Filhos de Gaia – Fic Interativa

5 Capítulo 5 - Guerra e Perda


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa, quero agradecer a todos os filhotes por entrarem nessa humilde família. Enfim, fiquem com o capítulo, não esqueçam os reviews.

Limites do Território

Wallace e Fuyuki viraram-se para trás quando ouviram os chamados da matilha. Fuyuki estava furioso, mas deixou a raiva que sentira dos homens e correu de volta para a mata que levava de volta à cidade, precisava ajudar os outros.

Wallace assim como o guerreiro estava cego pela raiva, mas não pelo fato de estar sendo atacado e sim pela razão de que um filhote estava tendo tamanha ousadia. Ao contrário de Fuyu ele não saiu correndo em direção a cidade, ele avançou sobre os homens. Seus olhos ficaram vermelhos e brilhavam como nunca, conta da raiva que sentira. Os homens atacaram no intuito de proteger seu alfa, mas não foram páreos. Um alfa já era perigoso, mas um alfa cego de raiva era o pesadelo de qualquer lobisomem. Simples socos foram o suficiente para os homens que acompanhavam Cole caírem inconscientes.

Avançou sobre Cole com um soco, o mais novo desviou e revidou na mesma moeda. Ele riu, quando Wallace deu um passo atrás com a pancada, porém aquilo foi proposital de Wallace. Ele sabia que Cole era novo, talvez 23 anos, ele queria testar se o novato era inteligente e como desconfiava não era. Segurou seu pescoço no momento que Cole tinha se distraído. E o levantou sem nenhuma dificuldade. Os pés de Cole não tocavam o chão, e Wallace o enforcava, aproximou-o de seu rosto para que Cole o pudesse ver claramente.

–- Quer sentar na mesa dos mais velhos? — O olhava com raiva, enquanto Cole só tentava puxar ar. -- Aprenda uma coisa filhote. Ninguém. NINGUÉM FODE COMIGO! Mas eu não vou te matar, eu vou deixar você vivo e quando eu extinguir todos os bostas dos servants. Ai sim. Eu vou te caçar até o inferno. — Wallace ficou ali o segurando, até o rosto de Cole ficar vermelho pela falta de ar e por fim acabou desmaiando.

Wallace o largou no chão desacordado. Não satisfeito, pisou com força nos joelhos do homem o quebrando. Ajeitou suas roupas, e seguiu com tranquilidade de volta para seu domínio.

Floresta

Louise e David continuavam sua corrida. Estavam revisando os uivos, o cansaço estava batendo, mas eles não podiam parar. Os lobos que os seguiam eram determinados e mesmo que mais lentos os seguiam sem parar.

Dave começava a perder força, sua pelagem branca estava coberta por sangue, resultado do ataque no mercado. Por pouco conseguia acompanhar Lou, ele precisava parar.

–- David! Consegue continuar? – Louise perguntava enquanto corria. Notara a dificuldade do colega.

–- E.. Eu... Tô bem. – Dizia meio ofegante. Sua mente mandava as patas continuarem, mas seu corpo estava cedendo.

Louise não perguntou mais nada e parou subitamente. David fez o mesmo.

–- O que você tá fazendo?!

–- Vamos lutar.

Lou se posicionou quase que em frente de Dave, ele iria atacar primeiro e segurar quantos conseguia até David descansar um pouco. Não demorou muito para os cinco guerreiros que os seguiam aparecessem. Os que vinham na frente focaram-se em Lou, o atacando em conjunto. Louise estava sendo mordido pelo corpo todo, mas foi rápido e levantou uma pata que com as garras perfurou o olho de um dos lobos que recuou enquanto o sangue pingava e manchava o seu pelo.

David tentaria ajudar Lou se não tivesse três a sua volta. Desta vez Dave foi o que atacara primeiro antes que os lobos pudessem o derrubar no chão. Sem um alvo fixo começou pelo maior, indo para o pescoço, mas não conseguiu finalizar sua morte limpa já que outro lobisomem pulou no mesmo momento e Dave por ser mais fraco foi ao chão.

Um pouco mais distante dali Luana, Kaosu e Joshua corriam. Eles estavam começando a seguir um ritmo lento por conta de Luana. Não era fácil sair correndo com um corte, mesmo que cicatrizado do lado de fora ainda doía por dentro, ter se transformado não ajudou apenas piorou a situação.

Kaos deu uma olhada de relance enquanto Luana sentava para tomar fôlego. Joshua ficava andando de um lado para o outro, vigiando sua posição.

–- Tudo bem? – Kaosu olhou para a pata da colega não tinha nenhum corte, ao menos ele não tinha aberto novamente.

–- Ótima. Só preciso de um minuto.– Luana parecia bem realmente, era só aquela maldita dor que voltava quando corria por muito tempo. Não conseguiu descansar, um barulho chamara sua atenção. Levantou a cabeça no mesmo momento e ficou parada naquela posição com as orelhas em pé, esperando que o som se repetisse. Kaos e Josh notaram a mudança repentina e ficaram parados para que eles não atrapalhassem. Novamente o som surgia, um choro canino de Dave. Luana saiu em disparada seguida pelos defensores.

Correram alguns metros até chegarem a uma parte da floresta com poucas árvores, havia pedras, galhos secos e raízes saindo de dentro do solo. Estava quieto até que viram Louise ser jogado contra o solo. Automaticamente Kaosu e Joshua correram na direção do atacante, eles trabalharam juntos. Kaos passou como um furacão jogando o lobo para longe de Louise, Joshua por sua vez pulou por cima do alvo caído e simplesmente com uma mordida na parte das costas quebrou sua espinha.

Luana foi ao resgate de Dave que estava com sérios problemas sendo atacado por todos os lados por três lobos simultaneamente. Lu não era forte o suficiente para matar um guerreiro, começou a morder o corpo do que estava mais próximo, ele a ignorou estava cego por David que provavelmente não aguentaria muito tempo. Quando Luana iria tentar algo diferente viu um lobisomem cinza com um olho perfurado vindo em sua direção, ele espumava pela boca e rosnava alto, como se a garota fosse sua caça favorita prestes a ser abatida. O lobo avançou e Luana não foi capaz de afasta-lo, o cinzento agarrou seu pescoço e começou a balançar tentando quebra-lo, Luana não foi capaz de fazer nada a não ser balançar seu corpo junto se mantendo mais tempo viva. Algo fez com que Lu fosse largada.

O lobo de aproximadamente 89cm e 1,93m, de pelagem cinza escura com detalhes em azul na cauda, patas, orelhas e volta do focinho veio ao resgate de Luana. Seu tamanho era semelhante ao do cinzento que a atacava. O mais escuro conseguiu afasta-lo da rastreadora e se pôs no meio dos dois, impedindo que o lupino voltasse atacar Luana. Era Fuyuki. Antes que o colega pudesse falar pelo menos um "tudo vai dar certo" o cinzento avançou sobre ele, ambos eram semelhantes, assim dificultava uma morte rápida de qualquer um dos lados. Começavam a se morder, arranhar, abriam cortes um no outro. A diferença de um para o outro, era que o servant estava cego de raiva e Fuyuki notava isso, essa irracionalidade foi fatal pois ele esquecia de se defender e acabou ficando muito fraco para continuar.

Não demorou muito para que Wallace se juntar a guerra. Sua pelagem era puramente negra, como uma sombra. Matava como um profissional, todos com que cruzava morriam sem tempo de reagir. Aquele matagal que uma vez fora verde agora estava mesclado com vermelho, sangue dos silvers e servants. Os silvers de certa forma tinham vantagem por lutarem com o alfa ao seu lado, e não sofrerem nenhuma baixa ao contrário dos servants que já tinham perdido mais de quinze. O problema era que quanto mais matavam mais apareciam, aquele ponto aglomerava cada vez mais lobos inimigos, Wallace estava perdendo o controle.

Kaosu e Joshua estavam completamente cegos pelo campo de batalha, o que de certa forma era bom, matavam quase como Wallace destroçando como profissionais. Fuyuki estava quase que da mesma maneira, se sentia livre naquela guerra resgatando suas origens, porém ele estava com alguns cortes no focinho, orelha e um próximo ao olho. Louise e David continuavam se ajudando, Louise protegia Dave, ele estava bastante debilitado, pois tinha sido alvo de ataques duas vezes. Tendo a maior parte de seu corpo cortado pelos rastreadores e quase levado a óbito por guerreiros. Louise também tinha cortes espalhados, assim como uma pata quebrada, mas se mantinha firme. Luana se mantinha perto dos caçadores como apoio.

Quando Wallace olhou em volta novamente estava quase cercado por trinta e cinco servants. Todos espalhados pelo campo, não teve escolha. Sua vontade era continuar até a morte, mas não deixaria o clã inteiro morrer naquela noite. Deu um uivo curto, que significava bater em retirada. Seguiu correndo para dentro do mato, visando a saída de Colorado Springs. Os outros o seguiram, Josh, Kaos e Fuyu pareciam ter despertado do seu transe e seguiam os outros membros.

Os silvers corriam juntos liderados por Wallace, desviando de árvores, pulando por troncos e raízes. Os servants iam logo atrás, não estavam apressados, só queriam ter certeza que o outro clã iria mesmo sair da cidade. Quando Wallace pisou fora do território a perseguição tinha acabado, os sevants uivavam em comemoração. Colorado Springs tinha sido perdida.

Alguns quilômetros de Larkspur

Todos estavam cansados, tinham passado 3hrs correndo e agora andavam na sua forma humana. Roubaram roupas de uma casa no caminho e seguiam em silêncio. A maioria já tinha se curado das feridas, menos David. Fisicamente por fora ele estava bem, mas era como se continuasse todo machucado, precisava recuperar energia. Luana ainda sentia alguns desconfortos na perna, mas não mancava mais. Louise segurava o braço junto ao corpo, aquele osso custaria a sarar. Joshua dava suporte a David que estava apoiado em seu ombro. Kaosu falava sobre qualquer coisa com Luana. E Fuyuki andava atrás de todos, com o intuito de proteger caso um servant quisesse fazer um novo ataque.

A garoa que caia virava uma chuva forte, um temporal. Wallace sabia que a maioria estava cansada depois da batalha, liderou toda a matilha para um galpão abandonado. O galpão não tinha janelas ou portas, o telhado em sua maioria era quebrado, e havia ferros enferrujados e algumas partes de carros por todo o lugar. Uma oficina abandonada.

–- Fiquem aqui. – Wallace fechou a cara e afastou-se do resto da alcateia. Eles ficariam sozinhos, durante o temporal da noite.

Todos entraram sem questionar. Foram a parte do fundo, onde não estava tão molhado.

–- Eu fico de vigília. – Dizia Joshua ajudando Dave a chegar até o fundo junto com Louise que já estava sentado. E seguiu para a saída.

–- Quando cansar, me avise. – Fuyuki seria o próximo a vigiar. Afinal Kaosu não era boa em manter-se num lugar só por vários motivos, da última vez que ela foi bancar a vigia aconteceu um ataque de outro clã e Kaos os atacou sem nem ao menos parar para chamar reforço. Resultado? Uma carnificina.

Joshua assentiu e saiu no meio do temporal noturno. A chuva atrapalharia com certeza sua audição e olfato, mas alguém ainda tinha que vigiar.

Larkspur (Joshua)

O ruivo se afastava do galpão no meio daquele temporal. Ventava e até mesmo alguns trovões e relâmpagos aconteciam. Ele ficou algum tempo olhando ao longe, mas simplesmente saiu andando em direção a cidade.

Joshua não pretendia ficar se molhando pela alcateia, não naquela noite. Larkspur não era uma cidade muito grande, ainda mais durante a noite, parecia deserto. Joshua andou por alguns minutos até ver uma barzinho ao longe, no estacionamento tinha um telefone e ele seguiu para lá, discando o número que parecia saber de cor.

–- Alô? – Joshua parecia meio ansioso, olhava para os lados constantemente. Verificando se não estava sendo seguido.

–- Alô. Quem é? – Era uma voz feminina do outro lado da linha. Joshua logo relaxou ao ouvi-la.

–- Em... Emilly sou eu.

–- Josh?! Ai meu Deus, você tá bem? Onde você tá?!

–-Tô bem, não se preocupe. Eu só precisava saber se você estava bem.

–- Sim, claro. Eu estou bem, só com saudades.

–- Eu também. – Sua voz começava a falhar um pouco. – Escuta, você continua em Nova Iorque?

–- Nunca fiquei lá. Por que?

–- Vá pra lá. Agora eu preciso ir. – Desligou antes mesmo que ouvisse uma confirmação. Joshua não tinha certeza se Wallace iria voltar para aquela cidade depois da perda de território, mas estava apostando.

Galpão

A chuva não parava de cair, até era possível ouvir as gotas batendo com força contra as telhas. Louise e David estavam mais ao fundo, a guerra tinha consumido todas as suas energias, Dave tinha caído no sono pelo cansaço e Louise dava pequenos cochilos, era desconfortável dormir com a dor que sentia no braço. Fuyuki estava quase fora do galpão, fitando o horizonte, esperava sua vez de começar a vigiar.

–- Não é tão ruim. Podemos descansar pelo menos. – Luana se escorava perto de uma viga, estava um pouco cansada, mas não o suficiente para dormir.

–- Claro que não. Só estamos no meio da chuva, com gente machucada e o Wallace foi pra Deus sabe se lá onde. – Kaosu queria descansar, mas em um lugar mais confortável.

O assunto não se seguiu muito, Luana tinha entrado na sua posição ereta e séria. Kaos tinha notado e deu um toque para Fuyuki que virou-se para elas.

–- O que foi? – Fuyuki estava sério, ele tentava ouvir alguma coisa ou captar algum cheiro, toda aquela chuva não ajudava.

–- Tem alguém. O cheiro é muito fraco. – Lu andou em direção a entrada, respirou fundo. Não conseguia ser precisa de onde estava vindo ou até mesmo a quantidade, só sabia que não era familiar.

–- Eles nos seguiram. Vamos. – Kaos já estava sentindo a adrenalina tomar conta novamente, sua vontade era sair correndo em direção ao nada, como Fuyuki ela não sentia nenhum odor e isso não ajudaria. – Eu vou com a Luana, você fica aqui.

–- Vou com vocês. – Fuyuki foi contraditório, seu lado lobo pedia pela batalha. E de qualquer maneira ele não obedeceria.

–- Alguém tem que ficar com o Dave e o Lou. Não podemos deixar eles sozinhos nesse estado. – Luana interviu.

–- Então que fique a Kaosu. Não sou um defensor. – Protestou Fuyu.

–- Eu sou mais forte que você, vou matar qualquer um num único ataque. – Kaos cruzou os braços. Mesmo que ela fosse a mais qualificada para ficar e proteger o galpão ela queria ver a ação de verdade.

–- Mais forte e mais impulsa. Vai atacar sem pensar. Vamos com calma, está chovendo e todos estão cansados, temos que ser estratégicos, se sairmos matando sem ao menos saber quantos possíveis inimigos tem lá fora iremos alastrar essa guerra pra um território que não é nosso.

Os argumentos de Fuyuki eram validos, ele era muito mais calculista do que Kaos que como o próprio havia dito sairia matando quem visse na frente. Luana e Fuyuki foram investigar o tal cheiro, Kaosu não se sentia à vontade com aquilo. Seu lado animal estimulava o comportamento padrão. Ela era uma defensora sim, mas não para ficar de babá e sim para defender sua matilha do que quer que fosse.

O plano era simples, Fuyuki foi o único a tomar sua forma lupina, assim ele seguiria Luana e conseguiria protege-la caso tivessem outros transformados. Já a morena não havia se transformado pois aquele não era território dos silvers, se algum humano acabasse os vendo mesmo que a noite, poderiam usar a desculpa que era apenas um passeio noturno com o “cachorro”.

A chuva estava tão forte que começava a dar problemas aos sentidos de Luana, ela andava para um lado e logo o cheiro mudava de direção. Fuyuki transformado ampliava seus sentidos, conseguia ter ao menos relances do odor, não tão forte para seguir, apenas o suficiente para ter uma noção de onde estava. Era praticamente impossível ver o galpão daquela distância. Kaos havia perdido eles de vista, continua estática na entrada, fitando o horizonte.

Um tiro foi ouvido ao longe. O ruído alto fez com que Louise e David despertassem de seu sono, Kaosu saiu correndo, sem ter tempo de mudar sua forma. A preocupação aumentou quando ouviram o uivo do guerreiro, um uivo que expressava pesar no tom.

Ao longe Kaos pode ver a colega caída no chão, Fuyuki não estava próximo. Com a chuva e a escuridão não havia meio de vê-lo ao longe, ainda mais sendo uma sombra.

–- Merda, merda, merda. – Kaos ajoelhou-se no chão, não sabia o que fazer com todo aquele sangue que escorria pelo abdômen da morena. Precisava estancar o sangramento, suas mãos apertaram o ferimento, Luana fez uma careta, não tinha forças para protestar. – Você vai ficar bem, vai ficar bem... – Olhou para os lados procurando outros membros da matilha, Fuyuki ou Joshua que estavam no lado de fora. Começava a entrar em desespero, quando voltou o olhar a colega o sangue escorria pela sua boca que fazia com que engasgasse. – Não, não, não!

Os protestos da mais nova não deram em nada, foi questão de minutos para ela morrer afogada no próprio sangue. Kaosu protestou, ela não podia ter morrido. Sacudiu algumas vezes o corpo, tudo em vão. Não pode chorar pela perda, novamente outro disparo cortava o silêncio da noite, o tiro foi certeiro no ombro direito de Kaos, foi o suficiente para ela sentir queimar toda sua pele. Permaneceu naquela posição ajoelhada, segurando o ombro que pingava na cor rubra característica do sangue. Sentiu algo agarrar-lhe com força pela perna e a arrasta-la, pela dor no ombro não conseguiu ver o que ou quem era. Quando finalmente parou, notou que estava atrás de um carro, fora da visão que dava em frente a floresta, o lobo negro a fitava, era Fuyuki.

–- Fique aqui. Tem um atirador. – O lobo saiu correndo de volta ao galpão, ele precisava avisar os caçadores que continuavam lá.

Notas finais
Dessa vez, não teremos nada aqui. Provavelmente não terá mais, quero manter certo mistério. Descanse em paz jovem Luana.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.