Final de Ato
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem. :3
Boa leitura.
Sim. Essa é a resposta da pergunta que vocês se fazem todos os dias. Então, sim, eu realmente estou namorando com uma garota. Peço que não me julguem precipitadamente, conheçam um pouco mais o meu lado e depois tirem as conclusões de vocês.
Minha saída da banda e, eventualmente, da igreja, não foram baseadas em apenas uma saída para a balada com o meu amigo, foram baseadas nos anos que eu lutei contra mim mesma, negando aquilo que era inegável, tentando "consertar" algo que não podia — e não pode — ser consertado. A balada foi apenas o "chute no pau da barraca", o meu "ato de rebeldia". Não culpem ele por isso, okay? Eu apenas o usei.
Com 12 anos de idade eu fiquei apaixonada pela minha melhor amiga, acreditem, não sabia que era paixão naquela época, essa hipótese não passava pela minha cabeça. Mas eu sei que vocês sabiam disso, lembro que a mãe me perguntou se eu estava apaixonada por ela e eu neguei. Ainda tenho a cena bem nítida na memória. Ela estava brava com o Rafael e descontou em mim (isso era normal), fiquei triste e magoada por isso, a senhora viu que eu estava assim e, enquanto fazia a janta, me perguntou o que houve. Comecei a contar, eu estava na área de serviço, te olhando com os olhos cheios de lágrimas e a senhora perguntou se eu gostava dela. Neguei, é obvio. Onde já se viu uma garota que praticamente nasceu dentro de uma igreja evangélica estar apaixonada pela melhor amiga? Isso era terrivelmente errado, era pior que matar alguém. Acreditem, fui entender que estava apaixonada por ela esses tempos atrás, pois eu nunca tinha parado para pensar nesse dia.
Depois disso veio a Camila, fiz para sanar a minha maldita curiosidade e para irritar vocês. Deu certo. Eu matei dois coelhos numa cajadada só. E vocês fizeram o que mesmo? Sentaram e conversaram como bons pais? Não. Vocês me falaram coisas absurdas e que me marcaram muito, me bateram e me levaram pra igreja pra orar. Após esse lindo episódio da minha vida, fui me tornando mais amarga, mais ácida, menos sociável e cometendo erros e mais erros tentando me "consertar". Nisso veio Luan, Matheus, Lucas e Felipe, aqui, nessa cidade fantástica, vieram vários outros que nem lembro o nome e muito menos o rosto. Vocês devem estar se perguntando como fiquei com eles se eu não gosto. É bem simples a resposta: Álcool. Ele me dava a coragem pra ficar com homens e tentar gostar. Eu tentei, tentei muito, mas não deu certo.
Aqui, a pastora me ajudou muito, não ligou para o que eu gostava, não me julgou, não falava uma coisa com a boca e dizia outra com o olhar. Não, ela nunca me julgou, só me amou, me ouviu e me ajudou. Me dói muito ter a magoado tão profundamente, mas eu estava no meu limite. O ano de 2015 foi o meu pior ano, não teve um dia que a morte não me pareceu tentadora. Por dentro eu já estava no meu fim, por fora seria apenas um pequeno detalhe.
Eu só não aceitei isso mais cedo porque eu não queria ser a decepção da vida de vocês, mas não teve jeito, vocês souberam do Lucas e pronto, vi a decepção estampada no olhar de vocês, o que viesse depois já não seria tão impactante, afinal, a primeira "paulada" já tinha sido dada. Após isso foi tudo mais tranquilo pra mim, não tinha muito o que decepcionar vocês.
Naquela ultima e longa "conversa" que tivemos, o pai me acusou de falta de personalidade, que eu não era eu e blá blá blá. Eu concordei com ele, mas eu não tinha personalidade de propósito, tentei absorver a personalidade de todos a minha volta para esconder a minha. Não bastando, ele disse que se eu não aceitasse as regras era só eu pegar as minhas coisas e cair fora. Se eu tivesse pra onde ir, naquele dia mesmo, eu tinha saído de casa e vocês não teriam me visto até agora. E, enfim, estamos chegando ao ponto principal dessa carta, meu relacionamento.
EU NÃO QUERO QUE VOCÊS CULPEM MINHA PEQUENA, OKAY? Ela não tem culpa de nada. Aliás, se não fosse por ela, na melhor das hipóteses, eu estaria vivendo de balada em balada, e na pior das hipóteses, vocês já teriam me enterrado no início do ano. Forte não é? Pois essa é a verdade nua e crua.
Não fiquem bravos por eu ter trazido ela pra casa, apenas quis dar a chance de vocês a conhecer sem terem um pré-conceito ou estarem apontando uma espada no pescoço dela. Vocês a conheceram e conversaram com ela, viram que ela não é má pessoa, a única diferença é que ela não é apenas minha amiga, ela é minha amiga e minha namorada. Ah, esqueci de falar, namoro apenas a um mês.
Não espero que vocês morram de amor por ela, na verdade, acho que não vão querer ver ela nem pintada de ouro, o que me importa é que eu tentei. Mais uma coisa, se for para ofendê-la, peço que nem a procurem, ela não tem que ouvir desaforo de vocês, já basta os que, provavelmente, eu ouvirei.
Mãe, contei pra Cláudia, sua amiga, no sábado, ela me incentivou um pouco mais a falar. Só estou contando isso por uma carta por causa do Sr. Sou Macho, mais conhecido como o meu pai, não estava afim de mandar prender ele por agressão, e, sim, eu faria isso. Só peço que não façam nenhum escândalo e que conversem civilizadamente quando me verem, não querem piorar a cabeça da minha irmã, ou querem? Falando nela, fica a critério de vocês contarem ou não, por mim tanto faz, uma hora ela vai ter que saber a verdade.
Se forem me por pra fora de casa, tudo bem, eu entendo e não vou ficar magoada nem nada disso, o recado já tinha sido dado uns meses atrás. Só peço um dias pra eu tirar as minhas coisas.
Bom, acho que isso é tudo o que vocês precisam saber sobre mim.
Notas finais
Beijos. ♥
Fale com o autor