Fins e Recomeços

2 4.02 - Juntos Podemos Vencer


Notas iniciais
Rachel tem uma conversa decisiva com a visita em sua sala. Sam enfrente sua maior rival, a Senadora Jane, e, ao lado de Blaine, encontra a solução para derrubá-la. Algo inesperado aflige a todos.

Brittany estava ali, sentada no sofá da sala de Rachel, que estava sentada ao seu lado, esperando por respostas.

– Então, diga-me, o que faz aqui? – Perguntou a mulher.

Brit respirou fundo. Era muita coisa a se contar. Passou mais de quatorze anos na cadeia, acusada e presa pelo assassinato de Quinn Fabray. Foi um tempo de reflexão e sofrimento, fez coisas do quais não se orgulhava para poder manter sua integridade física naquele local. Psicologicamente, passou por diversos problemas, mas superou a maioria.

– Foi horrível. No começo, todas as presas me xingavam e me batiam. – Falou com lágrimas nos olhos. A loira tinha os cabelos bem curtos, estava mais gorda um pouco e sua pele parecia desgastada – Até que eu me cansei e decidi me impor. Não foi fácil. – Disse e suspirou. Eram lembranças sofridas – Tracei algumas metas. Para começar, conquistei a mulher que era mais temida naquele lugar e fiquei com ela por um grande tempo. Aos poucos, fui ganhando espaço e respeito, até que eu mesma passei a colocar medo nas outras presas. – Explicou – Reinei naquele lugar, então passei a viver melhor e tocar minha vida da melhor maneira que pude. Ainda assim, foi pior do que a coisa mais miserável que vocês possam imaginar.

– Eu imagino, Brittany. – Rachel parecia um pouco abalada com o relato, a loira parecia ter sofrido bastante de verdade. Contudo, ainda não confiava naquela que estava em sua frente. No ensino médio, Brittany mostrou-se uma boa garota, e bem boba também. Ao matar Quinn, todos se surpreenderam. Não imaginavam que aquela garota mal fosse capaz de matar uma mosca e erraram feio. – Mas você só colheu o que plantou. Seja objetiva, em que posso te ajudar?

– Tudo bem, então sejamos diretas. Eu quero um emprego, um trabalho, a chance de recomeçar minha vida, Rachel. – Disse – Sei que você é uma mulher famosa e bem sucedida hoje. Sei também que pode me ajudar. Arrependi-me muito do que fiz, não acho que nenhum amor valha tanto a ponto de você acabar com sua vida. No fim, fiquei sem a mulher que amava e sem a minha liberdade. Pensei que ganharia algo, perdi as duas coisas mais preciosas que tinha. – Falou triste – Hoje quero recomeçar. Essa fase de sofrimento acabou. Você poderia me ajudar? – Pediu esperançosa.

Rachel levantou-se, pensou um pouco. Algo ainda a intrigava.

– Só me diga algo, como conseguiu ser libertada em apenas quatorze anos? Porque, pelo que eu sei, a pena para quem mata é bem maior.

– Sim, é verdade. Mas eu era réu confessa, primária e ainda tinha bom comportamento. Consegui liberdade condicional, vou apenas dormir na cadeira e farei alguns trabalhos comunitários até o fim de minha pena. – Explicou.

– Ótimo, agora sim podemos recomeçar. – Rachel sorriu para a antiga amiga e deu a mão, a loira a apertou – Estou terminando a gravação do meu álbum e marcarei alguns shows dentro do próprio estado. Acho que podemos conseguir permissão para trabalhar para mim, ser minha dançarina. – Falou.

Brittany quase pulou de alegria, mas achou melhor abraçar a amiga. Não pensou que seria tão fácil, nem que Rach fosse tão receptiva. Não lembrava dela como uma pessoa tão boa. Rachel a abraçou e riu

– Mas calma! Antes de te contratar, preciso de uma coisa.

A loira ficou triste, por um momento, pensou que estava tudo certo, que havia conseguido fazer com que Rachel confiasse nela de novo.

– Eu não estou segura de algo ainda... – Disse a mãe de Vick.

– Você não confia em mim, não é? Pensa que ainda sou perigosa... – Brit começou.

– Não é nada disso! – Rachel a interrompeu e riu.

– Não? – Ela voltou a sorrir – O que é então?

– Se ainda pode dançar como antes. – E piscou.

Brittany riu, sentiu-se aliviada e feliz de novo.

– Posso fazer um teste então? – Perguntou.

– Só se for agora! – Rachel virou-se para Paolo – Aquela música que está no meu álbum novo, a bem dançante. Pode ser, meu amor?

– Claro. – Respondeu ele e foi até um aparelho de som, colocou algo para cantar.

Shadows above the sand

I waited so long to hold your hand

Falling in love, helpless, just actin' stupid like kids

We're so distracted, yeah we've been careless

It's not too late

Baby, open your eyes

And hold on tight

Just keep running and we can stay up all night

Don't let go — don't let go

Flying high as a kite, no ground below

Got me up in the sky

Writing "don't let go"

Don't let go — don't let go

Sometimes emotions fray

Like tiny little heartbreaks

Something I can't explain

Just fighting stupid like kids

I'm so impatient

And you're so reckless

It's not too late

Baby, open your eyes

And hold on tight

Just keep running and we can stay up all night

Don't let go — don't let go

Flying high as a kite, no ground below

Got me up in the sky

Writing "don't let go"

Don't let go — don't let go

I know we pull, pull, pull on each other

Sometimes we spin, spin, out of control

But there's a string holding us together

Just gotta catch that wind, here we go

Baby, open your eyes

And hold on tight

Just keep running and we can stay up all night

Don't let go — don't let go

Flying high as a kite, no ground below

Got me up in the sky

Writing "don't let go"

Don't let go — don't let go

I know we pull, pull, pull on each other

Sometimes we spin, spin, yeah

I know we pull, pull, pull on each other

Sometimes we spin, spin, yeah

I know we pull, pull, pull on each other

Sometimes we spin, spin, yeah

Rachel cantou e Brittany dançou atrás. Parecia não ter pedido a forma, a loira ainda dançava perfeitamente, mesmo um pouco mais gorda.

– Na cadeia, eu dançava e dava aula as presas. – Falou enquanto limpava o suor da testa. – Eu sabia que não perder a forma poderia ser importante quando eu saísse de lá. – Sorriu.

– Contratada! – Falou Rachel, impressionada como a amiga ainda dançava de forma perfeita – Falarei com meus advogados, eles conseguiram autorização para dançar comigo na turnê pelo estado.

– Obrigada. – Abraçou-a de novo, a loira estava extremamente feliz – Muitas vezes, uma oportunidade como essas é o que muitos precisam para recomeçar a vida após um erro irreparável. Embora o que eu tenha feito nunca vá mudar, eu poderei fazer diferente agora nesse novo começo. – Falou emocionada. Limpou algumas lágrimas dos olhos – Eu só queria agora que você me atualizasse de tudo e todos, eu não sabia de nada lá dentro. Ninguém foi me visitar. – Disse triste – Só sabia onde você estava por ser tão famosa assim.

– Claro que sim, vou te contar tudo. Mas mais tarde, agora tenho uma sessão no estúdio. – Chamou o empregado com a mão – Prepare um quarto e a sirva de tudo que quiser, por favor. A partir de agora, a Brittany é nossa convidada para ficar aqui o tempo que quiser. – Disse olhando para a amiga e sorrindo.

Rachel já ia siando ao lado do marido, mas a loira a chamou, precisava saber de algo. Pelo menos dessa informação não podia ser privada.

– Sim, Brit? – Perguntou.

– Como ela está? – Perguntou envergonhada.

Rachel suspirou e sorriu.

– Está bem, não se preocupe. Ela formou uma dupla com a companheira. A princípio, eram namoradas cantoras que viajavam por aí ganhando seu dinheiro. Agora, ela parecem ter um relacionamento bem sério e estável, embora não estejam legalmente casadas. Ainda continuam viajando por aí, cantando e se amando. – Disse.

A loira assentiu, seu rosto exprimia tristeza. Rachel então saiu. Brit sentou-se no sofá. Aquilo doeu, mas ela precisava saber. Durante todo tempo que passou presa, a esperança de ver a mulher que amava de novo quando saísse dali era o que a mantinha de pé. Lembrava de seus cabelos longos e negros e sua pele morena que tanto amou tocar e beijar. Brittany chorou. Pensou que ela nunca mais amaria alguém após a Quinn ter morrido. Provavelmente, nunca a veria de novo, já que ela estava longe e constantemente se mudando.

– Talvez assim seja melhor. – Disse a si mesma – Não sei se suportaria a ver com outra. Por outro lado... – Ela suspirou.

Vê-la de novo era tudo que queria, não importava como. Saber que Santie estava feliz era o que a consolava.

– Pelo menos isso. – Sorriu, pensando sobre. Depois foi a cozinha, precisa de algo diferente da comida da cadeia que ela já não suportava mais.

No senado, Sam e Burt caminhavam juntos, pareciam tratar de alguns assuntos. Estavam próximos do gabinete do loiro, que precisava de alguns papeis para prosseguir com alguns debates. Ambos ainda pareciam indignados com a proposta da Senadora Jane.

– Ela parece estar buscando muito apoio para nos derrotar, Sam. – Disse o pai de Kurt, receoso. – Não estou seguro com relação a isso.

– Acha que nós... – Sam não conseguiu prosseguir, pensou em tudo que conquistou. Balançou a cabeça – Não, nós não vamos perder. – Disse e caminhou mais.

O loiro acabava de chegar ao lugar que queria. Lá, estava sua secretária, responsável por organizar tudo ao seu respeito. Seu nome era Frida, era a pessoa que Sam mais confiava ali dentro. Tinha por volta dos vinte e três anos, era recém-formada e muito competente. Era branca e usava um cabelo preto curto, também era baixinha e tinha um sorriso encantador. O bocudo a chamou.

– Frida, aqueles papéis referentes a votação em pauta hoje, eles já estão prontos? – Perguntou.

– Sim, Mr. Evans. – Respondeu. – Estão aqui. – Pegou-os na gaveta e entregou.

– Sempre competente e rápida. – Sam riu, ela também – Já está sabendo do novo ataque da Jane? — Ela assentiu – E o que pensa sobre?

Depois de Marley, talvez Frida fosse a melhor amiga de Sam. Sempre sabia de todos os seu passos e comungava de sua luta. Era a pessoa mais sensata que o loiro conhecia e sempre o falava a verdade, por pior que ela pudesse ser.

– Vou ser bem sincera, se fosse hoje a votação, ela ganharia. – Falou triste.

– Foi o que pensei. – Disse com um sorriso triste – Mas por quê?

– Trabalho com o senhor há pouco tempo – Disse Frida que trabalhava no gabinete de Sam há menos de um ano – Sei que quando conquistou todos os direitos que ela quer revogar, a bancada era outra. As últimas eleições foram catastróficas para os seus ideias e as melhores para os mais conservadores. Eles nunca conseguiram eleger tanto como da última vez. É a bancada mais conservadora que esse país já teve. Não sei se isso é bom para você e o partido do Burt, mas sei que vai atrapalha-los muito.

Sam a olhou, sorriu. Sentia orgulho da moça, ela parecia entender mais daquele meio do que ele.

– Você vai longe. – Disse e ela corou – Agora, eu que preciso ir, e já! – riu e saiu novamente com Burt.

Mr. Evans seguiu até a reunião. Sam havia mudado o nome depois de casado, mas no trabalho todos o tratavam como Evans. Talvez achassem grande demais o sobrenome todo, então só falavam metade.

O loiro, Burt e todos os outros senadores cumpriram seus trabalhos naquele dia. Muita discussão e bate-boca, pouca coisa resolvida e bastante dor de cabeça como resultado. Na saída, enquanto caminhava pelo corredor que dava ao seu gabinete, Sam encontrou quem menos queria ver naquele dia, Jane.

A senadora era uma mulher de meia idade, usava óculos e tinha um cabelo de cor castanha que ficava sempre preso. Tinha a pele meio enrugada e em um tom que parecia a mistura do branco com moreno.

O bocudo passou pela mulher e exprimiu uma cara de insatisfação, ainda bufou de raiva no corredor. Ela parou, ele também, um de costas para o outro, já que iam em direções opostas.

– Algum problema, Mr. Evans? – Perguntou a mulher com uma voz que exalava puro sarcasmo.

O sangue foi a cabeça, mas o bocudo não deixou se tomar pela raiva. Respirou fundo e virou-se, ficando cara a cara com a mulher.

– Por que a pergunta, Sra. Lohan? – Retrucou ele no mesmo tom.

– O senhor me pareceu um pouco... com raiva. – Respondeu com um sorrisinho no canto da boca. – Pensei que pudesse ter feito algo a você.

– Não só a mim, mas a minha família e a todas as pessoas que represento. – Disse ele – Você e seu bando têm feito isso durante toda sua existência e vida política. – Falou cheio de fúria.

A mulher riu de forma debochada.

– E ainda ri? – A raiva do loiro só aumentava – Escute só o que eu vou te dizer, sua... – Buscou palavras que fossem não muito pesadas — Fundamentalista hipócrita... – Começou ele.

– Olha lá como fala comigo! – Ela o interrompeu, levando o dedo ao rosto do loiro – Você me respeite, pois estamos em nosso local de trabalho.

Agora era Sam quem ria.

– Falei algo engraçado? – Perguntou ela.

– Sim. – Disse enquanto a olhava bem nos olhos – Trabalho. O interessante é que você foi colocada aqui para defender e representar as pessoas de nosso país. Mas seu trabalho é fazer justamente o contrário. Mas não se preocupe, não iria desrespeitá-la, só dizer uma coisa. – Aproximou-se mais do rosto dela – Não vou deixar que use nada que não seja a Constituição Federal para tentar conduzir esse país. Guarde de lado sua fé ou sua criação, ela não importa. As pessoas não são obrigadas a concordar ou achar certo que o você pensa. Se não apoia que mulheres se casem com outras, ótimo, não case-se com uma. Mas não interfira na vida de milhares de famílias de nosso país.

Ao ouvir a palavra família, a mulher riu. Sam quis dar-lhe um tapa na cara, mas segurou o punho.

– Você, com certeza, deve ser muito infeliz. É a única explicação para uma pessoa que só pensa em atrapalhar a vida dos outros. Pois bem, eu, Blaine, Mag, Michael e David somos sim uma família perante o estado, e uma família muito feliz. É assim que vai continuar e eu vou garantir isso, pode acreditar em cada palavra que digo, Senadora Jane Lohan. – Ele sorriu para ela – Então, até logo.

O bocudo saiu, estava farto daquela mulher e suas provocações.

– Sam Evans. – Chamou ela, o loiro parou.

– Sam Anderson & Evans. – Disse ele de forma firme.

– Que seja. – Ela sorriu – Eu também tenho algo a dizer. – Ela caminhou, foi até ele – Vocês vivem uma vida que não é normal, mas não têm mais solução. Deixaram que essa sujeira se impregnasse em seus corpos e tomasse conta de vocês. E quando eu falo vocês me refiro a todos os homens e mulheres que já se casaram como pessoas do mesmo sexo em nosso país. Você me acusa de usar da minha fé para legislar, mas a própria constituição traz um conceito de família e casamento diferente do que você pensa e prega. Eu e minha bancada não podemos deixar que as gerações futuras cresçam pensando que isso é algo normal, quando não é. Vocês precisam de ajuda, não de casamento.

Sam riu.

– Pode rir o quanto quiser. – Ela o interrompeu de forma firme – Mas não deixarei que os filhos dos meus filhos compartilhem dessa sujeira. Isso não é normal, é uma doença, é um pe... – De repente, ela parou. Parecia procurar outra palavra.

– Um pecado, é isso que iria falar. – Sam sorriu — Novamente, usando seu fundamentalismo religioso para interferir em um estado que, na teoria, é laico. – O loiro sorriu de novo, a mulher parecia constrangida.

– Pense como quiser, mas logo, logo isso estará resolvido e eu posso te garantir que tenho a maioria ao meu favor.

– Isso por enquanto.

– Eu só preciso deles até a semana que vem, que é quando está agendada a votação do meu projeto de lei. É bom ser amiga do presidente do senado, sabia? – Ela piscou para o loiro, que ficou branco. Daquilo ele não sabia.

Sam contava com mais tempo, sentiu tudo rodar e pensou que ia desmaiar, mas levou a mão a parede e se apoiou. A mulher a sua frente sorriu da mesma maneira sarcástica de antes.

– Eu acho que estamos conversados, Mr. Evans. – Disse e saiu.

Ainda apoiado e vendo tudo girar, Sam pensou ter ouvido risos mais à frente, na direção em que a Sra. Lohan ia. Frida chegou ali.

– Mr. Evans! – Ela exclamou e o ajudou, fazendo-o apoiar-se em seus ombros – O senhor está bem? – Perguntou preocupada – O senhor demorou a chegar, o expediente já acabou, então decidi vir procura-lo e o encontro aqui, na parede, pálido e gelado. O que houve?

– Só uma notícia que me pegou desprevenido. – Respondeu Sam, já voltando ao normal – Diga-me, Frida, será semana que vem mesmo que será votada a loucura da Jane?

A moça o olhou com uma expressão de tristeza e assentiu.

– Então tenho pouco tempo. Droga! – Ele socou a parede – Por favor, ligue para o Burt e marque um reunião com ele o quanto antes, em meu apartamento.

Ele saiu, arrumou suas coisas e foi para casa.

Abriu a porta do aparamento e entrou. Blaine estava no sofá, David estava em seu colo, pai e filho estavam vendo desenho animado na TV e rindo como se ambos fossem crianças. O loiro suspirou.

– Sammy, você está aí?! – Exclamou o solista.

Michael voltava da cozinha, B. o chamou e deixou os gêmeos vendo desenho. Beijou cada um na testa e saiu com o marido, foram para o quarto.

Ali dentro, Sam desabou. Abraçou forte o marido e chorou feito um bebê em seus braços.

– Eu não vou conseguir. – Dizia enquanto soluçava.

Blaine o abraçava forte também.

– Calma. Conte-me tudo. – Pediu o solista.

Assim Sam fez. Falou da conversa com Jane, do pouco tempo e pouca esperança que tinha. Disse o quanto temia ver sua família desfeita pelo preconceito de uma mulher seca de sentimentos e infeliz.

Blaine o ouviu calmamente, pensando em algo.

– Nosso casamento pode ser anulado e nossa família pode deixar de existir legalmente. Podemos ser obrigados até a refazer os registros de nossos filhos. Eu não vou suportar, B. – Disse ainda chorando, agora pouco. Suas lágrimas já estavam escassas também.

Eles ficaram um pouco em silencio. Com o tempo, o loiro foi cessando o choro.

– Está mais calmo? – Perguntou Blaine sorrindo, o marido assentiu com a cabeça – Então, meu amor. Já pensou em tudo que conseguimos ao longo desse tempo? Antes, nós tínhamos um contrato de união civil. Embora chamássemos de casamento, não tínhamos os mesmos direitos que casais heterossexuais, não podíamos seque formar uma família. Hoje, graças as lutas de você e Burt, estamos todos de igual para igual. Para outras pessoas não pode parecer muito, pois sempre casais homossexuais viveram juntos, mesmo sem o casamento ou união civil aprovados e reconhecidos pelo estado. Mas para nós, era como se passássemos a ser, enfim, vistos e reconhecidos por todos. — Sam ouvia atentamente, parecia já mais feliz e lembrando-se de todas essas conquistas – Tudo que conseguimos não foi de mão beijada, meu amor. Foi com luta e com protesto e demonstrações de insatisfação. Não são todas as pessoas desse país que são ignorantes e pensam como a Senadora Jane. Temos pouco tempo? Uma semana? Pode até ser. Contudo, no mundo em que vivemos hoje, algumas horas são o suficiente para que muitas coisas aconteçam. – Blaine sorriu, Sam começava a entender no que ele pensava – Você não está sozinho, pode ter certeza. E sim, nós temos direitos e sim, nós vamos lutar por eles!

Sam suspirou e chorou mais, só que agora de alegria. Abraçou forte Blaine e o beijou na boca, um beijo apaixonado e molhado. Levou as mãos ao seus cabelos meios encaracolados e acariciou-os, sempre beijando.

– Você é o melhor marido do mundo – Disse o loiro e levantou-se.

Blaine o olhava, sem entender o que faria. Acapella, o bocudo começou a cantar.

You're the light, you're the night

You're the color of my blood

You're the cure, you're the pain

You're the only thing I wanna touch

Never knew that it could mean so much, so much

You're the fear, I don't care

'Cause I've never been so high

Follow me to the dark

Let me take you past our satellites

You can see the world you brought to life, to life

So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for?

Fading in, fading out

On the edge of paradise

Every inch of your skin is a holy grail I've got to find

Only you can set my heart on fire, on fire

Yeah, I'll let you set the pace

'Cause I'm not thinking straight

My head spinning around, I can't see clear no more

What are you waiting for?

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for?

Love me like you do, lo-lo-love me like you do (like you do)

Love me like you do, lo-lo-love me like you do (yeah)

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for?

Ah

I'll let you set the pace

'Cause I'm not thinking straight

My head spinning around, I can't see clear no more

What are you waiting for?

Love me like you do, lo-lo-love me like you do (like you do)

Love me like you do, lo-lo-love me like you do (yeah)

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for?

Love me like you do, lo-lo-love me like you do (like you do)

Love me like you do, lo-lo-love me like you do (oh)

Touch me like you do, to-to-touch me like you do (ah)

What are you waiting for?

– Seu amor é o que me dá forças para continuar e me movimentar. Sem você, Blaine Anderson & Evans, eu não seria um décimo do homem que sou hoje. Não, um milésimo! – Disse e o beijou de novo.

– Bobo! – B. estava corado. – Eu te amo. – Disse e beijou o marido. – O que está esperando? Aja! Precisa se movimentar, tweete algo para começar sua campanha. Usar a mídia e redes sociais, é disso que você precisa, seu bocudo!

Os dois riram, então o loiro pegou o celular.

“Eles querem nos derrubar, mas não conseguirão. Eu conto com vocês em mais essa batalha. Juntos podemos vencer”

Tweetou e postou no Facebook essa frase.

– Amanhã vou me reunir com o Burt e procurar meios de ir a televisão, precisamos de uma campanha lá também. Chamar o povo as ruas.

– O YouTube também é uma boa, meu amor. Tenta contato com algum canal famoso. Quanto mais se difundir essa campanha, melhor. E não se esqueça da nova febre que é o compartilhamento em massa de vídeos no Facebook. – Disse o pequeno.

– Sim, você tem razão. – Sam sorriu – Você é um gênio, viado! – Os dois riram.

Saíram para jantar com os filhos e dormiram, o loiro sentia-se mais aliviado e com esperanças. Sentia que poderia vencer, que juntos poderiam.

O dia amanheceu, no cômodo de cima do bar de Tina, a asiática acordava. Tinha uma enorme dor de cabeça da ressaca do dia anterior e, ao seu lado, um homem de pele branca e cabelos loiros encaracolados dormia em sua cama. Ela o olhou de relance, mas sem conseguir lembrar de quem era. Levantou-se e foi ao banho, depois vestiu-se. Quando voltou ao quarto, ele já estava acordado.

– Então, quando vamos nos ver de novo? – Perguntou ele.

– Nunca mais. Some da minha frente. – Respondeu ela meio aborrecida.

O homem saiu sem falar mais nada. Tina suspirou e pegou a bolsa, depois saiu.

Chegou ao apartamento de Blaine e tocou.

– Duas noites seguidas. Assim você não aguenta, Tina. – Disse a si mesma e riu.

Blaine abriu a porta.

– Oi, Tina! – Disse e abraçou a amiga – Venha, entre.

A mulher entrou, Mag estava arrumando-se para ir a creche. Ao ver a madrinha, a garota correu e abraçou forte, Tina e pegou nos braços cheia de alegria e aninhou.

– Oi, meu amor! – Disse – Tudo bem, os papais têm cuidado bem de você? – Brincou com a menina, que respondeu algo ao seu ouvido e as duas riram.

– O que ela falou? – Perguntou B., também rindo.

– Conversa de mulheres, Blaine. Não se meta! – Ela pôs Mag no chão e a babá a levou.

Tina sentou-se no sofá e pensou na afilhada. Era tão bem cuidada, Blaine e Sam, com certeza, davam muito amor a ela. Sentiu um pouco de inveja daquela família.

– Você tem uma família linda. – Disse Tina.

– Obrigado – B. sorriu – Um dia, você encontrará alguém que ame, será feliz e também terá uma linda família. – Disse ele.

– Assim espero. – Tina riu.

Eles ficaram conversando na sala. A asiática demorava a ir ver B., mas quando ia colocavam toda a conversa e dia. Passaram a manhã toda fazendo isso.

Ao fim da manhã, as crianças chegaram. Tina e Blaine haviam feito o almoço juntos e posto a mesa.

– Vão lavar as mãos, é hora de almoçar com o papai e a tia Tina. – Disse B. as crianças após terem ido guardar as coisas da escola. Eles foram.

Almoçaram todos juntos e cada um seguiu para seu lugar. Os gêmeos foram jogar vídeo game, enquanto Mag brincar com suas bonecas. Blaine e Tina ver TV.

– Você não pensa em retomar sua carreira, B.? – Perguntou Tina.

– Ainda não. Sinto-me tão realizado com minha família que quero curti-la por mais um bom tempo. – Respondeu.

– A Marley é que está bem. Casada com o Ryder, aquele cara lindo, e ainda famosa e rica. – Disse Tina, os dois riram.

– Sim, é verdade. Mas nós também não estamos tão mal. – B. falou.

– Não mesmo, B.? – Tina perguntou meio triste – Eu soube do projeto de lei. Eu queria dizer que estou com vocês para o que der e vier.

Blaine sorriu e a abraçou.

– Obrigado, é bom saber que temos amigos. Não se preocupe, Sam vai resolver isso.

Eles foram a cozinha, iam fazer pipoca para ver filmes com as crianças. O telefone de Blaine tocou.

– Tina, olha aqui a pipoca enquanto eu atendo aqui, por favor. – Pediu ele e saiu.

Blaine atendeu, o rosto do solista foi tomado por palidez, deixou o celular cair e ficou imóvel.

– Blaine? – Tina correu até lá – Aconteceu algo? Foi o Sam? – Perguntou desesperada – A senadora Jane, ela...? – Tina levou a mão a boca, tremeu só em pensar na vitória daquela mulher.

– Precisamos ser fortes – Disse Blaine e sentou-se, puxando ar para seus pulmões com toda força – Aconteceu algo terrível, Tina. – Ele levou a mão a cabeça e chorou.

Tina foi até o celular dele e pegou, levou ao ouvido. Deixou-o cair também.

Notas finais
Músicas: Don't Let Go - Lea Michele Love Me Like You Do - Ellie Goulding É isso, pessoal. Amanhã tem mais. Espero que apreciem, boa leitura!