Finalmente Juntos...
11 Capítulo 11: Bons amigos
Notas iniciais
Depois de um dia longo e cansativo na escola, Ichigo não estava nem um pouco disposta a ir ao trabalho. Mas não tinha opção. Ryou e Mint a matariam se não aparecesse, ainda mais quando estão com "visitas". Então ela andou o mais devagar que pôde na direção do Café Mew Mew, e ela não conseguia tirar da cabeça a ideia de simplesmente seguir na direção inversa, a direção da sua casa, e não dar as caras hoje.
Ultimamente dormir parecia ser a única coisa que ela queria fazer, parecia que nunca conseguia descansar de verdade a noite. Era insuficiente. e além do mais depois de ter acordado ontem a noite não tinha consegui dormir direito. Não conseguia tirar aquele sonho da cabeça. Bom, pelo menos ela achava que era um sonho. Afinal não tinha nenhuma chance de que alguém estivesse em seu quarto ontem, certo? Só se fosse um certo alien de cabelos verdes...
Ichigo sacudiu a cabeça violentamente, tentando tirar aquela ideia da sua cabeça. Não tinha motivo para aquilo ser verdade. Ele tinha uma namorada agora!
Aquele pensamento fez o coração de Ichigo se apertar e ela tentou pensar em outras coisas. Porém o alien não saia de seus pensamentos.
"Talvez o Kisshu esteja no Café, aí eu poderia dar um oi e perguntar como vão as coisas no planeta dele e quem sabe até como ele está..."
Ela tinha que admitir. Estava muito curiosa pra saber sobre o quanto Kisshu e seu planeta tinham mudado. Ela ainda não tinha conversado de verdade com ele. Talvez ela pudesse chamá-lo em um dos seus intervalos para conversar. Ela também queria saber como aqueles novos inimigos tinham descoberto a existência das Mews.
"Além de tudo, eu sou a líder das meninas. Eu tenho que estar informada sobre esse tipo de coisas." ela disse pra si mesma tentando passar confiança.
Ela já estava atravessando o parque que ficava perto do café, quando ouviu duas vozes conversando atrás de algumas árvores. Ao olhar ao redor ela encontrou a origem das vozes.
Um choque desagradável percorreu todo seu corpo.
Tsuki estava logo ali, falando com Kisshu.
Ela estava, na opinião de Ichigo, bem próxima à ele e tinha um olhar inteligente e confiante, como se ela estivesse conseguindo tirar algo dele. Ela não conseguia ouvir exatamente o que estavam dizendo, e nem iria conseguir, pois sua espionagem foi interrompida quando Kisshu olhou pra ela.
O tempo pareceu parar por um segundo enquanto os dois trocavam um olhar chocado. Mas aí Ichigo começou a corar e suas orelhas e rabo de gato surgiram do nada. Ela soltou um gritinho e correu pra longe tentando em vão esconder as orelhas.
– Espere, Koneko-chan! — Ichigo ouviu o chamado de Kisshu, mas mesmo assim não parou e nem olhou para trás.
Ela já estava avistando o café quando Kisshu se materializou do nada bem na sua frente. Assustada ela tentou parar abruptamente e isso resultou em desastre. Ichigo acabou tropeçando e caindo nos braços do alien, que vendo essa cena deu uma risadinha.
– Você está bem, Koneko-chan? — perguntou ele enquanto ela erguia um pouco a cabeça para encará-lo.
– S-Sim... — ela se afastou dele totalmente corada. — Obrigada... e me desculpe...
Kisshu sorriu para ela. Ichigo, ao vê-lo sorrindo daquele jeito único, como nos velhos tempos, se sentiu quente por dentro. O sorriso dele era simplesmente lindo. Ichigo corou ainda mais ao notar isso.
– Sem problemas. — ele afirmou tranquilamente. — Eu estava mesmo querendo falar com você. Mal consegui te ver desde que chegamos aqui. Como vão as coisas?
– Ah! Estão ótimas! — Ela falou meio atropelada, Kisshu deu mais uma risadinha. — E-E você? Acho que você anda bem famoso no seu planeta, não é?
Ela queria ter pensado em algo melhor pra dizer, mas vendo o jeito como ele sorriu em resposta a sua pergunta ela relaxou. Internamente ela se repreendeu por estar pensando isso mas, mais uma vez ocorreu-lhe o quanto ele era bonito. "Como é que eu não notei antes? Será que ele só ficou assim depois de dois anos? Ou será que eu nunca notei porque ele sempre tinha sido um inimigo e eu estava com Aoyama-kun?" Essas e muitas outras perguntas rondavam a mente confusa de Ichigo, enquanto Kisshu a admirava.
Ela estava trajando o seu uniforme normal, mas Kisshu não deixava de achá-la linda. E ele a achou ainda mais fofa por estar corada. Observando a sua boca enquanto ela falava, lhe veio a mente o quanto gostaria de beijá-la.
– Famoso o suficiente para ter uma boa casa e tudo o mais. — Ele respondeu casualmente. — Tudo ficou melhor desde que levamos o Mew Aqua. — Então ele notou algo. — Por que você ainda está escondendo as suas orelhas? — Ele deu um sorriso enorme. — Elas são lindas...
– S-São? — Ichigo perguntou hesitante. Ela se sentiu maravilhosa ao ouvir o elogio. Ela estava tão acostumada em ter que escondê-las por parecer uma aberração. Ninguém nunca tinha dito que elas eram bonitas. E ela ficou feliz por Kisshu ter dito isso.
– É claro que são! — Kisshu pegou as mãos de Ichigo e as abaixou gentilmente, deixando a mostra as tão incomuns orelhas de gato. — Você sempre está linda. Ainda mais quando está determinada a vencer uma batalha e está usando aquele vestido rosa com um laço na cauda.
Ichigo olhou pra ele surpresa.
– Você lembra o que eu estava vestindo?
– Koneko-chan, eu me lembro até do que você dizia quando se transformava em Mew Ichigo.
– Você lembra? — ela repetiu descrente.
– Hai*. — Ele afirmou. — Mew Mew Strawberry METAMORPHOSIS!
Ichigo deu um risada e então colocou as mãos na cintura e disse de modo impositivo.
– Hmpf! Pois eu me lembro do que você dizia quando criava Chimera Animals!
– Eh? — Ele perguntou sarcástico. — E como era?
Ichigo jogou o mão para o alto, com a palma aberta para o céu e fazendo pose gritou:
– FUSION!
Kisshu quase dobrou o corpo de tanto rir.
– É... assim mesmo...! — Ele falou entre as risadas e então falou num tom mais calmo, mas sem tirar o sorriso do rosto. — Koneko-chan, por que nós ficávamos lutando enquanto podíamos fazer isso?
– Bem... Acho que era porque vocês estavam tentando nos matar. — Ichigo fingiu ficar pensativa.
– Que ideia mais idiota. — Kisshu falou batendo na própria testa. — Eu devia ter gasto meu tempo tentando beijar você!
Ela não podia acreditar no que ele tinha acabado de dizer!
– K-Kisshu! — Ela balbuciou envergonhada e um tanto brava.
O que ele estava fazendo, brincando com ela sobre o beijo deles, se ele tinha namorada?! Ele parecia não se importar de simplesmente agarrá-la e beijá-la quando bem entendesse. Tsuki ficaria furiosa se descobrisse que seu namorado estava interessado em outra garota.
Kisshu notou sua mudança de expressão e perguntou:
– Algo errado, Koneko-chan?
Ichigo tentou dar um sorriso leve.
– Está tudo certo. É que eu tenho que ir pro Café senão o Shirogane e a Mint vão me matar.
Ichigo tentou passar por ele. Mas, para a surpresa dela, ele a agarrou de repente, a apertando contra o peito musculoso. Ela não estava surpresa só com o gesto, mas também com o quão bem ela se sentiu ao ser abraçada por ele.
– Ok, Ichigo. — Kisshu sussurrou no ouvido dela fazendo-a se arrepiar. — Se você insiste... Mas vamos conversar de novo! Estava tão bom pra acabar tão cedo.
Então assim como ele a abraçou ele a afastou e se impulsionou no ar se tele portando para fora de vista.
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– Taru-Taru! Eu te trouxe um lanche!!! — Pudding parou derrapando ao lado de Taruto que estivera descansando em uma das cadeiras em forma de coração.
O Café estava fechado naquele dia e Taruto havia descido de seu quarto, para a felicidade de Pudding. Ao que parecia ela queria impressioná-lo com o seu serviço impecável.
Taruto pareceu surpreso quando ela lhe estendeu um prato.
– O que é isso?
– É o nosso bolo caseiro de chocolate com trufas! Experimente! — Ela disse sorrindo.
Ichigo notou que o alien mais novo estava um pouco hesitante, mas mesmo assim pegou o garfo das mãos de Pudding e levou um pedaço da torta até a boca. A menininha observava atentamente à sua reação. Taruto engoliu e logo depois soltou um largo sorriso para ela.
– Isso é incrível! — ele exclamou e tentou enfiar todo o bolo dentro de boca, fazendo com que a maior parte caísse no seu colo e com se formasse um bigodinho de cobertura na sua face.
– Taru-Taru, você é tão engraçado! — Pudding riu.
Taruto pareceu envergonhado e tentou justificar as suas ações.
– É que nós não temos nada assim no nosso planeta...
Pudding ficou chocada.
– Sem bolo?! — O alien acenou a cabeça em gesto negativo. — Caramba, estou feliz por morar aqui!
Taruto olhou para ela mostrando um pouco de irritação e ela se apressou para buscar uma toalha para ajudá-lo a se limpar.
Ichigo voltou a varrer o chão pensativamente. Desde que chegara ao Café ela não tinha conseguido tirar da cabeça a cena de Kisshu e ela abraçados. Ela não sabia se aquilo significava somente um gesto de amizade ou se era algo mais. Contrariada, ela percebeu que bem no fundo ela queria que fosse algo mais. Mas ela estava indecisa. Então uma ideia surgiu em sua mente. A garota se virou para Taruto.
– Taruto?
Ele olhou para ela.
– O que foi?
Ichigo ficou encarando o cabo da vassoura, um pouco envergonhada.
– Bem, eu estava pensando... Será que eu podia te perguntar uma coisa?
– Bom, você acabou de perguntar. — Ele sorriu de modo brincalhão mostrando a língua. — Mas eu te deixo fazer mais uma.
Ichigo soltou uma risadinha, ficando mais confiante, porém ainda estava muito nervosa.
– Será que... o Kisshu tem... uma namorada?
Taruto olhou para ela por alguns instantes e então sorriu.
– Eu pensei que você ia perguntar alguma coisa sobre mim, Ichigo. — Ele fingiu ficar um pouco decepcionado e Ichigo voltou a sorrir. — Olha, eu não sei bem. Mas eu sei que a Tsuki sai muito com ele. Ela sempre está querendo treinar com ele ou algo assim.
Ichigo sentiu uma sensação ruim na boca do estômago. Neste mesmo momento Pudding voltou correndo até Taruto, levando uma toalha molhada consigo.
– Aqui Taru-Taru, me deixe fazer isso.
Ela tocou o rosto dele com a toalha e ele fez um gesto de protesto.
– Eu posso fazer isso sozinho.
– Fique quieto! — Pudding ordenou e começou a limpar o rosto alheio.
Ichigo ficou observando-os. Taruto tinha ficado imóvel de modo obediente, e Ichigo notou que, enquanto limpava, Pudding tinha uma expressão de profunda concentração. Ela queria que ficasse perfeito.
Ichigo se perguntou qual seria a sensação de fazer algo assim para Kisshu... Algo que mostrasse a ele que ela se importava... Mas... Não seria errado? Taruto não tinha dito que Kisshu e Tsuki estavam namorando, mas era provável que fosse verdade. Esse pensamento não a animava nem um pouco.
– Pronto! — Pudding anunciou dobrando a toalha e observando a sua obra.
Taruto a encarou como se a visse diferente.
– Obrigado Pudding. — Então ele acrescentou sorrindo minimamente. — Você é uma boa amiga.
Pudding olhou para ele com os olhos arregalados. Então com um grito de alegria, ela se jogou em cima dele, derrubando a cadeira com um estrondo. Taruto só teve tempo de dar um grito.
– VOCÊ É UM GRANDE AMIGO DA PUDDING, UM DOS MELHORES!!!!
Pudding abraçou Taruto com tanta força que Ichigo achou que ele ia sufocar. Rindo para o nada Ichigo saiu do Café para varrer a calçada. Estava um pouco frio, visto que já era fim de tarde. Enquanto varria Ichigo pensava em como Pudding e Taruto se davam bem. O relacionamento deles parecia tão simples. E mesmo que gostassem um do outro, eles eram principalmente bons amigos.
"Talvez eu devesse tentar isso... Ser amiga do Kisshu..." Ichigo considerou a ideia. Ela chegou a conclusão de que poderia tentar, mas que não fazer nada que não passasse de uma boa amizade ou que o fizesse pensar que ela estava interessada nele. Ela ia deixar pra depois a dúvida de se ela sentia algo a mais por ele ou não, assim como ia deixar de lado se Kisshu tivesse uma namorada.
– Boa ideia, Ichigo. — Ela disse pra si mesma.
Ela soltou um suspiro de alívio ao sentir que um pouco de peso que andara carregando tinha sumido. Agora ela só tinha que ignorar o jeito como Kisshu sorria para ela, o quanto ele estava bonito, o comentário que ele fizera sobre beijá-la...
– Talvez você não tenha percebido, mas a roupa de cama estava manchada.
Ichigo se virou rapidamente. Tsuki estava flutuando em direção à ela, com um olhar de desdém. Suas roupas subiam ligeiramente atrás dela, fazendo com que Ichigo se lembrasse de uma modela na passarela. Notando que Ichigo parecia distraída Tsuki repetiu como se ela fosse uma retardada mental.
– O lençol. Da minha cama. Está manchado.
– Ah! — Ichigo exclamou atordoada. — Hai! Eu sinto muito por isso. Quer que troque pra você?
Tsuki a encarou com desprezo.
– Não Eu vou pedir para uma das outras Mews fazer isso.
A alien começou a se afastar.
Ichigo tremia de raiva. Independente de quem fosse, Tsuki não podia afrontá-la daquele jeito.
– Ei! Espere um segundo! — Tsuki se voltou pra ela, Ichigo segurou o cabo de vassoura com força e disse em alto e bom som. — Eu não faço a mínima ideia de o que você tem contra mim! Então será que você poderia fazer a "gentileza" de me dizer o motivo de, aparentemente, me odiar? Ou você prefere levar uma vassourrada na cara?!
Com uma pausa dramática Tsuki ficou encarando-a, até que a sua voz saiu fria e cortante.
– Fique longe do Kisshu. Com essa sua mente patética, você pode ter pensado que no passado ele tinha algum interesse significativo em você. Bem, eu estive com ele durante muito mais tempo do que você e aqui está um fato real: você era só uma diversão para ele. Depois que ele deixou a Terra ele não pensou nem um segundo em você! Talvez, quando ele veio para cá, você tenha sentido um tipo de reação estranha por parte dele, mas agora que eu o estou acompanhando eu vou me assegurar de que isso não aconteça de novo .
Tsuki fez uma pausa para ver a reação de Ichigo. Ela parecia atordoada. Satisfeita com os resultados Tsuki começou a se afastar, não sem antes fazer um último e terrível comentário:
– Além disso, por que ele ficaria interessado em alguém que nem consegue proteger quem diz amar?
Ichigo engasgou. Tsuki sorri e some com um breve oscilar do ar. Por um momento Ichigo não fez nada a não ser ficar tremendo. Então ela mordeu o lábio inferior e sentiu um nó na garganta. Ela sentiu a vassoura escorregar de suas mãos e cair no chão. Mas ela não ligou. Cobrindo o rosto com as mãos ela se afastou correndo para longe do Café em direção à segurança das arvores, soluçando incontrolavelmente com lágrimas escorrendo pelas faces.
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