Final perfeito? Não, esse é o começo!
9 O princípio do caos
P. O. V. Jack
Queria ficar ali para sempre observando Clara dormir, ela parecia uma criança com um sorriso no rosto, eu fiquei feliz por saber que aquele sorriso era por minha causa, em meio a sonhos ela dizia meu nome. Como um sentimento tão poderoso tinha tomado conta de mim tão rapidamente, pela primeira vez eu descobri o que é o amor o qual tive sorte de ser correspondido, a partir daquele momento minha existência inteira se devia aquele ser dorminhoco, eu iria ama-la ate o fim de minha vida.
Mais em meio a esses pensamentos, eu percebi uma grande falha eu sou imortal, ficarei jovem enquanto ela envelhece, eu não daria a mínima, mais e ela será que quando ficasse adulta ainda amaria um garoto, e se ela quisesse ter filhos eu não poderia satisfazer esse desejo, e quando ele morresse eu não suportaria a dor de perdê-la, eu havia encontrado o que me faltava Clara já fazia parte do meu ser, eu havia desobedecido à regra de não aproximação e agora sentia as consequências.
Porem se ela me deixou amá-la é isso o que irei fazer, vou aproveitar cada segundo enquanto me for permitido, não importa que seja por pouco tempo pois sei que valera a pena, fiquei muito tempo sozinho e agora que encontrei alguém que me tira da solidão, alguém que torna meu mundo um lugar melhor, na realidade ela é o mundo e não importa que um dia acabe, pois farei que cada segundo seja eterno.
Ela dormia tão profundamente, nem fazia ideia de tudo que passava em minha mente tudo que eu queria fazer era abraçá-la e beijar seus lábios ate que faltasse lhe ar, estava perdido nessa ideia, absorto na imagem a minha frente, ate que ela começou a ficar inquieta devia estar tendo um pesadelo, aquela ideia me fez acordar. Mais espera ai ninguém mais tinha pesadelos desde que havíamos derrotados o Breu, será que ele estaria se reerguendo não aquilo era impossível, porém logo Clara começou a resmungar, e ele disse algo que confirmou minhas suspeitas.
— Você não vai me assustar mais Breu – sim ela havia dito o nome dele, e pelo que disse não era primeira vez, eu tinha que avisar os guardiões, se ele realmente estava se reerguendo, não só as crianças mais todos corriam perigo então aquilo só significava uma coisa guerra. Mesmo não querendo, deixei Clara dormindo, peguei meu cajado e voei em direção ao Polo Norte.
Mal cheguei na oficina e já encontrei Norte todo alegre descansando um pouco, ainda estávamos em Janeiro teria um bom tempo ate o Natal, tive ate um pouco de pena de tira-lo do descanso mais a situação era seria, quando lhe disse que Breu estava retornando, logo ele pulou da poltrona e correu ate o painel para chamar os guardiões.
Eles chegaram em pouco tempo, quando lhes disse a causa do chamado, todos ficaram alarmados, ate que o Coelhão ficou serio e perguntou.
— Mas como você pode ter tanta certeza que o Breu esta se reerguendo?
— Bom eu vi uma garota tendo um pesadelo e em meio a ele ela disse “Você não vai me assustar mais Breu”.
— Garota você não quis dizer criança? – perguntou a Fada com cara de suspeita
— Não ela tem 16 anos – disse já começando a corar
— Mas pera ai — interrompeu o Coelhão – como você sabe a idade dela, e mais importante, o que você fazia em seu quarto, pois duvido que você possa ter escutado isso só da janela.
Não tinha escapatória, todos estavam me encarando eu não podia mentir, contei tudo desde o encontro no aeroporto, ate o choro e o beijo, tinha pensado em omitir essa parte mais eles descobririam de qualquer maneira, também eu não queria esconder meus sentimentos deles, eu já os considerava como uma família, e não se esconde nada da família.
Quando terminei de falar todos estavam boquiabertos, ate notei que Fada tinha os olhos marejados e tentava evitar me olhar nos olhos, Coelhão a encarava com tristeza, Sand permanecia mudo, foi Norte que resolveu quebrar a tensão.
— O que você estava pensando Jack – falou um pouco alto demais – não podemos nos aproximar muito dos humanos, principalmente quando não são mais crianças, você quebrou muitas regras esta noite.
— Eu não me importo mais com essas regras – eu já estava irritado, porem meus olhos lacrimejavam – eu só tenho certeza de uma coisa eu AMO Clara.
Nesse momento todos me olharam espantados Fada chorava muito e Coelhão a consolava, porque será que aquilo a afetava tanto, quando ela se acalmou retornou ate onde nos estávamos com um pequeno sorriso e de mão dadas com o Coelhão, aquilo era estranho, mas então Coelhão começou a dizer que o que eu havia feito era errado, Norte tentava falar mais alto que ele ate que começamos a discutir.
Porem a discussão foi logo interrompida por um barulho estridente de sinos, Sand tentava nos dizer que o Homem da Lua estava ali, ele queria nos mostrar algo.
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