Finalmente, sexta!
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem!
Qualquer erro, sugestão ou ideias, por favor, falem!
Mesmo com os olhos fechados, sabia que não estava sozinho. Não quando o que lembrava-se era o calor da febre e a dor de cabeça vibrante. Seu irmão tinha forçado-o a deitar, colocando uma toalha com água morna, que ficava escorrendo e molhando seu cabelo já grudado na nuca e testa. Além disso, a respiração era o maior barulho da sala, o vento que entrava pela janela sendo mínimo. Quem pegava um resfriado no verão?
— Como se sente? — A voz não foi a esperada. A de Kuroko era mais baixa, quase sussurrante mesmo quando estava bravo e procurava gritar. A que acomodou o quarto era vivaz demais, parecendo soltar ordens em cada sílaba. Os olhos abriram-se para encontrar o dono de uma heterocromia que não cansava de observar.
— Akashi? — Era uma dúvida tola, ninguém mais igualava-se, em meros dezoito anos já sendo o melhor capitão do time de basquete, deixando muitos jogadores profissionais chorando após uma partida, além de ganhador de uma bolsa na melhor faculdade do Japão e em outras fora do país que o nome era conhecido até por si. Suas notas continuavam perfeitas, mesmo na administração que prometia ser extremamente difícil.
Ainda estava com febre? Tinha acostumado-se com algumas coisas que murmurava sem sentido quando doente, mas nunca chegou a realmente ter uma alucinação tão vívida.
E mesmo assim, era mais fácil de ter essa conclusão do que realmente achar que seu namorado estava ali, já que a sua atual posição deveria ser mais de cinquenta quilômetros, em outra cidade a pedido do pai, já que seria o herdeiro de muitas empresas que seu sobrenome carregada o domínio. Os dedos gelados retiraram o tecido de sua testa, provocando o piscar rápido para espantar as gotas que desceram, entretanto não teve que levantar a mão, já que outra fez isso mais rápido, contornando a sua sobrancelha com a ponta dos dígitos para retirar a umidade.
— Como se sente? — A paciência em repetir a pergunta mostrou que esperava a resposta nos segundos que demorou para entender. Bem, ainda não compreendia, porém ainda assim resolveu que deixá-lo sem saber da sua condição, sendo uma ilusão ou não, seria ruim.
— Minha cabeça não dói mais, eu acho. A febre era para ter sumido, mas... — Apertou os lábios antes de dizer que duvidava da presença dele ali, recebendo a expressão de reconhecimento do ruivo, o que consistia em a ponta esquerda da boca subir minimamente, o mesmo lado que a sobrancelha arqueava. Como sempre, o peito tremeu ao coração acelerar por cada demonstração de felicidade de Seijuurou. Duvidando de seus próprios olhos e ouvidos, a palma subiu a bochecha pálida e apenas um pouco mais fria que a temperatura atual que a doença trazia, um suspiro de alívio saindo ao ver que a única coisa afetada pelo esquentar de seu organismo era os pensamentos, como sempre.
— Eu falei para não sair sem guarda-chuva, Nigou. Com todas as noites que passa acordado, estudando, sua saúde está ficando frágil demais. — Além da censura, preocupação ocupou a segunda frase, quase como se carregasse a culpa pelos próprios atos sem cuidado e ainda buscasse alguma solução, nem que fosse quebrar leis da física para que resfriados não lhe alcançasse.
— Tenho uma prova quarta. — disse tolamente, ainda ocupado demais em apreciar a voz para ligar com a repreensão. — Estava com saudades.
Os ombros do ruivo abaixaram-se com apenas uma fala, toda a tensão abandonando a figura do imperador. Jurou que seu olho amarelo escureceu um pouco, combinando mais com o outro. Ainda bobo, o polegar passava pela bochecha, ignorando o braço que começava a se cansar de estar levantado.
— Eu também estava. Você dormiu por um dia inteiro. Cheguei faz uma hora, depois de ligar algumas vezes para o seu celular e não ter resposta. Foi Tetsuya que atendeu, finalmente. — Oh, essa era a explicação que procurava. Não era quinta, e sim sexta.
Oh, Deus. Era sexta.
— Trabalho! — Exclamou, o corpo tentando levantar para alcançar o notebook ao lado da cama, sendo claramente impedido por Akashi que segurou seu pulso estendido e colocou-o sobre o colchão novamente. Abriu a boca para reclamar, entretanto o carinho feito em sua bochecha acalmou seus músculos com tanta rapidez que suspirou. Gelado. Era bom.
— Tetsuya ligou, você poderá entregar na próxima semana. Até estar cem porcento, não vai levantar. E isso é uma ordem, Nigou. — Céus, deveria ser a febre, mas um arrepio percorreu seus nervos. Ele sabia que era quase um feitiço dizer essa frase para a pessoa deitada no colchão. E mesmo assim, o mais novo dos Tetsuya não conseguia sequer pensar em ficar bravo, principalmente com a aproximação do ruivo. Mais perto, e mais...
— N–... — Cortou o que dizia com a testa contra a sua, medindo a temperatura. Ah, ta. Bem, com ou sem beijo, o coração recusava a diminuir o ritmo de sua pulsação, o rubor não lhe preocupar apenas porque a febre já fazia-o presente. — Oh. Pensei que ia me beijar. Eu ia gostar, claro, mas você não pode ficar doente também.
Com o sorriso do namorado, entendeu que realmente havia dito em voz alta, como suspeitava. Preferia quando murmurava palavras aleatórias, pelo menos a vergonha era menor.
— Gosto quando é sincero assim. Quando a febre passar, irá repetir para mim? — Teve que responder com a garganta, um baixo "Uh-han" de concordância que fez o peito de Seijuurou balançar com uma risada silenciosa. Ele nunca cansava de mostrar que era possível sim surpreendê-lo, com ou sem imperador. Em recompensa, encostou aos lábios quentes, durando menos de dois segundos. Quase mudou de ideia sobre se afastar quando viu-o formar um bico.
— Você não pode pegar o resfriado. — Repetiu, dessa vez sem tanta vontade. Afinal, os dedos no terno mostravam que distância era a última coisa que queria entre eles naquele momento. Isso e também ter levantado, buscando novamente o contato.
— Está difícil de decidir? — Mesmo com a pergunta retórica, ainda deixou que o beijo acontecesse, nada mais do que os lábios um sobre o outro em saudades. Beijo esse que teve que encerrar, os braços quase que pendendo-o ali por sua nuca. A força não era nem próxima de fazê-lo, mesmo que apreciasse a tentativa. — Tem que comer algo. Taiga fez uma sopa antes de sair, vou buscar.
Mesmo com o estômago vazio, pôde sentir o gelo nele com a menção do afastamento, vendo-o sair de seu abraço. Voltando com todos os pensamentos de ilusão e que poderia ser apenas um sonho. Depois de uma semana inteira com os dois ocupados demais, apenas podendo ouvir a sua voz nas constantes ligações, a última coisa que ficaria era surpreso de imaginar com a presença do namorado. Agarrou em seu paletó.
— Não desapareça, por favor. — De olhos arregalador, implorou. Até a voz lembrou de como era em ser mais alta, a falta de uso causando um tom mais rouco. Limpou a garganta, ignorando a vontade de tossir que veio com o ato.
— Nigou. — A voz grossa voltou, dessa vez sem nenhuma censura. Mesmo com a resistência, foi fácil se desvencilhar para buscar o termômetro ao lado. Quando voltou a mão para o seu rosto, ainda quente, a calma voltou. — Não irei embora. Abra a boca.
Com a promessa, foi fácil seguir a simples instrução, acomodando o medidor de temperatura. Esperou o tempo que levou o apito a soar observando o olhar preocupado, oscilando entre o amarelo e vermelho, sem notar o motivo da mudança.
— Trinta e nove. Diminuiu pouco demais. — E novamente, como se pudesse carregar o mundo nas costas e resolver todos os problemas, a tensão voltou. Tanto era esperado de uma pessoa tão jovem. A última coisa que queria era ser mais uma de suas preocupações. Com febre ou não, sempre era esse o seu pensamento.
— Não fiquei assim. Estou melhorando. — Como se a razão voltasse, buscou segurar o rosto pálido, levantando o tronco mesmo com a advertência anterior. Os dedos deslizaram pelo pescoço, alisando o tecido escuro e a gravata no caminho de abraça-lo, deixando a testa encostada em seu ombro. — Desculpe por antes, é claro que você é real.
— Pergunto-me com quanta frequência não sou, para que pense isso. — O ar assoprado balançava seus fios, junto com os dígitos de Akashi ao mexer nos da sua nuca, trazendo as reações de sempre. — Vou buscar seu almoço.
— Certo. Aposto que não comeu ainda, do jeito que falou antes, e ainda estando com essa roupa. Almoce comigo. — Os mesmos sinais se repetiam quando Seijuurou vinha com pressa, a maioria tinha a comida pronta, sendo ele ou Taiga a cozinharem. Era quase tradição disso acontecer. Era consenso em deixar Kuroko longe do fogão.
— Não levante. Vou trazer os dois, deite enquanto isso. — Agindo como se Nigou fosse feito do cristal mais frágil, ajudou a voltar a encostar a cabeça no travesseiro, tirando alguns fios da testa úmida de suor e do pano que teria que repor em breve.
Os minutos foram agoniantes. Odiava como podia sentir até os ossos o calor, até nas pálpebras quando fechadas. Mesmo tendo dormido tanto, continuava sem energia alguma, mexer tanto com o abraço parecia ter sugado tudo o que tinha.
— Aqui. — O sobressalto foi visível, saindo de seus devaneios com a barriga reagindo a proximidade da comida. Ambos os pratos estavam sobre uma pequena mesa móvel que ficava apoiada no colchão. Três copos, um com água e os outros com algum líquido com uma aparência de ser algum chá. Não tinha contado o tempo que esteve sozinho, porém para ter tempo de fazer a bebida, talvez tivesse adormecido um pouco. — Vai tomar o remédio e comer tudo.
Ordem absoluta. Querendo ou não, aquilo era o que iria acontecer.
A frase trouxe a atenção para as mãos do imperador, dois comprimidos estendidos. Deixou que caíssem em sua palma, levando um para a boca e bebendo um pouco do líquido transparente. Até a água estava na temperatura ambiente, sem nada estar gelado. Repetiu o mesmo com o outro, passando sem dificuldade pela garganta, assistindo Akashi retirar o paletó e a gravata, desabotoando os primeiros botões da camisa social. Impossível a imaginação não voar, mesmo doente.
Sob o olhar atento de Seijuurou, pegou a colher e iniciou o seu almoço. Depois de engolir duas vezes, o ruivo seguiu-o em silêncio.
Deve ter dormido após terminar, apenas lembrando-se de borrões vermelhos e dedos gelados ajudando-o a deitar. O pano molhado voltou à sua testa, trazendo a frieza que precisava para poder realmente cair no sono. O que restou foi o conforto de pensar no namorado sob o mesmo teto que o seu, finalmente.
Sonhou com cores vibrantes, esquecendo do conteúdo ao recobrar a consciência. Dessa vez, sem sentir as pálpebras quentes. Ótimo, a febre realmente tinha diminuído. Todavia, o quarto estava escuro e sem outra presença além da própria. Estava para levantar quando lembrou da primeira ordem de mais cedo. Buscou o termômetro, confirmando a temperatura para trinta e sete vírgula oito. Perto o bastante do que era considerado saudável para levantar.
Os passos eram quase inaudíveis, atravessando o corredor até a cozinha e sala. Nada, mesmo que o terno e a gravata estivessem na cadeira ao lado da sua cama, no quarto, nenhum outro sinal da presença de Akashi estava ou esteve naquela casa. Estava para voltar a deitar quando, no sofá, o ressoar de uma respiração baixa foi o único som da casa.
Lá, seu dono tinha os olhos fechados, o peso de uma semana cheia à mostra em regiões uns três tons mais escuros que o normal. Como não tinha notado antes? À frente, alguns papéis estavam organizados na mesa central, um caderno e um notebook no centro, a tela já escura. Fechou-o, arrumando tudo dentro da pasta. Foi então para o ruivo adormecido, a mão em seu ombro em um balançar muito leve.
— Akashi, vamos para a cama. — Nigou estava sem sono algum, porém tinha noção que o namorado iria recusar a deixá-lo acordado sozinho, principalmente após a febre que tinha acabado de superar. A demora de apenas um segundo que os olhos levaram para abrir e piscarem algumas vezes, espantando a confusão, foi o suficiente para Seijuurou lembrar.
— Eu disse para não levantar até estar bem. — O pescoço dolorido deixava claro que nunca era bom dormir naquela posição desconfortável, todavia aquele que estava queimando antes estava de pé, e era isso que tinha a sua atenção.
— Estou em trinta e sete e meio. Certo, vírgula oito. Vamos para o quarto, troque de roupa e vamos dormir lá. Não quero que fique doente também. — Corrigiu-se sob a expressão atenta do imperador, implorando com os olhos, sabendo, pelas próprias palavras de Seijuurou, fazer o efeito desejado vez ou outra. Além de tudo, tinha a razão ali. Ele estava sem condições de voltar dirigindo.
— Certo, mas amanhã vou me certificar que melhore completamente. — Era, de certo modo, o que queria ouvir. Significava que ficaria ali no final de semana. Sorriu, concordando no mesmo segundo, segurando a sua mão ao voltar o cômodo que tinha passado já muito tempo essa semana. Dessa vez, com a companhia de um Akashi que, negando ou não, estava igualmente exausto pelos sete dias anteriores.
Como uma noite podia fazer todas as outras acordadas valerem a pena?
Notas finais
Apreciaria muito o comentário de vocês!
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