Final Fantasy- Os guerreiros da luz
2 Capítulo 1- Chegada em Coneria e o sequestro da Princesa Sarah
Capítulo 1-Chegada em Coneria e o Sequestro da Princesa Sarah
O ponto de encontro dos quatro guerreiros seria em frente à Coneria, onde deveriam se encontrar e falar com o Rei de Coneria, que enfrenta um reino sendo destroçado pelas trevas advindas do escurecimento dos cristais. Diabretes saqueavam mercadorias, Ogros famintos e criaturas estranhas rondavam as florestas locais, afastando caçadores, o povo pedia um fim e um diálogo com os guerreiros da luz poderia trazer ao Rei um pouco mais de popularidade. O povo não entendia que a culpa do reino estar se ruindo aos poucos era o fim dos tempos, e não uma maldade do rei. Rebeldes constantemente ameaçavam o castelo real com cartas assinadas com sangue, “presentes” enfeitiçados com magia negra e até ataques a guardas da cidade.

Um navio carregando mercadorias e os nossos heróis chegam ao pequeno porto da cidade. Os marinheiros carregam as coisas na carruagem puxada por dois chocobos verdes que ciscavam o chão. Um soldado esperava os heróis deixando a porta da carruagem aberta para entrarem. A população do porto se juntava para ver o que acontecia.
A primeira pessoa a começar a descer do navio foi Kain. Ele estava sem a armadura e carregava apenas seu cinto com uma pequena bolsa presa nele, guardando seu dinheiro e do lado esquerdo outra bolsa especial e lacrada, para guardar o cristal do fogo. Desceu os degraus e olhou para trás na esperança de ver se mais alguém estava pronto para seguir viagem, e lá estava Yuu, vestindo seu robe branco de detalhes vermelhos, cantarolando uma pequena música dos curandeiros de Melmond.
Logo atrás vinha Vivi, que lia um livro de magias e se protegia do sol com seu grande chapéu amarelo de mago. Ele descia apressadamente sem tirar os olhos do livro, sem notar a presença de Yuu em sua frente e... Os dois trombam, o livro de Vivi cai na água e os dois rolam escada abaixo até chegarem à terra firme. Vivi ficou de bumbum pra cima, nocauteado, e Yuu ralou o joelho. Kain logo foi ajudá-los, se segurando para não rir da palhaçada deles.
Vivi logo se levantou e arrumou o chapéu em sua cabeça, que parecia ser três vezes maior que o tamanho certo. Seu robe azul e seu chapéu amarelo o escondiam, deixando visível apenas seus olhinhos amarelos e brilhantes, vibrando de mana. Ele olhou para os lados procurando o livro e não o achou, e então percebeu o destino de seu pequeno companheiro:
–CÁSPITE! Meu livro caiu na água!- exclamou alto, enquanto calmamente se levantava.
Yuu passou uma mão na outra até que um pequeno brilho apareceu entre as duas. Ela formou uma concha com as mãos e então passou as mãos em seu joelho machucado, e o joelho ralado voltou ao normal. Kain deu a mão para que ela se levantasse.
–Eu estou bem, não se preocupe.- ela sorriu, levantando-se sozinha. Eles olharam para Vivi, que ainda estava preocupado com seu livro. Ele olhava para o mesmo da margem do porto, e observava o livro afundando, entristecido.
–M-m-meu livro...- choramingou Vivi, que então se sentou no chão, triste.
Yuu, ainda aborrecida com o encontrão, ralhou com Vivi.
–Se o senhorzinho prestasse mais atenção em sua volta do que em seu livro você não teria o perdido, bobo!
Vivi cruza os braços e entra na carruagem, emburrado. Wedge finalmente aparece, ajudando um marinheiro a descer uma caixa.
–Obrigado, acho que agora posso ir sozinho. — disse o Marinheiro, levando a caixa para uma pilha de outras caixas. Wedge andou calmamente até a carruagem.
–Bom dia, todos. — disse ele, segurando o cristal escondido dentro de sua roupa. Kain e Yuu acenaram de volta com a cabeça e Lee sorriu, sentando-se na carruagem.
Um dos marinheiros desceu de cima da carruagem e fez um sinal positivo para o grupo.
–Tudo pronto!- disse o marinheiro, que correu de volta para o barco, que já estava de saída.
Yuu, Vivi e Kain entraram na carruagem e a porta fechou-se por trás deles. O carroceiro, um Moogle, agitou as cordas dos Chocobos com um pulinho no ar, e imediatamente a carruagem partiu em direção da cidade.
Kain tirou o cristal da bolsa especial e o observou através da luz que vinha da janela fechada da carruagem: Embora fosse um cristal, nem mesmo a luz passava por ele, de tão exaurido estava a energia dele.
–Continua lindo, não?- disse Kain, mostrando o cristal para todos, e então ordenou:
–só por segurança, todos mostrem seus cristais.
Um a um os guerreiros da luz mostraram seus cristais, todos escurecidos. Vivi tirou o cristal de seu chapéu três tamanhos maior do que devia, Wedge tirou de um compartimento secreto em sua roupa, assim como Yuu.
Os quatro uniram seus cristais, como se esperassem alguma coisa acontecer, e então colocaram de volta em seus compartimentos. Vivi jogou seu cristal dentro de seu chapéu, o que irritou Kain.
–Tem certeza absoluta de que o seu cristal está seguro onde está?- perguntou Kain, aborrecido.
Vivi acenou positivamente com a cabeça, e então passou a observar a planície pela janela, com uma mão no queixo. A confiança de Vivi em seu chapéu era grande, quase uma marca registrada dele, além de seus olhos amarelo-brilhantes.
Yuu não aguentou e perguntou curiosa com o chapéu de Vivi:
–O que tem esse chapéu de tão especial, pequeno mago?
Vivi virou-se e sorriu.
–Foi meu pai quem me deu. Ele era um grande mago imperial, e ele sempre usou esse chapéu para TUDO! Sempre, desde que eu era pequeno, queria seguir os passos de meu pai, até que...
O pequeno Mago Negro olhou distantemente e apertou os olhos, como se quisesse espremer para longe uma péssima memória, e então continuou:
–...até que um dia ele foi morto por um grupo de monstros. Ele tentou se defender, mas estava cercado. Ele gritou por ajuda, mas quando chegaram havia apenas... Sangue e esse chapéu.
Uma lágrima desceu dos olhinhos amarelos de Vivi, ele apertou o chapéu contra si e respirou fundo. As memórias do dia bateram em sua cabeçinha como pedra. Yuu o abraçou para consolá-lo, e então se desculpou por tocar em um assunto delicado:
–Desculpa, eu não queria...
–T-tudo bem.- disse Vivi.
Ele fechou os olhos e por um momento ele voltou ao dia. Tudo estava calmo em sua vila, era noite e a lareira estava acesa, dando um brilho meio-avermelhado e amarelado para a sala de estar. Vivi, ainda criança, brincava com o livro de magias, tentando acender um pequeno palito de madeira. Sua mãe estava na cozinha, fazendo o jantar.
De repente, uma correria na cidade. Vivi ainda não entendia o que estava acontecendo, até que alguém bateu na porta. Ele levantou e foi correndo para atender, feliz. Ele gritava “Papai chegou! Papai chegou!”
Porém, ao abrir a porta, ele viu que quem estava lá não era seu pai. Era outra pessoa, acompanhada de dois soldados do império. A pessoa carregava o chapéu de mago de seu pai.
–C-cadê papai?- perguntou Vivi, confuso.
A pessoa suspirou e tirou o capuz de seu rosto, revelando ser o prefeito da cidade, vindo trazer as más notícias.
–Vivi, antes de tudo eu gostaria de dizer que seu pai foi um grande homem e que seu legado para sempre mudou esta cidade que antes sofria...- ele começou a discursar, com uma voz entristecida.
Vivi começou a tremer e apertou forte a madeira da porta, ele entendeu o que aconteceu, pois acontecera com várias outras pessoas. Alguém morreu, todos os dias alguém morria, e dessa vez foi alguém extremamente perto. Pela primeira vez, Vivi sentiu uma extrema pontada em seu coração. Seus olhos âmbar começaram a arder.
–...o seu pai para sempre será lembrado, e eu gostaria de poder entrar e falar com sua mãe, eu...
–PARE!- gritou Vivi, suas pernas tremendo, e forçando o rosto para não chorar, ele queria se mostrar maduro, como seu pai sempre foi, mas não conseguia se segurar.
O prefeito se ajoelhou e deu o chapéu para Vivi.
–Não chore. Seja forte. Tome, este foi o chapéu do seu pai, e para sempre esse chapéu lhe dará as forças dele. — o prefeito forçou um sorriso, numa tentativa de reconfortar o menino. Ele também estava triste com a morte de seu grande colega.
Vivi tomou o chapéu grande e largo em suas mãos. Ele o apertou com os dedos. A mãe de Vivi foi ver o que era a gritaria e então viu o prefeito á porta, reconfortando o menino. Ela começou a chorar também. O pequeno mago apertou o chapéu contra seu rosto, com os olhos ardendo, e o cheirou, e assim conseguiu um pouco de conforto, com o cheiro de seu recém-falecido pai...
A carruagem bate numa pequena pedra no chão e a mesma dá um pulo, fazendo Vivi bater de cabeça no teto e voltar á atualidade.
Estavam na metade do caminho para o castelo e já se podia ver o portão da cidade. O carroceiro grita para os passageiros, com sua fina voz de Moogle:
–Estamos chegando ao destino, Kupo!
O carroceiro moogle agita os Chocobos e eles andam um pouco mais rápido para chegarem ao portão.
Wedge suspira e sente o cheiro de comida; peixe, carne e legumes, vindos de algum lugar de dentro dos muros da cidade. Seu estômago começa a roncar, e ele exclama, para o susto de seus companheiros, acostumados com o silêncio da viagem:
–CARAMBA, QUE FOME!
Todos pulam para trás, assustados com a reação de Wedge.
–Nós vamos parar pra comer, não é?-ele logo perguntou, já sentindo água na boca. A carruagem finalmente para.
–Chegamos ao destino, Kupo!
A porta é aberta por um oficial do rei, vestido em trajes de gala, demonstrando a classe da monarquia para os recém-chegados. Ele reverencia os guerreiros da luz, e se apresenta.
–Eu sou o Duque Kosch Von Ronsenburg de Coneria. –disse o Duque, com sua voz grossa e morna.
Wedge desceu rapidamente da carruagem, quase atropelando o Duque, e ficou olhando na direção do cheiro de comida sendo feita, esfregando as mãos e lambendo os beiços. Um único pensamento em sua cabeça: COMIDA.
Kain sai da carruagem e faz uma reverência para o Duque.
–Sou Kain Sadler, este é Wedge, e os magos Vivi e Yuu.- apresentou Kain.
O Duque olhou para cada um dos guerreiros e deu um sorriso de ponta a ponta, feliz com a chegada dos grandes heróis.
–Estou com fome, teremos um banquete?- pergunta Wedge.
–WEDGE!- chama a atenção Kain, injuriado com a falta de modos do Ladino.
Kosch olhou para Wedge do pé a cabeça e apontou para seus trajes.
–Você é o ladrão do grupo, não?- perguntou o Duque, com um sorrisinho de escárnio.
–LADINO!- Exclamou Wedge, aborrecido com o Duque. Ele sabia que o representante real caçoava dele e o desprezava.
Kain se pôs entre os dois e os separou. Wedge cerrava os dentes de raiva e o Duque ria.
–Perdoe meus modos, vocês devem estar cansados da viagem. — desculpou-se o Duque, estendendo as mãos para Wedge. O ladino aperta as mãos relutantemente e com um olhar de desprezo.
– O Rei está doido para lhes dar as boas vindas, peguem suas coisas e vamos até o castelo!- exclamou o Duque, apontando para as caixas na carruagem.
Kain acenou com a cabeça e foi pegar as caixas. Vivi saiu na frente e pegou sua caixa, porém ela estava mais pesada que o normal, o que o fez cair da carruagem e estourar a caixa no chão, revelando que ela estava cheia de... TIJOLOS!
Todos levantaram uma sobrancelha e estranharam a caixa. Kain abriu outra caixa e viu que ela também estava cheia de tijolos. Uma a uma as caixas foram abertas e todas continham a mesma coisa: Tijolos, tijolos e mais tijolos.
–MALDIÇÃO!- esbravejou Kain, jogando com raiva uma das caixas no chão, estourando-a. Ele bufava de raiva e indignação: Sua armadura favorita estava perdida, sua espada feita especialmente para ele, e boa parte do ouro.
–Minhas coisinhas!- miou Yuu, entristecida e com as mãos no rosto, sentindo-se mais tristeza do que raiva. Todas as suas poções especiais que tinha feito com as poucas plantas que restavam em Melrond, desaparecidas.
Kain se virou para Wedge, aborrecido.
–Você disse que aqueles marinheiros eram de confiança!-gritou Kain, quase voando no pescoço dele.
O ladino abaixou a cabeça, sentindo-se culpado.
–Eles me foram tão bem recomendados... Eu não sabia que iriam nos roubar!- disse Wedge.
O Duque aproximou-se com um largo passo á frente e tentou remediar a situação e apressar a chegada dos heróis ao palácio:
–Guerreiros, guerreiros, escutem, acho que seria melhor se fôssemos direto o palácio. — sugere o Duque. Os heróis todos se entreolham e então Kain concorda com a cabeça, acenando positivamente. O Duque sorri e acena com uma mão em direção do castelo:
–Venham comigo!
Kain começa a seguir o Duque, seguido de Wedge, Yuu e Vivi. Kain, amargurado, vira para Wedge:
–Você tem muita sorte de termos concordado de estar com os cristais sempre ao nosso alcance.
O ladino abaixa a cabeça, sentindo um grande peso na consciência e remorso.
–Me desculpa, sério...
Kain responde com um olhar ranzinza e volta sua atenção para o Duque. Wedge engole em seco e fica acuado, como se ele tivesse levado toda a jornada por água abaixo.
Uma mão toca no ombro de Wedge. Era Yuu.
–Não fique assim, Wedge.- sorriu Yuu, reconfortando o Ladino –Todos nós cometemos erros.
Wedge sorri de volta, se sentindo melhor.
–Obrigado, Yuu.
O castelo era enorme e suntuoso, mas assim como a cidade, sofria com a nova era das trevas. Os guardas corriam de um lado para o outro, desesperadamente, mostrando uma ativa e acelerada atividade dentro do castelo. O Duque sorriu.
–Parece que a notícia da chegada de vocês está correndo o palácio, olhem como a guarda está se preparando para cumprimentá-los.
Um soldado, pálido e cheio de tremeliques, parou frente ao Duque, batendo continência. O Duque acenou com a cabeça e calmamente tirou a mão do soldado de sua testa.
–Tudo bem soldado, descanse e me conte o que foi. — sorriu o Duque.
–Meu deus, Duque Kosch, você não soube?- perguntou o soldado, indignado.
O Duque levantou uma sobrancelha e coçou a parte de trás da cabeça.
–Se eu soube o que, soldado?-sorriu nervosamente o Duque.
–Garland sequestrou a princesa e fugiu para o Santuário do Chaos ao noroeste daqui! Ele disse que só soltará a princesa se o Rei passar o trono para ele!- exclamou o soldado.
O Duque sorriu de ponta a ponta, como se tivesse escutado uma piada, depois seu sorriso passou para uma pequena risadinha e então para uma pura e honesta gargalhada.
Todos ficaram olhando estáticos para a reação do Duque Kosch, e o soldado ali, parado e incrédulo diante do Duque. O representante real então se recuperou e percebeu que era o único ali rindo.
–...Você está falando sério não é?- perguntou o Duque, com uma expressão de espanto.
Kain se aproximou do soldado.
–Espere um momento, soldado.- disse Kain, pegando o soldado pelo braço e olhando em seus olhos, -este é o Garland que estou pensando que é?
O soldado, ainda branco com a notícia, acenou positivamente com a cabeça.
Garland era conhecido no reino como um exímio espadachim e cavaleiro, um dos cavaleiros reais de Coneria e veterano de duas guerras. Era temido por amigos e inimigos e conhecido por ser extremamente arrogante e facilmente irritadiço, além de ter um vício por ciclos. Para ele, a vida, as guerras, tudo era um grande ciclo vicioso, tudo girava, em sua volta, claro.
Kain já havia encontrado Garland em batalha.

Ele se lembra do dia. Céus vermelhos como sangue, flechas e bolas de fogo cortando os céus, e lá estava ele, no topo de um pequeno morro, desafiando a todos em sua volta: Garland e sua icônica armadura de chifres e uma espada embebida com o sangue dos derrotados, seus corpos amontoados em volta do morro, jogados como bonecos de pano e fedendo á podridão e ao decaimento.
Kain estava cansado da batalha. Seus amigos todos morrendo sob os pés do poderoso e arrogante Garland, que levantava os braços no ar e girando sua espada, chamando os inimigos em volta para mais batalha.
–Mais uma! Mais uma!- chamava Garland, caçoando de seus inimigos caídos. Kain não se aguentou: Queria acabar com aquela arrogância de uma vez por todas. Ele correu morro acima e surpreendeu Garland por trás, que conseguiu se esquivar a tempo.
O cavaleiro do Chaos era bom, mas não era páreo para a astúcia de Kain. Os dois batalhavam como dois titãs, duas forças, bem e mal, até que...
Um grande flash de luz e o campo de batalha começou a ser massacrado por uma gigantesca parede de fogo, lambendo todo o campo e indo em direção do morro. Kain pulou para um lado e correu até uma vala, onde se atirou. Era um feitiço lançado por algum inimigo. Quando saiu da vala, Garland não estava mais no morro.
O Duque abriu os portões do hall de entrada do castelo e lá estava o Rei de Coneria em seu trono, chorando pela perda de sua filha, sozinho.
–Ó MAJESTADE, NÃO CHORES MAIS! Os guerreiros da luz chegaram!- anunciou o Duque Kosch, fazendo uma reverência e permitindo os guerreiros se aproximarem do Rei.
A majestade imediatamente parou de chorar e se levantou, de braços abertos, e começou a beijar a mão de cada um dos guerreiros. Yuu ficou vermelha, nunca pensaria que teria sua mão beijada por um Rei.
–Por favor... Eu preciso de vocês, nem minhas próprias tropas são páreo para Garland!- implorou o Rei, olhando para Kain.
–Precisaremos de armas e armaduras, nós fomos roubados em nossa viagem até aqui. — disse Kain, olhando para Wedge de rabo de olho, que por sua vez cruzou os braços e fingiu que não viu.
O Rei assentiu com a cabeça e gesticulou para um servente, que logo trouxe uma pequena bolsa de Gil.
–Vão e comprem o que precisarem das lojas de nossa cidade. — ordenou o Rei, estendendo o saco de Gil para Kain, que o aceitou com uma reverência e o deu para Wedge.
Os guerreiros então fazem uma última reverência ao Rei e saem.
–Partiremos imediatamente, majestade.- disse Kain.
Os guerreiros saem do castelo Real, e o Duque fecha o portão atrás deles.
–Eu espero que consigam. O destino do mundo está nas mãos deles. –revelou o Duque. O Rei assentiu com a cabeça.
O dono da loja de armas dormia, de bruços, em seu balcão. Wedge entrou na loja primeiro e se sentiu tentado em roubar uma das armas. Ele se aproximou de uma espada que estava na parede, tocou-a de leve com o dedo e então levou um pescotapa de Kain.
–Não.- disse Kain, rigidamente. Wedge abaixou a cabeça e se sentou num banquinho, deixando a sacola de dinheiro nas mãos de Kain.
O barulho das moedas de Gil batendo com força no balcão acordou o dono da loja, que pulou em sua cadeira.
–Oh! Boa tarde, em que posso ajudá-los?- perguntou o Lojista, que então bocejou. Vivi “pegou” o bocejo e também bocejou alto.
–Vou querer a melhor espada que tiver, a melhor armadura, dois cajados de madeira fina e se possível uma adaga.-pediu Kain, estendendo o dinheiro para o lojista.
O lojista pegou seus óculos de debaixo do balcão e testou o dinheiro para ver se era de verdade, mordendo a moeda de Gil e cheirando-a.
–Fiquem aqui, eu já volto. -disse o lojista, adentrando sua loja para pegar os itens.
Pouco tempo depois o lojista volta, junto de um assistente, um ferreiro barbudo, com os itens pedidos.
Um espadim, dois cajados, uma linda adaga artesanal e uma pequena armadura leve de madeira e metal.
Kain olhou com desdém para o espadim, empunhou-o e balançou algumas vezes no ar.
–O que é isto, uma espada pra mulheres?- ironizou Kain, colocando o espadim de volta no balcão.
Um mal estar se alastrou pela loja. O lojista abaixou a cabeça e o ferreiro se afastou de volta para os fundos da loja. Yuu puxou Kain de leve pela roupa, tentando lhe chamar a atenção.
–Qual seu problema?- sussurrou Yuu.
–D-desculpe senhor, mas infelizmente esta é a única espada que temos no momento... Podemos lhe preparar outra se quiser... — disse o lojista, entristecido.
Yuu pegou o espadim do balcão e entregou de novo para Kain, batendo-a de leve contra seu peito, fazendo Kain dar um passo para trás.
–O senhor vai usar essa espada sim, olha como é leve!- disse Yuu.
Kain pegou de novo a espada em punho e a guardou em sua cintura, e então pegou a armadura e a vestiu, enquanto os outros testavam suas novas armas.
Wedge ficou brincando com a faca com sua mão, batendo com ela por entre os dedos em uma sequencia rápida, até que ele acidentalmente fura o dedo médio. Ele solta um pequeno grito e pula pra trás, deixando a adaga cair no chão.
–Bem feito. –comentou Yuu, enquanto girava o bastão em sua frente, testando sua leveza. Vivi já estava pronto e de pé próximo à porta, esperando seus amigos terminarem as compras.
Kain fez um último aperto em sua armadura e já estava pronto para partir. O lojista contou as moedas de Gil uma a uma, por trás de seus olhos cansados por sua vez por trás de seus óculos de aro grosso. Ele devolveu o troco dentro da sacola para Kain, que pôs as moedas de Gil junto à cintura.
–Todos prontos?- perguntou Kain ao grupo, ao que todos responderam “Aye!”.
Saíram em fila da loja e partiram para os portões da cidade, com todos da cidade inteira aplaudindo os guerreiros da luz. O rumor da chegada deles havia chegado depressa na boca do povo, pela quantidade de pessoas que se formou nas ruas.
O rei assistia tudo da sacada de seu castelo. Ele sentia uma estranha sensação de emoção e luz perto dos guerreiros. A profecia estava correta: Os guerreiros haviam chegado para salvar a humanidade e a estabilidade do mundo de Magis...
O Chanceler logo apareceu e acompanhou também de longe a saída dos guerreiros em busca de Garland e a princesa.
–Eles são a nossa última esperança. — disse o Chanceler.
–Onde nós erramos, Chanceler? O que fizemos para Garland?- perguntou o Rei, cruzando os braços e olhando para o Chanceler com um olhar austero, para esconder suas lágrimas de emoção.
–Não posso dizer ao certo. Garland apenas enlouqueceu, mas encontramos livros em seu quarto... — respondeu o Chanceler, retirando um pequeno livro debaixo de seu manto e mostrando ao Rei.
O Rei pegou o livro em mãos e começou a folhea-lo. Vários círculos perfeitos desenhados á mão, a palavra “Chaos” repetida várias vezes e instruções complexas para magias negras e proibidas.
–Oh meu deus... O que é isso, Chanceler?- perguntou o Rei, entregando o livro de volta ás mãos do Chanceler, assustado e suando frio.
–É o diário de Garland, senhor. — respondeu o Chanceler, pegando o livro em mãos. –O que faremos com ele?
–Queime. É bruxaria proibida e ninguém mais pode deter tal conhecimento, tenho medo do que isso pode fazer... –disse o Rei, voltando seu olhar de volta para os portões, de onde os heróis já haviam saído.
Os quatro guerreiros partiram para Noroeste, passando pela pequena floresta em volta do reino de Coneria e então finalmente em uma vasta planície, sentindo a grama verde e alta entre seus pés.
Por um momento, para os nossos quatro heróis, o mundo não parecia tão hostil, a paisagem bonita, o som calmo do farfalhar da grama ao passar os pés, o som do silêncio...
–Quanto tempo vai demorar até chegarmos ao tal santuário do Chaos?- perguntou Vivi, ofegante e quase mancando. –meus pés estão me matando!
–Vivi tem razão, estamos andando faz duas horas!- disse Wedge.
Kain andou mais três passos e olhou para trás, vendo que os outros estavam cansados e que haviam se sentado.
–Nossa, a resistência de vocês é quase nula... –reclamou Kain, sentando-se junto aos outros.
Yuu se aborreceu, estava cansada da crescente arrogância de Kain. Ela se levantou e pôs o dedo na cara de Kain.
–Escute aqui seu pirracento, esta não é a sua história, é a história de todos nós, você está sendo arrogante com todo mundo desde nossa chegada em Coneria e isso já está me dando nos nervos!- ralhou Yuu para Kain, que ficou parado estarrecido.
Ela parou para respirar e continuou:
–E tem mais, qual o problema do seu espadim? Só porque você precisa de uma espada pra se mostrar como o mais forte você fica caçoando do pobre moço da loja? Essa sua atitude de líder arrogante tá me enchendo profundamente o saco!
Yuu parou de falar, estava vermelha e assustando a todos ao expressar-se numa explosão. Ninguém havia visto a Yuu com tanta raiva, até as veias do pescoço estavam latejando. Ela percebeu que estava assustando os outros e então sentou-se de volta ao chão, ainda um pouco emburrada.
–Desculpe, Yuu, mas... -disse Kain, empunhando o espadim para todos verem- esse espadim não é de meu tipo de luta.
–Mesmo assim, Kain, sua atitude arrogante não é algo de alguém que se diz guerreiro da luz. — disse Wedge.
–Nem mesmo a sua atitude de roubar as coisas, ladrão. — respondeu Kain.
De repente Wedge pulou em cima de Kain com a adaga em punho. Kain pulou para trás e se defendeu com o espadim. Yuu e Vivi caíram pra trás.
–Cruzes!- exclamou Vivi, puxando seu chapéu para baixo, para proteger-se.
A briga logo é cortada pelo som estridente de risadas maléficas e extremamente finas. Algo se movia por entre a grama alta e todos ficaram em alerta e de armas em punho. Vivi ficou na frente de Yuu e se preparou para tacar Fira em qualquer ameaça. Kain ficou na frente de Wedge.
O farfalhar de algo se movendo pela grama alta então subitamente parou, assim como os movimentos. De repente um grito fino e um vulto se jogou no ar, Vivi logo se virou e jogou aos céus:
–FIRA!- gritou, jogando uma bola de fogo no vulto, que então foi jogado pelo ar, em chamas, ao longe.
Outros dois vultos pularam da grama para frente dos guerreiros: Eram diabretes!
–Olha olha olha, são os tais guerreiros da luz.- ria e caçoava um dos diabretes, enquanto corria e circulava os guerreiros.
–Eles têm cheiro bom, e eu sinto cheiro de tecido também!- disse o outro, diabretes amam carne e tecido, ás vezes eles nem se importam de tirar a roupa de suas vítimas antes de comê-las.
Kain se arriscou e atacou um dos diabretes em movimento, impelindo com força seu espadim no diabrete, furando-o e matando-o.
Os diabretes gritaram de raiva, estavam perdendo rapidamente. Os guerreiros suavam frio, estavam cercados de vozes estranhas fazendo comentários raivosos e cercando-os, aproveitando a grama alta para se esconderem.
Mais um pequeno diabrete se tacou ao grupo, empunhando uma pequena faca feita de pedra polida, e faz um pequeno corte no braço de Wedge, fazendo-o sangrar. O Diabrete então correu de volta a grama alta, desviando de um golpe de cajado de Yuu.
–São muitos!- exclamou Yuu, cada vez mais assustada.
Vivi teve uma ideia e começou a preparar outra magia de Fira.
–Afastem-se, fiquem atrás de mim!- avisou Vivi, formando uma pequena bola de fogo com seu cajado.
Os guerreiros se colocaram atrás de Vivi, em formação, e então Vivi soltou a bola de fogo na grama alta, causando um pequeno incêndio que rapidamente começou a se alastrar.
–Agora CORRAM!- gritou Vivi, correndo em direção Noroeste. O grupo então saiu correndo, enquanto o fogo fazia os diabretes pularem de canto a canto, tentando fugir.
–Fogo! Fogo! Tá pegando fogo!- exclamavam os Diabretes, se dispersando para longe do grupo.
Mais uma pequena corrida e logo os heróis saíram da grama alta, chegando perto de uma floresta densa, formada por grandes árvores de carvalho. O grupo olhou para trás e viu que o fogo havia sido apagado pelos próprios diabretes.
–Voltarão atrás da gente?- perguntou Wedge, segurando sua ferida.
Yuu se aproximou e curou a ferida de Wedge com uma pequena magia. O Ladino agradeceu baixinho — obrigado.
–Acho que nós os assustamos o suficiente, não vão nos perseguir. –disse Vivi.
Kain tirou um mapa de pano do bolso e olhou para a parede árvores que dividia a Floresta da Planície. Logo à frente iriam enfrentar um pântano e então outra floresta até chegarem ao santuário do Chaos.
–Estamos chegando, só falta mais um pouco de caminhada. –disse Kain, olhando para o grupo atrás dele.
–Espere, Garland já fugiu nesta direção há um tempo, não?- perguntou Yuu.
–Sim, ele adentrou esta mesma floresta.- afirmou Kain.
–Veja se não tem alguma trilha. Provavelmente deve ter pegadas recentes.- disse Yuu.
Kain olhou de um lado para o outro, procurando uma trilha, e então viu uma pequena clareira logo a esquerda, de onde podia-se ver claramente uma trilha. Ele se aproximou e percebeu no chão os sinais de que Garland havia passado ali: Pegadas profundas, como se alguma pessoa pesada havia passado por ali. Também haviam plantas e galhos quebrados no chão.
–Muito bem Yuu!- agradeceu Kain, que então fez um sinal para todos o acompanharem.
A Floresta era longa e escura. Vivi tremia de medo e trazia consigo uma pequena lanterninha, um cubo de vidro com um pequeno feitiço de fogo dentro, alimentado por uma vela. Ele levantava a Lanterninha acima do grupo usando seu cajado. Ao que o grupo adentrava a floresta, eles achavam sequoias, carvalhos altos e lindas árvores, com seus altos galhos que com suas folhas ajudavam a mascarar a luz do dia, deixando o ambiente escuro e frio.
Finalmente chegaram a uma pequena passagem de onde se podia ver uma luz no fim: Estavam chegando ao fim da floresta, após longas horas de trilha!
Vivi apagou a lanterna e o grupo saiu da Floresta, e perceberam o sol se pondo por trás da montanha ao oeste.
–Está anoitecendo, temos de nos apressar!- exclamou Yuu.
Wedge se encostou numa pedra e cruzou os braços.
–Não é melhor nós arrumarmos acampamento aqui e dormirmos? Ainda temos um pântano e outra floresta pela frente, melhor não arriscar cruzar isso tudo de noite!
–E estamos cansados!- disse Vivi, irritado e massageando os próprios pés.
Yuu levantou uma sobrancelha.
–Mas gente, a princesa! Ela está lá com aquele homem mau e cada hora que passa é crucial! Temos de nos apressar!
Kain pensou por um tempo e acenou positivamente para Yuu.
–Ela tem razão. Não podemos parar. Não agora. — disse, andando em direção ao pântano.
Wedge e Vivi pensaram em protestar, mas Kain já estava com lama até os joelhos quando virou para trás:
–Vamos! Temos a lanterna de Vivi conosco, não será tão ruim quanto a floresta que acabamos de passar!
Os dois concordaram e seguiram Kain. Vivi levantou sua lanterna no ar de novo e entrou no lodo do pântano, fazendo cara de asco.
Wedge estava prestes a entrar no pântano quando Yuu o cutucou por trás.
–Me carrega nas costas?- perguntou Yuu, sem graça.
–O quê?!- exclamou Wedge, levantando uma sobrancelha.
–Olha pra mim bobo, eu com esse vestido branco vou entrar num lamaçal desses? Nem que me paguem!- Reclamou Yuu, balançando o vestido já um pouco sujo.
Wedge fez um sorrisinho sacana e deu as costas para Yuu subir.
–Vá em frente.
Yuu subiu e ficou presa nas costas de Wedge. Ele andou três passos dentro do pântano, dando segurança para Yuu.
–Viu, sem muitos problemas!- disse Yuu para Wedge, brincando com a bandana do Ladino.
Wedge sorriu e então se jogou para trás, fazendo com que Yuu dê um grito ao se encontrar caindo na Lama suja do pântano.
O ladino gargalhava, todo sujo assim como Yuu, enquanto Yuu choramingava pela perda total da brancura de seu vestido favorito.
–Seu... BOBO!- reclamou Yuu, jogando lama na cara de Wedge.
Kain se aborreceu e soltou um assobio alto, chamando a atenção dos dois.
–As crianças podem parar de brincar AGORA e vamos continuar?
Wedge acenou com a cabeça e se levantou, dando a mão para Yuu se levantar. A mesma pega a mão do Ladino e o joga dentro da lama, correndo em direção do resto do grupo logo em seguida.
O grupo então finalmente se alinhou e começou a cruzar o longo pântano, aguentando o cheiro do lodo e dando pequenas paradas para descansar. Rapidamente chegaram aos pés de mais uma floresta.
Enquanto isso, no Santuário do Chaos, Garland andava de um lado para o outro, num perfeito ciclo, enquanto a Princesa, presa em correntes, era maltratada com morcegos hematófagos, que pousavam nela e sugavam seu sangue, aos protestos e aos gritos de dor da mesma, que nada mais podia fazer. Ao que o sol se punha o santuário ficava mais escuro, para o desespero da Princesa. Garland resolveu se alimentar do medo da pobre moça.
–Sim... Se o Rei não mandar logo uma mensagem, sabe o que vai acontecer, Princesa? Esses morcegos todos vão sugar cada gota do teu sangue e te matarão. Você vai morrer porque o Rei tem medo de mim. Ele sabe que é fraco, sabe que nenhuma de suas tropas irão conseguir me derrotar então sabe o que ele vai mandar pra cá? Um mensageiro, trazendo em minhas mãos a coroa real e eu irei usar dos exércitos e da força de seu Reino para causar o completo caos pelo mundo de Magis... E nada vai impedir meu sucesso.
A Princesa começou a chorar, tentava se ajoelhar, mas as correntes em seus braços não deixavam. Estava cansada, cheia de feridas causadas pelos morcegos e com medo. Ela sabia que iria morrer.
–Assistir sua morte, princesa, será um grande deleite para mim. — concluiu Garland, sentando-se em frente à Princesa.
A lua já estava cheia de graça sob o céu escuro e sem estrelas quando nossos heróis chegaram aos pés do santuário. O grande portão do lugar estava aberto à força, correntes enferrujadas caídas no chão e a porta de madeira já fraca caída em pedaços sob o chão, como se o local estivesse fechado por milhares de anos e foi recentemente aberto com força.
–Escute! É o som de alguém chorando. — constatou Yuu.
Kain sacou seu espadim e foi seguindo o estreito corredor, adentrando as ruínas do santuário, seguindo o choro, até que chegou a uma porta entreaberta, de onde saia um pequeno feixe de luz. Imediatamente todos sacaram suas armas. O guerreiro abriu a porta cuidadosamente e viu Garland em frente à princesa, cantando e murmurando algo numa língua estranha.
–Garland! Somos os quatro guerreiros da luz, estamos aqui para resgatar a princesa. –anunciou Kain.
O guerreiro do caos virou-se para trás, sorrindo por de trás de seu grande capacete de chifres. A visão de Garland, gigante e com uma estranha aura de escuridão em sua volta, causou um grande mal-estar no grupo. Kain sentiu medo pela segunda vez em sua vida.
–É melhor se render, tropas imperiais estão esperando lá fora!- blefou Kain, com a espada em punho e colocando-se numa posição defensiva.
Garland começou a rir alto.
–SOLTE A PRINCESA!- gritou Kain, irritando-se e amedrontando-se com a tenebrosa risada de Garland.
–NINGUÉM toca em MINHA princesa. GUERREIROS DA LUZ? Seus tolos impertinentes, eu, Garland, irei derrotar todos vocês. –Disse Garland, sacando de sua grande espada e avançando em direção de Kain.
Os dois guerreiros começam a batalhar como batalharam antes, anos atrás. Garland não havia reconhecido Kain até então: O modo de combate, a força e a disciplina, o modo de como ele conseguia desviar até dos golpes mais imprevisíveis...
–Eu te conheço... –murmurou Garland.
Yuu aproveitou a distração da luta para soltar a princesa junto de Wedge e curar as feridas da mesma. Quando Garland virou para trás e se deu conta do desaparecimento da princesa, ele urrou e começou a ficar mais violento em seus golpes, até que conseguiu quebrar o espadim de Kain em dois, para o espanto do guerreiro.
–Você é história. — sorriu Garland, chutando Kain para trás e levantando sua espada no ar, preparando-se para o golpe final, até que de repente ele sente uma estranha queimação e um frio intenso em suas mãos. Ele olha para cima e vê que Vivi havia congelado as mãos de Garland em um bloco de gelo.
–Não, VOCÊ é história. –retrucou Kain, levantando-se e chutando Garland para trás jogando os dois pés no peito do guerreiro do caos. Ele caiu no chão e as mãos congeladas quebraram no chão.
Garland começou a engatinhar no chão, enquanto uma pequena aura começou a se formar em volta dele.
–O que faremos com ele?- perguntou Wedge, carregando a princesa em seus braços.
–Acho justo levarmos ele de volta para Coneria. Sem as mãos ele não pode fazer muito mal. O que é de um espadachim sem as mãos?- ironizou Kain, botando o pé em cima de Garland, posando como um caçador ostentando sua caça.
De repente, um “flash” de luz negra tomou conta da sala e Garland desapareceu sob os pés de Kain, que tropeçou para frente com a ausência de Garland em seu pé.
–O que aconteceu?- perguntou Kain, confuso.
–Ele deve ter se teletransportado para outro lugar! Uma magia!- exclamou Wedge, carregando a princesa para a porta.
–N-n-não... — murmurou a princesa. Todos pararam para ouvi-la.
A princesa tentou se colocar de pé e então caiu de joelhos no chão. Ela não conseguia se mexer e nem falar direito, mas murmurou algumas palavras no ouvido de Wedge.
–Ciclo... Magia proibida... Ele usou o... cristal...- então ela desmaiou.
Todos se aproximaram, Yuu verificou os sinais vitais da princesa: Ela estava quase morrendo.
–Precisamos voltar para o castelo urgente. Lá teremos o equipamento necessário para tratá-la.- disse Yuu.
Yuu pegou a Princesa pelos pés e Wedge pelos braços e todos saíram do santuário.
Para a surpresa de Kain, seu blefe estava certo: Uma tropa de soldados, montados em chocobos e armados, havia acabado de chegar para dar reforços aos quatro guerreiros. Entre eles o Duque Kosch, que ao ver a princesa desceu de seu Chocobo para acudi-la. Yuu conta ao Duque o que estava sendo feito com a Princesa Sarah, o que o deixou chocado.
–Eu já tratei das feridas de morcego que fizeram nela, mas ela perdeu muito sangue. Deve levá-la ao castelo imediatemente!- avisou Yuu.
O Duque Kosch amarrou a Princesa em seu chocobo e os guerreiros pegaram carona junto dos outros soldados, e todos partiram em conjunto para a cidade.
–O que fez com que vocês demorassem tanto?- perguntou Kain, indignado — vocês poderiam ter nos mandado chocobos antes!
O Duque virou para trás e respondeu:
–Enquanto vocês estavam fora nós precisamos da força da cavalaria para deter alguns revoltosos que tentavam se aproveitar do momento de fraqueza do Rei para tentar matá-lo. O castelo real quase foi invadido!
–Não é possível!- exclamou Kain.
Enquanto isso, sem nossos heróis saberem, um grande portal se forma, séculos atrás, no santuário do caos...

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