Finchel e outras histórias
2 First Meet
Notas iniciais
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. A última vez que tinha me apaixonado fora na quinta série, por uma garota que nem dava bola para mim. Depois disso, nunca mais. Senti um embrulho no estômago e muita vontade de vomitar. Não lembrava que se apaixonar era tão nojento. Aquela garota mexeu comigo de tal forma, que não fiz nada até o fim do dia. Fiquei procurando um jeito de encontrá-la na internet, mas não a encontrei. Eu tinha o endereço dela no bolso, e um encontro à noite. E se eu falhasse? E se eu dissesse algo estranho? Claro que eu já tinha ido a jantares a dois antes, mas aquela era Rachel Berry. Parecia que se não desse certo com ela, poderia não dar com mais ninguém. Era um pensamento extremamente precipitado, uma vez que eu não sabia absolutamente nada sobre ela, apenas que era nova na cidade e que tinha os olhos mais castanhos e mais bonitos da face da Terra... Mas eu esperava por tudo que a sua voz doce tinha para me dizer.
Saí do escritório às 18:00 e voltei correndo para casa, tão entorpecido que dei 100 pratas ao motorista do táxi. Tomei banho cantando uma música romântica e brega, me sequei , coloquei meu terno, me perfumei, escovei os dentes — a coisa mais importante, convenhamos — e estava pronto. Entrei no táxi e entreguei o papel ao motorista. Ele leu e me levou ao endereço.
O prédio não era muito alto, ao estilo nova iorquino, mas era rodeado de flores amarelas, o que é incomum em uma cidade em que o elemento primordial é apenas o concreto. Teclei os botões para formar o número 13, número de seu apartamento, e a voz afobada de Rachel me disse que já estava descendo.
Ela apareceu no portão de ferro e eu tive a certeza de que ela era o ser humano mais gracioso do mundo. Havia penteado os cabelos para o lado esquerdo, passado um pouco de maquiagem, e colocado um vestido azul marinho que, certamente, valorizava suas curvas e deixava seus joelhos de fora. A garota abriu um leve sorriso ao me ver.
–Boa noite, senhorita.
–Oi, Finn.
–Ao Central Park. — Disse ao motorista de táxi, abrindo a porta para a minha acompanhante
Permanecemos calados por todo percurso. Eu não ligava, ficava olhando para cada traço do rosto da Rachel. Ela observava através da janela, seu olhar estava iluminado graças ás luzes da cidade. O Central Park ficava a apenas 10 minutos do apartamento dela. Ao chegarmos lá, segurei seu braço e entramos no Colfer. Nos sentamos, pedimos os pratos, e eu comecei:
–Então... A senhorita Rachel Berry vem de?
–Venho de Ohio. Estou aqui há 2 meses. Sua cidade é linda. Sempre sonhei em viver aqui.
–Minha cidade? Não, também não venho daqui. Sou de Chicago, moro aqui desde os 18 anos.
–E porque veio?
–Trabalho... e você?
–Estou na faculdade.
–Hum, interessante, qual faculdade?
–NYADA.
–Nunca ouvi falar.
Rachel fez uma cara de desapontada.
–Não! Não que não seja famosa! É porque não conheço muitas faculdades. Eu estudei em Yale.
–Oh meu Deus, então você deve ser muito inteligente.
–Não muito, minha inteligência se resume em conseguir entrar em boas universidades americanas — Ela deu um sorrisinho — Você cursa o que?
–Ah, pretendo trabalhar na Broadway, Finn. Sempre sonhei com isso tudo, essa cidade.
–E porque uma senhorita talentosa trabalha em um jornal?
–Ah, porque escrevo sobre a Broadway – falou, abrindo um sorriso.
–Ah entendo, você sabe, ali tem um piano. Sei tocar. Você aceitaria fazer um número comigo?
–Oh, eu adoraria, acontece, que, ah, ach..acho que tenho vergonha.
–Uma futura estrela da Broadway com vergonha de poucas pessoas? Não acredito.
–Tá, você venceu.
Perguntamos ao garçom e ele aceitou sem problemas. Comecei a dedilhar no piano “my man” e Rachel começou a cantar. De repente, todas as cabeças do restaurante se viraram para nós. Rachel tinha a voz mais bonita que eu já tinha ouvido. Ela cantava suave, linda, perfeitamente. Todos aplaudiram de pé e voltamos para a mesa, jantamos, paguei a conta, e fomos passear pelo parque.
Rachel me contava sobre todos os seus sonhos e planos, e eu ouvia atentamente. Uma brisa fria batia sobre nossos cabelos e ela olhava para mim com tanto entusiasmo que as vezes eu ria. Andamos por entre os bancos, os músicos, o lago. Era o momento perfeito para um beijo, talvez. Mas ela poderia não gostar. Por isso continuei a ouvir.
–Você me daria um segundo?
– Claro — Ela respondeu, fazendo cara de quem não estava entendendo nada.
Fui então a um vendedor de flores que passava por ali e comprei um buquê de rosas brancas e delicadas. Voltei e entreguei a Rachel.
–Ah meu Deus, adorável. Que lindo, Finn. Muito Obrigada.
E ela me deu um beijo na bochecha. Virando meu rosto, seus lábios tocaram os meus e minhas pernas tremeram. Segurei na sua cintura e ela agarrou meus ombros. Aquele momento foi perfeito.
–Rachel.. –Sussurrei.
–Oh meu Deus. Isso foi errado. Muito errado. –Ela falava colocando a mão na boca.
Ela ficava tão linda nervosa que dei outro beijo.. e outro... e outro...
Eu estava ali.. beijando Rachel Berry. Alguém que eu nem conhecia direito, mas que já era especial de tal forma que eu não queria parar de beijá-la. Rachel segurava o buquê com força e eu alisava seus cabelos. Finalmente paramos e voltamos a caminhar, agora em profundo silêncio. Tinha que quebrar o clima.
–Sabe Rachel, podemos caminhar até sua casa. Não é tão longe.
Ela apenas acenou com a cabeça.
Oh meu Deus.. será que minha atitude tinha sido muito precipitada? Será que ela queria conversar mais um pouco? Eu sabia quem era Rachel Berry, ela tinha 23 anos e vinha de Ohio, sua mãe tinha a dado para a adoção e seus pais eram gays. Ela morava com sua melhor amiga, Quinn, e seu gato, em um apartamento em Manhattan. Ela cantava, sabia sapatear , tocar piano, era talentosa, ah, e também jogava basquete muito bem.
Ela também sabia muito sobre mim! Sabia que eu era jornalista, escritor, pianista e flautista. Que eu tinha dois pés esquerdos e cozinhava muito bem. Ela sabia sobre mim. Eu não sabia o porquê do seu silêncio.
A caminhada continuava fria e silenciosa. As flores do Central Park estavam mais coloridas que nunca, e as cores do vestido de Rachel se misturavam aos tons delas e ao brilho das luzes. Era tudo bonito, parecia uma cena de comédia romântica. Exceto pelo silêncio de filme de suspense que também havia entre nós. Até que, surpreendentemente, alguém o quebrou.
–Então, Finn, é claro que você já foi a Broadway.
–AAAAH! A Broadway..
Eu nunca tinha ido. Só uma vez, que fui com uma tal de Michele, uma loira que me levou a um musical obsceno. Fora isso, nunca. O único lazer que eu tinha na cidade eram os grandes estádios de basebol e os bares de esquina com cervejadas sem fim. Ah, também tinha o Central Park. No começo eu sempre ia lá quando me sentia sozinho. Sentava nas pedras e olhava o lago. Era mágico. Quanto aos grandes centros comerciais, eu também não gostava.
–Você nunca foi, né?
–Não.
–Então, acho que vou te levar.
E puxou da sua bolsinha um ingresso para Spring Awakening.
–Eu estou nesse musical, apesar de ainda fazer faculdade, fui escalada para o papel principal. Você fica com a Quinn, aposto que vai amá-la. Quem não ama a Quinn.. Depois nos encontramos e vamos a algum restaurante. Domingo.
Minha felicidade era tanta que eu não podia me conter. Andamos mais alguns minutos e a deixei na porta de casa. Domingo, Broadway, restaurante.
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