que vivemos, do que significamos um para o outro, do beijo que demos naquele dia. – A olhou nos olhos, não pôde se segurar — Disso... – Falou e beijou Marley.
Ela não resistiu, se entregou ao beijo, como da outra vez. Esse demorou um pouco mais e foi mais apaixonado ainda. Quando cessou, ela estava envergonhada.
– Vê? Você ainda gosta de mim. – Disse Jake sorrindo.
Marley levantou-se e suspirou. Olhou para a janela, para as nuvens.
– Eu nunca vou deixar de gostar de você, seja de uma forma ou de outra. – Falou enquanto olhava para o nada – A questão é tudo que houve entre nós e entre eu e o Ryder. – Ela então virou-se, tinha um semblante triste – Desde a primeira vez que cogitou-se a hipótese de eu ir a Lima novamente e trazer você para cá, eu tremi, Jake.
– Mas eu não entendo, você está livre agora, Marley. Ele morreu, não voltará mais e você não pode ficar só até o fim de sua vida. – Disse ele.
Ela riu de forma meio desconcertada.
– Apenas me ouça. – Disse e pegou o celular, colocou algo para tocar.
Marley posicionou-se a frente do moreno e começou a cantar.
First you loved me and I let you in
Made me feel like I was born again
You empowered me, you made me strong
Built me up and I can do no wrong
I let down my guard, I fell into your arms
Forgot who I was, I didn't hear the alarms
Now I'm down on my knees, alone in the dark
I was blind to your game
You fired a shot in my heart
Took me to heaven and let me fall down
Now that it's over, I'm gonna carry on
Lifted me up, and watched me stumble
After the heartache, I'm gonna carry on
Living for love
I'm living for love
I'm not giving up
I'm gonna carry on
Living for love
I'm living for love
Not gonna stop
Love's gonna lift me up
Love
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Love
Lift me up
I could get caught up in bitterness
But I'm not dwelling on this crazy mess
I found freedom in the ugly truth
I deserve the best and it's not you
You broke my heart, but you can't bring me down
I was falling apart, was lost, now I'm found
I picked up my crown, put it back in my head
I can forgive, but I will never forget
Took me to heaven and let me fall down
Now that it's over, I'm gonna carry on
Lifted me up, and watched me stumble
After the heartache, I'm gonna carry on
Living for love
Living for love
I'm not giving up
I'm gonna carry on
Living for love
I'm living for love
Not gonna stop
Love's gonna lift me up
Love
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Love
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Up, up, up, up
Now lift me up, up, up, up
Love's gonna lift me up
(Love's gonna lift me up)
Up, up, up, up
Now lift me up, up, up, up
Love's gonna lift me up
Now lift me up
Now lift me up, up, up, up
Living for love
Living for love
I'm not giving up
I'm gonna carry on
Living for love
I'm living for love
Not gonna stop
Love's gonna lift me up
"Man is the cruelst animal
At tragedy, bullfight and crucifixions he has felt best on Earth"
Ao fim, ela voltou a falar.
– Eu vive só pelo amor, Jake. Esses últimos anos, desde o ensino médio até aqui, eu vivi por ele. Primeiro, você. Depois, o Ryder. Eu preciso de um tempo para mim, entende? Nos dois relacionamentos, eu sai ferida, destruída. Eu não suporto mais sofrer. – Ela suspirou e voltou a sentar.
Jake a abraçou. Ela desabou em lágrimas. De repente, Marley sentiu-se como no ensino médio de novo. Aquela garota meiga, gentil e frágil. Vulnerável a tudo e nos braços do jovem Puckerman.
– Tudo bem, eu estou aqui. – Disse para a mulher.
– O amor já me feriu demais, espero que como diz a música, um dia ele possa me salvar. – Falou Má.
– E vai, o amor que sentimos um pelo outro, eu sei que ele pode.
– Eu me sinto tão culpada, sabe? O Ryder, eu sei que ele sonhava em ser pai. Comigo, ele nunca poderia. Cogitávamos adotar uma criança antes dele morrer. Às vezes, me pego pensando se não foi culpa minha, se ele não enlouqueceu por causa da nossa relação, do trabalho estressante e do sonho frustrado de nunca poder ter um filho comigo. – Desabafou nos braços do moreno.
– Claro que não. – Disse Jake – Eu sei que ele era um cara incrível, ele iria adorar adotar um filho com você.
– E não é só isso, eu sonho com ele a noite, Jake. – Falou a mulher.
– Com o Ryder?
Ela o dirigiu um olhar. Nem no pior dos momentos que eles tiveram juntos, o Puckerman havia visto tamanha tristeza no rosto da mulher.
– Com o nosso filho, o que eu tirei. – Falou.
Ele sentiu algo ruim, não gostava de lembrar daquilo.
– Isso já passou, Marley. Você precisa esquecer. Nós já perdoamos um ao outro, lembra?
– Mas eu nunca vou me perdoar, posso até um dia ter dito que sim, mas é impossível. – Ela saiu dos braços de Jake e limpou o rosto – Muitos julgam uma mulher que pratica um aborto, mesmo sendo uma prática permitida em muitos países. Alguns, por questões religiosas, outros por puro idealismo. A questão é que eu acho que as pessoas não deveriam se meter nisso. Uma mulher que chega a um ato extremo desses é porque tem seus motivos. E ela não precisa de ninguém para apontar o dedo para a cara dela, pois ela mesma fará isso. Vai ter que conviver a vida toda com o fantasma do seu filho e pensar como poderia ter sido, caso ele tivesse vindo ao mundo. – Disse em um tom melancólico. Ela sentia uma dor imensa.
Jake a olhou com dó e a abraçou de novo.
– Você projetou no seu filho com a Kitty o nosso, não foi? – Perguntou ela.
– Não vou mentir e dizer que nunca pensei nele quando o vejo. Mas aquela criança é filha minha e da Kitty, não nossa, Marley. – Falou – Nosso filho não nasceu, nada podemos falar com relação a isso. Sei que é uma culpa para a vida toda, deve ter sido algo muito traumático. Para mim foi, então para você deve ter sido infinitas vezes pior. Mas é hora de tentar recomeçar. – Disse e pegou na mão dela – Mesmo que esse recomeço seja voltar ao começo de tudo e fazer diferente. – Sorriu.
Ela o abraçou mais e chorou mais também.
– Só me dá um tempo? – Pediu – Agora, não é hora.
Jake anuiu. Aproximou seu rosto do dela e a beijou na testa.
– Nós vamos ser felizes, eu prometo. Dessa vez, vai dar tudo certo. – Ele pegou na mão da mulher e entrelaçou seus dedos – Apenas me prometa que você vai deixar o amor te salvar? O amor que temos um pelo outro e que nunca morreu, nem morrerá.
Ela assentiu. Dessa vez, foi Marley quem o beijou. Eles passaram o resto da manhã juntos. Precisavam colocar tudo em dia.
Era quase fim de tarde quando Blaine e Tina chegaram até Frida, ela estava no fim do expediente. Eles a seguiram por um momento, até que a garota entrou em uma lanchonete. Eles fizeram o mesmo.
A secretária estava sentada em uma cadeira, havia acabado de fazer um pedido.
– E agora, o que fazemos? – Perguntou Blaine.
– Isso. – Disse Tina e seguiu até a mesa.
Blaine a seguiu. Eles foram até lá e sentaram. Frida os olhou um pouco assustada.
– Ah... Oi, Blaine. – Disse ao solista – E você é a.... – Tentava lembrar o nome da asiática.
– Tina. – Disse ela – Prazer – E estirou a mão a Frida, que a apertou.
O pedido de Frida chegou, era hamburger e batata frita, com muita coca. Embora tivesse passado por tanta coisa, ela era apenas uma garota recém-saída da faculdade.
Blaine lembrou-se dos seus tempos áureos também, sorriu feito bobo.
– Servidos? – Frida perguntou.
– Não, obrigado. – Responderam em uníssono.
– Então, o que vocês querem mesmo? – Questionou enquanto pegava um palito de batata e comia.
– Bem, Frida... Eu e a Tina... É... – B. não sabia como perguntar, ele nunca foi tão íntimo da garota, mesmo ela sendo o braço direito de Sam.
– Deixa que eu falo. – Tina o interrompeu – Nós queremos saber tudo que você possa ter conhecimento sobre o caso do Sam. – Disse Tina.
O coração de Frida palpitou, ela deixou uma batata que tinha em mãos cair. Olhou para Tina assustada e engoliu em seco.
– Vejo que você sabe algo. – Tina sorriu.
Blaine a olhou curioso, era claro que ela sabia.
– Vamos, Frida. Quero que nos conte tudo. Por favor. – Pediu B.
Ela pensou um pouco enquanto olhava para os dois, temerosa no que poderia falar. Respirou fundo e dirigiu um olhar ao solista depois de um tempo.
– Vamos, eu vou contar tudo que sei. – Disse – Mas não aqui, pode ser perigoso.
Tina e Blaine se olharam, cada vez mais aquilo ia ficando mais macabro. Eles a seguiram.
A secretária os levou a um terreno baldio, depois de dar muitas voltas pela rua ao redor. Sempre olhava para todos os lados, a procura de alguém que os seguisse. Quando chegaram, ela checou todos os possíveis locais onde alguém pudesse ser esconder, então virou-se para os dois que estavam com ela.
– Acho que está limpo o local. – Disse.
– Acho que você sabe muito, não? – Falou Tina – Vamos, Frida, conte-nos tudo que sabe.
Ela olhou para Blaine, o solista parecia mal.
– É isso que você quer, Blaine? Voltar a abrir essa ferida? Porque me pediram, ou melhor, mandaram eu parar de investigar e foi isso que eu fiz. Acho que sinto-me até melhor, é como se a dor, aos poucos, fosse me deixando. – Falou a garota.
– Mandaram? – Tina a olhou buscando por respostas – Quem mandou?!
Frida continuava olhando para Blaine, ela também queria respostas.
– Vamos! Quem mandou?! – Tina estava louca com o silêncio – Responda logo, garota!
Blaine então olhou para Frida, seus olhares se cruzaram. Ela desviou o olhar.
– Tudo bem, pode falar. – Disse o solista.
Ela anuiu.
– Foi o Burt, ele quem me mandou para com tudo isso. E tem mais, muito mais.
Ela contou tudo, desde o acontecido no escritório, onde Burt mostrou uma arma a Sam, até o dossiê e a forma como ele a tratava. Tina e Blaine ouviram tudo de queixo caído.
– Então tudo bate agora. – Disse Tina.
– Sim. – Blaine estava destruído.
Burt havia sempre ajudado a Sam, ele o tinha como um tutor de seu marido. Não poderia imaginar que aquele homem, aparentemente tão bom, fosse esse monstro. Mas as pessoas podiam surpreender e a vida já o havia dado muitas provas disso.
– Tomem muito cuidado com ele, por favor. – Pediu Frida. – E não o contem que eu falei tudo.
– Por que você ainda trabalha para ele? – Perguntou Blaine.
– Por medo. – Ela respondeu – Mas isso acaba hoje. Estou indo embora, vou viajar para bem longe de todo esse covil de cobras.
Blaine a olhou, ela parecia muito mal. Mais magra do que nunca, acabada e com o cabelo mal cuidado. Foi até Frida e a abraçou, a garota retribuiu. Choraram um pouco, um acalentado pelo outro.
– Vá e seja feliz, sim? – Pediu B.
Ela assentiu. Eles se abraçaram de novo e a garota se foi.
– Um pedaço de Sam vive nela. – Disse B.
– Sim. Ela é uma grande mulher, tal como ele era um grande homem. – Concordou Tina – Mas agora vamos, precisamos ir à casa do Burt antes que ele chegue.
– Você não está pensando em...? – Blaine pareceu ler os pensamentos de Tina. Ela estava. – Isso é insano, não podemos invadir a casa dele.
– Podemos. E vamos. – Tina sorriu e saiu puxando Blaine.
Eles foram.
Chegaram a residência Hummel e estava fechada. Burt, aparentemente, não havia voltado ainda. Arrodearam a casa, tentando de todas as formas uma maneira de entrar. Entretanto, nada acharam.
– E agora? – Perguntou B.
– Agora nós vamos aos meios extremos. – Tina olhou para ao redor da casa. – Ali! – Falou olhando para um canto.
Blaine a seguiu com os olhos. Não acreditou naquilo.
– Você está louca?! – Gritou – Largue isso, não pode fazer algo assim, Tina! Nós vamos ser presos!
Era em vão, a mulher estava louca e determinada a provar sua inocência. Com um machado em mãos, Tina foi a porta dos fundos da casa de Burt e a derrubou.
– Louca! Insana! Desvairada! – Blaine gritou.
Ela entrou.
– Vamos, precisamos ser rápidos! – Disse e o chamou com as mãos.
O que eu estou fazendo? B. pensou e entrou junto.
Eles vasculharam a casa, procuraram em todos os locais possíveis algo que pudesse incriminar Burt. Reviram sala, cozinha e até banheiro. Tina bagunçava tudo e Blaine saia atrás, arrumando e temendo a chegada de Burt.
– Vamos lá em cima. – Disse ela. – Só nos resta um lugar para procurar.
– Você já parou para pensar que pode não ter sido ele? – Blaine perguntou, meio cochichado – E se ele é apenas um político barra pesado e assustou a Frida para que ela não se metesse com ele?!
Tina sorriu.
– Eu já pensei nisso também. E se não foi ele, pode ter sido muito bem outro alguém que nós dois conhecemos. A chave para tudo vai continuar nessa casa. – Disse ela e subiu.
O solista sabia de quem mais ela suspeitava, ele engoliu em seco e subiu também.
Entraram em um dos quartos. A mulher revirou cama e guarda-roupa. Até embaixo do tapete ela olhou, mas nada encontrou.
– Acho melhor irmos embora, não tem nada aqui. – Disse Blaine nervoso. Ele olhava para porta quase sempre.
– Não, ainda falta isso. – Disse ela se aproximando de um criado mudo. Havia uma gaveta lá. Ela tentou abrir, mas estava trancada.
Tina olhou novamente para os lados, procurando algo.
– Não, você não vai fazer isso... – Blaine começou, mas foi em vão.
Ela pegou um objeto de ferro, uma escultura, e bateu contra a madeira do móvel, estraçalhando a parte da gaveta. Após isso, a abriu.
Blaine e Tina se olharam boquiabertos.
O solista suspirou, Tina parecia feliz.
– Bingo! – Exclamou a mulher.
Ali dentro, havia uma arma de fogo e uma luva. Mas não somente uma luva, era uma PRI, a que, provavelmente, completaria o par junto com aquela que estava em posso do delgado.
Blaine tremia diante daquilo.
– Está provado, não? – Perguntou Tina.
– Sim. – Respondeu ele triste – Agora vamos, temos que arrumar tudo isso e ir embora daqui depressa. – Ele a olhou tomado por fúria – Eu quero esse assassino na cadeia. – Disse.
Tina assentiu.
De repente, a porta do quarto começou a se abrir. Ambos dirigiram um olhar naquela direção.
– Mas que diabos é isso?! – Perguntou Burt indignado. Ele chegou com uma arma em mãos, apontando para os dois ali presentes.
Blaine e Tina se olharam, eles engoliram em seco e começaram a soar frio.
Seria o fim?
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