Finais Felizes Na Ecomoda.
2 Capítulo 2: Hora de dizer adeus.
Notas iniciais
Havia se passado apenas três dias desde que Betty e Armando se reconciliaram, e para eles era como se não houvesse passado nem um segundo sequer, tamanho era o amor e a ternura de como se desejavam. O quartel já de sobreaviso ficava de olho toda vez que Seu Hermes ia a sala da presidência, assim avisavam Betty de modo que o pai da presidente nunca conseguisse pegar o mais novo casal apaixonado da Ecomoda em momentos de carícias. Freddy e Aura Maria também era só amor pelos corredores da empresa. As únicas pessoas que pareciam não combinar com o cenário eram Marcela Valencia e Nicolas mora.
Nicolas ainda triste e aborrecido desde a briga com Patricia Fernandéz, a evitava a todo momento. No começo a ausência de Nicolas não era tanto sentida, mas a indiferença dele doia em Patricia que já se acostumara a ir para seu apartamento com ele, jantar com ele e conversar com ele.
Marcela sempre trancada em seu escritório não sabia mais como trabalhar, como se relacionar com Beatriz e com Armando. Estava sempre calada, desejando que sua presença no ambiente fosse invisível. Betty notava isso e sempre dava voz a Marcela, perguntava-lhe tudo sobre qualquer minúncia. Armando não se aproximava de Betty quando estavam na presença da ex-noiva, ele era grato a ela pois sabia que se havia recuperado Betty fora devido a Marcela Valencia. Armando respeitava Marcela e sentia muito não amá-la como ela merecia, mas seu coração fazia muito tempo pertencia somente a ex assistente de franja e óculos.
Enquanto organizava alguns papeis sobre a franquia de Palm Beach em sua sala, Marcela tentava com muito esforço não pensar em nada, não desabar em lágrimas.
- Acho que sou muito mais forte do que eu pensava. Dizia Marcela para si mesma.
- Dona Marcela podemos conversar. Beatriz entrou no escritório de Marcela.
- Claro que sim. Sente-se por favor Beatriz!
- Eu sei que para a senhora não está sendo fácil essa situação aqui na empresa comigo e com seu Armando. Eu só queria que a senhora soubesse que de verdade eu lamento muito que vocês não possam reatar. Falou sinceramente Beatriz.
- Sendo franca Beatriz, eu não suporto mais tudo isso. Eu não aguento mais ver você ter tudo o que me pertencia, não aguento essa dor que me consome e que me mata a cada instante. Respondeu rispidamente Marcela.
- Se a senhora preferir, se desejar eu...
Marcela a interrompeu.
- Não ouse dizer que deixaria Armando por mim. Isso nos levaria a outra crise dele e mais um sofrimento meu.
- Eu não deixaria Armando, Dona Marcela. Respondeu seguramente Betty. Mesmo que eu desejasse, eu não conseguiria viver sem ele. Eu o amo, sempre amei.
- Claro que sim. Não vamos mais debater um assunto que já foi tão desgastado entre nós duas. Marcela respondia com firmeza.
Enquanto a presidente e a vice-presidente comercial dos pontos de vendas discutiam em sua sala, Bertha, Sofia, Aura Maria e até mesmo Patricia Fernandéz se exprimiam na porta para poder ouvir a conversa dentro da sala de Marcela.
- O que eu vim lhe propor é algo que talvez faça-lhe bem e não mal. Betty falava ternamente. E por favor não pense que lhe quero mal Dona Marcela, eu sou grata a tudo o que fez e faz por mim e por Armando. Eu sei o que é perder o que mais se ama, o que é não ter o amor de quem mais amamos. Eu passei por isso tudo quando sai pela porta de trás da Ecomoda. Eu fui usada sim, humilhada sim e somente Deus é testemunha da dor e da vergonha que eu senti. Mas uma grande amiga me disse algo que eu vou compartilhar com a senhora. No dia em que achei a carta clandestina do Seu Mario Calderón conheci a senhora Cecilia Bolocco e ela me disse: “ Tudo o que não me mata me deixa mais forte”. Isso me ajudou muito pois cada perca escondia uma oportunidade de ganhar algo mais profundo, cada morte passada me renascia uma outra mulher. E se não fosse a morte que Armando provocou em mim eu não teria nascido essa nova mulher.
- O que você espera que eu faça Beatriz? Que eu vá para Cartagena com Catalina Angel? Que eu mude meu visual, meu look? Que eu conheça um francês amigo de Catalina e o traga a Ecomoda para fazer ciúmes para o Armando? Não Beatriz, definitivamente o gênero coitadinha não é o meu. Marcela respondeu sarcasticamente.
- Eu não sou sua inimiga Dona Marcela. Respondeu Betty tristemente.
- Não. É pior do que uma inimiga. É a obsessão de Armando.
- Pense Dona Marcela em se reconstruir, em renascer. Quem sabe uma viagem sim para Cartagena e por quê não? É um lugar lindo. Conhecer alguém talvez seja injusto nesse momento pois o coração precisa se recompor também. Mas faça como Seu Hugo viaje sim, faça as pazes consigo mesma.
- Só existe uma paz para mim Beatriz. E ela há muito deixou-me só. Marcela falou resignada.
- Eu não vou mais insistir Dona Marcela. Peço somente que a senhora pense no que lhe digo, lhe falo de coração. De um coração que foi partido em milhões de pedaços e aprendeu a se reconstruir para outro coração que está partido.
Quando Betty saiu da sala de Marcela e viu todo o quartel e até Patricia na porta ficou furiosa mas não disse nada.
- Marci que proposta maravilhosa essa da Betty. Patricia entrou correndo na sala de Marcela.
- Maravilhosa? O que ela quer é me afastar do Armando, será que não vê Patricia.
- Marci, desculpa, mas a verdade é que longe de você já faz muito tempo que o Armando está. De verdade acho que deveríamos viajar para Cartagena, encontrar novamente o meu francês e claro todas as despesas pagas pela Ecomoda. Patricia começou a fazer planos.
- Nós? Patrícia não seja tonta. Ela propôs a viagem para mim. Marcela declarou.
- Ai Marci, você teria coragem de me deixar aqui com essas vicês-presidentes do quartel? Como você é uma boa amiga heim Marci?
O telefone toca, Margarita queria almoçar com Marcela antes de viajarem.
No Le Noir Marcela conta o que Betty havia lhe proposto e Margarita fica muito contente com a idéia. Seria ótimo para a sua querida Marcela passar um tempo viajando, se distraindo de tantas loucuras que haviam acontecido na Ecomoda.
- Então vocês acham que devo ir? Marcela pergunta a Roberto e a Margarita.
- Bem, talvez não para Cartagena mas conosco para Londres. Responde Roberto.
- Não Roberto, não vou para Londres. Claro que também não vou para Cartagena. Quero me afastar de tudo o que me lembra Armando. Ela sorriu tristemente. Quero me livrar de tudo o que me prende a ele e de tudo o que me lembra ele.
- Entendo você minha querida Marcela. Suspira resignada Margarita. Eu sei o quanto você ama Armando e a maior prova disso foi tê-lo deixado livre.
- O que você fizer e para onde decidir ir conte com nosso apoio Marcela. Declarou o sensato Roberto.
Marcela voltou do almoço e já tinha se decidido a viajar, só não sabia para onde ainda. Foi para a presidência e pediu para que Aura Maria anunciasse a Beatriz que ela desejava lhe falar.
- Sim senhora. Dona Marcela pode entrar. Aura Maria acabava de se comunicar por telefone com Beatriz.
- Por que não foi você mesma até a sala da Beatriz Aura Maria? Precisava telefonar? Questionou Marcela.
- É que o... Aura Maria nem terminou de falar e Armando sai da Presidência, Marcela logo entendeu que eles só podiam estar juntos.
- Dona Marcela por favor se sente. Declarou Beatriz.
Armando que não conseguia ficar tranquilo quando Betty e Marcela estavam a sós, resolveu ouvir a conversa das duas pela sala de juntas. E qual não foi seu espanto quando Marcela declarou que iria sim viajar, mas não sabia para onde.
- Para onde a senhora quiser ir Dona Marcela a Ecomoda custiará as despesas. Declarou alegremente Beatriz.
- Eu sei Beatriz, obrigada. Agradeceu Marcela.
Quando Marcela saiu da presidência Armando entrou.
- Marcela vai mesmo viajar meu amor? Ele perguntou.
- Sim, isso o preocupa Doutor Mendonza? Ela franziu a testa.
- Não é isso meu amor, você é minha vida Betty. Mas eu fico muito triste sim pela Marcela. Não queria que as coisas fossem desse jeito. Queria que ela fosse feliz e encontrasse um homem que a merecesse.
- Quem sabe ela não encontra nessa viagem. Betty declarou com muito entusiasmo.
Marcela diz a Patricia que já vai embora pois precisa fazer as malas.
- Como assim Marci? Você vai viajar mesmo? Ai Marci, me leva com você? Como vai me deixar com esse quartel de desgraçadas? Patricia quase chora.
- Está bem Patricia, mas e o Nicolas Mora? Marcela indaga.
- O que tem ele ? Patricia se fingi de desentendida.
- Você vai deixá-lo? Tem certeza disso?
- Ai Marci, você acha que eu Patricia Fernandéz, ex-esposa de Maurício Bigman com seis semestres de finanças na San Marino vai ter um caso com esse nerd do Nicolas Mora? Por favor Marci. E vamos que ainda hoje quero fazer nossas reservas.
O quartel ouve a oxigenada e Dona Marcela conversando e corre para o banheiro para fofocar sobre a ida das duas da Ecomoda.
- Sabe o quê meninas, Dona Marcela não esta aguentando ver o Seu Armando e a Betty tão felizes. Diz Mariana.
- Mais é lógico que não, imagine só vê o ex- noivo com a assistente, agora presidente. E futuramente noiva. Riu Bertha.
- Mas tadinha dela não deve ser fácil ver a Betty tomar o seu lugar. Comentou Sandra.
- Ora essa está com pena da Dona Marcela, Sandra? Pois não, ela tem mesmo que ir embora, deixar o Seu Armando e a Betty em paz. Fala Aura Maria.
- É, Dona Marcela está sobrando nessa história mesmo. Fazer o quê? A coitadinha sempre foi traída pelo Seu Armando e agora definitivamente lhe roubaram o noivo. Falou Sofia tristemente.
- Ora essa Sofia, não vá me dizer que você prefere a Dona Marcela? Indaga Aura Maria.
- A questão não é preferir Aura Maria. Mas é se colocar no lugar dela. Ela deve estar sofrendo muito coitadinha. Sofia respondeu.
- É meninas mas só podia ser mesmo o Seu Armando pra por um fim nesse trágico noivado, porque ela vai seguir a vida inteira apaixonada por ele, isso é uma certeza. Falou Mariana.
- A vida inteira filha? Não, por Deus, acho que essa viajem fará muito bem a Dona Marcela. Ela vai conhecer um novo homem, vai esquecer o Seu Armando e também vai ser feliz. Ela merece sim ser feliz. Declarou Inesita.
- Espero que ela seja feliz sim Inesita, mas esquecer o Seu Armando eu duvido muito. Desde que entrei na Ecomoda que ela é apaixonada por ele e ouvir dizer que sempre foi, desde criança. Declarou Mariana.
- Amor de infância tão lindo, mas o que vale meu amor, é o amor que um homem sente por uma mulher. E esse amor pertence a nossa amiga Betty. Aura Maria gargalhou.
- Meninas e como o meu chefe vai reagir ao saber que a oxigenada vai embora junto com a Dona Marcela. Ele vai ficar arrasado. Falou Sofia e todas concordaram.
A noite enquanto Marcela fazia as malas uma visita inesperada chegou ao seu apartamento. E pelo perfume ela logo reconheceu quem era.
- Olá Armando! Ela tentou ser indiferente.
- Olá Marcela. Eu vim me despedir de você. Era o mínimo que eu poderia fazer depois de tudo o que vivemos e passamos juntos. Declarou Armando.
- Claro. Beatriz sabe que você está aqui? Marcela perguntou.
- Na verdade foi ela quem sugeriu que eu vinhesse falar com você.
- Lógico a boa Beatiz sempre preocupada com todos. Ironizou Marcela.
- Ela sabe que o que fez a você foi errado Marcela, ela se arrependeu de verdade e se pudesse se arrancaria do meu coração e me daria para você, como se isso fosse possível.
- Tudo o que sempre desejei Armando foi que você me amasse um terço do que ama Beatriz. Marcela chorou e Armando a abraçou.
- O amor não escolhe quem vai colocar no nosso coração Marcela. Ele nasce ou não, assim como também pode morrer. E um dia o amor que você sente por mim vai morrer e outro muito melhor vai surgir em seu lugar.
- Eu nunca vou amar alguém como eu te amo Armando! Isso é a maior certeza da minha vida. Porque quando eu conhecer alguém eu vou lembrar de você e vou procurar nele as suas feições e comparar as ações dele com as suas. E vou buscar no olhar dele o seu, no calor dele o seu abraço. E eu sempre imaginarei como seria se nós tivessemos nos casados, os filhos que teríamos a vida que viveríamos juntos. Marcela chorava desoladamente abraçada a Armando.
- A vida que você quer viver só existe nos seus ideais Marcela. A sua vida ao meu lado seria massacrante, como foi todo o nosso noivado.
- Não tente me convencer que ao seu lado a minha vida seria desgraçada. Nada vai tirar você de dentro do meu coração. Eu sempre vou amar você Armando. E desejo que você seja feliz comigo ou sem mim.
- E eu desejo do fundo do meu coração Marcela — ele olhava em seus olhos-que você seja muito, muito feliz. Eu preciso ir agora.
- Fica só mais um segundo, por favor. Ela o abraçou mais forte. Deixa eu adiar a dor de me sentir sozinha.
Ele a abraçou muito forte e foi embora.
E mais uma vez ela via o amor da sua vida partir. Respirou fundo, voltou a arrumar as malas, embora as lágrimas estivessem presentes e incontidas era necessário dizer novamente um adeus. Não um adeus para Armando pois ele estaria sempre dentro dela, em seu coração, mas um adeus para aqueles dias compartilhados ao lado dele naquele quarto. 
Fale com o autor