Finais Felizes Na Ecomoda.
57 Capítulo 57: Flagra no carro.
Notas iniciais
Alberto estava radiante naquela manhã mas não foi preciso Rebeca adivinhar o motivo de tanta alegria, ela já suspeitava que a secretária da Ecomoda havia enfeitiçado o irmão de seu noivo.
– Então você não vai mesmo voltar conosco para o Brasil Alberto? Questionava Fernando durante o café da manhã.
– Não, já está decidido. Fico em Bogotá e aproveito para observar a produção da Ecomoda. Alberto comentava entusiasmado.
– Não acredito que você não voltará para o Brasil só por causa daquela secretária Alberto! Rebeca protestava um tanto indignada.
– Nem eu acredito nisso Alberto. Você nunca foi insensato! Fernando também protestava contrastando com o bom humor de seu irmão.
– Quando se encontra alguém que faz o nosso coração parar de bater por alguns instantes, devemos prestar atenção pois pode ser a pessoa mais importante da nossa vida. Alberto concluiu silenciando Rebeca e Fernando.
Na Ecomoda todos já estavam em seus respectivos postos de trabalho, a vida era normal e rotineira. Betty se dedicando ao máximo a empresa, Armando como seu copiloto sempre amando e sempre amado. O quartel ainda degustando a fofoca da gravidez de Marcela, Freddy e Wilson na portaria flertando com as modelos, mesmo Freddy estando de namoro sério com Aura Maria. Somente três pessoas estavam alheias a monotonia da rotina diária. Daniel com seu plano impecável com Mario, Mariana que lutava para disfarçar sua tristeza e Jamille que também lutava mas para conter o grande amor que sentia pelo seu chefe. Parece até um clichê, uma secretária apaixonada pelo seu patrão, mas o que é a vida senão um eterno clichê de encontros e desencontros mas havia na história dos dois uma profundidade que somente quem continua amando, depois de ter sofrido a dor de uma decepção, entenderia.
Jamille porém não era fraca, ao contrário do que aparentava havia nela mais força e determinação do que se pode imaginar. Há em algumas criaturas inteligência fora do comum que as elevam a um patamar alcançado somente por certas almas cheias de amor e compaixão. Ela era assim, se fosse mais amiga de Beatriz veria nela um reflexo, ainda que distorcido, do seu. Ela se resumia a agradar Daniel mesmo quando ele estava irritado. Dizia-lhe sempre palavras cheias de ternura e compreensão na expectativa de que o coração dele se tornasse o oásis que ela tanto ansiava. As palavras cheias de fel que involuntariamente escapavam dele eram rebatidas com a ternura e a mansidão do espírito elevado dela.
O quartel perceberia os olhos apaixonados de Jamille se ela não fosse tão discreta quanto Beatriz e na hora do almoço quando Aura Maria a interrogava sem o menor pudor ela rebatia dizendo que o grande amor que ela tivera no passado a deixou traumatizada a tal ponto que ela nem sequer cogitava a possibilidade de abrir novamente o seu coração e assim todas se calavam, mas a verdade era uma só, ela continuava amando aquele homem que tanto a feriu.
Patricia continuava enrolada em suas aulas de finanças, mas ela não desistia estava determinada a ser uma grande financista de sucesso. Já estava acostumada com as caronas e a amizade de Alberto e apesar dele inúmeras vezes lançar a ela olhares carinhosos ela deixava bem claro que seu único amor no momento seriam os livros. Patricia o encantava, tanto pelo fascínio da beleza quanto pela determinação na carreira profissional, ele nunca havia conhecido uma mulher linda e que fosse estudiosa, pois era notório que inteligente ela não era, pelo menos ainda, mas esforçada sem dúvida ela era.
A amizade de Alberto não passou despercebida a Jenny, que tinha todo o veneno do mundo para destilar gota a gota em seu noivo, Nicolas. O que Jenny tinha era um profundo receio de que ele voltasse para Patricia e a abandonasse. Jenny apesar de parecer não era nada boba e ela tinha certeza da profunda paixão que Nicolas ainda nutria pela loira. Bastava Patricia passar no corredor para que os olhos de Nicolas a seguissem e quando ela ia para a faculdade com Alberto era pior, Nicolas ficava com um humor terrível.
– Lá vai a loira com o executivo, vão pra faculdade ou vão fazer filhinho! Cantarolava Jenny quando Patricia e Alberto passavam pela recepção, ela sabia que isso deixava Nicolas furioso mas mesmo assim cantarolava perto dele.
Se Patricia e Alberto ouviram fingiram que não ouviram, Patricia tinha preocupações demais na faculdade para prestar atenção em Jenny e em Nicolas.
Daniel, Betty e Armando saíram logo em seguida do elevador. O casal se abraçava ternamente, hoje seria um jantar na casa de Betty o que prometia um longo tempo namorando a amada e longas conversas com o pai dela.
– Então Nicolas você vai jantar lá em casa hoje? Mamãe fez coxinhas de frango! Betty falou.
– É, eu tô sem fome. Nicolas respondeu irritado.
– Nossa o que aconteceu pra você estar com esse mau humor? Armando questionou mas já imaginando a resposta.
– Nada, estamos atrasados para o jantar e estou morrendo de fome! Nicolas respondeu se contradizendo.
Puxando Jenny pelo braço, Nicolas saiu cismado da Ecomoda, tendo mil e um pensamentos a respeito de onde estaria realmente Alberto levando Patricia, o que faziam e o que conversavam. E num rompante enquanto ligava o carro, ele lembrou de quando junto com Armando seguiu Patricia e Betty por todos os lados no hospital. Sim, ele já sabia o que fazer e com certeza faria!
Quando chegavam a casa de Betty, Armando parou o carro numa esquina depois da casa dela.
– Doutor esqueceu aonde eu moro? Ela riu.
– Não minha Betty. Mas eu passei o dia inteiro somente te olhando, sem poder ao menos te tocar. Estou com saudades! Armando falou com uma carinha que derreteria até o coração da Feiticeira Branca de Narnia.
– Oh meu amor! Betty sorriu.
Eram beijos tão apaixonados e tão calorosos que qualquer pessoa por mais incrédula que fosse, se visse creria no amor. Porque no beijo está também a ligação das almas, essa que se acorrentou por livre e espontânea vontade. Pois o amor nos liberta de nós mesmos e nos acorrenta ao ser amado, de tal maneira que já não existimos se ele não existe. Armando abraçava a sua Betty como se estivesse a segurar o próprio sentimento apaixonado e ela retribuía todo o ardor dele, pois era ela também cativa dele desde sempre. E era tão bom estar com ele, sentir seu cheiro, o seu calor. Ele é o sonho realizado, a inspiração dos versos que haviam sido escritos no diário dela.

Estavam tão inspirados no ardor do seu amor que não perceberam a chegada de um certo senhor mais do que indignado, que recebeu a ligação de uma vizinha reclamando do comportamento licencioso da doutora Pinzón dentro de uma Mercedes, na frente da casa dela.
– Mas que pouca vergonha é essa? Gritava indignado Hermes.
– Papai! Betty falou agoniada.
– Calma Seu Hermes que eu posso explicar! Armando falou tentando diminuir a irritação de seu futuro sogro.
– Eu não quero ouvir nada, quantas vezes já avisei que o diabo é porco! Agarrando a minha filha dentro do carro e no meio da rua! Saia já desse carro Beatriz Pinzón. Ordenou Hermes.
Beatriz saiu do carro e Armando também, os dois tentavam acalmar o pai de Betty, mas era impossível. Hermes segurou Betty pelo braço e a levou para casa, deixando Armando triste e irritado. “Preciso me casar logo com a Betty, ter ela levada arrancada dos meus braços dói demais!” Ele pensava consigo.
Em casa Beatriz escutava todos os sermões possíveis, e ouvia tudo caladinha sentada no sofá como uma criança travessa pega em flagrante.
– Minha filha, Júlia, minha própria filha como uma qualquer agarrada ao doutor Mendonza no meio da rua. Hermes gritava indignado para a esposa.
– Mas querido será que a nossa vizinha não exagerou? A menina só estava dando um beijinho no noivo dela! Dona Júlia tentava em vão amenizar a situação.
– Beijinho Júlia? Beijinho? Porque você não viu o que eu vi. Eu não criei Beatriz para ficar agarrada no meio da rua assim, dediquei toda a minha vida e tudo o que eu tinha para formá-la e torna-la uma mulher honesta. E é assim que ela me paga, agarrada com o executivo dentro do carro, no meio da noite! Hermes chorava de raiva e tristeza.
– Me desculpe papai, eu não queria ferir a sua integridade. Betty se desculpou sinceramente. E prometo que isso nunca mais vai acontecer.
Betty abraçou o pai, se desculpou também com a mãe e sem jantar foi para o seu quarto. Minutos depois o celular dela tocava, era Armando mas ela estava tão chateada pela decepção que o pai teve que não tinha vontade de atender e a noite que tinha começado bela, terminou triste.
Na Casa de Mariana apesar dos barulhentos jogos de vídeo game de Jamie, um tom de tristeza pairava no ar. Aura Maria sabia o que era e por isso entendia o silêncio da amiga. Mas Aura não é do tipo de pessoa que curti fossa por muito tempo, depois dessas duas semanas que seguiam longuíssimas desde que os executivos brasileiros voltaram para o seu país de origem, ela decidiu.
– Nós vamos paquerar!
– O quê? Mariana questionou confusa.
– Isso mesmo o que você ouviu sua boba, nós vamos paquerar e amanhã mesmo! Aura Maria comentava com toda a alegria e felicidade do mundo.
– Aura Maria não estou para paqueras! Mariana declarou.
– E quem disse que para paquerar e ser paquerada tem que estar isso ou estar aquilo? Não senhora paquerar é bom em todos os momentos, levanta o nosso ego, a nossa feminilidade, tira toda essa tristeza um gatinho bem divino! Aura gargalhou.
– Eu não quero nenhum gatinho divino Aura Maria! Mariana sussurrou.
– Eu sei, mas o que você espera da vida Mariana? Ter um relacionamento com o doutor Daniel? Casar com ele? Ter um filho dele? Isso nunca vai acontecer Mari! E quanto mais rápido você superar isso, melhor será.
Mariana sabia que tudo o que Aura Maria falou era verdade, uma verdade dolorida mas libertadora. Já fazia duas semanas que eles terminaram o caso, era preciso seguir adiante, afinal não há dor que dure para sempre!
– Está bem, amanhã depois do trabalho nós vamos sair e paquerar! Mariana concluiu.
Na casa de Jamille, sua irmã notava a irmã mais serena, mais doce. E concluía que ela era a consequência do doutor Valência.
– Lendo Senhora? Que livro é este que te deixa tão entretida? Dai perguntou sentando-se no sofá ao lado da irmã.
– Um livro que foi recomendado na faculdade, na cadeira de português. Ela respondeu.
– Recomendado na faculdade? E porque está lendo agora? Dai perguntou curiosa.
– Porque eu acho lindo o amor de Aurélia.
– Aurélia?
– Sim, a personagem principal. Ela ama tanto Fernando que é capaz de sacrificar todo o seu futuro para transformá-lo em um homem decente! Jamille falava do livro com tamanha paixão que Daiane se interessou pela história.
– E como ela sacrifica-se?
– Ela dá a ele exatamente o que ele quer, mas o faz enxergar quem ele realmente é. E é através dos olhos dela que ele vê seu reflexo desonrado. Mas no final eles são imensamente felizes, afinal tem algo que o amor não consiga vencer? Jamille riu.
– Adoro vê-la assim! Sorrindo, leve, descontraída mas tenha cuidado Aurélia é uma personagem fictícia, você é real assim como Daniel. Não deixe o que te destruiu renascer! Dai alertou sua irmã querida.
– Tem medo de que eu morra de amor? Jamille questionou brincando.
– Tenho medo que esse amor a destrua mais uma vez. Eu só tenho você Jamille, nossos pais morreram, não temos mais nenhum familiar vivo, nem tios, tias, primos, primas, somos só você e eu. Você entende o que a sua perca pode me afetar? Daiane falou nervosa.
– Prometo você que nunca mais homem nenhum vai me destruir, hoje eu sou muito mais forte! Jamille declarou e tinha profunda convicção da sua força, adquirida com muito sacrifício. Mas eu sinto em meu coração que ele mudou, talvez não por completo mas há ternura dentro dele.
– E você é a causa dessa ternura? Dai questionou sua irmã.
– Não, acho que não. Tenho uma inclinação de que é a Mariana, a recepcionista da Ecomoda. Jamille falou um pouco triste.
– E se for mesmo essa Mariana, o que você irá fazer?
– Se ele realmente a amar e não brincar com o coração dela, eu o liberto do amor que sinto por ele. Jamille falou resignada.
– Isso é mesmo muito bom!
– Mas não creio que seja sério, ele a ignora, ela sofre. Foi um caso, se tiver mesmo sido porque a Mariana não faz o estilo do Daniel. A Mariana é linda sim, simpática, amiga mas não é uma modelo, nem brilhante intelectualmente. Não posso crer que ele realmente tenha se apaixonado por ela. Jamille respondeu esperançosa.
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