P. O. V. Clara

— Olá querida que tal brincarmos um pouco – a voz disse.

Há não dessa vez não, aquela voz, essa voz não iria me perturbar dessa vez, já estava cansada de tanto tormento creio que ele deve ter sugado tudo de minhas esperanças sonhos, deixando somente a insegurança e o medo, palavra chave medo, eu sabia quem ele era só não sabia o que ele queria, só tenho certeza de uma coisa ele é extremamente irritante.

— Tudo bem Breu que tal brincarmos de eu durmo e você SOME, já não tirou o bastante de mim, agora sabe o que restou teeédio – disse bocejando.

— Ah minha querida você nem faz ideia do que eu quero – ele disse, dando uma risada que me arrepiou dos pés a cabeça, tentei não deixar transparecer, não queria dar esse gostinho a ele, esse cara, ser, ah sei lá o que, ele me apavora desde que eu tinha cinco anos, e na ultima semana ele tem feito um belo trabalho, quase desmoronei, quase deixei de acreditar, se não fosse por Jack, hoje poderia ter sido um dia péssimo.

— Tudo bem – disse com cara de tédio — você diz o que quer e eu finjo que ligo.

— Ah Clara, minha pequena e inocente Clara, você nem faz ideia a brincadeira acabou de ficar seria, acha que eu tirei tudo de você, pois pense de novo minha querida – quando ele disse isso não pude evitar o medo em meus olhos o Bruno a Nanda o que me restara, não eu tinha que ser firme eu tinha de protegê-los.

— Você não vai fazer nada com eles Breu – vociferei – eu não vou permitir, além do mais agora não tem mais como você me ferir eu tenho uma arma secreta.

— Nossa! Mais que menina valente – ele disse com certo tom de ironia – sinto muito querida mais Jack não pode ajuda-la, quer saber de uma coisa, eu sempre soube que você estava predestinada a encontra-lo, você é minha vingança, por isso te torturo desde os cinco, queria te impedir e vê-lo para que ele jamais encontrasse o que lhe estava faltando, mas você tem essa mania irritante de nunca deixar de acreditar – dei um sorriso sarcástico – então tive que mudar meus planos e quer saber esse é muito melhor, em vez de impedi-lo de te amar que tal deixar a pessoa que ele ama tão louca a ponto de esquecer, ou melhor, odiar Jack Frost, não seria incrível.

E novamente ele da aquela risada, dessa vez eu estava tão irritada que nem liguei, serio porque os vilões sempre tem que ter uma risada maléfica, sério isso é maçante.

— Tá ok primeiro como você sabia que eu estava predestinada a encontrar o Jack, pelo que eu saiba você é o Breu e não uma bola de cristal, segundo como pretende me enlouquecer vai ficar falando o dia inteiro no meu ouvido, porque serio você é irritante.

— Caramba que menina petulante, é o par perfeito para o Jack – ele disse com falsa surpresa, eu já não aguentava mais aquele sorrisinho, então explodi.

— Não eu não aprendi nada com o Jack, essa sou eu, a garota que não aguenta mais, ser assustada por um bicho papão de quinta categoria, cansei de me esconder, não preciso de ninguém para me proteger eu posso me virar sozinha, não foi isso o que eu fiz nos últimos dias, aguentei firme a morte dos meus pais, segurei a barra para meu sobrinho e minha irmã lhes permiti ter esperança enquanto eu mesma já não tinha quase nada, tive que me tornar adulta sim, mais uma coisa eu nunca vou abandonar é a minha crença, eu quase desisti mais Jack me deu esperanças e agora nada vai me impedir, nem você nem meu tio maluco. – nessa hora eu achei que estava ficando doida, pois juro que vi minhas mãos brilharem, e com percebi desespero nos olhos negros do Breu, deve ter sido impressão — Então me diga doutor, como pretende me enlouquecer?

— Da mesma maneira que enlouqueci seu tio – ele disse com olhos escurecendo – vou tirar tudo de você e depois ter o prazer de contempla-la como hospedeira de um dos meus preciosos pesadelos – e então tudo ficou negro.

Quando acordei estava na sala completamente amarrada observando minha irmã e meu sobrinho completamente apavorados olhando diretamente para mim, Breu estava ao lado deles junto com meu tio, não aquele não era meu tio, eu devia ter desconfiado, ele tinha olhos azuis e não negros, aquele era um dos pesadelos de Breu.

— Que bom que a princesinha acordou – disse Breu com o sorrisinho de sempre – não queremos que você perca o espetáculo, a dizimação da sua família. Bom como sabe eu não posso tocar nos humanos ate adquirir poder total, então vou permitir que meu servo faça as honras, que tal começarmos com seu sobrinho.

Mal ele disse isso, e meu tio ou o que estava dentro dele, começou a se aproximar do Bruno com um punhal, a não ele não podia fazer isso, desesperada gritei:

— Tio eu sei que você esta ai dentro, lute não deixe que essa coisa te domine, eu sei que você sofreu muito quando perdeu a sua esposa, sua família, sei que permitir que isso se apropriasse de você, foi uma forma de esquecer a dor, mas não se engane nós somos sua família, eu, Nanda e Bruno, não destrua o que lhe resta, lembre-se tenha sempre ESPERANÇA.

Quando terminei de falar notei uma pequena inquietação em meu tio, ele estava confuso como se estivesse lutando contra si mesmo, se bem que de certa forma era exatamente isso que ele estava fazendo, então de repente ele parou ficou imóvel, então Breu berrou:

— Anda logo se não vou te destruir seu pesadelo imprestável!!!

Meu tio retomou seu rumo punhal em riste ele avançava em direção ao meu sobrinho, ate que ele desviou e avançou diretamente no Breu, o qual contra atacou fazendo meu tio ficar estirado no chão de olhos abertos, olhos estes que retornaram as cores originais, meu tio estava de volta porem completamente paralisado.

— Não você não fez isso – disse Breu com os olhos completamente negros, ele avançava em direção ao meu tio imóvel – tudo bem eu ainda não posso te tocar, mais agora tenho poder suficiente para torturar alguém ate a morte, e já que você foi tão idiota a ponto de me atacar, começaremos com você tio imprestável.

Meu corpo inteiro ardia, era coisa da minha cabeça ou eu estava brilhando, quando percebi estava entre Breu e minha família, como me livrei das cordas, bom não faço ideia, só tinha certeza de uma coisa, ele não ia ferir ninguém que eu amo, não mais, então berrei:

— Não desta vez.