Fim
1 O Urso Abatido
Enquanto ele escrevia as últimas palavras com sua pena, as palavras que sua mulher lhe dissera antes de sair de casa, uma pedra do tamanho de um gigante caia fora do acampamento, fazia tudo tremer, era hora de lutar. O pó de sua cabana estava no ar, junto com o som do gemido das madeiras que iam se envergando. Quanto tempo estavam ali? Não lembrava. Agora via que tudo estava caído no chão, a tinta que usava estava derramada sobre seus dedos. Em um movimento insano pegou aquele papel velho, amarelado com o tempo, e colocou em seu bolso rapidamente. Saiu rapidamente com o seu machado em punhos.
O céu parecia estar vermelho de fogo, as nuvens densas, e a frente via homens caindo, bons homens. O fogo do céu descia sobre as suas cabeças, gritos pairavam no ar. Os demônios repugnantes avançavam para a batalha, derrubando homem após homem, a linha deles não se rompia por nada, nada os abalava. Sabia o que deveria ser feito.
Correu como um urso, balbuciou ofensas. O seu machado, como as garras de um urso, penetrou na carne dos demônios, ouviu os seus gritos, uma boa morte. Com a sua ferocidade animalesca quebrava ossos, escudos e a linha inimiga. Não recuava, sempre para frente, sem temer, era para isso que estava ali. Os demônios estavam caindo.
Caiu, a fadiga lhe atingiu com um golpe que rachou o seu crânio, e junto com a raiva crescente pelo seu agressor o pavor lhe atingiu. Era inaceitável, aquilo era uma boa morte, os salões lhe aguardavam! Qual era o seu medo, deveria ter uma razão!
Tudo parecia mudar enquanto caia. Os demônios começavam a parecer como homens, o terror nos olhos caídos e a fúria dos que lutavam com as suas vidas, cada vez mais humanos. No outro lado, seus irmãos de escudo, cada vez mais se assemelhavam aos demônios, até o ponto de todos se igualarem.
Antes do último suspiro viu o homem que tanto falavam, mal via os seus olhos, eram escondidos pelo elmo e as cicatrizes, mas podia ver o quão profundos eram. Pensava se esse homem um dia entenderia, como ele entendeu, que essa não é a batalha dele. Agora via as palavras que havia escrito, estavam na lama, o homem se abaixava para pegar o velho papel amassado e sujo. A paz se fez em seu coração quando viu as esperanças nas palavras, torcia para que elas guiassem este homem perdido que as segurava.
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