Fins e Recomeços
8 4.08 - Novos Rumos
Notas iniciais
Era uma noite linda e iluminada. Na mesa da casa de Rachel, um enorme jantar estava posto. Todos haviam sido convidados e quase todos estavam ali juntos, à espera de Blaine e Marley.
Brittany estava em um canto só, olhava para Santana. A morena havia se abrigado na casa de Rachel, mas não dirigiu uma só palavra a loira desde então. Tina aproximou-se, com um copo de bebida na mão, e sorriu para a loira.
– Nós duas vamos morrer pensando neles, não? – Iniciou a conversa com um gracejo.
Brit riu.
– Sim. Amores como esses nunca serão esquecidos. – Falou e olhou para a amiga – E esse copo? Novamente bebendo para esquecer dele? – Perguntou triste.
A asiática suspirou e colocou o copo de lado, em uma mesa.
– Acho que essa é a única forma que tenho de ser feliz.
– Não. Claro que não, Tina. – Brit se aproximou e pegou na mão da amiga – Você pode começar a pensar um pouco mais em você, ter amor próprio. Ele é a chave de tudo. Amar mais a si mesma do que a qualquer outro, se dar o devido valor.
– Bem que eu queria. Mas vivi esses anos todos para ele, será que consigo?
– Se não tentar, não tem como saber! – Disse Brittany – Vamos, me prometa isso, prometa que vai tentar. – A loira sorriu para a amiga.
Nesse momento, Blaine e Marley entraram na sala. O coração da asiática palpitou. Por um instante, os olhares de B. e Tina se cruzaram. Contudo, ela desviou os olhos da mira dele e abaixou a cabeça, ainda tinha vergonha de tudo que fez.
– Não vai desistir agora, vai? – Perguntou Brittany.
Tina pegou o copo que estava na mesa e o virou no chão.
– Não. – Disse sem titubear – Mas quero que me prometa algo também.
– Claro. Basta dizer o quê – Falou Brit, que estava orgulhosa da amiga.
– Vai falar com a Santana e resolver tudo com ela.
Dessa vez, foi a loira quem tremeu. Ela já quis fazer isso várias vezes, mas não tinha coragem. O medo de se machucar mais sempre falou mais alto.
– Não pode fugir para sempre disso. – Disse Tina. – Eu vou te ajudar, Brittany. – Ela abraçou a loira – Obrigada por tudo, você é uma pessoa maravilhosa. – Disse sorrindo – Vamos, vai ter que me prometer também!
Brittany assentiu. As duas riram.
– Venha, vamos comer algo! – Disse a loira e as duas saíram.
Os filhos de Blaine e Sam estavam no andar de cima. Brincavam no quarto enquanto o encontro ocorria. Má levou o solista até o local. Cheio de medo, B. subiu. Ele não sabia o que falar aos filhos, ou como falar que o pai nunca mais voltaria.
A mulher bateu a porta do quarto, um dos gêmeos abriu.
– Papai! – Gritou Michel e abraçou B.
Blaine o abraçou sem jeito. Logo os outros filhos o viram e correram até ele. Foi um longo e apertado abraço triplo.
O solista abaixou-se e chorou. Olhando para eles, desabou. Sentia-se um lixo por não saber como falar que o pai que eles tanto amavam não voltaria nunca mais. Mag era loira, tal como Sam. Olhar para a menina doía, pois trazia muitas lembranças do loiro de volta. Na cabeça de Blaine, aquela ferida em sua alma nunca sararia. Ele não queria compartilhar aquilo com os filhos que tanta amava, doeria ainda mais.
– Onde está o pai, papai? – Perguntou David.
Blaine engoliu em seco. Olhou para o rosto dos filhos ansiosos por uma resposta. Eles eram a coisa mais preciosa que B. tinha agora e eram fruto do seu amor com Sam Evans. Como ele poderia dar a notícia? Ver lágrimas nos rostos das três pessoinhas que ele mais amava no mundo seria a última apunhalada, o golpe fatal para o solista.
Entretanto, era hora. Blaine engoliu o choro e respirou fundo, olhou para cada um dos filhos e sorriu. Depois andou, foi até a cama e bateu nela. Pediu que os filhos sentassem. Assim fizeram, sentando-se em fileira. B. ajoelhou-se de novo e sorriu. Suspirou.
– Meus amores, o papai precisa contar algo a vocês. – Um aperto no peito. A voz de B. queria traí-lo e faltar. Foi aí que Marley aproximou-se e levou a mão até seu ombro. Blaine suspirou e continuou – O pai, ele se foi, meus amores. Se foi para outro lugar. Hoje, ele vive em paz e, um dia, todos nós encontraremos ele. – Disse com os lábios trêmulos – Contudo, ele nunca mais voltará para nós.
– Ele morreu, não foi? – Perguntou Michael – A gente ouviu um disparo, papai. Não tivemos coragem de sair do quarto naquela noite. Depois, a tia Marley apareceu lá e pediu para que ficássemos. Só pode ter sido isso, mataram nosso pai. – Falou triste.
Blaine não soube o que responder, ficou calado. Aquilo bastou. Os gêmeos então se abraçaram e choraram.
– O que é morrer, papai? – Perguntou Mag em sua voz meio bagunçada de quase bebê.
– Morrer quer dizer que o pai foi para outro lugar, meu amor. Um lugar lindo e cheio de luz, onde ele nunca mais irá sofrer. – Falou sorrindo para a garotinha loira. — Embora ele sempre vá estar aqui, conosco, em nossos corações e pensamentos. – Disse — Venham. – Falou para todos – Vamos nos abraçar de novo.
Novamente, aconteceu um abraço triplo.
Foi doloroso, mas preciso. Estava feito, agora eles precisavam seguir em frente, juntos. Afinal, eles eram uma família, mesmo que incompleta.
Após um tempo, eles saíram. Precisavam ouvir o que Rachel tinha a dizer naquele noite.
– Nunca pensei que pudesse ser tão libertador. – Disse Blaine a Marley.
– A verdade sempre resolve tudo, B. – Falou ela – Os gêmeos, de alguma forma, já sabiam. Eles são muito inteligentes, não?
– Sim. – B. sorriu – Eles são os maior presente que o Sam me deu. – Disse feliz – Mesmo que minha família esteja incompleta, eu sempre vou ver pedaços do Sam neles. Principalmente na Mag. Ele nunca vai me deixar só. Por meio dos filhos, o Sam continua vivo e comigo.
Marley assentiu.
Quando chegaram à sala, Kurt apareceu.
– Blaine, a gente pode conversar um pouco? – Pediu.
– Claro. – Respondeu o solista sorrindo
– A sós, se possível. – Falou olhando para Marley.
A mulher então saiu, afastou-se um pouco.
Kurt levou o braço ao de Blaine e passou por baixo. Saiu dali, levando-o para perto de uma mesa. O solista ficou sem graça, mas nada fez.
– Então, o que quer? – Perguntou assim que chegaram.
– Só dizer que pode contar comigo. Que vou fazer tudo que precisar, mas tudo mesmo, para que você supere essa fase. – Disse sorrindo – O Sam não era o único homem do mundo, Blaine. Vamos lá, se anime! Há vários outros caras que podem te fazer feliz.
– Obrigado, Kurt. – Falou gentilmente – E sim, ele não era o único, mas era o que eu amava. Na verdade, o que eu amo.
Kurt ficou sem graça e sorriu sem jeito para o outro.
O filho de Burt suspirou, B. o encarou.
– Pode até ser, Blaine. Contudo, ele está morto. E você vivo. Não se esqueça disso, tá? – Disse e saiu.
O solista foi até onde Marley estava.
– O Kurt está tão estranho, não sei o que há com ele.
– Será, B.? – Perguntou Marley.
– Não entendi, o que você está sugerindo?
– Você sabia que ele separou-se do novo marido?
– Não. – Disse boquiaberto – Na verdade, nem conversamos muito.
– Eu soube porque ele disse a Rachel. E não foi só isso que ele disse. Falou também que havia chegado há alguns dias e isso foi no dia após o velório. Depois ele se desdisse, mas eu não acreditei. Acho que ele está escondendo algo.
Blaine ficou confuso.
– Mas ele me disse...
– Sim, ele disse que havia chegado no dia do velório, como se ao acaso. Eu estava perto na hora. Mas ele mentiu.
O solista olhava Má sem reação. Vários pensamentos inundaram sua cabeça.
– Você já parou para pensar que a Tina pode não ter matado o Sam? Que pode realmente ter sido um crime por causa de amor, mas que o assassino pode ser outra pessoa, um cara?
Blaine não teve tempo para responder, nem para pensar naquilo. Rachel chamou a todos, precisava anunciar algo.
A dona da casa estava no meio da sala, de pé e ao lado de Paolo e da filha. Todos os amigos foram para perto, ficaram em pé ao seu redor. A mulher estava radiante de felicidade.
– Então, qual a novidade? – Perguntou Kurt.
Rach olhou ao redor e todos pareciam cheios de curiosidade também.
– Tudo bem, sem mais delongas! – Começou ela – Como vocês sabem, os reuni para dar algumas notícias. Peço perdão ao Blaine, que está em um momento de extrema tristeza, e também o agradeço por ter vindo, mesmo diante de tudo que houve. – Disse Rachel.
O solista a olhou de forma gentil e a cumprimentou com o olhar.
– Pode contar comigo para o que precisar. – Falou ao solista. Todos bateram palmas. – Bem, vamos a primeira notícia! – Olhou para os amigos, que a olhavam ansiosos, não aguentavam mais esperar. Olhou para Paolo e sorriu – Meu álbum está, enfim, finalizado. Lançarei meu primeiro single em algumas semanas!
Todos se encheram de alegria e bateram mais palmas. Rachel ficou envergonhada, então passou um braço pelo ombro de Paolo e o outro no da filha.
– Em alguns meses entrarei em turnê. Como sabem, Brittany está no meu time de dançarinos. Mas ela não é o suficiente. É aí que entra alguns de vocês. – Continuou. Eles se olharam tentando entender aquilo – Preciso de outro grande dançarino que todos vocês conhecem. Quero que Marley e Blaine intercedam por mim.
Os dois amigos se olharem, sem entender a princípio. Foi então que Má se deu conta do que ela falava. Fazia tempo que não o via. Sabia que ele tinha seguido seu conselho e ido estudar em Vegas. Atualmente, era um grande dançarino formado, mas não fazia a menor ideia do que podia ter acontecido ao Jake despois de tudo.
– Como vamos fazer isso? – Perguntou Má.
– Ele vive em Lima ainda. Parece estar com a Kitty. – Falou Kurt.
– Mas ela não estava com o Puck? – Perguntou Tina.
– Aqueles dois irmãos vivem fazendo rodízio de Kitty. Nossas cabeças nunca vão entender a complexidade daquela relação. – Respondeu o filho de Burt.
– Bem, é isso! Posso contar com vocês dois? — Perguntou Rachel.
Eles não sabiam o que responder.
– Vamos lá, vai ser bom. Blaine precisa se ocupar. Talvez, voltar ao começo de tudo o ajude a encerrar esse ciclo, tomar um novo rumo e, enfim, recomeçar. – Disse a mulher.
Blaine a olhou, Rachel parecia cheia de sabedoria. Talvez tivesse razão e nunca saberia se não tentasse.
– Tudo bem, eu vou. – Disse o solista.
– Ótimo! – Ela correu até o amigo e o abraçou – Pode deixar, eu cuidarei dos seus filhos até você voltar, tudo bem?
Ele assentiu e olhou para Marley.
Má pensou um pouco. Não saberia como seria ver Jake depois de tanto tempo. Então pensou no que Rachel falou. Não era só Blaine que precisava dar um novo rumo a sua vida, traçar novos planos. Desde que ficou viúva, Marley também esteve muito perdida.
– Eu aceito também. – Disse a mulher, por fim.
Todos bateram palmas.
– Vejam só que coincidência! – Disse Kurt – Estou voltando a Lima para resolver umas pendências. Será que posso ir com vocês?
– Você fala como se fosse voltar para cá, Kurt. – Comentou Marley.
– Sim, pretendo me mudar para Nova Iorque. – Falou o filho de Burt forçando um sorriso. – Se importa caso eu vá com vocês, Blaine?
O solista olhou para Marley. Sabia da desconfiança dela e, de certo modo, ele começava a compartilhar das ideias da amiga. Precisava entender mais algumas coisas e ali viu a chance de fazer isso.
– Claro que não, Kurt. Vou adorar. – Disse cheio de simpatia.
Os dois trocaram olhares e Kurt sorriu um pouco para B., que ficou meio sem graça. Rachel continuou a falar.
– Tenho uma outra notícia, não tão boa. – Um pouco de tensão tomou conta da sala. Todos pensaram logo em alguma outra fatalidade – Não se preocupem, não é morte. É só uma decisão que me doeu muito tomar, mas não vi outra alternativa. Como sabem, vou começar o processo de divulgação do meu álbum e isso requer tempo. Logo em seguida, farei turnê. O que tomará ainda mais meu tempo. Por isso, Artie, infelizmente, não poderei mais fazer parte do cast do seu filme. – Falou triste – Mas não se preocupe, poderei compor todas as músicas que quiser. Com isso, eu me comprometo.
Tina foi pega de surpresa, aquele filme era algo essencial para a retomada da sua carreira. Sem Rachel, que era um nome de peso, ele poderia não fazer todo o sucesso que ela precisava para voltar.
– Tudo bem, Rachel. Nós entendemos você. E agraço todo seu comprometimento comigo e meu projeto. – Disse Artie.
Rachel foi até ele o abraçou.
– Eu também tenho algo a dizer. – Disse Marley – Também não poderei continuar com o projeto. Sinto muito, Artie, mas acho que está além de minhas competências – Falou ela.
Tina deixou um copo de suco que tinha a mão cair.
– Vocês só podem estar querendo acabar comigo! – Gritou.
Marley era outro nome de peso. Se somente Tina fizesse o filme, ele nunca faria sequer sucesso.
– Acho que só pode ser um complô! – Gritou de novo.
– Calma, Tina. Ainda temos você, não acabou o projeto. – Disse o cadeirante.
– E quem sou eu, Artie? Uma pobre mulher no fim da carreira? Sinto muito, mas diante de tudo, eu também estou fora. Fora! – Gritou – Fora de tudo, do filme e daqui também. – Saiu correndo e chorando pela porta.
Os amigos todos ficaram constrangidos. Mas Rachel não se abalou.
– Imprevistos acontecem, não? – Disse tentando um tom de humor – Por fim, queria convidar a Santana e a Dani para abrirem uma das fases da minha turnê. – Disse sorrindo e olhando para a amiga latina.
A morena ficou sem jeito. Olhou para Rachel com tristeza.
– Eu nem sei se ainda existe eu e Dani, Rachel. Não posso aceitar sua proposta. – Disse a mulher.
– Pode sim. E vai! – Rachel foi até ela e segurou em suas mãos. Olhou-a nos olhos e sorriu – Vocês vão voltar, eu sei. – Abraçou Santana em seguida.
– Obrigada. – Disse a morena – Tudo bem, eu aceito. E vou convencer a Dani. Assim que a gente voltar. – Disse ainda cheia de incertezas.
A reunião após um tempo acabou.
Quando amanheceu, os três amigos viajaram.
Burt havia saído para o supermercado. Nesse dia, ele só trabalharia a tarde. Era perto da hora do almoço e ele precisava correr para o trabalho. Voltou para casa e ao entrar alguém o esperava.
– Frida? – Disse surpreso enquanto abria a porta. – O que faz aqui, na minha casa? – Perguntou após ter entrado.
– Desculpe-me por ter vindo aqui, Sr. Hummel. E ainda mais em um momento em que o senhor não estava. Quando a empregada me falou, eu quase voltei, mas não podia adiar. Eu vim te trazer isso. Achei melhor que fosse aqui, para não correr o risco de cair em mãos erradas. – Disse e entregou um envelope.
Burt o abriu. O dossiê estava lá.
– Ótimo. – Falou sorrindo – Agora sim, vejo que falamos a mesma língua. – Ele abriu o envelope e pegou os papéis. Leu um pouco, ficou boquiaberto – Vejo que você é bem eficiente, Frida. O quanto do conteúdo disso aqui você tem conhecimento?
A garota o olhou assustada. Engoliu em seco.
– Eu te fiz uma pergunta e quero a resposta.
– Nada, senhor. Eu não sei de nada. Eu tenho amigos de vários departamentos do governo. Eles fizeram tudo para mim.
Burt sorriu. Aproximou-se e olhou a moça dos pés à cabeça.
– Você é bem esperta, garota. Vai ser ótima tê-la ao meu lado. Mas cuidado, acho que já sabe que ser minha inimiga não é bom. Se você sair da linha, o mínimo que seja, será eliminada. Levando em consideração tudo que sabe, eu não pensarei duas vezes. – Falou olhando bem nos olhos da moça.
Burt andou até uma lareira. Jogou os papéis lá e os viu queimar até o fim. Frida permaneceu imóvel, assustada e sem reação. O homem voltou.
– Outra coisa, esqueça o caso do Sam. Não quero mais que se envolva nisso.
– Você não pode me pedir isso! – Falou perplexa – Qualquer coisa, menos deixar esse criminoso fora da cadeia. – Ela se ajoelhou diante do homem — Por favor, Sr. Hummel. Eu imploro. Não me peça isso. – Suplicou.
– Eu não pedi, eu ordenei. Agora, levante-se e vá embora. – Burt virou-se e foi saindo da sala.
Frida levantou-se chorando.
– Só mais uma coisa. Amanhã é a votação do projeto de lei da Senadora Jane. – Disse a garota.
– Ótimo. Outra vitória para o meu currículo. – O homem falou sem ao menos vira para ela.
Em Lima, os três amigos se dirigiam à casa onde os Puckerman moravam. Marley ia pensativa, Blaine calado e Kurt já se irritava com isso.
– Ei, o que há com vocês dois? Algum problema?
A mulher o olhou brevemente, depois caminhou mais rápido, até conseguir alguma distância.
– Eu fiz algo errado? – Perguntou Kurt.
– Acho que não. O problema é com ela. A Marley teme ver o Jake.
– Então é isso? — Ele riu — Mas você também está bem calado? – Comentou – O que está acontecendo?
– Eu só estou pensando em pessoas que terei que encontrar aqui. – Respondeu Blaine.
– A família do Sam. – Falou Kurt. Ele foi até a frente do solista, que parou e o olhou sem entender aquilo. Kurt pegou em suas mãos – Eu já disse que pode contar comigo, não é? Então, eu vou lá com você e te ajudo com os pais dele. Você não teve culpa, B. Não precisa teme-los. – Disse sorrindo.
Kurt olhou Blaine dos pés à cabeça.
– Eu sou seu amigo para o que der e vier. – Disse e piscou.
Blaine soltou as mãos dele de forma brusca, odiou todas aquelas insinuações. Pensou novamente nas desconfianças de Marley.
– Obrigado, Kurt. – Falou de forma seca – A casa deles é onde mesmo?
– Mais um pouco à frente. Logo a ali, onde a Marley está. – Falou apontando. Ele estava bem constrangido com a reação de B. – Vamos, antes que ela passe direto.
E foram.
Chegaram até a casa e bateram. Quem atendeu foi Kitty, para a surpresa de todos. Não imaginaram que encontrariam aquilo ali.
Em NY, Brittany estava na sala da casa de Rachel. Ela lia algo quando Santie passou. Lembrou-se da conversa com Tina no dia anterior, de dar um ponto final a aquilo. Levantou-se e seguiu a morena com os olhos, ela foi a cozinha. A loira a seguiu.
Santana bebia água quando Brit chegou no local. Ela foi logo saindo, mas a loira correu e a segurou.
– Por favor, fique. – Disse.
Santie soltou-se em um movimento violento.
– Eu não preciso ficar. Você é a culpada por todo meu desentendimento com a Dani. Não percebe o quão inconveniente é?
– Sim. Talvez eu seja um pouco. – Disse a loira – Mas você só vai sair daqui quando eu fazer uma pergunta.
Brittany encarou Santana, ela estava determinada a falar tudo que queria. A morena desviou o olhar.
– Vamos, fale logo então. – Disse Santie.
– Na verdade, eu quero fazer uma pergunta. – Brit estava nervosa, seu coração batia mais forte. Aquele era um momento crucial. Poderia ser o fim de tudo, ou um recomeço. Um novo rumo para sua vida – Você ainda me ama? Ou, pelo menos, sente algo por mim?
A morena engoliu em seco, não esperava aquela pergunta. Corou um pouco e sentou-se. Permaneceu calada.
Brittany sorriu.
– Sim, você sente. – Disse a loira. – Então a Dani tinha razão, não?
Santana a encarou com um olhar fulminante. Levantou-se e saiu. A morena não disse palavra alguma, contudo, aquilo foi o suficiente para Brit.
Em Lima, os três amigos estavam sentados no sofá da sala da casa dos Puckerman.
Kitty, Puck e Jake moravam ali. Quando Jake partiu para estudar em Vegas, a loira acabou ficando com seu irmão mais velho, com quem teve dois filhos. Porém, há algum tempo ela havia deixado o Puckerman mais velho e ficado com seu irmão mais novo, pai do seu também filho mais novo.
A loira estava com o caçula no colo, que era um bebê gordinho e de pelo morena.
Os amigos já haviam explicado o porquê da visita, Kitty havia ligado para Jake. Ele havia saído e já estava voltando.
– Eu soube de tudo que aconteceu, sinto muito, Marley e Blaine. – Disse Kitty olhando para cada um. – Foi tudo tão de repente, nem tivemos tempo de ir a NY.
– Vocês não, mas o Kurt... – Comentou Má.
– O que quer dizer com isso, Marley? – Perguntou o homem aborrecido.
– Não foi nada, Kurt. Relaxa. – Falou B., antes que a mulher pudesse responder algo.
Antes que começassem uma discussão ali, Jake abriu a porta. Para a surpresa e perdição de Marley.
Ele continuava um dos caras mais lindos que Má havia conhecido. Embora tivesse um ar muito mais maduro, continuava jovial. Pouco havia mudado, parecia somente um pouco mais musculoso, principalmente nas pernas.
– Nossa, vocês por aqui. – Disse ele surpreso – Kitty só me disse que tínhamos visitas, não imaginei que... – Nesse momento, o olhar do moreno cruzou com o de Marley. Ambos coraram e desviaram logo. – Bem, sejam muito bem-vindos. – Falou e sentou-se.
– Não pense que viemos a troco de nada, Jake. Blaine e Marley têm uma proposta para você. – Disse Kurt.
– Pois não, sou todo ouvidos.
Os dois então falaram tudo sobre os planos de Rachel.
Jake os olhou sem palavras.
– Nossa... Eu fico realmente lisonjeado. – Disse o moreno – Eu... Eu posso pensar um pouco? É que agora eu tenho um filho e a Kitty. Não posso tomar nenhuma decisão precipitada.
– Claro que pode. – Respondeu Marley.
– Ele não precisa pensar, ele aceita. – Disse Kitty.
– O quê?! – Jake a olhou sem entender aquela resposta.
– É isso mesmo, Jake. É a chance de você ganhar dinheiro e dar uma boa vida ao seu filho e a mim – Disse a loira – Não discuta, apenas tome essa oportunidade.
Todas no local se olharam. O tempo passou e Kitty continuava do mesmo jeito, dura e turrona.
– Bem... Diante disso... Eu... – Começou o homem sem jeito.
– Você aceita. – Repetiu Kitty. Todos riram – Quando ele vai?
– O quanto antes, pois a Rachel quer começar a organizar tudo agora. Além do mais, não se preocupe, você pode vir sempre que quiser, Jake. – Disse Blaine. – Será que poderia ir amanhã conosco?
Ele assentiu.
– Ótimo, tudo resolvido. Amanhã voltamos. – Disse Marley.
– Dormem conosco? – Perguntou Jake.
Marley nada respondeu. Blaine olhou para ela e depois para Kurt.
– Se quiser, Blaine, pode dormir na minha casa e a Marley dorme aqui, para não lotar tanto. – Disse Kurt.
– Pode ser, Má? – Perguntou o solista.
A mulher confirmou com a cabeça.
Blaine e Kurt foram à casa do Hummel.
Era uma casa pequena. Tinha dois quartos e um estava em reparos, não dava para dormir lá.
– Você pode dormir no meu quarto, se quiser, Blaine. Minha cama é enorme. – Disse o outro.
– Não, Kurt. Acho que vou ficar aqui pela sala mesmo. – Falou o solista.
– Ah, qual é? A gente já dividiu a cama outras vezes, qual o seu medo? – Perguntou Kurt em um tom descontraído.
– Nenhum, eu tenho total certeza de que da minha parte não aconteceria nada. Mas e você, está disposto a me respeitar?
Kurt corou.
– Tudo bem, desculpe-me. – Falou ele – Pode ficar à vontade aqui. – Sorriu e saiu até o quarto.
A noite, em NY, Tina encontrava-se no balcão do Scandals. Tinha um copo em mãos e uma garrafa do lado. Ela bebia descontroladamente.
Artie chegou procurando por ela e se deparou com a cena, ficou com o coração na mão.
– Oi. – Disse sorrindo ao se aproximar – Posso sentar aqui? – Brincou puxando um banco.
– Você veio aqui também jogar um balde de água fria em meus planos? – Perguntou aborrecida.
Artie sorriu.
– Não, sua boba. Eu vim aqui para esclarecer algo.
Tina encheu um copo e virou. Depois olhou para o amigo.
– Aceita um gole? – Perguntou.
– Não, obrigado. Eu não gosto muito de bebida e você deveria tentar beber menos.
– Para quê? Não há nada que justifique mudança em meus hábitos. Minha vida é uma droga. Sou uma mulher frustrada profissionalmente, o homem que eu amo é gay e ainda acha que eu sou uma assassina. – Falou e riu. Bebeu de novo – Eu quero mais é que tudo se exploda. Eu odeio essa porcaria de vida.
Ouvir tudo isso fez com que Artie ficasse mal. Ele gostava muito de Tina, era uma de suas melhores amigas. Não imaginava que sua vida fosse tão sofrida. Cada vez que ela falava, ela bebia mais. A partir daí ele começou a entender as origens do seu vício.
– Olha, Tina. Com relação ao Blaine ser gay, eu não posso ajudar muito. – Começou o cadeirante – Mas sua vida profissional são outros quinhentos. – Falou sorrindo.
Tina o olhou sem entender. Ela estava embriagada e abalada com tudo que aconteceu e Artie não falava nada claramente.
– Não entendeu, não é? – Perguntou ao perceber a reação da amiga – Desde o começo, Tina, você é e sempre foi a estrela principal do meu filme. A Rachel e a Marley também foram escaladas para você pensar que eu não estava tentando te fazer um favor. E não pense que estou. Na verdade, eu confio em seu trabalho, em seu talento. Desde o início, eu tinha um plano B, pensando em as duas não aceitarem minha proposta. Acho que é hora de colocá-lo em ação.
Tina o olhou e, sem perceber bem o que fazia, puxou o amigo e o beijou. Quando o soltou, estava envergonhada.
– Desculpe-me, eu acho que estou muito bêbada. – Disse.
Depois, os dois se olharam por um tempo, ainda meio sem graça. Em seguida, ele riram. Gargalharam juntos.
– Obrigada, você é o melhor amigo do mundo. – Disse Tina cheia de felicidade.
– E você é minha estrela! Eu confio em você, Tina Cohen-Chang. Nunca deixaria de lado meu projeto por alguma desistência.
A asiática levantou-se e foi até Artie. Sentou-se em seu colo e abraçou o amigo por muito tempo.
– Então, quando começamos a formar minha personagem? – Perguntou ela.
– Em breve. Eu só preciso checar mais alguém que terá um papel importante em meu projeto. Não se preocupe, já estou adiantado com relação a isso. A participação dessa nova pessoa é quase certa.
– Ótimo! Então, vamos comemorar?
– Sim. Mas antes... – Ele pegou a garrafa – Quero que me prometa que nunca mais vai recorrer a isso como terapia.
Tina o olhou e sorriu de novo. Pegou a garrafa e a jogou por uma das janelas da boate.
– A partir de agora, Artie, uma nova Tina nasceu. Eu darei um novo rumo a minha vida, eu prometo.
Os dois então saíram, comemoraram a noite toda.
Em Lima, Marley estava sem sono. Já era tarde da noite, ela caminhava pelo quarto de hóspedes. Estava com sede, mas temia sair dali e dar de cara com ele. Não saberia como seria. Jake havia marcado a vida dela para sempre e de inúmeras formas. Ela estaria mentindo se dissesse que não sentia nada por ele, nem que fosse um enorme afeto.
Alguém bateu em sua porta. Seu coração palpitou. Perguntou-se se poderia ser ele, Jake Puckerman.
– Pode entrar. – Disse cheia de expectativas.
Quando a porta se abriu, o choro de um bebê seguiu junto. Era Kitty.
– Vim só para saber se precisa de algo. – Disse e entrou.
Má sorriu.
– Não, muito obrigada. Estou muito bem acomodada, vocês estão sendo muito gentis comigo. – Falou de forma educada.
A loira olhou bem para Marley, talvez espantada ao ver como ela havia mudado. Era, de fato, uma grande mulher.
– Você realmente queria perguntar por isso, Kitty? – Perguntou Má ao ver o que a loira fazia.
– Na verdade, não. – Ela riu – Eu só queria dizer que o caminho para vocês dois está livre. Amanhã, o o Jake estará indo embora e livre. Quero que você aproveite isso.
Marley a olhou confusa. Cerrou o cenho. Pensou que a loira estivesse louca.
Kitty riu.
– Não entendeu o que eu falei? – Perguntou ela.
– Sim, mas não entendo o propósito de tudo isso. Achei estranho quando o deixou ir daquela forma, sem nem ao menos pensar direito. – Explicou – Mas você erra em algo aí, eu não estou interessada em seu homem, Kitty.
O bebê grunhiu, a loira o aninhou e falou algo que o acalmou. Depois voltou a olhar para Marley.
– Está vendo essa criança? Todas as noites, antes de dormir, o Jake vai vê-la em seu berço. Ele pensa que eu não sei, mas eu sei. Ele projeta nela o filho que vocês poderiam ter tido juntos. Eu posso me dar muito bem com o Puckerman mais novo, mas não é a mim que ele ama. Ele é meu melhor amigo, não meu homem. Isso o tempo me mostrou.
Ver tamanha sinceridade na loira espantou Marley. Saber que Jake ainda pensava no filho deles doeu. Aquela era uma das feridas que nunca sararia nela.
– Ainda assim, Kitty. Eu amo o Ryder, mesmo tendo morrido, eu o amo. – Disse após um tempo.
– Não, você aprendeu a amar o Ryder. Mas amar de verdade, você ama o Jake. – Kitty sorriu para ela – Você acredita em alma gêmea? Eu acho que o Jake é a sua, Marley. O própria destino está mexendo seus pauzinhos para que os dois fiquem juntos. Só você não percebe.
Marley riu perplexa.
– Não acredita que o Ryder tenha morrido para que eu fique com ele, não é?
– O que eu acredito não interessa. – Respondeu a loira – Contudo, o que eu acho é que o Jake vai ser mais feliz em Nova Iorque. Há alguns anos, quando ele se formou, incentivado por você, ele voltou para Lima. Eu não pude acreditar quando ele apareceu aqui, na minha porta. Eu estava com o Puck, mas o ajudei no que pude. Ele ia atrás de emprego, mas nunca conseguia algo bom. Até que desistiu. Tempos depois eu me separei do irmão, mas continuei morando aqui, afinal, tínhamos dois filhos. Em seguida, fiquei com o Jake e tive um filho com ele. Desde então, moramos todos aqui, como uma família. Mas o Jake não é feliz, eu sinto. Ele não pertence a esse lugar – Ela aproximou-se de Má e olhou bem em seus olhos – Só você, Marley Rose, pode dar o sentido que a vida dele tanto precisa. Um novo rumo a ela. Reflita sobre isso. – Disse Kitty e saiu.
Marley sentou-se. Respirou um pouco e pensou naquilo. Depois foi a cozinha, a loira estava lá, mas dessa vez só. Elas se olharam e pareceu pensarem na mesma coisa.
Kitty pegou o celular e pôs algo para tocar.
Kitty:
Life been crazy, all advice has been to chill more
Ironic, I been livin' off what people down to kill for
And I find no comfort in numbers
Knowin' there's always a mill more
Fact was that cat dragged my pretty ass
Right on the top of that Billboard
And all of my folks who done
Been here from jump you the ones I'ma cover the bill for
And as I get ill more
We gon' triple the order of champagne and spill more
Let's handle the real score
Been wonderin' what the public got a feel for
So let's keep it real, y'all
You know I'm killing game soon as I step on the field, y'all
The top where I'm at now, there's no turning back now
I won't ever back down
They feel me like they givin' Iggy a pat-down
I needed a moment I found it
Lately I've been on my runnin' the town shit
Especially walkin' around with
Marley:
This heavy crown
You can't always please the crowd
But I am still not bowing down
This heavy crown
It comes and goes around
And when it's time, I'll pass it proud
But bitch I got it now
Kitty:
So keep a cute, chick, and don’t be hatin’ on the new chick
Go back and check your stats
And bet they let you know I do’s this
Glasses full of empty fonete unpoint of view chick
If you was mad before
I bet you hate me for this new shit
Maybe you should watch
What you’ve got coming out your two lips
Get cool with how I kick it or else you gon’ get the boot, bitch
Iggy A-Z-A a. k. a. captain of the crew ship
Don’t penny pinch I promise babe
I don’t need your two cents
Get fone the fone let us see just who you is
But if you feel like that girl bless your heart
Go get it how you live
When you hear my name
You gotta know that she’s something regal
I’m one fone ain’t no sequels
I’m wearing
Marley:
This heavy crown
You can't always please the crowd
But I am still not bowing down
This heavy crown
It comes and goes around
And when it's time, I'll pass it proud
But bitch I got it now
Kitty:
To everyone who said I'd never make
Oh, Lord, weren't you mistaken
I got a dinner date with greatness
Iggy Iggy, ain't never been nothin' to play wit, hol' up
To everyone who said I'd never make
I'm at the top laughin' at you faces
I've been practising my patience
But I switch back quick if you play with
Marley e Kitty:
This heavy crown
To everyone who said I'd never make it
This heavy crown
Oh, Lord, weren't you mistaken
This heavy crown
To everyone who said I'd never make it
This heavy crown
Oh, Lord, weren't you mistaken
This heavy crown
To everyone who said I'd never make it
This heavy crown
Oh, Lord, weren't you mistaken
This heavy crown
To everyone who said I'd never make it
This heavy crown
Oh, Lord, weren't you mistaken
Ao fim, as duas riram.
– Espero que você segure bem essa coroa, pois estou oficialmente a passando para você. – Disse a loira.
Marley suspirou. No fim, ela também precisaria dar um novo rumo a sua vida agora, assim como todos os outros.
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