Fins e Recomeços

9 4.09 - Ponto Final


Notas iniciais
Santana e Brittany se resolvem. Blaine e Marley voltam a Nova Iorque com Jake. Tina toma uma atitude.

Santana havia dormido pouco. Durante a noite, pensou em tudo que ouviu de Brittany e se debateu na cama à noite, o sono havia fugido. Tudo aquilo havia mexido realmente com a morena. Somente perto de amanhecer ela conseguiu fechar os olhos e dormir. Poucas horas depois, foi chamada por um empregado de Rachel. Levantou-se e foi até a mesa do café.

Todos estavam lá, inclusive a loira. Santie chegou, sentou-se e comeu. Rachel tentou algumas vezes puxar conversa, mas nenhuma das duas interagia. Após o término, todos saíram da mesa, exceto Santana e Brittany. Quando a loira levantou-se também, a morena falou.

– Espere. Precisamos conversar. – Falou sem olhar nos olhos dela.

– Claro. – Brit sentou-se de novo – Pode falar.

– Aqui não, vamos subir. Pode ser uma conversa longa.

Então saíram, foram até o quarto em que Santie estava hospedada.

– Então, o que você tem a me dizer? – Perguntou Brit assim que chegaram.

Santie suspirou.

– É difícil, Brittany. Eu pensei muito em tudo que me disse ontem e em tudo que a Dani me falou no dia em que rompemos. – Disse a morena.

– Ótimo, a que conclusão chegou? O que sente de verdade por cada uma de nós?

Santana andou um pouco pelo quarto, olhando para as paredes e pensando um pouco. Depois olhou para a loira e sorriu. Há anos, Brittany não via a latina sorrir daquela forma. De repente, era como se toda a raiva que ela sentisse tivesse se esvaído, havia ternura no contorno dos seus lábios, que formavam o sorriso mais lindo que Brittany conhecia.

A loira sorriu de volta e se aproximou, as duas se olharam por um tempo, trocando olhares e sorrisos.

– Venha – Santie deu a mão a ela – Vamos sentar. – E a conduziu até a cama. Ambas sentaram-se, lado a lado – Quando me perguntou se sentia algo por você, entrei em pânico. De repente, tudo que a Dani havia me falado fazia sentido. Ela me conhece de verdade. – Falou sorrindo, parecia lembrar-se da mulher – Nunca houve ninguém no mundo que me compreendesse como ela, nem você, nem a Quinn.

Brittany assumiu um semblante triste. Ao falar da outra, Santie sorria de uma forma diferente. Não com ternura, mas aquele sorriso bobo e apaixonado que as pessoas dão quando falam de alguém que amam.

– Eu entendo. – Falou a loira. – Então você a ama.

Santana assentiu.

– Eu a amo, pois a convivência que nós tivemos me levou a isso. Podia não amá-la tanto no começo, mas agora é diferente. O amor é um sentimento difícil de se lidar. Quero que ouça isso, você vai me entender melhor.

A morena levantou-se, encarou Brittany. Então começou a cantar.

'Cause, baby, now we got bad blood

You know, it used to be mad love

So take a look at what you've done

'Cause, baby, now we got bad blood, hey

Now we got problems

And I don't think we can solve 'em

You made a really deep cut

And, baby, now we got bad blood, hey

Did you have to do this?

I was thinking that you could be trusted

Did you have to ruin

What was shiny? Now it's all rusted

Did you have to hit me

Where I'm weak? Baby, I couldn't breathe

And rub it in so deep

Salt in the wound, like you're laughing right at me

Oh, it's so sad to

Think about the good times

You and I...

'Cause, baby, now we got bad blood

You know, it used to be mad love

So take a look at what you've done

'Cause, baby, now we got bad blood, hey

Now we got problems

And I don't think we can solve 'em

You made a really deep cut

And, baby, now we got bad blood, hey

Did you think we'd be fine?

Still got scars on my back from your knife

So don't think it's in the past

These kinda wounds, they last, and they last

Did you think it all through?

All these things will catch up to you

And time can heal, but this won't

So if you're coming my way, just don't

Oh, it's so sad to

Think about the good times

You and I

'Cause, baby, now we got bad blood

You know, it used to be mad love

So take a look at what you've done

'Cause, baby, now we got bad blood, hey

Now we got problems

And I don't think we can solve 'em

You made a really deep cut

And, baby, now we got bad blood, hey

Band-aids don't fix bullet holes

You say sorry just for show

You live like that, you live with ghosts

Band-aids don't fix bullet holes

You say sorry just for show

If you live like that, you live with ghosts

If you love like that, blood runs cold

'Cause, baby, now we got bad blood

You know, it used to be mad love

So take a look at what you've done

'Cause, baby, now we got bad blood, hey

Now we got problems

And I don't think we can solve 'em

You made a really deep cut

And, baby, now we got bad blood, hey

'Cause, baby, now we got bad blood

You know, it used to be mad love

So take a look at what you've done

'Cause, baby, now we got bad blood, hey

Now we got problems

And I don't think we can solve 'em

You made a really deep cut

And, baby, now we got bad blood, hey

Em seguida, voltou a sentar ao lado da loira.

– Sabe, Brit. Eu costumo comparar o amor a uma planta, que deve ser cultivada e cuidada sempre, para que possa crescer saudável e sempre. Todavia, às vezes, sofremos golpes duros que, aos poucos, vão envenenando-o e fazendo-o morrer. – Disse a morena – Foi isso que aconteceu conosco. Quando acabamos, eu a ainda a amava. Depois, veio a Quinn. Ela e eu vivemos uma paixão avassaladora, eu consegui te superar e ama-la. Mesmo assim, ainda te admirava naquela época, até descobrir o que fez. – Santana a olhou, temerosa em ferir a amiga. Entretanto, não podia parar ali — De um golpe só, você acabou com tudo que tínhamos.

Brittany segurava as lágrimas, não era nada daquilo que ela esperava ouvir. Contudo, no fundo ela já sabia de tudo.

– Então por que me chamou aqui? E por que sorriu para mim? – Perguntou meio aborrecida.

– Porque eu queria responder sua pergunta. – Santana manteve o tom amistoso – O que eu sinto por você, hoje em dia, Brit, é carinho. Um enorme carinho. Eu parecia enraivada porque eu não aceitava isso. Na minha mente, sentir afeto por uma assassina era impossível. Mas vi que não. Não quando ela é a primeira mulher que você amou na vida e com quem passou uma das fases mais brilhantes e momentos de infinita felicidade – Disse e sorriu. Seus olhos brilhavam – Descobrimos tantas coisas juntas, não?

– E poderíamos ter descoberto ainda mais, se não tivesse ocorrido tudo aquilo. – Falou a loira.

– Exatamente. Mas aconteceu. – Disse a morena – E não há mais o que fazer. Temos apenas que recomeçar nossas vidas da forma que podemos. – Santie levantou-se e chamou a loira – Venha, me dê um abraço.

Ela o fez. Levantou-se e abraçou a morena, uma abraço apertado e cheio de sofrimento.

– Eu te amo. – Falou ao ouvido de Santana.

– Eu também te amo. Você, de certa forma, é uma das minhas melhores amigas. – Falou a morena.

Brittany riu e limpou o canto do olho.

– Amigas, então? – Perguntou a loira.

– Sim. Até o fim. Por tudo que já vivemos – Disse Santie sorrindo.

– Ótimo. – Brit sorriu de volta e abraçou de novo – Agora, vá. Não a deixe ir embora, não sem você!

Santana sorriu e saiu, correu até a casa de Dani.

Brittany, por sua vez, pegou o celular. Enviou um SMS para Tina.

“Tudo resolvido, dei um ponto final a minha história. Agora é sua vez, soube que o Blaine chega hoje à tarde. Não seria hora de você resolver isso? Por um ponto final também? Só assim, será possível recomeçar.”

Em Lima, Blaine tomava café da manhã com Kurt. Desde o momento que acordou, B. não havia falado nenhuma palavra. O filho de Burt achava aquilo cada vez mais estranho. Primeiro, Marley começou a agir diferente com ele, agora B.

– Então, como foi a noite? – Perguntou Kurt ao outro.

– Boa. – Respondeu B. secamente, sem ao menos olhar para o filho de Burt.

Kurt o olhou e teve uma ideia, queria ver se tinha algo errado. Decidiu pôr a mão sobre a de B. O solista recuou bruscamente.

– Algum problema, Blaine? – Perguntou Kurt assustado.

– Não. Só quero que me respeite, Kurt. Acabei de ficar viúvo, não posso ter nada com outra pessoa agora. – Respondeu e levantou-se.

– Será só isso mesmo? Marley também tem agido estranho comigo. Diga-me, o que está acontecendo por minhas costas?

Blaine caminhava. Nesse momento, parou. Durante toda a noite, teve pesadelos. Sentia-se culpado, pois poderia muito bem ter dormido sob o mesmo teto da pessoa que havia matado Sam.

– Por que você mentiu para mim? – Perguntou, que parou, mas permaneceu de costas para Kurt.

– Menti? – Ele não entendia.

Blaine virou-se e o encarou.

– Disse-me que havia chegado em NY no dia do enterro do Sam, quando veio dias antes. E por que, Kurt? É isso que me pergunto.

Kurt olhou para Blaine por uns instantes, tentando entender onde o solista queria chegar.

– Blaine, eu não entendo. Qual a relação que você tem com meus planos pessoais? Não pensei que o dia em que cheguei fosse algo tão importante. – Falou, então o olhou de novo. B. o encarava com desprezo. Foi aí que a ficha caiu – A não ser que... Não, isso não pode ser sério. – Indagou o homem.

Blaine tinha os olhos molhados, desconfiava do amigo, mas fazia isso cheio de culpa. Não sabia ao certo o que pensar, nem em quem confiar.

– Blaine Anderson, a gente já viveu muitas coisa juntos. Julguei que me conhecesse melhor, mas me enganei. – Falou Kurt decepcionado.

– Tente me entender. Você de repente aparece e ele morre. Depois percebo que você está dando em cima de mim, porque você está, não adianta negar. – Falou o solista – Então descubro que estava mentindo. Minha cabeça está confusa e cheias de suspeitas, não só ao seu respeito. Alguém assassinou o homem que eu amava! O pai do meus filhos. – Algumas lágrimas desciam pela face do solista – Você está cheio de indiretas e joguinhos para o meu lado. Eu realmente não sei em que acreditar, desculpe-me.

Kurt riu, perplexo com o que ouvia.

– Você sabe muito bem que na relação entre nós três, o monstro não era bem eu. – Disse em um tom aborrecido.

– Não estou aqui para falar de erros do passado – Disse Blaine, que não gostou nada do que ouviu. – Essa história não diz respeito a isso, respeite a memória do Sam, por favor.

– Eu também não estou aqui para falar de erros que não cometi, Blaine Anderson. Sinto muito se não pode confiar em mim. – Falou o filho de Burt.

Ele encarou Blaine na esperança de ver algo em seu rosto que mostrasse que ele, no fundo, não pensasse aquilo. Mas não encontrou. Blaine achava que Kurt havia matada Sam. O filho de Burt riu de novo e balançou a cabeça.

– Então, é isso. Acho melhor você, Marley e Jake voltarem sem mim. Eu vou depois.

Kurt então saiu. B. ficou no local.

Se estava culpado, ou aliviado, Blaine não sabia. Mas estava cada vez mais determinado a encontrar um culpado e pôr um ponto final naquela história. Antes disso, precisaria ver alguém. Ele foi.

Na casa dos Puckerman, Marley terminava o café. Após o fim, foi para o quarto e arrumou-se. Ligou para B. e ele disse que chegaria logo. Então a mulher foi para sala. Caminhou distraída para lá e mal imaginava quem a esperava.

Ela o olhou de novo, não fazia isso desde de a conversa grupal no dia anterior. Seu coração palpitou. Jake a olhou e seus olhos se encontraram. Um sorriso tomou forma no rosto do moreno, Má corou.

– Por que não senta? Acho que o Blaine vai demorar um pouco. – Disse Jake de forma gentil.

Marley sentou-se e não o encarou. Pousou as mãos sobre as coxas e permaneceu calada. Provavelmente, o Puckerman mais novo havia notado que ela estava envergonhada. Contudo, não falou nada sobre aquilo. Ficaram ambos calados por um tempo.

– Você não acha estranho? Depois de tudo, nós estamos aqui, juntos de novo. – Disse Jake, rompendo o silêncio.

Má assentiu.

– A Kitty hoje me falou para ser livre e seguir meu coração. O que acha que ela quis dizer com isso? – Perguntou de novo.

Marley pressionou os dedos sobre as pernas e, novamente, corou. Jake sorriu.

– Você não vai falar nada mesmo? – Ele continuou insistindo.

Marley não sabia o que dizer, tinha medo das palavras a traírem. Tinha medo até mesmo de olhar novamente nos olhos daquele que estava ao seu lado. Já havia vivido isso antes e foi extremamente perigoso para ela.

– Seu filho, ele é lindo. – Foi a única coisa que veio a sua cabeça. Má falou e levantou-se.

Foi caminhando sem olhar para trás, até que, sem saber o porquê, virou-se. Jake estava de pé também, olhando-a. Lentamente, o moreno foi se aproximando. A cada passo que ele dava, Marley tentava se mexer, mas era em vão. Nenhum músculo do corpo a obedecia. Ela sabia o que o Puckerman iria fazer e também sabia que não poderia resistir.

Jake ficou cara a cara com Marley. Levou a mão ao rosto da moça e o acariciou. Má suspirou e novamente o olhou nos olhos. Dessa vez, os dois agiram. Ao mesmo tempo, começaram a aproximar os rostos. Em poucos segundos, seus lábios se tocaram e um beijo foi dado. Foi rápido e terno, era como o primeiro beijo apaixonado e sem jeito de um casal de adolescentes.

Quando acabou, Marley nada falou. Ela saiu e deixou o moreno só ali.

Jake sorriu e voltou a se sentar. Desde o começo, ele sempre entendeu quais as intenções de Kitty. No fim, ela sempre sabia o que era melhor para ele. Dessa vez, não poderia ser diferente. Ele e Marley ainda não tinham acabado tudo que começaram um dia. No caso deles, não havia um ponto final.

Após sair da casa de Kurt, o solista ligou para Marley. Em seguida, ligou para outra mulher, alguém que havia sido extremamente importante na vida de Sam. Marcou um encontro em um praça. Foi até o local, sentou-se e esperou. Logo ela chegou.

A Sra. Evans estava extremamente abatida. Por algum motivo, ela e o resto da família não havia podido ir a NY para o velório, o que havia a deixado ainda pior.

Quando ela chegou, Blaine levantou-se e a olhou por um momento. Eles então se abraçaram, a mulher desabou no ombro do solista. Chorou e chorou. Ele sabia bem o que ela sentia, aquela ferida também havia sido aberta nele.

Após um tempo, sentaram-se. B. não sabia o que falar, nem como iniciar a conversa. A mulher chorava enquanto ele permanecia ali, calado.

– Eu sinto muito. – Falou, enfim. – Eu queria ter falado com você antes, mas não tinha coragem.

Ela o olho e sorriu meio sem jeito.

– Eu sei que sim, meu querido. Nossas dores são as mesmas e milhões de coisas passaram pelas nossas cabeças nesses últimos dias. Não posso te culpar por nada. – Disse a mãe de Sam – Meu marido está péssimo também e meus outros filhos nem se fala. Sam era mais que um irmão para eles, era um pai. A forma como cuidou dos irmãos quando passamos por necessidades construiu esse sentimento entre eles. – Falou.

– Sam era um grande homem. Talvez fosse bom demais para viver entre nós, afinal. – Disse o solista.

A mulher assentiu.

– Eu me arrependo tanto. – Disse ela e chorou – Por não ter ficado do lado dele quando precisou e por não ter estado presente na vida dele nesses últimos anos. – Falou entre suspiros e soluços.

A Sr. Evans sentia-se culpada. Mesmo tendo reatado com o filho antes do casamento, pouco havia ido vê-lo em Nova Iorque. Sam e Blaine constantemente iam a Lima ver as famílias, mas o contrário não ocorria. Depois que o loiro entrou na vida política, seu tempo diminuiu, logo as visitas cessaram.

– Ele era meu maior tesouro, meu primogênito. – Falou sorrindo. – Meu maior orgulho. Não é certo o que aconteceu, é errado um filho partir antes dos seus progenitores, isso não é justo! – Reclamou.

Blaine a ouvia, mas nada falava. Sabia do amor que ela nutria pelo filho, ele sentia a mesma coisa por Mag e os gêmeos. Não sabia o que faria, caso alguma coisa de ruim levasse ao fim de algum deles. Era até mesmo insano pensar nisso.

– Como eles estão? – Perguntou a mulher, ela referia-se aos filhos de Sam.

– Bem, na medida do possível. Mag não entende muito bem o que aconteceu, enquanto os gêmeos sim e sofrem muito por isso. Rachel está cuidando deles enquanto estou aqui.

– A garotinha, ela lembro muito meu Sammy. – Disse a mulher. Ela sorriu ao lembrar-se de Mag.

– Sim. O que é doloroso e ao mesmo tempo feliz. Eles são o que me dão forças e o que me fez não desistir de tudo. – Disse B.

– Posso te fazer dois pedidos? – Perguntou a Sra. Evans.

Blaine assentiu.

– O primeiro, é que me permita ver eles sempre que eu quiser e também que os permita vir aqui sempre que estiverem de férias, para passar alguns dias comigo, o avô e os tios.

– Claro. Eu nunca os poderia negar isso. – Falou B. Ficou feliz com o pedido.

– Ótimo. – Ela sorriu e limpou os olhos. Um semblante de raiva tomou conta de suas feições – O próximo pedido é de justiça. Quero que cace o assassino do meu filho, Blaine, e o ponha atrás das grades. Essa pessoa não pode ficar incólume. E, caso ele realmente tenha morrido por defender o que achava correto, eu desejo mais ainda que ela apodreça na cadeia. – Disse cheia de fúria.

Aquele assunto mexia com Blaine. Ultimamente, ele desconfiava até de sua sombra. Temia estar julgando mal os amigos. Primeiro Tina, agora Kurt. Podia ser um dos dois, ou nenhum deles. Não queria mais tentar encontrar um possível culpado daquela forma, não ferindo os amigos.

– Tudo bem, eu prometo. – Disse o solista. – É hora de parar de formular hipóteses e encontrar o monstro autor desse crime. O verdadeiro culpado.

A mulher sorriu e o abraçou.

– Por favor, por toda a família dele e por mim, encontre o assassino. – Pediu de novo a mulher.

O solista confirmou com a cabeça e a abraçou de novo.

Era hora de encontrar Marley e voltar para NY. Blaine precisava fazer o que prometeu. Dessa vez, encontraria o culpado. Ele não queria ferir ninguém, embora continuasse desconfiando de tudo e de todos.

Marley e Jake já o esperavam prontos. B. explicou que Kurt voltaria depois. O moreno foi despedir-se de Kitty e do filho.

– Não esqueça o que eu te disse. E não se preocupe, eu cuidarei bem dele. – Disse a loira para Jake.

Jake a olhou e sorriu. Kitty o puxou e o beijou na boca, seria a última vez, provavelmente. Marley olhou para a cena sem graça. Os três então partiram.

Santana, após se resolver com Brittany, saiu da casa de Rachel correndo. A conversa com a loira foi definitiva, ela amava Dani e estava disposta a reatar. Foi o mais depressa possível para a casa da mulher, ia com sorriso de orelha a orelha de alegria. Também estava cheia de incertezas, mas no fundo sabia que Dani também a amava.

– Ela é minha. – Disse a si mesma.

Continuou andando e logo chegou ao lugar. Entrou no jardim e tocou a campainha. Ninguém atendeu. Tocou de novo. A porta se abriu.

Um homem estava lá.

– Quem é você? – Perguntou a morena, ela não o conhecia – E onde está a Dani? – Perguntou e empurrou-o, entrou na casa procurando pela mulher.

– Ela não está. – Disse o homem – Mas sabia que você viria.

Santana o olhou, buscava em sua memória quem poderia ser aquele cara à sua frente. Ele riu de forma contida.

– Eu fiquei encarregado de cuidar dessa casa enquanto ela estiver fora.

– Fo... Fora? – Santana engoliu em seco. Não poderia ter acontecido o que ela estava pensando.

– Dani sabia que você viria. – Continuou o homem – Pediu que eu te entregasse isso. – E entregou um papel a Santie.

Ele saiu. Santana sentou-se e olhou o papel, havia algo escrito.

“Meu amor, se você está lendo esse bilhete é porque, provavelmente, veio até mim. Sinto muito não ter te esperado, mas refleti muito sobre os últimos acontecimentos. Acho que o fim dessa história é muito previsível. Por mais que eu tenha passado os últimos doze anos de minha vida amando e vivendo com você, nunca teria algo tão profundo como vocês duas tiveram. Eu sei o que você sente, eu te conheço, por isso decidi partir. Não suportaria ficar para te ouvir dizer que ama outra. Eu te amo e para sempre vou te amar, do fundo do meu coração. Um beijo da mulher que você mudou a vida. Até um dia, seja feliz.”

Santana amassou o papel e o jogou.

– Burra! Idiota! Como pode?! – Gritou e esbravejou.

Cerrou o punho e socou o sofá. Chorou.

– A batalha só é perdida quando seu último soldado está morto. – Disse o homem que cuidava das coisas de Dani.

Santie o olhou sem entender, pensou que ele tivesse saído. Ele sorriu e saiu de novo.

Então entendeu. Ela amava Dani e esse sentimento era recíproco. Nada poderia interferir. Essa batalha só seria perdida caso uma das duas morresse, o que não era o caso.

Santana limpou as lágrimas e levantou-se. Correu até o quarto da mulher e fuçou tudo. Ali, encontrou o comprovante de compras de uma passagem para outro estado vizinho. A morena pulou de alegria.

– Achei você! – Exclamou – E dessa vez não me escapa. – Disse e saiu correndo.

Era hora de ser feliz.

Blaine e Marley chegaram. Ao lado de Jake, foram direto para casa de Rachel. Ela ficou extremamente feliz ao ver que os dois haviam conseguido o Puckerman.

– Você não vai se arrepender, Jake! Prometo que vai ser muito proveitoso trabalhar comigo. – Disse gentilmente. – Mais tarde, combinaremos quando começam os ensaios. Por hora, descanse. – Rachel olhou para B. e Marley – E vocês, muito obrigada. – Foi e abraçou cada um – Podem ficar aqui o quanto quiser. Fiquem à vontade.

– Muito obrigado, Rachel. – Disse Blaine sorrindo – E meus filhos, como estão?

– Muito bem. Eles são as melhores crianças do mundo. Muito bem criados e educados.

O solista ficou contente.

– Poderia deixá-los aqui só mais um pouco? Acho que seria duro demais para eles voltar para aquele apartamento. Estou até pensando em vende-lo e comprar outro.

– Como você quiser. – Disse a dona da casa.

O telefone de B. tocou, era Frida. Ele chorou ao ouvir o que a secretária tinha a dizer. Contudo, dessa vez chorou tomado por uma imensa alegria.

– O que houve? – Perguntou Má.

– Ele conseguiu. – Disse B. sorrindo. O solista suspirou — Ele conseguiu! – Gritou alegremente e abraçou Marley. – A Jane foi derrotada. No fim, o Sam venceu. Ele mostrou para todos que juntos podemos vencer!

Juntos, todos gritaram e pularam de alegria. Abraçaram-se os quatro e comemoraram.

Blaine continuava a chorar, mas com um enorme sorriso estampando no rosto.

– Eu daria tudo para ver a cara da Jane nesse momento. – Disse Rachel.

– Já eu não. Não sei se consigo digerir isso. – Falou B. – Pensei um pouco e acho que ela é a minha principal suspeita.

– Ela sempre foi a minha. – Disse Rachel.

– E a do resto do país. – Completou Jake.

Marley nada falou.

Após um tempo, Blaine e Marley se despediram dos amigos. B. foi ver os filhos, os explicou tudo que fez esse tempo fora e disse que eles ficariam mais um tempo ali. Em seguida, saiu ao lado da amiga. Na porta da casa, Má notou ter esquecido a bolsa e voltou para pegar.

– Procurando isso? – Perguntou Jake com ela em mãos.

Marley dirigiu um olhar aborrecido a ele.

– Tudo bem, não me mate! – Disse e riu. Má continuou séria – Desculpa. Tome. – Falou e entregou.

Marley então foi saindo, sem nada falar.

– Até quando você vai negar o que temos um com o outro, Marley? – Perguntou Jake. Ela continuou. – Tudo bem, eu sei esperar! Esperei todos esses anos, posso esperar mais alguns dias! – Gritou. Ela já ia longe.

Blaine e Marley foram ao apartamento Anderson & Evans.

Naquela noite, Jake dormiu e sonhou com Marley, enquanto a mulher tinha a cabeça confusa e doendo. B. dormiu, pela primeira vez, bem. A notícia dada por Frida tinha dado um novo propósito a sua vida. Não lutaria só para colocar o assassino de Sam na cadeia, mas também para continuar seu trabalho, mesmo que não dentro da política.

Quando amanheceu, Tina tinha visitas. Artie e Brittany tinham ido vê-la.

– Visitas tão ilustres e tão cedo. – Disse ela ao recebe-los. Abraçou cada um.

– Eu juro que não combinei. – Falou Artie – Na verdade, só vim te dar uma notícia boa.

– Notícias boas são muito bem vindas nesses tempos. Vamos, entrem.

Tina estava no bar, ela quase sempre dormia lá, no cômodo de cima. Os dois amigos entraram e se acomodaram no balcão, ela os acompanhou.

– Então, o que me trazem? – Perguntou a asiática.

– Eu fechei com o segundo nome para o filme – Disse Artie – Em breve, eu revelarei quem é.

– É sério?! – Tina não conseguia acreditar. Depois de tudo, ela achava que daria algo errado e aquele filme não sairia, mesmo com as esperanças do cadeirante – Eu... Eu... Eu te amo, Artie! – Disse e gritou, pulou no colo do homem e o abraçou bem apertado.

Eles riram.

– Você merece, Tina. – Disse a loira.

– Eu não sei se mereço amigos como vocês. – Falou a outra e puxou Brit para o abraço.

– Bem, era só isso que eu tinha a dizer. Tenho que ir, preciso resolver mil e uma coisas. – Disse o cadeirante.

Tina despediu-se dele e Artie se foi.

– Venha, vamos subir! Vamos comemorar, Brit. – Falou e a puxou para o quarto.

Brittany olhou para ele, era enorme e a cama parecia aconchegante.

– Então é aqui onde você alimenta seus vícios sexuais para esquecer o Blaine? – Brincou a loira.

Tina riu.

– Você não me disse a que veio ainda.

– O Blaine, ele já chegou. Quero saber o que vai fazer com relação a tudo que ele disse.

– O que você acha que eu deveria fazer?

– Provar sua inocência e mostrar que ele estava errado. Fazê-lo se desculpar por tudo de mal que te fez. – Disse a loira – Acho que já seria um bom começo.

A asiática olhou para a amiga e sorriu, depois a abraçou e suspirou.

– Você é magnífica! Como a Santana pôde te deixar?

Brit riu sem graça.

– Desculpe-me. – Falou Tina envergonhada – Eu não queria...

– Tudo bem. – Brittany sorriu – Você também é linda. O Blaine é bobo por não ter querer. Se eu fosse ele, já teria...

Tina corou e a loira se deu conta do que falava. Elas duas se olharam e riram. De repente, a mesma coisa passou pela cabeça delas.

Brittany agarrou a outra e a beijou de forma violenta, mordendo e chupando seus lábios. Rapidamente, se despiram e pularam naquela cama enorme, uma atracada a outra, entre beijos e caricias.

Naquela manhã, Tina transou violentamente, ambas pareciam insaciáveis. A asiática teve sua primeira relação homossexual e não pôde reclamar, foi uma sensação magnífica. Brittany podia não ser homem, mas era capaz de dar prazer a ela tanto quanto um, ou até mais.

Blaine havia levantando cedo e ido dar uma olhada no apartamento. Ele já não o via mais como lar. Para B., era como se ele estivesse passando uma estadia de férias ali. Mesmo assim, estava um pouco mais feliz. A notícia que Frida deu era como um novo combustível.

O solista fez um café caprichado e preparou uma linda mesa. Esperou que Marley acordasse, o que não demorou muito a acontecer.

– Nossa! Parece que alguém acordou muito bem. – Disse Má ao ver a mesa.

Blaine riu. Ali havia várias frutas, pães e queijo. Suco, café, leite e torradinhas, além de outras coisas gostosas. A amiga sentou-se e sorriu para B.

– Fico feliz que você esteja tão melhor. – Olhou para mesa de novo – Só faltou meu iogurte! – Eles riram de novo – Mas está ótimo, tudo perfeito.

assentiu.

– Então vamos comer! – Disse o solista.

Eles se fartaram de comida. Conversaram sobre os filhos de B. e sobre o que esperavam da carreira de Rachel, que era extremamente promissora.

– E você, B.? Eu sinto por tocar no assunto, mas o Sam não está mais aqui. Você tem que retomar a sua carreira, não pode ser dar ao luxo de cuidar somente dos filhos agora. Precisa alimentá-los também – Disse a mulher.

– É, eu sei. Eu já estava pensando nisso, mas para depois das investigações concluídas.

Marley o olhou com dó. Embora B. estivesse feliz, por dentro ele estava ferido ainda. A tristeza havia cedido lugar para um sentimento de justiça, não sabia se aquilo era algo que iria ajudar o amigo a seguir em frente.

– Você já pensou na hipótese desse inquérito durar anos e ser arquivado por falta de provas? – Perguntou Má triste – Seus filhos não podem esperar por isso, B.

Blaine suspirou, ele já havia pensando nisso.

– Você tem razão. Mas eu não sei como pensar nisso agora.

A amiga sorriu. Ele a olhou, sabia que Marley estava pensando em algo.

– O que houve? Você tem alguma ideia?

– Sim. Eu também tenho que retomar minha carreira, mas não quero que seja como antes, não consigo. Pensei em algo novo... O que acho de uma dupla com você? – Perguntou.

Blaine foi pego de surpresa, olhou-a e não exprimia reação.

– Fala algo logo! – Exclamou Má.

– Bem... – Ele riu – Desde que não seja uma dupla de Jazz, eu topo!

Os dois riram.

– Seu bobo! – Disse Marley.

– Dupla de cantores de jazz não dá, podemos ser confundidos com algum cantor pop em fim de carreira. – Brincou B. Eles riram mais.

Marley parou e observou o amigo, feliz e se divertindo. Ficou contente, até havia esquecido do outro problema que ela tinha, cujo o sobrenome era Puckerman.

– Mas e meus filhos? – Perguntou B.

– Já pensei sobre isso também. Você vende esse apartamento e compra uma casa em Lima. A mãe do Sam pode ajudar você a cuidar das crianças e eu também. Apeguei-me muito a eles, B. Não posso ter filhos, você sabe. Por isso, os tenho como se fossem meus também. – Disse Má.

A verdade é que desde a primeira vez que Marley viu os filhos de Blaine e Sam, apaixonou-se por ele. O que só aumentou com a convivência. De certa forma, eles suprimiam a falta que o bebê que ela tirou fazia.

– Isso vai ser essencial quando entrarmos em turnê, alguém que cuide melhor deles. Nas férias, eles podem até nos acompanhar, o que acha? – Perguntou a mulher.

– Perfeito. Você é um gênio!

– Então tudo certo, você vende isso aqui e nós vamos embora. Esquecemos Nova Iorque e damos um fim à isso tudo, vamos recomeçar nossas vidas!

Os dois levantaram-se e abraçaram-se, estava firmada uma incrível parceria.

Marley foi tirar a mesa e Blaine para sala. De repente, a campainha tocou. O pequeno foi abrir a porta.

– Tina. – Disse ao vê-la ali, não esperava pela visita.

– Oi, Blaine. Eu vim para termos uma conversa definitiva. – Disse ela – E eu não aceito que me expulse daqui. Temos que pôr um ponto final nessa história e isso vai ser agora. – Falou a asiática, ela estava decidida a fazer realmente aquilo.

Notas finais
Música: Bad Blood - Taylor Swift