Finding Each Other
7 Piece of explanations
Notas iniciais
Usei trechos da música "Bem Vindo Ao Passado" dos Amor Electro para complementar a parte dos pensamentos de Regina. Aqui, para quem quiser ouvir:
http://www.vagalume.com.br/amor-electro/bem-vindo-ao-passado.html
Boa leitura! =)
*Amando os reviews* =D
Já tinha amanhecido e a chuva cessado quando o carro amarelo estacionou perto da porta do apartamento de Mary Margaret. Emma, embora meio atordoada, felizmente já tinha conseguido achar forças para minimizar a sensação de fisgada no peito que a beldade de tez morena havia deixado com suas ações naquela madrugada. Saiu do carro e caminhou em direção ao apartamento, mas quando estava prestes a chegar à porta parou e deu meia volta no lugar. – Eu preciso de um café bem forte antes. – e caminhou desta vez em direção ao Granny’s. Abriu a porta e entrou no estabelecimento sem grande alarido. Por aquela hora da manhã, não era costume estar tão vazio, mas logo se lembrou que era Sábado e que os habitantes de Storybrooke aproveitavam mais algumas horas na cama antes de tomar o café da manhã. Pelo canto do olho, a loira vislumbrou Gold na companhia de Belle numa mesa mais afastada da entrada. Aproveitou aquela distância para evitar os habituais cumprimentos matinais apenas por pura educação; simplesmente não estava com saco para isso.
- Bom dia Emma! Por aqui tão cedo num Sábado? – a voz alegre e jovial de Ruby a cumprimentou quando se sentou ao balcão. Só aí Emma se deu conta da dor de cabeça enorme com que estava. Tentou disfarçar a má disposição e deu um pequeno sorriso. – Pois é, não dormi muito bem esta noite. – e não era mentira nenhuma. Ruby assentiu, mas logo a olhou preocupada. – Está tudo bem? Me desculpa perguntar, mas é que andam falando umas coisas. – Emma ergueu o cenho, curiosa. – Como assim, que coisas? – Ruby se aproximou mais da cara da loira e baixou o tom. – Ah Emma, já sei que Archie está vivo!! – sorriu de orelha a orelha. – Não falei com ele, mas Snow me contou quando esteve aqui com David. Nem sabe a alegria que senti, mas já se está espalhando a história da tentativa do suicídio de Regina. – Emma arregalou os olhos e olhou em volta do café. Havia-se esquecido que tinha pedido a Archie para procurar um jeito com Gold ou Whale de ajudar Regina a recuperar a memória. A essa hora todo mundo devia saber. Ruby esperou que Emma voltasse a olhar para ela para poder continuar. – E já estamos todos ocorrentes da amnésia dela também. – Emma fechou os olhos, “Que bela merda! Como é que vou explicar que ela já não está mais desmemoriada?”, não conseguiu deixar de estremecer diante daquele pensamento e das memórias que carregava com ele. A mulher lobo olhou com estranheza para Emma. – Emma, que cheiro é esse? – A loira ficou imóvel por um momento no mesmo lugar. Cheiro? Será que ela estava com o cheiro de Regina nela? Ou pior, será que ela estava com o cheiro do que ela e Regina haviam feito juntas naquela noite? Emma ficou pálida, tossiu para disfarçar o constrangimento e tentou desviar a conversa. – Que cheiro Ruby? Está me mandado uma indireta para me dizer que eu preciso de um banho é? Nunca lhe ensinaram que isso é falta de educação? – a garçonete cerrou os olhos para a loira com ar desconfiado, mas não falou mais nada acerca daquele assunto. – Bem, o que vai ser hoje? O mesmo de sempre, um chocolate quente com canela?
- Não Ruby, hoje eu preciso de um café e bem forte. – A garçonete soltou um pequeno sorriso de consentimento e voltou-se para ir tirar o café. Assim que ela deu as costas para Emma, a loira viu-se soltar a respiração que não se tinha apercebido que estava contendo. Levou a mão à têmpora e esfregou com a mão o local percebendo como a dor estava intensificando.
- Aqui está o seu café do jeito que pediu, bem forte. – Ruby sorriu pousando a chávena no balcão. A mulher de mechas loiras agradeceu e levou a chávena aos lábios. – Mas me diga Emma, é verdade isso da perda de memória? – Emma quase engasgou com o primeiro gole de café, “Boa Emma, continue dando nas vistas desse jeito! Sua idiota!”, pensou com o semblante zangado. – Desculpe, estou meio com a garganta irritada. Bem.. ela estava sim sem memória … — a outra nem deixou terminar e interrompeu. – Estava? Porquê, não está mais?
- Ela conseguiu recuperar durante a noite. – A loira bebeu o resto do café de um só gole e logo sentiu o líquido queimando a sua garganta por dentro de tão quente que estava. Levantou-se de seguida e procurou na calça jeans por alguns trocos para pagar o café. – Eu tenho de ir Ruby, falamos noutra altura.
À mulher com olfato e sentido de lobo pareceu estranho aquele comportamento. Tinha de confessar que estava achando os modos da Salvadora muito estranhos e isso deixava-a preocupada. Observou a mulher apressada jogando as moedas em cima do balcão e agarrou-lhe na mão. – Emma, está mesmo tudo bem com você? Regina não te fez nenhum mal pois não? – Emma sentiu a face ruborizar assim que escutou a pergunta e num flash de segundo, imagens da noite passada passaram-lhe pela cabeça. Aquilo não estava correndo bem, porquê havia decidido tomar café antes de regressar a casa?
– Não é nada, só estou preocupada por causa de Henry. Não quero que ele sofra por causa do que aconteceu a Regina. Desculpa, eu tenho mesmo de ir… ver como Henry está e tranquilizá-lo. – “Quem precisa de ser tranquilizada sou eu, isso sim”, pensou forçando um sorriso para a garçonete. Sem sequer dar tempo para Ruby responder, a loira puxou a mão que a outra ainda não largara, deu meia volta e caminhou para a saída.
- Miss Swan, está muito agitada esta manhã. – Era a voz de Gold que fez a loira parar bem no meio do café. Não tinha percebido que quase chocara com Belle. Olhou para o casal e sorriu sem graça. – Me desculpa Belle, é que estou com pressa. Espero que tenham um bom dia. – disse Emma com secura dirigindo o olhar para Gold, atrás da figura de Belle. Belle desejou um bom dia também a Emma com um pequeno sorriso e Gold aproximando-se e colocando o braço à volta da cintura de Belle, mais uma vez dirigiu a palavra à loira. – Vá descansar querida, vê-se bem que teve uma longa noite, — reforçou uma pausa demorada – de insónias. – Emma ficou sem reação olhando para a cara sorridente, e maliciosa (??), de Gold. “Devo estar com a mania da perseguição e imaginando coisas, só pode!”, Emma pensou com olhar incrédulo, mas logo se refez e devolveu um sorriso, não tão aberto como o de Gold para ela, mas um sorriso mais com o intuito de ser educada do que outra coisa. – Sim, vou indo. Obrigada. – respondeu e saiu pela porta do café.
*** *** *** ***
Entretanto na mansão Mills, Regina terminava de mudar os lençóis da sua cama. Tinha sido uma tarefa dolorosamente perigosa, mas não quis arriscar o uso da magia para isso, pois ainda havia Henry. O pensamento bateu nela como uma pancada forte na cabeça: Henry, seu puro menino, seu único amor por dez anos, seu amado filho. Em contrapartida, outro pensamento em oposição cruzou-se pela sua mente, substituindo o anterior: Henry, filho de Emma Swan — A Salvadora. E esse pensamento inundou-lhe mais uma vez a alma de uma dor profunda e aterradora.
Já morri a morte certa,
Já senti a fome, aperta dor.
Já bati à porta incerta,
Viajei de caixa aberta, dor
Pecado, fundido, queimado.
Pecado, bem-vindo ao passado.
Regina continuava sem acreditar na ironia daquilo tudo. Quando as suas memórias regressaram e se viu naquele quarto com a loira, naquela posição e completamente nua, com a boca da outra demasiado perto do seu sexo, Regina havia ficado para morrer. Muito irónico mesmo o fato de ter sido a loira a responsável por trazer as suas memórias de volta. Aquela maldita Salvadora! Até quando Regina queria dar um fim naquela vida vazia dela, acabar com tudo, Emma Swan tinha de se meter! A morena soube no instante em que as ondas do orgasmo percorreram o seu corpo que tinha sido isso a coisa responsável por trazê-la de volta. “De volta…”, a última coisa que ela queria naquele momento. E o pior era que ela se havia lembrado de como tinha sido receptiva com a Sheriff. Não havia sido a loira a iniciar aquela noite de luxúria, mas sim ela própria. As memórias percorriam livres e soltas pelo seu cérebro até atingirem o seu centro por baixo do ventre e começaram a queimar diante das sensações infernais que a loira havia despertado nela. – Puta que pariu Swan!! – A Mayor rosnou em voz alta, aquela raiva dentro dela estava condensada e ela tinha a impressão que se não a descarregasse em cima de alguém iria rebentar. Respirou fundo uma vez, duas, três, tentando se acalmar.
Já desci lá embaixo ao fundo,
Já falei com outro mundo e então...
Já passei o limbo limpo,
Já subi ao purgatório e vou...
Zangado, bem-vindo ao passado.
Pecado, fundido, queimado.
Precisava se acalmar, encontrar uma forma mais inteligente de reagir a tudo. . Emma Swan havia se aproveitado da fraqueza dela, do estado vulnerável e confuso em que tinha ficado enquanto desmemoriada. Era isso! O esboço do desenho que Regina pintava em sua mente ia tomando forma até se tornar no espetáculo de ilusionismo perfeito. Nada tão estranho ou difícil para alguém que passara a vida tentando camuflar a autenticidade de quem verdadeiramente era na sua essência. Regina sorriu satisfeita, a dor parecia ter ficado aprisionada num canto qualquer dentro do seu ser, dando a sensação de quase não existir mais. E Regina Mills, mais uma vez acreditou na mentira que contava a si mesma.
Pecado, bem-vindo ao passado.
Pecado, arrependido, queimado.
Zangado, bem-vindo ao passado.
*** *** *** ***
David olhava para a esposa adormecida no sofá, vencida pelo cansaço que a noite anterior provocara por causa da preocupação com Emma. Fazia leves carinhos com os dedos no rosto da mulher, tentando despertá-la de forma tranquila. Mary Margaret franziu o cenho e o nariz, provavelmente com cócegas, e gradualmente foi abrindo os olhos. Assim que abriu os olhos por completo foi cumprimentada com o sorriso doce e amoroso do seu marido. – Ainda bem que conseguiu descansar um pouco. – David sussurrou no ouvido da mulher, dando logo de seguida um selinho nos lábios desta. – E Henry? – a mulher indagou ainda sonolenta.
- Ainda está dormindo. Também coitado, depois da agitação de ontem, só pegou no sono bem tarde. – David olhou para a mulher preocupado. – Você está bem? Fiquei preocupado …
- Sim querido, estou bem. Essa história do suicídio mexeu comigo, ainda mais sabendo que Emma está lá com aquela mulher. – Mary Margaret olhava para David inquieta. – Não me agrada nada as duas estarem sozinhas naquela casa, mesmo com Regina sem memória. – olhou para a porta. – E ela que nunca mais volta! – David segurou nas mãos de Snow fazendo com que ela voltasse o olhar para ele. – Snow, ela só está tentando ajudar. Sabes melhor do que eu como ela é. – a mulher abanou a cabeça cortando-o. – Mas não é isso que me preocupa James. – Charming devolveu um olhar confuso em questionamento. – E se é uma armadilha? Regina pode estar fingindo.
- Desculpa Snow, mas agora pareceste eu falando. Foste sempre tu a acreditar que a Rainha poderia mudar para melhor. Porquê isso agora?
- Sim, eu sei. Mas é que suicido e Regina não combinam muito bem. Ela nunca foi de se render, apesar de tudo. – Snow falava com um tom triste e distante, notava-se que a sua mente havia viajado para outro tempo. Foi a voz de David que retirou-a daquele transe momentâneo. – Não vamos assumir isso já … Lembre-se do que aconteceu com a suposta morte de Archie. Temos de admitir que pisámos na bola. – Snow apertou de leve as mãos do marido como forma de assentimento. – Você tem razão. Nem parece meu esta descrença.
Assim que acabou de falar, ouviu-se a porta do apartamento se abrindo e revelar a filha do casal. David se levantou logo mantendo-se no mesmo lugar e Mary Margaret correu na direção de Emma para abraçá-la. – Emma! Está tudo bem? E Regina? – Snow falava tentando esconder, com pouco êxito, a sua aflição. Emma respondeu ao abraço da mãe sem muito entusiasmo e assim que esta a largou começou a falar. – E Henry? – Não podia arriscar causar mais preocupação ao menino. Snow a trouxe para junto do sofá antes de responder para que todos pudessem se acalmar e ficar a par dos últimos acontecimentos. – Ele ainda está dormindo. Adormeceu bastante tarde ontem, mas está tudo bem com ele. Mas nos conte Emma, o que realmente aconteceu? – Emma respirou fundo antes de responder, já tinha perdido a conta de quantas vezes nas últimas horas havia feito isso. – Foi o que falei ao Archie: Regina se tentou matar com um revólver enquanto caminhava em direção aos limites de Storybrooke. Consegui impedir que ela apertasse o gatilho, mas quando me dei conta já estávamos do outro lado da linha e ela sem saber sequer quem era. – Emma estava exausta demais daquela história e não queria repeti-la nem mais uma vez. Levantou-se repentinamente do sofá. – Eu preciso tomar um banho e mudar de roupa. Depois vos conto o resto. – Snow levantou-se prontamente e em uníssono com Charmimg perguntou. – Como assim, o resto? – os pais de Emma a encararam com um misto de preocupação e curiosidade. Emma levou a mão novamente à têmpora e esfregou. Snow, num tom mais controlado tentou não demonstrar a agitação que sentia dentro dela. Sabia que Emma, demasiado acostumada a estar sozinha, não reagia muito bem quando pressionada. – Nos desculpe estarmos assim Emma, mas apenas queremos nos assegurar que está tudo bem contigo. Cora está na cidade com, ao que tudo indica, um pirata ansioso por vingança que conhecemos de perto; Regina devia estar possessa por não termos acreditado nela quando dizia a verdade, e agora isso da amnésia. Somos uma família agora, você não está mais sozinha. – David se aproximou da esposa e colocou a mão sobre o ombro dela para transmitir-lhe apoio. – Sim Emma, nos deixe ajudar. O que se passa? – acrescentou Charming gentil. Emma não podia deixar de admitir que aquelas palavras a tocavam, mas o problema não era com aquele casal que eram seus pais, e que agora de fato, agiam como se fossem. Não, o problema era com ela e com o tremendo esforço que estava fazendo para ser indiferente ao que se passara com ela naquela maldita noite. Tentou não demonstrar o que sentia e ser o mais direta e objectiva possível. – O resto é que Regina recuperou a memória ainda antes de amanhecer. – e assim que Emma se apercebeu que Snow ia abrir a boca, ela continuou. – Não me perguntem como é que aconteceu, porque eu não sei. Ela simplesmente lembrou e me colocou para fora. – Não podia negar que era parcialmente verdade, apenas omitira o que, entretanto, se passara entre uma coisa e outra.
O casal parecia estar a digerir a vaga e curta explicação como se de uma longa explicação se tratasse. De repente, Snow estreitou o olhar e perguntou do nada. – Trocou de roupa? Essas não eram as que estava usando ontem pois não? – Emma ia caindo para trás, mas se conteve e respondeu meio que balbuciando. – Ahh …Regina me emprestou essas, porque acabamos ficando ensopadas com o temporal. – a loira se amaldiçoava mentalmente, se as perguntas não parassem ela iria jurar que teria um esgotamento nervoso não tarda. Essa coisa de se ter uma mãe, naquele momento, estava sendo muito inoportuna. Num último esforço completou e encerrou o interrogatório. – E acabei me esquecendo das minhas lá … Mary Margaret, David, me desculpem, mas agora preciso tomar um banho e pensar no que vou dizer ao Henry quando ele acordar. – Virou as costas e foi para o quarto deixando os outros Charming’s para trás sem grande poder de reação.
Fale com o autor