Filth In The Beauty

4 On the Road - Part II


Notas iniciais
Desculpe-nos o atraso, mas o ENEM foi realmente uma pedra no sapato... GRR... Mas, passada a tempestade, vem... Filth in the Beauty!
Parte II do queridissímo Kou-chan.
(by Humanoid Girl.)

Filth in the Beauty

Chapter 04 – On the Road – Part II

Não preciso de consciência. NÃO MAIS.

Este torpor me deixa mais leve.

E TODOS SÃO AMIGOS.

Se eu tivesse que realmente encarar meus

[PROBLEMAS

Teria que procurar a saída mais fácil.

Será que você ouviria o barulho da bala...

... ENTRANDO NO MEU CRÂNIO?

A chegada à casa de Keitarô foi um passo para um mundo turbulento, cheio de pessoas desconhecidas, bebida, música alta e ares reincidindo a cravo da índia, pensava Kouyou, desacostumado ao cheiro de maconha. O dono da casa falava em voz alta com seus convidados e aceitava os copos cheios de líquidos diferentes que lhe ofereciam, sempre com um sorriso na cara.

Todo mundo parecia se conhecer naquele planeta estranho. Menos Kouyou, que olhava de um lado para outro entendendo pouco ou quase nada. Convívio social não era seu forte.

Keitarô observou o constrangimento do convidado e pediu para que ele se sentisse a vontade. Kouyou meramente sentou-se num sofá que não estava totalmente ocupado, a postura defensiva de quem queria sair correndo dali.

- Toma aí, Kou-chan – disse o anfitrião lhe oferecendo um pouco de saquê num massu.

- Eu não bebo. – foi sua resposta automática.

- Qual é? – riu Keitarô — Isso relaxa muito... Vai deixar você leve e solto.

- É melhor não.

- Vamos, beba! – insistiu ele.

Sob o risco de parecer antiquado numa festa de gente de sua idade, Kouyou acabou cedendo e bebeu. O líquido escorreu em sua garganta inexperiente com álcool, queimando-a.

- Isso é forte pra porra! – cuspiu, ofegante. Keitarô riu de sua reação e tornou a encher o massu.

- Você se acostuma. – disse num tom sábio. O garoto olhou-o desconfiado, mas aceitou a nova dose.

Keitarô estava certo, ele realmente se acostumou, e rápido. Logo o gosto de saquê lembrava-lhe água, uma água da qual ele precisava mais e mais. O mundo girou e de repente Kouyou conhecia todo mundo ali e todos eram belos e amigáveis e sorriam, sim, sorriam, pois a vida era uma alegria só.

Eram seus AMIGOS.

- Vai com calma, Kou-chan – avisou a garota do grupo de Keitarô quando ele passou a beber saquê direto do gargalo.

- “Kou-chan”? – riu-se, procurando quem lhe falara — Só uma mulher me chamava assim.

- E quem era? – perguntou ela, interessada.

- Minha okaa-san. – respondeu, o sorriso desmoronando aos poucos — Mas ela já tá no céu. – acrescentou, melancólico. Levou a garrafa à boca, afundando-se na recém-descoberta fonte de alívio.

- Sinto por você. – nem sequer chegou a ouvir os pêsames de sua companhia.

- Ela era linda. – suspirou, bebendo mais. – Sabia que estou vendo duas de você? – perguntou, mudando subitamente de humor.

- Acho que tá na hora de você parar por hoje. – disse ela, inclinando-se para ele e tentando tirar a garrafa de sua mão.

- Não queeero! – reclamou, afastando-a — Não me sinto tão aliviado desde sempre! – e tornou a calar-se com álcool. A garota apenas balançou a cabeça, desviando o olhar.

- E aí Kouyou, gostando da festa? – perguntou Keitarô, aparecendo para conferir como seu novo amigo estava.

- Muuuuito! – ele prolongou a resposta, manifestando sua total embriaguez e felicidade – E da bebida também!

- Tô vendo que gostou, estou tendo cuidado para você não acabar com todo o meu estoque.

Kouyou sorriu, alto. Fora mesmo uma boa idéia ter aceitado o convite, pensou, levantando-se de um salto e acompanhando Keitarô até a parte mais movimentada da festa, onde os sons colavam-se à sua pele e as cores eram um borrão diante dos olhos. As vozes das pessoas entrelaçavam-se com a música e ele não sabia com quem estava falando, só que a sensação era boa.

Ao fim da festa Kouyou tinha bebido tanto que não conseguia mais firmar os pés sozinho. Achava que estava tão leve que poderia voar. Depois riu sozinho, caindo no sofá de antes.

- Acha que ele deve ficar aqui? – perguntou a mesma garota, observando-o enroscar o corpo esguio nas almofadas, pronto para dormir.

- Não, devemos levá-lo para casa – disse Keitarô, nada disposto a ter um marmanjo dormindo em seu sofá.

- E você sabe onde é?

- Não, mas ele deve saber. E espero que esteja lúcido suficiente para isso – sentenciou, sério, aproximando-se e sacudindo o garoto semi-acordado – Kouyou, onde você mora?

Ele respondeu, um resmungo quase ininteligível.

- Que bom que ele ainda lembra – disse a garota, sarcástica. Keitarô lançou-lhe um olhar severo.

- Me ajuda aqui, Sayori.

Ambos colocaram os braços de Kouyou nos ombros e o carregaram até o banco de trás do carro. Ele acomodou-se sorridente e durante o caminho de volta ficou cantando (bem mal) Rosier, do Luna Sea.

- Meus ouvidos estão doendo com tanta afinação – murmurou Keitarô, pisando ainda mais no acelerador.

No pequeno tempo da saída do carro até a entrada de casa, Kouyou vinha contando piadas do tipo “o que é, o que é?”, respondendo-as logo em seguida e rindo.

- Esse cara é hilário bêbado – disse Sayori. Mal terminara de dizer isso quando ele desvencilhou-se dos dois e vomitou com estardalhaço na calçada. – Você está bem?!

- Foi o primeiro porre dele, é normal vomitar. – disse Keitarô, nada impressionado. Voltaram a arrastar Kouyou assim que se certificaram que ele não vomitaria e apertaram (com muita cara-de-pau) a campainha.

O próprio Takashima Miyamoto abriu a porta, a expressão irritadíssima.

- Ah... Seu filho. – disse Keitarô jogando Kouyou em cima do pai e saindo correndo com Sayori em seu encalço.

Miyamoto jogou o filho no sofá e lhe deu uma tapa no rosto, fazendo com que o canto da boca dele sangrasse por causa do anel que o pai usava. Kouyou se encolheu, cerrando os olhos, apesar de estar tão bêbado que a dor nem o atingira como deveria.

- O que pensa que está fazendo?! – esbravejou Miyamoto. Kouyou começou a rir – Não brinca comigo moleque, você é menor de idade!

- E você se importa? — perguntou ele, se levantando.

- Isso vai acabar me prejudicando de algum jeito e se isso acontecer você vai se arrepender, vai pagar muito caro por essa sua pirraça! – ameaçou-lhe o pai, cujos olhos emanavam fúria.

Mas já se fora o tempo em Kouyou temera aqueles olhos.

- Não tenho medo de você, suas ameaças não funcionam mais comigo... ASSASSINO. – estava cheio de uma nova energia e o álcool que corria em suas veias lhe dizia para gritar todas as palavras que estiveram presas em seu âmago desde aquele dia — Assassino, assassino! Você a deixou morrer! – disse batendo no peito do pai.

- Seu bêbado, por que você não morre de uma vez? – berrou Miyamoto, empurrando-o de volta ao sofá, lugar em que ele se enroscou e dormiu, como se nada tivesse acontecido, como não dormia há anos. O pai lançou um olhar de desprezo e retornou a seus aposentos.

O dia seguinte presenteou Kouyou com uma tremenda dor de cabeça, e ele pouco se lembrava de como viera parar no sofá da sala. Apenas tomou um banho, ignorando veementemente a dor, e foi para o colégio.

- E aí, Kou-chan? – perguntou Keitarô assim que ele se sentou na carteira ao lado.

- Fale baixo, por favor, minha cabeça está estourando – pediu, descansando-a em cima dos livros, as mãos pressionando as têmporas. Keitarô riu.

- Não me surpreende que esteja desse jeito, você bebeu mais de cinco garrafas de saquê sozinho. – contou num sussurro divertido – Pensei que seu fígado ia se desintegrar.

- O quê?! – sibilou em resposta, mas uma fisgada de dor o interrompeu — Minha cabeça... – gemeu, franzindo a testa.

- Você não se lembra de ontem?

- De quase nada. – somente vislumbres, vozes e gritos. E do gosto do saquê que seu paladar dificilmente esqueceria.

- Hm... – disse Keitarô, desatento — Quer sair com a gente de novo hoje? – convidou, quando o professor não estava olhando.

Kouyou analisou o convite, fitando o colega pelo canto do olho, a bochecha contra a capa do livro.

- Não sei, não quero ficar com essa dor de cabeça amanhã.

- Mas hoje podemos ir naquele lugar de qual falei – pressionou Keitarô, malicioso.

- Não sei.

- Que foi? Não gostou de sair com a gente?

- Gostei, mas...

“Seu bêbado, por que você não morre de uma vez?”

Que diferença fazia no final das contas?

Tenha isso em mente, querido.

- Tá, me decidi. Eu vou!

- É isso aí Kou-chan! – elogiou-o Keitarô, dando-lhe um tapa nas costas.

À noite, eles se encontraram no mesmo lugar do dia anterior e Kouyou foi pontual como na outra vez.

- Aonde vamos? – perguntou a Keitarô, que estava mais perto.

- A um bar muito legal, lá nos oferecem bebida sem problema algum.

O grupo subiu na caçamba de uma monstruosa pick-up, enquanto Kouyou e Sayori iam com Keitarô na cabine, pois ele dirigiria. Rodaram por no mínimo uma hora até chegarem ao bar, que ficava em Kabuki-chô e tinha uma fachada neon bem explícita. O segurança, conhecido de Keitarô, viu a aproximação do grupo e os deixou entrarem sem problemas.

- Quer experimentar cerveja hoje? – perguntou Keitarô quando se aproximavam do balcão de bebidas.

Uma garota alta, atrás do balcão, vestida numa roupa vermelha de vinil, sorriu para os clientes, perguntando o que iam beber. Keitarô pediu cerveja e ela prontamente lhe serviu uma caneca alemã espumante. – Bebe. – mandou, empurrando a caneca para Kouyou, que o fez sem pestanejar.

- Argh! – silvou, após esvaziar o copo — Tem um gosto estranho. – admitiu, olhando para a espuma no fundo de um jeito inocente. Sayori riu.

- Você tá com uma cara engraçada, Kou-chan – disse ela, apertando suas bochechas – Que kawaii!

Kouyou bebeu muito mais dessa vez e o mundo novamente saía de foco. Provavelmente ele beijara duas ou três garotas, mas não se lembraria disso nunca. Só suas risadas ficariam gravadas, como um mórbido presente do álcool.

Na saída do bar (de onde tiveram que arrancá-lo quando a bartender propôs que ele fizesse um strip-tease) Kouyou se recusou a voltar com seu grupo e Keitarô não insistiu, visto que “ele podia se virar muito bem”, deixando-o solto. Ele andou pelo meio dos carros, gargalhando alucinado e gritando canções e declarações para o vento. No caminho de volta quase foi atropelado, até que um guarda o tirou do meio da rua e o pessoal que assistia seu cômico teatro da calçada se mandou. O guarda, percebendo que não conseguiria conversar com ele de jeito nenhum, levou-o à delegacia, para que seus superiores decidissem o melhor destino para ele.

- Qual o seu nome? – perguntou o delegado, assim que o largaram em sua sala.

- Takashi ! – soluço – ma... Kouyouuu...!

- Aff... E quantos anos você tem? – ele bem podia ter desistido daquela hora extra, estaria em casa agora. E não lidando com moleques bêbados.

- Dezesseis aninhos – respondeu rindo e se empurrando para trás e para frente na cadeira até cair de costas no chão.

- Completamente bêbado. – anunciou o delegado, indiferente — Parece mais uma criança. – e levantou-se, à procura de um policial desocupado. Tendo achado, mandou revistar Kouyou à procura de documentos.

- O sobrenome e este cartão aqui com um número de telefone indicam que ele é filho de um hoteleiro chamado Takashima Miyamoto.

- Ligue para o pai – ordenou o delegado. Kouyou tentou se levantar, mas caiu de novo, rindo. – Ajudem-no – pediu, chamando mais dois policiais que estavam na ante-sala.

O primeiro policial se apressou a ligar para o número encontrado enquanto repunham um sorridente Kouyou na cadeira.

- Alô? – disse Miyamoto, irritado por estar sendo incomodado àquela hora da madrugada.

- Sr. Takashima, seu filho está aqui na delegacia de Shibuya completamente bêbado e sem as mínimas condições de voltar para casa sozinho. – informou, numa voz entediada — O senhor pode vir buscá-lo?

- Faça-me um favor – retrucou Miyamoto impiedosamente — Arranje a cela mais imunda para ele e o joguem lá. – e desligou. O policial ficou encarando o fone, espantado com o pedido.

- O que ele disse? – perguntou o delegado.

- Acho que Takashima-kun vai passar a noite conosco.

- Pode ser bom – disse, observando o rapaz balançar a cabeça de um lado para o outro debilmente — Amanhã cedo ele pode nos contar quem está vendendo bebidas para menores de idade. Ou não. Levem-no.

Os dois policiais o levantaram da cadeira e seguiram o primeiro, que lhe abria a porta.

- Takashima-kun, teremos que levar você – disse gentilmente. Os policiais levaram-no para uma cela onde só havia um detento, com expressão debochada e os braços em volta da grade.

- Para onde estou indo? – perguntou sorridente.

- Para um lugar novo – disse o policial.

- Tem saquê lá?

- Chega de beber por hoje, filho. – disse, trancando Kouyou na cela.

- Tchau! – gritou Kouyou quando os policiais se afastaram. Ele se virou para ver melhor quem estava na cela com ele. O detento mal encarado apoiou as costas na parede e ficou lhe olhando. Kouyou fez sinal de paz e sorriu. – Olá! – cumprimentou-o

- Vai se ferrar! – disse o detento.

***

- Takashima Kouyou, você está liberado – disse o delegado, batendo as chaves contra as grades para poder acordá-lo.

- O q-que eu estou fazendo em... Uma delegacia? – foi a primeira coisa que perguntou ao notar o espaço no qual se encontrava.

- Você entornou legal ontem – resumiu o homem, acompanhando-o. – Agora, filho, vá para casa, é o melhor que você faz.

Com a mente mais esclarecida ele não seguiu o conselho do delegado, mas resolveu ir tomar satisfações e, para isso, ficou esperando por seus amigos na saída da escola, já que não tinha mais como entrar lá.

- Kou-chan! – exclamou Sayori, ao notá-lo na saída.

- Vocês me deixaram ser preso! – reclamou Kouyou, irritadíssimo.

- Desculpa aí cara – pediu Keitarô, rindo. E ao fazer menção de dar-lhe um tapa no ombro, o garoto afastou-se, o sangue fervendo.

- Me esqueçam! – Kouyou foi embora decidido a nunca mais se misturar com eles. Sim, esta seria sua nova resolução. Confiar na amizade das pessoas era errado e ele não estava disposto a passar outra temporada na cadeia. Ao passar em uma loja de conveniência entrou e comprou uma garrafa de saquê, sem nem pensar direito no que estava fazendo. Depois foi para casa, aproveitando que o pai não estava, e sem dar qualquer satisfação aos empregados, se trancou no quarto, tomou um banho e se sentou na cama com a garrafa em mãos.

“Espera, o que estou fazendo...?” – ele deixou a garrafa no chão, mas o desejo de consumi-la foi maior. Bebeu-a como se fosse água até restar pouco mais de um gole.

E isso começou a se repetir muitas vezes até que Kouyou não se importava mais se era de manhã ou noite. Ele deixou de ir com freqüência à escola porque acordava sempre com dor de cabeça em decorrência de noites bebendo, suas notas caíram e na maioria das vezes em que estava na presença do pai, sua sobriedade não era das melhores, arrancando comentários depreciativos sobre sua conduta que ele mal ouvia. Fora isso, passava a maior parte do tempo bebendo trancado no quarto e quando saía se metia em confusão.

Uma lástima.

Mas você está chegando lá, querido.

Ande comigo mais uma vez nessa estrada.

Não se sabiam as horas. Talvez de madrugada, pois o céu estava matizado de variações de azul e roxo. Ele não sabia há quanto tempo dirigia, nem o percebeu ou se o carro era seu. E de repente, o tempo saltou... Agora o sol atingia-lhe fortemente o rosto e seus olhos pesavam de sono. Kouyou dirigia sem segurança alguma e muito menos estava preocupado com as pessoas na rua, dirigia sem rumo, ouvindo uma música estrangeira na rádio.

Quando ligara o rádio?

Em uma curva, as pessoas gritaram ao vê-lo cantando pneus. E então o carro atravessou o vidro de uma joalheria, e Kouyou bateu a cabeça no volante.

Tudo ficou escuro e ele desmaiou sem se dar conta do desespero em volta.

Não sabia o que tinha feito.

Não quando estava mergulhado naquela estrada, em seu próprio desespero.

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Takashima Delícia Kouyou.

Notas finais
(In)Felizmente esse capítulo ficou grande demais e tivemos que dividí-los em duas partes, mas postaremos agora mesmo, okays?
Beijos, agradecemos os reviews e continuem nos acompanhando nessa jornada.
m/m/