Finais Felizes Na Ecomoda.
49 Capítulo 49: Viva o seu presente!
Notas iniciais
Temerosa essa palavra descreveria Beatriz Pinzón Solano ao chegar ao restaurante, todos conversavam animadamente só ela permanecia alheia a tudo e a todos.
– O que você tem meu amor? Está cansada? Armando perguntou dando-lhe um abraço reconfortante.
– Foi um dia bem cheio hoje. Ela sorriu e disfarçou. Olhava cada garçom que passava e seu coração acelerava.
Rebeca percebendo o mal estar da presidente sugeriu que fossem ao toalete retocar a maquiagem, o que foi um alívio para Betty se refugiar num lugar onde ela tinha certeza de que não encontraria o rosto familiar de Miguel.
– Está procurando ele não é? Rebeca perguntou enquanto retocava o batom vermelho.
– Procurando não é bem a palavra. Respondeu Betty sentando na poltrona do toalete.
– E então? Rebeca insistiu.
– Tenho medo de encontrar, quero estar preparada para o que possa acontecer! Betty suspirou tristemente.
– E o que pode acontecer? Rebeca fitou Betty nos olhos.
– Tenho medo só de imaginar! Betty respondeu.
– Tenha fé, tudo vai ficar bem. Mesmo porque não falta o príncipe para defender a donzela. Rebeca sorriu.
Na mesa Armando, Alberto e Fernando brindavam sobre os rumos brilhantes que tomariam as empresas colombiana e brasileira, juntas.
– Então agora só falta o seu casamento não é Armando? Fernando perguntou.
– Verdade Armando. Quando você vai casar com a doutora Pinzón? Alberto perguntou.
– Logo, logo Betty e eu seremos marido e mulher. Felizes até não poder mais, assim que a empresa se estabilizar mais. Armando respondeu todo contente. Beatriz Aurora Pinzón Solano e Armando Mendonza casados para sempre.
Um garçom que servia à mesa ao lado ouviu nitidamente o nome da mulher que um dia ele enganou, mas achou ter ouvido errado. Então astutamente ficou próximo a mesa ouvindo a canversa dos cavalheiros e sim o nome era o mesmo. Não havia dúvidas mas como poderia um homem daquele porte se interessar pela horrível Betty. Até que seus olhos se deslumbraram com a visão da bela que sentou-se ao lado do executivo e o beijou ternamente. Não podia ser ela, como uma mulher tão feia desabrochou como uma linda mulher e com tal porte, tão elegante. Se fosse mesmo ela o melhor era não deixar que ela o visse, então ele se escondeu e guardou em seu íntimo o desejo de saber mais sobre aquela mulher que antes era uma criatura medonha e hoje era simplesmente fantástica.
– Vocês demoraram, já estava morrendo de saudades meu amor! Armando falou beijando Betty.
– Tinhamos que nos arrumar doutor Mendonza! Rebeca respondeu.
– Então um brinde a beleza de nossas amadas! Pena que você não poderá brindar conosco Alberto pois é um eterno solteirão. Riu Fernando e brindaram todos juntos e alegres.
Mariana estava se arrumando quando Daniel a beijou na nuca arrupiando toda a sua pele. Ela se virou e o abraçou, beijando-o apaixonadamente.
– Ai doutor Valencia por que me faz isso? Ela suspirou.
– A pergunta é, Ah! Mariana por que você decidiu me enlouquecer a tal ponto que eu já nem lembro mais de mim e das minhas vontades.
– Então somos dois porque quando eu estou com o senhor não penso mais em mim. Mas é fato que um dia isso terá que acabar! Mariana se afastou. Um dia o senhor tomará o seu caminho e eu tomarei o meu, precisamos estar preparados para quando o destinos nos separar.
Daniel concordou, apesar de não desejar pensar nisso, era necessário que eles se preparassem para a grande verdade que o futuro a eles revelava. Um homem na posição dele jamais poderia casar com uma simples secretária como Mariana. Ele mais do que ninguém sabia disso e uma tristeza inundou o coração de ambos. Sentaram na cama um de costa para o outro e ficarão por um tempo pensando na vida, neles dois e no futuro em silêncio. Jamais poderião falar desse momento que estão vivendo com algum amigo, as do quartel a matarião e o Mario faria troça dele até o fim dos tempos, sem falar no Armando que diria que os dois se igualarão no amor por suas secretárias.
– Talvez fosse melhor terminarmos tudo, sem dor, sem medo, sem luto, sem choro. Mariana falou ainda de costas para Daniel.
– Talvez! É o que deveríamos fazer, eu continuo com a minha vida na Ecomoda e você continua como recepcionista da empresa. Daniel respondeu também de costas para Mariana.
– Histórias como a nossa costumam terminar mal. Mariana falou.
– Sim, é verdade. Histórias como a nossa são apenas casos e nada mais. Daniel confirmou.
De repente ele segurou a mão dela sobre a cama.
– Você não é só mais um caso na minha vida. Ele engoliu em seco.
– Mas o senhor é pra mim um grande amor! Foi a primeira vez que ela ousou dizer que o amava.
Ele ficou mudo, incapaz de assumir o que sentia. Porque de fato ele no fundo não queria admitir o tanto que gostava dela. E talvez por medo de se tornar tão parecido com Armando. Ele soltou a mão dela e começou a vestir-se, não ele não faria o mesmo que Armando. Mariana em silêncio observou Daniel, vestir-se e sair do quarto. E sozinha na escuridão ela chorou. Será que ela se tornaria a Betty e reviveria a mesma trágica história da amiga?
Michel passou o dia inteiro fazendo telefonemas, além de arrumar tudo para dar conforto a Marcela.
– Você não precisa ficar aqui se não quizer! Essa criança não precisa afastar você dos seus interesses. Ela falou olhando pela janela do quarto.
– Não se preocupe Marcela, não pretendo desistir dos meus interesses por causa da criança. Ele respondeu ajeitando as roupas dela no armário do quarto.
– É claro! Ela respondeu tentando parecer indiferente.
– O que está pensando Marcela? Ele perguntou.
– Não quero que essa criança interfira nos seus planos, no que te motivou a vir a Bogotá. Ela falou.
– Não vai interferir. Ele sorriu percebendo que o que ela desejava era saber as intenções dele.
Depois de alguns minutos de silêncio, Marcela novamente insistiu.
– Então como foi o seu almoço com a Beatriz? Ela perguntou mordendo o lábio inferior como quem pergunta casualmente sobre algo.
– Acabei não indo almoçar com ela.
– É mesmo? E por quê? Marcela insistiu.
– Ela havia saído para almoçar com as amigas. Ele respondeu terminando de arrumar as roupas dela no armário.
– Então vão jantar juntos hoje? Ela continuou insistindo.
– Acho que não. Já está tarde. Ele falou e foi até o banheiro colocar alguns objetos de uso pessoal para Marcela.
Ela se irritou, Michel não queria falar nada para ela sobre suas intenções com Beatriz.
– O que está fazendo? Ela perguntou impaciente.
– Cuidando de você! Ele respondeu saindo do banheiro.
– Não precisa fazer isso, talvez eu nem consiga manter esse bebê. É uma gravidez de risco!
– Não diga isso, você vai conseguir ter o nosso filho! E ele terá os meus olhos, a minha personalidade e o seu sorriso. Michel riu e Marcela também.
– Espero que não se importe mas chamei uma amiga para passar a noite com você. Ele falou.
– Uma amiga? A Beatriz? Marcela ficou nervosa.
– Não. A Catalina.
– Você contou a ela? Contou sobre nós, sobre a minha gravidez?
– Sim. Eu confio nela, sei que é uma pessoa discreta e que te fará bem.
– Sim, é claro. Mas eu preferia ficar só, eu estou bem, o sangramento já parou e a dor também.
– Sim, eu sei. Mesmo assim quero que você fique em boa companhia esses dias. Ele sorriu.
– Esses dias? Ela questionou.
– Terei que voltar a Cartagena. Não vim preparado para passar uma temporada aqui. E quanto mais cedo for, mais cedo volto. Viajo esta noite e volto amanhã a noite.
– Como assim você vai ficar aqui em Bogotá? Marcela perguntou temendo a resposta de Michel.
– Sim, você não acha que eu vou deixar o meu filho e a mãe do meu filho abandonados. Ele falou.
– Você vai contar aos seus pais sobre a gravidez?
– Não.
– Entendo. Ela se entristeceu.
– Porque eu já contei. Ele sorriu.
– E o que eles disseram? Ela ficou ansiosa ante a expectativa da resposta.
– Que querem ficar algum tempo em Bogotá cuidando de você e do bebê. Minha mãe já está empolgada com a ideia de ser avó. E como ela adora você, está radiante de felicidade. Acho que já comprou metade das roupas de bebê de Cartagena. Ele riu.
– E o seu pai? Ela perguntou animada.
– Já está pensando nos nomes dos nossos antepassados para por no bebê. Mas ele está preocupado com o fato de ser uma gravidez de risco.
– Sim, eu imagino.
– Sei o que quer saber Marcela com todas essas perguntas. Por fim ele respondeu e sentou-se no banco ao lado dela.
– Sabe? Ela questionou.
– Quer saber o que você será para mim? Em que lugar Betty ficará em minha vida? Como será o seu futuro e o da criança?
– Se sabe de todas essas minhas inquietações porque não me responde? Marcela perguntou.
Ele sorriu.
– Porque você precisa se definir primeiro. Saber o que realmente quer da sua vida. Esse filho é inesperado para mim, mas também é para você! Talvez você sonhasse com uma criança mas um filho do Armando, algo que a ligasse a ele para sempre.
Marcela pensou em todas as respostas para dar a Michel, mas nenhuma saiu da sua boca. Ele sorriu.
– Tudo acaba servindo para quem não sabe o que quer. Mas você sempre soube o que desejava, e fez de tudo até o último momento.
Neste momento foram interrompidos por Catalina que deu um atencioso e carinhoso boa noite. Catalina deu um beijo em Michel e abraçou Marcela.
– Então como estão? Ela perguntou carinhosamente.
– Bem. Marcela respondeu um pouco timida.
– Obrigada por vir Catalina! Eu não confiaria em mais ninguém para deixar Marcela. Ele a abraçou.
– Você sabe que sempre poderá contar comigo Michel. Cata também o abraçou.
– Aqui tem tudo o que ela vai precisar pelo resto da noite e pelo dia de amanhã. Qualquer coisa deixo com você $ 800,00 pesos para eventuais despesas. Se precisar de mais...
– Michel é muito dinheiro, não creio que a Marcela vá gastar tanto em apenas um dia no pronto socorro. Catalina falou.
– Eu quero que ela fique bem. Ele falou.
– E ela ficará. Vá tranquilo! Catalina falou e deu um beijo no rosto de Michel.
– Eu volto amanhã a noite. Michel falou e deu um beijo na testa de Marcela.
– Vá tranquilo, ficarei bem com a Catalina. Ela sorriu e ele se foi.
Catalina examinou o quarto e disse ficar surpresa com tamanho conforto.
– Obra do Michel. Ele quer me deixar o mais confortável possível. Ela respondeu.
– Sabe Marcela eu não sou curiosa, mas confesso que gostaria de saber os detalhes dessa relação que eu jamais imaginaria. Quando Michel me telefonou dizendo que precisava de um favor, nunca me passaria pela cabeça que o favor seria cuidar da Marcela Valencia, a mulher que estaria esperando um filho dele. O que aconteceu Marcela?
– Ai Cata! É uma história que nem eu mesma compreendo.
– Sim porque eu lembro o amor que você sentia obcecadamente pelo Armando. E de repente estamos aqui! Catalina falou sentando-se na cadeira ao lado de Marcela.
– Bom tudo começou quando eu estava no aeroporto partindo para Miami, fugindo dos meus sentimentos pelo Armando. Encontrei Michel que estava voltando para Cartagena, ele me convidou a ir com ele e de repente vivemos um romance. Eu estraguei tudo é verdade, mas algo ficou em mim. Ela olhou para o ventre.
– E o seu sentimento pelo Armando? Catalina perguntou.
– Eu sempre achei que me casaria com o Armando, que teríamos filhos. Eu nunca fiz planos sem ele. Marcela confessou.
– E Michel? O que ele representa pra você?
– Eu não sei.
– Bom você sempre sonhou com uma família sua Marcela. Agora você pode começar uma família só sua, um amor que ninguém poderá roubar de você. Seu filho vai te amar incondicionalmente Marcela, ele pode não ter sido planejado, nem ter vindo do modo como você desejava mas ele está aí e a cada minuto ele fica mais forte e muda a sua vida completamente.
– Faz tanto tempo que não tenho uma família! Faz tanto tempo que eu não sei o que é ser amada incondicionalmente. Não era assim que eu sonhava em construir uma familia. Marcela confessou.
– Talvez seja a hora de amadurecer, deixar os sonhos de menina para trás e focar nos sonhos reais de mulher. Uma família real e não uma de imaginação infantil.
– O que quer dizer Catalina?
– Que você deveria deixar de viver os sonhos de menina e aceitar a oportunidade que a vida está te dando.
– Michel não quer formar uma familia comigo. Ele veio atrás da Beatriz, até me propôs que fôssemos amigos.
– Bom isso não muda os fatos que os trouxeram até aqui.
– O que eu faço então? Marcela perguntou confusa.
– Viva a sua vida, viva o seu presente!
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