Final Boy
4 Cicatrizes
Parte 1
—Ele está se movendo rápido! É bem provável que esteja fugindo de alguém! –Disse Brand ao olhar o celular e ver um ponto verde movendo-se rápido, indicando ser Parker-.
Liam caminhava ao lado de Brand sem esboçar reações intensas.
—Atenção pessoal, Parker está no 2F do prédio 3, esse é o prédio dos laboratórios. –Dizia Dylan através dos comunicadores implantados no ouvido de Brand e Liam-.
—Precisamos alcança-lo! –Disse Brand preparando-se para correr-.
—Espere. –Liam se manifestou. –Vamos aguardar um pouco. –Falou calmamente-.
—Como é?! –Brand questionou alterado-.
—Ele tem um plano...
—Como você sabe?!
—É só um palpite. –Deu uma pausa olhando para o prédio apontado por Dylan.
Brand nunca tinha visto a sua dupla de trabalho agir desta forma. Não é como se ele estivesse ignorando Parker, mas sim como se estivesse confiando nele. O que definitivamente não lhe agradou nada.
—Eu não tenho que ouvi-lo! Se quiser esperar, beleza, eu posso resolver isso sozinho! –Tinha tomado a decisão de deixar Liam, contudo percebeu que tinha companhia. –Merda, mais essa agora!
Quatro mascarados encapuzados surgiram cercando Brand e Liam e todos eles portavam armas de fogo.
Quando começaram a atirar, Brand, com seus reflexos rápidos, cuidou de desviar com inúmeras acrobacias e ainda no ar sacou sua arma de mão acertando a perna de um deles. O outro, antes mesmo que pudesse atirar em Brand, teve seu rosto pisado assim que Brand aterrissou depois de ter pulado tão alto.
Liam por sua vez, utilizou movimentos mais sutis. Antes que um deles pudesse atirar na sua direção, com a sua arma de mão, acertou o cano da arma que mirava nele, fazendo-a entupir e travar. No próximo movimento, ainda de costa, antecipou-se disparando dois tiros. Um foi na direção da arma do último inimigo que ficou de pé, fazendo com que a arma dele saísse de sua posse e a outra bala foi em direção a arma de Brand, desarmando-o.
—Sem matar... –Disse Liam, parando os impulsos do ruivo-.
—Esses merdas são nazistas! –Gritou-.
—E você se tornaria um assassino como eles. –Deixou Brand sem palavras. Calado ele apenas engolia a raiva. –Dylan, peça para a equipe Alpha vim até a nossa localização.
—Certo! –Confirmou Dylan-.
—Nem pensem... –Liam percebeu que um deles estava prestes a tentar alcançar uma das armas que estava no chão. Seu tom frio e ameaçador o intimidou na hora-.
—O sinal de Parker parou de se mover. –Brand olhava o celular. –Eu vou na frente!
Saiu correndo deixando o parceiro para trás. Para Liam, essa reação precipitada já era esperada, enquanto esperava a outra equipe, apenas observou-o se afastar.
—Droga! O sinal começou a se mover de novo! –Brand corria tentando alcançar Parker. –Que diabos você ta fazendo, Parker?!
—Brand, Parker está se movendo pelas escadas! –Comunicou Dylan-.
—Valeu! –Tratou de correr na direção apontada -.
Quando a outra equipe tática recolheu os inimigos capturados, enquanto eles distanciavam-se, Liam começou a refletir a respeito algumas coisas, principalmente no que referia-se a Parker.
Flashback
—Em pensar que há alguns dias atrás eu levava uma vida normal... –Parker pensava em voz alta, enquanto fumava pela janela da sala de Liam. Como era uma janela ampla, sentava-se na beirada, equilibrando-se nas laterais-.
Com os seus óculos, Liam lia um livro sobre direito penal, enquanto escutava as reflexões de Parker. Sem o laquê nos cabelos, seu cabelo agora estava caído para frente, quase alcançando os olhos. Totalmente diferente do que se via quando usava os cabelos penteados para trás.
Quando Parker cogitou em acender um segundo cigarro, Liam fechou o livro, tirou os óculos e foi até ele segurando o resto do copo de água que tomava.
—Isso ainda vai te matar... –Tomou-lhe o cigarro da mão e afundou no copo de água-.
—O cheiro o incomoda?
—Sim. –Foi sincero. –Mas ver alguém suicidando-se é pior...
—Espero que você não tente reutilizar esse copo. –Parker observou a bituca de cigarro afundada-.
—Hum... O ecossistema se encontra demasiadamente poluído, não serei mais um a contribuir com isso. –Tentou explicar a razão de ter preferido afundar o cigarro no copo ao invés de jogar pela janela -.
Parker começou a rir de tal forma que por um momento desequilibrou-se. No impulso, Liam puxou-o, trazendo-o para os seus braços, fazendo Parker esbarrar com a cabeça em seu peitoral semi-coberto pela camiseta.
Parker se recompôs, e em seguida pigarreou numa tentativa de limpar a garganta.
—O ecossistema, huh?
Fim do Flashback
Parker era louco e impulsivo, não como Brand claro, era um impulsivo altruísta... Era uma das pessoas mais corajosas que conhecera.
Mesmo tendo perdido um amigo tão importante, arranjou tempo para cuidar do filho órfão, organizar seu enterro, empacotar suas coisas e investigar um caso sozinho. Para Liam, Parker era digno de admiração. “Talvez o momento de agir seja agora”, pensou ao ver o sinal de Parker parando novamente. Então seguiu em frente.
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—Vocês me pegaram... –Respondeu Parker sorrindo quando se viu encurralado no estacionamento da universidade por dois encapuzados. O que segurava-o era mais baixo e menos robusto em comparação ao outro que estava a sua frente pronto para soca-lo, fazendo Parker tossir. –É a primeira vez que vocês conseguem tocar em mim. –Parker riu. –Apenas uma curiosidade... Vocês são mudos?
—Já que você irá morrer mesmo... –O homem que socou Parker, tirou a máscara e a túnica com capuz jogando-a no chão, revelando sua identidade. Era loiro, usava calça jeans e camisa de time de futebol-.
—Mas é claro que tinha que ser um riquinho mimado que não tem nada para fazer. Michael Jayden... Fracassado jogador de futebol, namorador de líderes de torcida e péssimo aluno que suborna professores para passar. –Completou com um sorriso sarcástico-.
—Nosso mestre estava começando a perder a paciência. Você foi um pé no saco pra gente.
—Eu sei que sim... Ele enganou todo mundo, ninguém nunca desconfiaria.
—Espera... Você sabe de quem estou falando? –Questionou Michael.
—O que a gente faz? –As mãos que seguravam Parker tremiam-.
—Surpresos? –Parker riu-.
—Se papai e mamãe souberem...
—Calaboca, Micah! –Gritou. –Vou avisar ao mestre que ele corre perigo! Segure ele! –Ordenava, enquanto discava no celular. Quando ia apertar o verde para completar a ligação, viu Parker desmaiar, interrompendo a ligação para checa-lo. –O que esse idiota tem?! Deita ele no chão! –andou até ele. –Vê se ele ta respirando, quero ele vivo!
Cumprindo o que Michael mandou, Micah posicionou Parker no chão e tentou sentir a sua respiração, mas ao aproximar o rosto, recebeu uma forte carga elétrica da sua arma de eletrochoque escondida no bolso. Rapidamente levantou-se e sacou a arma de fogo achada previamente em um dos quartos da universidade.
—Talvez essa arma seja sua. –Sorriu apontando. –Agora jogue esse celular sem tentar nenhuma gracinha. –Michael obedeceu, jogando o celular para Parker. Na tela do celular, constava o número que Michael queria ligar e imediatamente Parker tratou de completar a ligação apertando a tecla de discar. Ele esperou até finalmente alguém atender, ficando chocado ao ouvir a voz do outro lado. Distraído, foi derrubado no chão por Micah que agarrou sua perna bruscamente, fazendo cair no chão e bater a cabeça na extremidade de uma pedra. O impacto forte fez Parker desmaiar. Por ordem do mestre de Michael, ele o despiu e tirou todos os seus utensílios, só para se precaver dos truques do garoto e se também não tinha nada que pudesse localizá-lo.
Michael aproximou-se e pegou o celular.
—Mestre...-Escutou a voz do outro lado. –Sim, eu sei que fui estúpido... –Deu uma pausa. –Tudo bem, vou leva-lo imediatamente.
Quando Brand saiu pela porta e guiado por Dylan correu até o estacionamento, avistou de longe Parker sendo jogado no porta mala de um carro e levado.
—PARKER! –Gritou Brand correndo, porém era tarde demais, os criminosos já tinham dado partida no carro e partiram em grande velocidade. Minutos depois, Liam chegou. –Seu filho de uma puta! –Deu-lhe um soco-.
Liam poderia ter parado o movimento de Brand facilmente, mas ele mesmo permitiu que o parceiro expressasse sua agressividade. Os dois olharam para o celular e perceberam que o pontinho que identificava Parker, agora mantinha-se parado, mesmo com ele longe do estacionamento.
Parte 2
—O que vamos fazer?! –Dylan se encontrava aos prantos, não conseguia parar de chorar-.
—A culpa é desse idiota! Eu falei para irmos ao encontro de Parker, mas não, ele sugeriu para que esperássemos. Porra, Porra! Quem o fez líder?! –Gritou Brand. –Quais são as chances de encontra-lo imediatamente, Eva...?
—É difícil dizer... –Bebia seu café. –Mas já contactei uma equipe de busca. Nesses casos, as primeiras 24h são cruciais, depois disso, as chances de sobrevivência da vítima se reduzem muito... –Dylan não se conteve e deitou no ombro de Brand que o abraçou. –MAS! –Deu mais uma golada no café. –Isso não se aplica a Parker, as habilidades de sobrevivência dele mostraram-se surpreendentes. –Completou-.
Por fora Liam parecia calmo, contudo por dentro, sentia-se temeroso. Raramente misturava emoções com trabalho, contudo, não se tratava mais apenas de um trabalho.
Flashback
A noite, quando Liam chegou em casa, encontrou Parker adormecido em sua cama. Estava frio, por isso tratou de pegar um lençol para cobri-lo.
Mais tarde ao acordar, flagrou Liam se servindo de uma dose de Whisky, enquanto olhava uma foto. Com a percepção do agente diminuída por causa da bebida, Parker conseguiu se aproximar sem que ele desse conta.
—Quem é essa? –Parker observou a foto da garota que ele olhava-.
—Ninguém... –Imediatamente guardou a foto dentro de um dos seus livros-.
—Uma antiga namorada? –Questionou com um sorriso no rosto-.
—Vamos deixar as coisas clara, Reichert... Você é um trabalho, minha vida pessoal não o interessa. –Cortou o papo, mas falou calmamente enquanto guardava o livro na estante-.
Parker se aproximou
—Eu imagino que você nem sempre tenha sido como é hoje... Quando as marcas da morte nos acompanham, não há outra opção a não ser seguir em frente, certo? –Relembrou a frase dele-.
—Isso ficou pessoal... Eu pedirei a Eva para remanejar você para outro agente-.
—Você tem toda razão... –Pausou. –Ficou pessoal. –Completou-.
—Se estiver com fome, tem sushi na geladeira... –Levantou-se da cadeira-.
—Na verdade... Preciso dar uma saída...
—Sinto muito, mas não posso acompanha-lo. Se sair, vai estar por sua conta. –Recolheu uma toalha dentro do armário-.
—Eu não posso viver trancafiado, não temos ideia quando tudo isso vai acabar. Agradeço tudo que tem feito por mim, mas mesmo com medo, eu decidi viver a vida e não apenas sobreviver.
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Sozinho e de mala, Parker andava pelas ruas pela noite chuvosa. Queria manter os seus pensamentos no caso, mas não conseguia parar de pensar em Liam. Por que não conseguia parar de pensar nele? Por trás daquela carapaça, descobriu que ele era um ser humano incrível. Poderia negar como quiser, mas a verdade é que estava se apaixonando por ele. “Eu devo ser muito carente mesmo”, pensou enquanto ria de si mesmo.
“Parker!”, até ouvia a voz dele. Delírio? “Parker!”. Não, não era. Era Liam chamando-o. Virou e não conseguia crer. Mas é claro que ele não iria abandonar sua missão. Viu Liam correndo e o aguardou.
—Liam... Você vai pegar um resfriado!
—Você também! –Sorriu-.
Parker não conseguia acreditar. Liam sorrindo? Quase tão chocante quanto a existência de nazistas assassinos em Greenhill. Ficou paralisado e a medida que Liam chegava seu corpo mais perto do dele, começava a tremer. De repente, era um beijo. A mala largada devido ao enfraquecimento breve das mãos não importava. O frio da chuva deu lugar a troca de calor dos corpos e roçar dos lábios.
Parker nunca imaginou que chegaria dormir com Liam na mesma cama. Liam dormia no sofá e Parker na cama. A cama de solteiro era pequena para os dois e foi uma bela desculpa para dormirem abraçadinhos. Parker não era um agente treinado e fisicamente forte o suficiente para protegê-lo, contudo de alguma forma, encontrou uma situação em que pudesse fazer isso. Com Liam encostando a cabeça em seu ombro, Parker apenas o abraçou.
Pela manhã quando Liam acordou, encontrou uma carta de Parker.
“O álcool às vezes traz a tona o melhor das pessoas, não é?” –Nesse momento Liam imaginava Parker sorrindo , fazendo esse comentário de um jeito engraçado que só ele sabia fazer. Com nuvens de imaginação se desfazendo como poeira, Liam voltou a ler a carta-.
“Não posso ficar... Você tinha razão, ficou pessoal demais, pelo menos para mim. Eu queria que as coisas fossem diferentes. As vezes nem nos damos conta que algo mudou. Acha que você é você, e sua vida ainda é sua vida, mas um dia você acorda e olha ao seu redor e não reconhece mais nada… Nada mesmo¹. Quando as marcas da morte nos acompanham, nunca mais somos os mesmos, a possibilidade de retornamos ao que éramos antes... É nula”.
Fim do Flashback
—No momento certo, ele enviará um sinal. –Disse Liam, enquanto caminhava em direção a porta-.
—Liam! –Eva o chamou, mas só o que teve foi uma porta batida na cara-.
—Cara idiota! –Comentou Brand-.
—O que vamos fazer? –A voz de Dylan estava um pouco menos chorosa-.
—Como eu já disse... Agora está por conta da equipe de busca. –Respondeu Eva.-
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Ainda desacordado, Parker foi retirado do porta mala. O local que estacionaram era em frente a uma catedral antiga e isolada. O chão era de asfalto envelhecido e mais a frente havia uma estrada de barro.
Quando Michael recolheu o corpo de Parker e jogou-o no chão, sentiu desgosto de si mesmo.
—Não acredito que alguém tão magrelo deu tanto trabalho assim. –Cuspiu nele. –Algeme e leve-o até o mestre! –Espera... –Olhou-o. –Arranje vestes para ele, não quero que o mestre veja-o nesse estado deplorável! –Ordenou-.
—Com o que? –Perguntou o subordinado dele-.
—Ponha a cabeça para funcionar, Micah! Pega a sua túnica e põe nele! –Ordenou, enquanto acendia um cigarro-.
Obedecendo as ordens, Micah despiu as túnicas ficando com suas roupas normais. Era um garoto que parecia estar no ensino médio, franzino de cabelos loiros espetados, com sardas espalhadas no rosto, parecia ter no máximo 17 anos.
Michael se preparava para abrir a porta e dar as boas notícias para o seu mestre, até ouvir um grito. Quando olhou, viu Micah caído no chão.
—MICAH! –Correu até ele. Mas assim que notou o sumiço de Parker, teve o foco da sua atenção desviada. Repentinamente sentiu a pressão de algo prendendo a sua perna e puxando-o para baixo. Perdendo o equilíbrio caiu de rosto no chão. Ao virar viu Parker agachado atrás do carro esperando a hora certa. Michael Olhou para Parker e viu que além da túnica e capuz, ele também estava mascarado-.
Parker levantou-se e antes que Michael tentasse revidar, deu-lhe um chute no saco, criando a oportunidade de pegar a arma de fogo na posse dele.
—Como se sente nessa inversão de papéis? –Tirou a máscara, enquanto apontava a pistola-.
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Os olhos de Liam saltaram quando olhou para o seu celular. Era um número estranho, mas pelo conteúdo da mensagem, definitivamente era Parker. Ele confiava na inteligência de Parker.
—Dylan... –Abriu a porta chamando-o calmamente. –Preciso que você rastreie a localização do aparelho dessa mensagem.
—Parker?! –Eva, Dylan e Brand tiveram a mesma reação-.
—Claro, me dá logo isso aqui! –Dylan praticamente tomou o celular de Liam-.
—Huh... –Brand olhou o celular. –Mas por que ele mandaria apenas no seu celular? –Ficou decepcionado quando não viu mensagem nova-.
—Não é hora para isso, Brand! –Disse Eva, cortando-o-.
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—Acabou, Joseph... –Dentro da catedral, Parker apontava a arma para o reitor da universidade, pai de Cindy, sogro de Adam, avô de Aaron e assassino de todos eles-.
—"Meus sentimentos, como Cristão, mostram-me meu Deus e Salvador como um lutador. Como Cristão, eu tenho o dever de ser um guerreiro pela justiça e verdade”. Adolph Hitler. –Citou Joseph ainda de costas para Parker-.
—Como você pode ter feito aquilo?! –Enfurecido Parker caminhava até ele-.
—Minha querida universidade... Um berço que concebeu diversas personalidades arianas... Agora contaminada por esse bando de judeus, negros, viados... –Virou-se para Parker e lágrimas diversas escorriam pelos seus olhos. Estava delirando-.
—Você é doente! –Parker começou a chorar de ódio, a mão que apontava a arma para ele tremia. –Droga! –Disparou um tiro, contudo apesar da vontade de acertar Joseph, não era um assassino como ele. Errou propositadamente e acertou o imenso quadro de Adolf Hitler atrás dele-.
—Tiros!
Gritou Eva armada em meio a uma equipe tática que também contava com Brand e Liam. A equipe tática tinha sido subdividida em duas partes. A equipe de Eva, Liam e Brand encarregaram-se de invadir a catedral e a outra de checar o perímetro do lado de fora.
Eva fez um sinal para que Brand abrisse a porta da catedral enquanto ela e Liam ficavam na retaguarda.
—Polícia! –Gritou Brand-.
Ao entrarem depararam-se com Parker chorando enfurecido batendo em Joseph com o cano da pistola. As pancadas pareciam fortes e apenas mais algumas seriam suficientes para causar hemorragias internas.
Quando Brand pensou em ir até ele, Liam antecipou-se e correu na frente. Lentamente envolveu sua mão na de Parker para não assustá-lo, pois sabia qualquer movimento brusco poderia assustá-lo. Era perigoso Quando o garoto acalmou-se, tratou de abraça-lo.
—Acabou Parker. –Abraçava-o forte-.
Brand observava tudo. No primeiro momento quase foi impulsionado pela raiva a fazer uma cena, contudo se controlou e tomou uma atitude que raramente faz... Pensar. Percebeu que não tinha sido Parker que tinha dificultado as coisas. No final ele entendeu a mensagem que Parker quis passar para ele: O importante é amar, apenas amar, sem tentar definir formas e meios para isso. Brand virou as costas para a situação, mas não foi para fugir, mas sim para seguir em frente.
Em frente a catedral furgões e helicópteros da mídia já estavam posicionados para transmitir o ocorrido no horário nobre televisivo. Não se sabe como eles ficaram sabendo, contudo a história de um reitor nazista que assassinou a família e causou o desaparecimento de diversos alunos virou notícia nacional e internacional. No momento, maiores detalhes não poderiam ser informados, pois o local tinha isolado pela polícia com uma fita.
Os irmãos Micah e Michael foram encontrados no porta mala do carro e apreendidos. Quando Eva viu, começou a rir.
—Parker...
—Brand! –Chamou Dylan, saindo de uma viatura-.
Brand acenou e ao se aproximar do garoto, abraçou-o.
—O Parker ta bem? –Perguntou retribuindo o abraço-.
Brand apenas balançou a cabeça afirmando positivamente.
—Preciso dormir... –Deitou a cabeça no ombro de Dylan, fechando os olhos-.
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3 dias depois
—Seus talentos para investigação me surpreenderam... Existe um lugar feito especialmente para você aqui, Parker. –Dizia Eva, enquanto apreciava o seu café confortavelmente no gabinete de seu escritório-.
—Eu agradeço o convite, mas não é o que eu planejei para minha vida. –Sorriu para ela. –E você? Encontrou o seu lugar no mundo? –Parker dirigiu-se a Dylan lhe fazendo um cafuné-.
—É o que eu pretendo descobrir. –Respondeu sorrindo-.
—Bem... –Levantou-se. –Preciso pegar a minha mala.
—Para onde você vai viajar mesmo?
—Itália. –Imaginava como seria a viagem e sorria feliz-.
—Parker! –Eva o chamou após olhar o seu celular-.
—Huh...? –Olhou-a aguardando pelo que ela tinha a dizer-.
—Eu tenho uma surpresa! –Levantou e correu até a porta. Devido ao salto alto, corria de uma forma engraçada, o que fez Dylan e Parker rir-.
—Quando Parker olhou a surpresa passando através da porta, levantou-se imediatamente.
—Mas como? –Pôs a mão trêmula na boca. Cindy estava viva. Foi um momento feliz, mas ao mesmo tempo triste, a garota que finalmente tinha visto um rosto familiar e amigável, correu chorando para abraça-lo-.
Aproveitando o momento de privacidade cedido por Eva, Parker e Cindy conversavam a sós a respeito de tudo que aconteceu.
—Eu sinto tanto por tudo que aconteceu, Cindy...
—Você salvou o meu filho! Em poucas horas vou conseguir vê-lo. –Disse abraçando-o. –Se não fosse por você... Eu perderia os dois! –Derrubou algumas lágrimas-.
—Sei que não é a pergunta mais oportuna, mas como você sobreviveu?
—Na noite da festa, eu e meu pai discutimos. Ele nunca concordou com o meu casamento e quando soube que na festa de aniversário de Aaron, haveria vários familiares de Adam... –Deu uma pausa. –Perdeu a cabeça. Então ele praticamente me sequestrou... Quando eu vi o chalé explodir, desejei estar morta... –Deu uma segunda pausa. –Eu não sou mais uma Schultz, a partir de agora serei sempre a senhora Kriger. –Sorriu emocionada-.
Parker segurou a mão de Cindy e abraçou-a em seguida.
—Dá um beijo no Aaron por mim. –Sorriu-.
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Encostado na parede da porta da agência, Brand aguardava o momento da saída de Parker.
—Parker... –Olhou-o hesitando-.
—Brand... –Surpreendeu-se-.
—Me perdoe! –Elevou o tom de voz quase gritando-.
—Está tudo bem. –Sorriu. –Porém...! –Sua expressão ficou séria, preocupando Brand. –Seja bom pro Dylan. –Sorriu-.
Brand sorriu de volta e o abraçou rapidamente
—Boa viagem!
Após tantas despedidas, “ufa” era a palavra que se passava na cabeça de Parker por ter conseguido resistir a tentação de ficar. Em meio a essa loucura conheceu pessoas incríveis. Sentiu vontade de aceitar o convite de Eva, admitiu para si mesmo.
Enquanto esperava o táxi passar, deparou-se com Liam parando o carro na sua frente, deixando Parker surpreso.
—Nós combinamos que você não me veria partir. –Disse Parker inclinando-se na janela dianteira do carona. Seus batimentos cardíacos estavam a mil por hora-.
—Hum... Como suas roupas estavam todas lá em casa, tomei a liberdade de fazer a sua mala e você está atrasado. –Disse com um tom sério. Será apenas uma carona. –Ajustava os retrovisores-.
Parker sorriu, já estava acostumado, era o jeito de Liam cuidar das pessoas.
Durante a viagem, ambos permaneceram calados, mas não era nenhum incômodo. Pelo menos para Parker, mesmo em silêncio, eles continuavam conversando, porque o próprio silêncio era um assunto para eles. A contemplação desse momento sem palavras dizia muito sobre a personalidade de Liam. Parker sabia que dar esse tempo a ele era como ligar ou reiniciar um computador e esperar calmamente que a máquina carregasse. Antecipar-se seria o suficiente para travar o equipamento.
—A mulher da foto era a minha irmã... –Disse Liam repentinamente, quebrando o silêncio-.
“Viu?”, pensou Parker. Que reagiu ao que Liam disse, apenas encostando a mão em sua coxa.
Parker sabia que o segredo dividido não era por consolo, mas sim uma forma de Liam se expor um pouco mais. A carapaça vestida por ele já não era mais confortável.
“Se eu acho que nunca mais podemos voltar a ser os mesmos? Sim... Mas isso não quer dizer que isso seja algum ruim, pois podemos ser melhores!”.
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