Finalmente Um - Hiccstrid
1 Enfim, casados...
POV´S Astrid
Todos nós olhávamos aquele horizonte, tentando enxergar o mais além que podíamos, tentávamos enxergar eles, os nossos amados dragões, e com um pouco mais de sorte enxergar o nosso futuro.
Olhei para ele, meu Soluço tinha o olhar intenso, e minha mão sobre o peito dele sentia seu coração bater forte. Meu guerreiro! Só os deuses sabiam o tanto de orgulho eu sentia dele. Meu marido! Senti um solavanco no peito. E então, diferente da agitação que eu sempre sentia de não saber o que fazer quando pensava que logo, logo o chamaria dessa forma, agora que eu finalmente podia fazê-lo, meu coração sentiu paz, uma incrível sensação de estar em casa. Me aconcheguei mais ao peito dele.
Não sei quanto tempo ficamos ali, pois quando me dei conta os outros já tinham se retirado e só restavam nós dois à beira do penhasco. Abraçados e perdidos em pensamentos. Naquele momento eu pensei no que eu não daria para saber no que ele pensava.
Banguela, com certeza, no Banguela. Ou talvez nas novas responsabilidades com Berk. Essa ilha era bem maior e também com o casamento ele...
Me abraçou mais, perdi instantaneamente a linha de raciocínio. Agradeci, me aconchegando em seus braços, pois o vento que soprava era bastante frio. Em seguida ele depôs um beijo no topo da minha cabeça, segurou a minha mão que estava sobre seu peito, levando-as até os lábios, beijou os nós dos meus dedos, depois voltou a segurá-la junto ao seu coração. O olhei e ele ainda mirava o horizonte. Foram gestos tão delicados e tão inconscientes que me despertou ainda mais interesse nos pensamentos dele.
Virei-me para encará-lo, e de pronto ele beijou-me a testa. Um beijo cálido que me espantou momentaneamente o frio, então afagou-me a face.
— Obrigado. — pediu-me, os olhos verdes numa intensidade linda.
Senti os meus se perder na dúvida.
— Pelo quê?
— Tudo. — o polegar dele caminhava do meu queixo à minha bochecha. — Não sei onde eu estaria se não fosse por você.
Senti meus olhos sorrirem, enquanto meu coração já disparava.
— Nem eu sem você.
— Eu sei. — alcei as sobrancelhas para ele, o desafiando a me prever. — Estaria sendo a maior guerreira da guarda de Berk. Imbatível, invencível, como sempre.
Eu sorri para ele. Talvez fosse até verdade, mas eu sabia o que ele estava tentando dizer. Que ele precisava muito mais de mim do que eu dele, o que não era nenhum pouco verdade.
— Mas sem a humanidade e a grandeza de espírito de uma treinadora de dragões. Sem a alma livre de uma exploradora que vai além das fronteiras. Sem a maturidade de uma guerreira que luta por causas nobres. E principalmente sem a delicadeza e a coragem de uma mulher apaixonada. — via os olhos dele brilharem e sorrirem enquanto eu falava, e adorei a reação. Toquei-lhe a face. — Na verdade, eu acho que já lhe disse uma vez, eu não seria o que sou agora sem você. E sinceramente, não consigo expressar o tamanho da importância que tem para mim.
Ele se aproximou lentamente e encostou nossos lábios. Apenas com aquilo fazendo o calor, finalmente, tomar o meu corpo por completo. Soluço não parecia ter pressa, roçou nossos lábios por um tempo, antes de finalmente entregá-los ao beijo. Tentei creditar ao frio o estremecimento que me perpassou, mas sabia que estava tentando me iludir, e era ridículo se fazer de orgulhosa naquele momento, eu era rendida por ele e isso não era segredo para mim. Mas, ele parou o beijo antes de aprofundá-lo.
— Não vai ser fácil. — disse-me ele.
— Eu sei. — Ás vezes eu me impressionava de como o entendia apenas em ver o seu olhar, mesmo em algo assim, tão aleatório, no meio de um beijo lamentavelmente interrompido. — Mas, estaremos juntos. Então seja lá o que vier pela frente...
— Vamos enfrentar.
— É — assenti para ele, colando nossas testa.
Senti as mãos dele em minha cintura me puxando mais para perto.
— Eu prometo, darei o melhor, Astrid. Darei o meu melhor por nós e por Berk. Eu te amo... Te amo.
— E é só isso que eu peço — eu tive que suspirar antes de continuar, senti minha voz embargar. — Seu amor. E prometo que estarei do seu lado em todo o resto, nos momentos felizes e nos difíceis, para sempre. "Porque sempre vai existir o Soluço e a Astrid." — sorri para ele, vendo os olhos dele marejarem enquanto os meus já derramava a primeira lágrima. Ele a enxugou antes de me beijar novamente.
Dessa vez mais forte, mais intenso. Tive que me agarrar ao pescoço dele de imediato. Amava todas as maneiras que nos beijávamos, mas os beijos intensos de Soluço eram raros, ele geralmente era contido, então eles sempre me pegavam desprevenida e isso me desarmava quase que completamente. Quando senti a língua dele invadir-me sem autorização, estremeci novamente, dessa vez mais intenso, tanto que ele pareceu notar. Me abraçou mais forte, e foi parando o beijo. Apertei a nuca dele não deixando isso acontecer. E nos beijamos até perdermos o ar.
— Está frio aqui — disse, assim que conseguiu. — Melhor irmos.
Não tive coragem de dizer a ele que não tremi por causa do frio. O abracei e tomamos o rumo de volta à aldeia.
Chegamos em frente do Grande Salão, podia se ouvir o barulho da música e da algazarra de vikings que ainda rolava em nossa festa lá dentro. Nos olhamos e num acordo silencioso seguimos nosso caminho ladeira acima, abraçados em direção a nossa casa.
Nossa casa. Paramos em frente a ela. Ficava no topo da colina, tinha um gramado e uma cerca ao redor onde Perna-de-Peixe nos presenteou com um jardim de oleandros. "Um diferencial para os chefes." tinha nos dito. A neve salpica as flores, quase às cobrindo, mas elas eram fortes e estavam lá, vivas e decorando o branco da neve. Olhei para ele, que já me olhava. Um lampejo maroto atravessou o seu olhar, e no segundo seguinte eu estava voando para os seus braços.
— Soluço! — me assustei.
Ele gargalhou!
— É a tradição, milady.
Atravessamos o pequeno portão da cerca, atravessamos o nosso pequeno jardim de neve e subimos os quatro degraus até a porta. Eu ainda achava incrível a destreza dele em cima daquela perna protética, claro que dava para sentir o esforço a mais que ele fazia para movê-la, mas era algo tão natural que passava inteiramente despercebido, além do mais, creio que tudo poderia passar despercebido estando nos braços dele.
Quando adentramos o cheiro de madeira nova invadiu minhas narinas. Era uma sensação maravilhosa. Era como estar entrando num novo mundo. Um mundo maravilhoso e só nosso. Afundei meu rosto no pescoço dele para misturar os cheiros, queria que aquele fosse meu cheiro de lar. O senti arrepiar-se e amei ainda mais a ideia, beijei-o ali.
Soluço entendeu e continuou o caminho, subindo as escadas que nos levaria para o quarto. Nosso quarto. Suspirei, enquanto ainda afagava como meu rosto o pescoço dele. Nosso quarto. O lugar onde nossa intimidade seria levada a último grau, tornei-me ainda mais ansiosa. Um calafrio perpassou pela minha espinha e meu estômago avivou-se. Meus lábios ganharam vida em seu pescoço e eu o sentia apertar-me em seus braços, enquanto apressava o passo.
Embora a escuridão da noite estivesse nos alcançando, víamos a lua iluminar o aposento graças a clarabóia que Soluço insistiu em instalar no telhado. Banguela, pensei na hora. Agora, achei a ideia ainda melhor. Já pela janela entrava o cheiro de mar. Cheiro de mar, madeira nova e Soluço, sim, eu estava em casa.
Ele enfim me beijou. Apertei meus braços em seu pescoço, embrenhando os dedos pelos cabelos dele, o puxando para mim. Descartando em algum lugar a coroa de ramos que ele usava. Querendo-o mais e mais. Os instintos me guiando para algo totalmente desconhecido. Não sabia o que era o choque térmico no meu ventre, nem o formigamento no dedos dos pés, só sabia que queria mais daquelas sensações.
Eu estava flutuando no beijo dele, ele explorava minha boca de uma maneira diferente. Nunca tinha sido daquela forma. E eu sabia que era porque daquela vez ele não precisava mais se conter. Senti minhas costas serem apoiada contra a felpuda manta da cama e os lábios dele descerem para o meu maxilar e seguir caminho para o meu pescoço, ele ofegou e eu me arrepiei. Algo escapou de minha garganta, tranquei os lábios com força em seguida, aquilo podia parecer promíscuo já que meu interior estava em brasa e eu sentia minha intimidade latejar. Gemidos me parecia algo relacionado a dor e não a... O que era aquilo que eu estava sentindo?
Eram os instintos que me guiavam, porque a minha mente não se atinha que as minhas mãos puxavam delicadamente os cabelos dele e incentivava sua cabeça em minha direção. E quando ele voltou a beijar minha boca, minha mente não se ateve que as minhas mãos estavam na corrente de seu manto.
E foi assim que seguimos, por amor e instintos.
~
(...)
Notas finais
Comentários são bem importantes, então me deem suas opiniões.
Um beijo e até já...
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