Finding Each Other

2 Losing what I never found


Notas iniciais
Usei excertos da música "Down" de Jason Walker para complementar este capítulo. Adorei esta música há um tempo atrás num vídeo feito por um fã da série, se alguém quiser dar uma olhada: http://www.youtube.com/watch?v=N5tAYrGtCT4

– Regina!!! Espera, nãooooo!!!

Foi tudo tão rápido que Emma só teve tempo de agarrar na mão de Regina que segurava o revólver de forma a dar um puxão e impedir aquele suicídio louco.

I shot for the sky

I'm stuck on the ground

So why do I try?

I know I'm gonna fall down.

I thought I could fly

So why did I drown?

I'll never know why

Its coming down, down, down.


Com aquele puxão, Regina largou o revólver que tinha na mão, mas o vento e a chuva eram muito fortes e ela sentiu-se desequilibrar. Emma agarrou Regina pela cintura para tentar impedir que caísse no chão que parecia mais uma piscina de tanta água, mas ela própria viu-se perder o equilíbrio e acabaram por cair ambas com toda a força no chão inundado.

I'm not ready to let go

Cause then I'd never know

What I could be missing.

But I'm missing way too much

So when do I give up

What I've been wishing for?


– Merda! Regina, estás bem? – Emma assim que se levantou apressou-se a ajudar Regina a levantar-se também. A morena olhou com estranheza para a cara de Emma e desviou-se bruscamente das mãos que a tentavam ajudar.
– Quem és tu? – Emma incrédula não compreendia o que acabara de acontecer. Regina olhava para ela com medo no olhar e com uma confusão que fazia ela parecer uma menininha assustada.



A linha no chão estava do outro lado? Não, elas é que estavam do outro lado da linha que marcava a saída da cidade! A realização do que acabara de acontecer bateu forte em Emma e foi quando tudo esclareceu-se.


I shot for the sky

I'm stuck on the ground

So why do I try?

I know I'm gonna fall down.

I thought I could fly

So why did I drown?

I'll never know why

Its coming down, down, down.


– Deixa-me ajudar… — Emma estendeu a mão para a morena. Não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer, e tinha de ser logo nas “mãos” dela. Regina olhou para a mão estendida, incerta se deveria aceitar ajuda daquela estranha mulher. – Quem és tu afinal, eu fiz uma pergunta…? – Emma não conseguiu evitar de esboçar um sorriso pensando “Desmemoriada, mas com a mesma atitude de sempre” – Eu sou a Sheriff da cidade de Storybrooke que é onde você está. – indicou o distintivo que carregava no cinto da calça jeans. – O meu nome é Emma Swan. Deixe-me ajudá-la a levantar. – Regina aceitou a ajuda, embora desconfiada. Estavam ambas encharcadas da cabeça aos pés. Emma só pensava nas suas próximas palavras, sabia que a Madam Mayor iria querer respostas. Respostas que Emma estava certa que a mulher não estaria preparada para ouvir. Regina apoiou-se em Emma e caminhou ao seu lado devagar. Os pés doíam-lhe horrores e estava cheia de frio. O revólver ficou esquecido na berma da estrada, Emma não queria desencadear a atenção da outra mulher para aquele pormenor, pois esta já estava demasiado assustada. Teria de o mandar buscar depois. – O que aconteceu? Eu não estou bem, eu… — Gaguejava e tremia, medo e frio se acumulavam dentro de si mesma. — … eu não sei, como, eu … — Regina revirava os olhos à sua volta confusa tentando encontrar uma explicação sem êxito. Emma que estava bem alerta do que se tinha passado colocou o braço à volta dos ombros da morena e fez sinal para irem para o carro amarelo que estava a poucos metros de distância dali. – Vamos, falamos no carro. Vamos sair dessa chuva antes que fiquemos doentes. – Era a única coisa que a Sheriff encontrava para dizer naquele momento. Ver Regina assim era estranho demais, se ela não tivesse visto com os seus próprios olhos ela não teria acreditado. Mas o pior ainda estaria por vir, a pergunta que não queria calar, Emma sentia que estava engasgada dentro da garganta da Mayor. A loira abriu a porta do carro para Regina entrar e de seguida correu para o outro lado para entrar no lugar do condutor. No instante em que se ouviu o som do bater da porta, Regina disparou – Quem sou eu?



Oh, I am going down, down, down.

I can't find another way around.

And I don't wanna hear the sound

Of losing what I never found.



Emma ficou calada por segundos que pareceram horas. Ficou olhando aquela face tão familiar da morena, mas ao mesmo tempo tão estranha, tão diferente do que ela conhecia. E a resposta que não queria calar era terrível demais para ser recebida por alguém tão quebrado. Emma ouviu-se reponder em seu pensamento “Tu és a Evil Queen.” e estremeceu. Não, aquela mulher não era nada disso, aquela mulher era …aquela mulher era, quem era aquela mulher? Emma desviou o olhar da morena. – Por favor, eu preciso de respostas. – o som da voz daquela mulher era macio, era amargo e era doce ao mesmo tempo. Era um eco que ecoava junto com o assobio do vento lá fora, naquela noite. A Sheriff estava sem palavras, que respostas seriam seguras dar a Regina naquele estado? Lembrou-se das palavras de Henry assim que tinham descoberto que Archie estava vivo “Eu sabia! Eu sabia Emma, tinha tanto medo que fosse verdade, mas no fundo eu sabia que a minha mãe não tinha matado Archie! Ela mudou!” e estremeceu pela segunda vez naquela noite. Olhou novamente para a morena, limpou a garganta e preparou-se para responder da maneira mais segura possível – O seu nome é Regina Mills. Você é a Mayor desta cidade e teve um acidente. Não se preocupe, vai ficar tudo bem. – A loira esboçou o que pensava ser o seu melhor sorriso tranquilizante sem muito sucesso. Regina estava tão assustada, tão sensível, tão pequena. Emma sentiu seu coração apertar dentro do peito com aquela imagem. – O que importa agora é sairmos daqui e tirar estas roupas molhadas do corpo. Está ferida? – Regina olhou pela primeira vez para si própria para se certificar que não estava machucada. Emma olhou também, procurou inspecionar com o maior profissionalismo que lhe competia a função de Sheriff para ver se aquela mulher tinha também ferimentos físicos. Não, parecia estar tudo bem, tirando o resto… ou seria o tudo? – Ok Madam Mayor, vamos para o hospital, embora não pareça ser nada de grave, temos de nos certificar que está mesmo tudo bem. – Regina colocou com rapidez a mão sobre a de Emma que estava pousada na caixa de mudanças do automóvel e interrompeu – Não! Eu não quero ir para o hospital, leve-me para minha casa. Não tenho nenhum ferimento, preciso me lembrar, quero ir para casa. – Emma olhou para a mão da morena que estava pousada sobre a sua e de seguida voltou seu olhar de novo para os olhos de Regina. Regina percebendo que ainda não havia movido a mão piscou embaraçada. Retirou a mão como se tivesse levado um choque e sorriu. Emma assentiu com a cabeça e devolveu o sorriso. – Muito bem, vamos para sua casa então. – e arrancou em direção ao centro da cidade.



I shot for the sky.

I'm stuck on the ground.

So why do I try?

I know I'm gonna fall down.

I thought I could fly

So why did I drown?

I'll never know why

Its coming down, down, down.



Regina olhava para a estrada sem dar o mínimo sinal do que estaria pensando. Isso estava atormentando a loira que agora mais do que nunca não saberia lidar com aquela mulher. Emma só pensava em como iria evitar que Regina soubesse da magia que vivia naquela cidade ou pior, como ela iria impedir que alguém desse com a língua nos dentes e soltasse alguma barbaridade na frente de Regina. Imaginem só se alguém a insultasse ou tentasse algo contra aquela mulher que nem o seu nome sabia? E Henry, pobre garoto, ia ficar destruído quando visse a sua mãe assim. E a culpa era de Emma, estava se remoendo de culpa. Se ela ao menos tivesse averiguado melhor a história da morte de Archie, se ela tivesse acreditado no seu instinto. Não, em vez disso ela deixou-se levar pela magia e Regina tinha tido razão em avisá-la: “Toda a magia tem um preço.” E o preço que Emma pagava agora era isso, uma Regina perdida e quebrada. Por culpa dela, da Salvadora…



– Disse que tive um acidente Sheriff. Eu não vi nenhum carro que poderia me pertencer naquele local … Que tipo de acidente eu tive? – A voz da morena tirou Emma da cascata de pensamentos que escorriam na sua cabeça naquele instante. Mais uma pergunta difícil e Emma teria de ser rápida e convincente. – Bem, eu … para falar a verdade eu não sei bem Madam Mayor. Eu estava na delegacia cumprindo meu horário de trabalho quando recebi um telefonema de alguém anónimo avisando que a haviam visto muito abalada caminhando em direção à saída da cidade. – Emma não poderia dizer que aquela resposta era totalmente mentira. Realmente foi alguém que a avisou, não alguém anónimo, mas Archie quando apareceu diante da porta de casa de Mary Margaret para espanto e alívio de Emma e Henry. Archie tinha corrido para dar a notícia que Cora estava na cidade e que tinha tudo sido obra sua. Avisou que tinha avistado alguém, uma mulher, andando em passo corrido em direção aos limites da cidade. Só quando Emma chegou perto do vulto da mulher é que a Sheriff tinha confirmado que era Regina como ela pensara.


Regina pareceu engolir aquela resposta, pelo menos por enquanto. – Bem, estamos quase a chegar. É já no próximo quarteirão. – Regina assentiu com a cabeça sem muito ânimo.

Assim que chegaram, Emma estacionou à porta da mansão da Mayor e desligou o carro. Regina virou-se para a loira com um olhar perdido, abriu a boca para falar, mas não saiu palavra alguma. Emma preocupada tocou o braço da morena, tentando transmitir algum tipo de segurança. – Não se preocupe. Vai ver que a memória há-de voltar. – Regina deu um sorriso fraco de agradecimento. – Entra comigo Sheriff? – Ok, aquela pergunta Emma tinha de admitir que não esperava, ainda mais o que ouviu a seguir. – Por favor? – Emma tentou não mostrar-se demasiado surpreendida com aquela repentina maciez na voz da Mayor. – Ah, eu não … Perdoe-me Madam Mayor, mas eu também tenho de trocar de roupa e não sei se … — Mas Regina, embora desmemoriada, não havia deixado de ser assertiva e implacável com aquilo que queria. – Sheriff Swan, eu não quero ficar sozinha. De certeza que deve haver alguma peça de roupa a mais que eu possa emprestar. Eu tinha roupas não? – A loira estava de queixo caído, Regina Mills estava contado uma piada? E estava rindo abertamente para ela? Emma sorriu e acenou com a cabeça que sim. Depois de Regina encontrar as chaves no bolso do blazer preto que usava abriu a porta do carro e saiu, seguida de Emma atrás.

A chuva por essa altura já tinha abrandado, mas continuava soprando muito forte o vento. Adivinhava-se uma trovoada chegando muito em breve. Emma teria de avisar Henry e os demais que estava tudo bem, “Mais ou menos”, pensou, mas não queria fazê-lo na frente da morena. Decidiu que iria evitar, pelo menos por enquanto, despertar qualquer tipo de pergunta inconveniente por parte de Regina.

Regina Mills encontrava-se no salão de entrada da sua mansão. Olhava em redor, tentava reconhecer algo, algum pormenor por mais pequeno que fosse que a fizesse lembrar. Nada. A sua mente era uma tábua rasa esperando as primeiras palavras serem escritas para formarem uma nova história. A morena franziu o sobrolho, tinha uma estranha sensação que não sabia explicar, mas sentia que não lembrar não parecia ser tão ruim assim. Emma estava incomodada com aquela situação, Regina estava com uma cara estranha e calada demais. Será que ela estava lembrando? – Conseguiu lembrar algo? – perguntou impaciente. Regina se assustou e deu um pulo no lugar que estava. – Desculpe-me Sheriff. Não, infelizmente não lembro de nada. – Regina suspirou, aquela sensação de não lembrar não a devia estar deixando desesperada? – Bem, acho melhor nos trocarmos não? O banheiro deve ser … — Emma sabia onde era, já havia estado lá numa ocasião com Henry, no piso de cima. – Penso que seja lá em cima, ao lado dos quartos. – Assim que os olhos de Regina caíram sobre os dela, Emma percebera que tinha dito a coisa errada. Regina levantou a sobrancelha em forma de questionamento. – Eu sei disso porque já havia estado aqui de visita. Em sua casa, digo. – Emma só se xingava mentalmente, mas ela achava que Regina era estúpida agora que estava sem memória? – Vá Regina, é melhor ir se secar e trocar de roupa antes que pegue um resfriado. – sorriu embaraçada. A morena sorriu de volta, e Emma não estava a gostar nem um pouco daquele sorriso. Estaria imaginando coisas? Aquele sorriso era familiar demais e se ela não soubesse que aquela mulher estava desmemoriada, Emma diria que era o mesmo sorriso que Regina sempre usava quando a queria desafiar, malicioso. – Miss Swan, não seja boba, eu a convidei para entrar não foi para deixá-la ensopada nessas roupas. Vamos juntas lá para cima. Vou procurar no meu armário por roupas e como parece que você conhece mais do que eu desta casa sempre é mais rápido. – Ouvir Regina chamá-la assim fez Emma piscar de surpresa, parecia que às vezes o jeito daquela mulher falar era o mesmo da Regina Mills que ela conheceu em tempos intempestivos quando chegou à cidade há mais de um ano atrás. Era estranho, por um lado era mais afável e doce, mas por outro, era decidida e segura de si como ela sempre a conheceu antes da maldição ter sido quebrada. Regina fez sinal para subirem as escadas e Emma assentiu seguindo-a logo atrás. Emma suspirou fundo, iria ser uma longa noite.

Notas finais
Chegou ao final mais um capítulo. Tenho de admitir que estou amando escrever esta história, escrevê-la está a dar-me um gozo enorme, salve seja, lol =P
Bem, aguardo as vossas opiniões como sempre.