Filhos da noite 2 – Sozinha

7 Capítulo 6 - COMO FICAR LONGE SE ELE VEM ATÉ MIM?


Ben estacionou em frente à casa e eu o encarei.

— Não te quero mais lá, ok? — Ben falou. — Nem com esse Tyler. Ou o Scott.

— Tyler é um Nephilim?

— Eu acho que não. Eu só não sei qual o envolvimento dele. Por enquanto fique longe.

— Nos reencontramos hoje. Não foi nada demais.

— Só fique longe dele.

— Ele é um amigo de infância.

— As coisas mudaram agora.

— Não tente me proibir de nada. — Falei pegando a chave do carro e saindo.

Ben saiu do carro e eu apertei o botão que o trancava depois corri para a varanda.

Antes de fechar a porta arrisquei olhar para tras, mas Ben não estava mais ali.

A luz tinha voltando então aproveitei para tomar um banho quente. Estava comendo um pedaço de lasanha quando Nora entrou na casa.

— Oi. — Falei.

— Onde você estava?

— Ben me obrigou a voltar.

— Ainda bem. Teve uma briga.

— O que? Você está bem?

Vi tudo pelas lembranças dela e fiquei parada a encarando.

— Sinto muito, Nora. — Falei e ela desabou em chorar.

Terminar com Patch era ruim. Ver Marcie com ele era pior. Descobrir que ele não era mais o anjo da guarda dela, era péssimo.

Levantei a abracei não me importando por ela estar encharcada.

No outro dia acordei cansada. Tive pesadelos a noite toda. Sonhava que Ben estava tentando me matar.

Era tão estranho os sonhos, mas ao mesmo tempo pareciam tão reais.

Me arrastei para fora da cama e tomei um banho para tentar acordar melhor.

Vesti uma legging cinza, uma camiseta branca gola v e calcei meu tênis da Nike. Encontrei com Nora e Blyte na cozinha.

— Bom dia. — Tia Blyte falou me entregando uma xicara de chá de erva doce.

— Obrigada. Bom dia.

— É que...Que cheiro de fumaça estou sentindo? — Blyte perguntou.

— Acendi algumas velas no meu quarto esta manhã. — Nora respondeu.

Blyte franziu a testa.

— Isso definitivamente é cheiro de fumaça. — Ela ficou em pé e Nora coçou a sobrancelha.

— Eu meio que fui a um salão de bilhar na noite passada.

— Patch? Nós combinamos uma regra não faz muito tempo em que você estava absolutamente proibida em qualquer circunstância de sair com Patch enquanto eu estivesse fora.

— Ele estava lá sim.

— E?

— Eu não fui com o Patch. Fui com Scott. Mas antes de explodir eu só quero dizer que minha curiosidade está me matando. Está sendo muito difícil ignorar o fato de que os Parnell estão fazendo o possível para manter o passado de Scott em segredo. Porque toda a vez que a Sra. Parnell vai abrir a boca Scott já está a dois centímetros dela olhando-a como um falcão? O que ele poderia ter feito de tão ruim?

Lancei um olhar a Nora e tomei um gole de chá disfarçando o sorriso. Ela tinha enrolado bem.

— Eu percebi isso também.

— Sou eu ou ela parece ter medo dele?

— Que tipo de mãe tem medo do seu próprio filho?

— Eu acho que ela sabe o seu segredo. Ela sabe o que ele fez. E ele sabe que ela sabe.

Nora foi para a escola primeiro então quando cheguei na sala Marcie e ela já estavam sentadas juntas.

— Só para vocês saberem, enviarei uma mensagem depois da aula convidando todos para a minha festa de verão anual que vai rolar nessa terça-feira. — Marcie falou assim que me joguei na cadeira. — Vocês estão na lista. Rejeitar o meu convite é a melhor maneira de sabotar a sua vida social.... Aliás, vocês não precisam se preocupar em sabotar algo que vocês não tem.

— Festa anual de verão? Nunca tinha ouvido falar disso. — Nora falou e Marcie pegou seu pó compacto para passar no rosto ainda roxo.

— Isso é porque vocês nunca foram convidadas antes.

— Uau Marcie. Muito gentil de sua parte me convidar. Um pouco inesperado, mas ainda sim agradável. Vou definitivamente tentar ir. — Marcie se inclinou para ela.

— Eu vi você na noite passada.

— Sim eu te vi também.

— Aquilo foi tão... Louco.

— Eu estava atrás da multidão. Não consegui ver muita coisa me desculpe.

— Você não viu nada?

— Não. Você estudou para o teste de hoje? Tenho a maioria da tabela periódica memorizada, mas a última linha ainda me faz tropeçar.

— Eu acho

— Você acha?

— Você viu a tacada? Eu nunca vi ninguém fazer isso antes. Ele empurrou-o através da mesa de sinuca. Essas coisas não são feitas de pedra?

— Patch nunca te levou até lá para vê-lo jogar? Você já tinha visto algo assim antes?

— Será que isso importa? — Marcie fez uma careta.

— Quer saber? Se você não vai conversar pode esquecer o convite para a minha festa.

— Eu não iria de qualquer maneira. — Ela revirou os olhos.

— Você está brava porque eu estava com Patch no Z na noite passada? Porque ele não significa nada pra mim. Nós estávamos apenas nos divertindo. Nada grave.

— Sim realmente me pareceu desse jeito.

— Não seja ciumenta, Nora. Patch e eu somos muito, mas muito bons amigos. Mas caso você tenha interesse, minha mãe conhece um terapeuta de relacionamentos muito bom. Deixe-me ver se você precisa de uma referência. Pensando bem ele é muito caro. Quer dizer, eu sei que sua mãe tem trabalhado muito e tal... — Nora abriu o livro. — Eu ouvi que você e Patch terminaram... Quem terminou?

— Pergunta para você, Marcie. O que você faria se acordasse amanhã e soubesse que seu pai tinha sido assassinado? Você acha que com um emprego meio período no JC Penney sua mãe iria pagar as contas? Da próxima vez antes de expor a minha situação familiar se coloque no meu lugar um minuto. Um minutinho apenas.

Depois das aulas eu segui para o estacionamento com Nora e encontramos Vee nos esperando.

— Precisamos conversar. — Vee falou. — Você e Patch estavam em Splitsville não é? — Nora sentou no capo junto com ela.

— Quem disse?

— Rixon. Para seu registro machucou. Sou sua melhor amiga e não deveria descobrir essas coisas do amigo do amigo. Ou através do amigo de um ex-namorado. — Ela colocou a mão no ombro de Nora. — Como você está aguentando?

— Você sabe qual é a pior parte?

— Que eu estava certa o tempo todo e agora você tem que sofrer por me ouvir dizer “eu te avisei”?

— Engraçado.

— Não é segredo que o Patch é problema. Ele tem todo o lado bad boy em necessidade de redenção, mas o problema é que a maioria dos meninos maus não quer redenção. Eles querem continuar maus. Eles gostam do poder que conseguem em colocar o medo e pânico nos corações das mães.

— Essa foi... Esclarecedora.

— Sempre querida. E sabe o que mais...

— V... — Vee agitou os braços.

— Me ouça. Estou guardando o melhor para o final. Acho que este é o momento de repensar as suas prioridades quando se trata de rapazes. O que precisamos é encontrar um bom rapaz tipo escoteiro que vá fazer você apreciar o valor de ter um bom homem na sua vida. Pegue Rixon como exemplo. — Nora a encarou incrédula. — Me magoa esse olhar. Rixon é realmente um cara decente. — Elas ficaram se encarando. – OK, talvez não do tipo escoteiro. Mas a questão é que você poderia se beneficiar de um cara legal, um que não tivesse um guarda-roupa negro. O que será isso afinal? O Patch se acha um comandante?

— Eu vi Marcie e Patch juntos na noite passada. — Nora falou e Vee piscou.

— O quê? — A boca de Vee se abriu em "O" e Nora assentiu.

— Eu os vi. Ela estava com os braços em torno dele. Eles estavam juntos em um salão de bilhar em Springville.

— Você seguiu eles?

— Scott me convidou para jogar sinuca. Fui com ele e nós fomos até lá.

— Pois bem. Como estava dizendo uma vez que você conhece a luz nunca mais vai voltar para a escuridão. Talvez Rixon tenha um amigo que não seja Patch que é...

— Eu não preciso de um namorado. Preciso de um emprego. — Vee fechou a cara.

— Mais conversa sobre emprego, ugh. Eu simplesmente não entendo o fascínio.

— Preciso de um carro e para conseguir um eu preciso de dinheiro. Assim o emprego.

— Minha mãe é amiga de um dos gerentes no Enzo e eles estão procurando barristas. — Vee sugeriu.

— Eu não sei nada sobre ser uma barrista.

— Ou você pode fazer café. Poderia servi-lo. Você poderia levá-lo aos clientes um pouco ansiosos. O quanto difícil poderia ser?

— Não querendo apressar as coisas, mas já apressando. — Falei depois de consultar o meu relógio. — Vamos almoçar por que eu tenho que voltar.

Depois do almoço voltei para a escola para ensaiar para o recital.

Quando sai me surpreendi por encontrar Tyler parado me esperando.

Como eu poderia ficar longe dele, se ele vinha até mim?

— Oi. — Falei.

— Escola de verão?

— Ensaiando com o violoncelo.

— Você ainda toca com aquela coisa?

— Sim. — Apontei para ele pendurado nas minhas costas. — Como me encontrou?

— Encontrei com Nora e Vee no calçadão. E perguntei por você.

— Deixe-me adivinhar, foi a Vee que te falou onde eu estava. — Ele sorriu.

— Bingo. — Ele debochou. — Ontem nem conseguimos conversar. Quem era o cara?

— Ex namorado.

— Parece que ele tem alguma influência sobre você.

— Somos amigos. — Respondi.

— Hum... E namorado tem?

— Não. — Respondi.

— Isso é ótimo. Queria te chamar para sair.

— Olha Tyler, a minha semana está meio corrida. — Falei.

— Tem planos para hoje?

— Ainda não. — Respondi. — Mas...

— Mas? Você não quer sair? É pelos velhos tempos. Quanto tempo faz que a gente não se vê? 3 anos?

— Acho que isso. Ok. Mas hoje não. — Ele sorriu

— Vai ter uma batalha de bandas no domingo. Está livre?

— Estou. — Ele sorriu.

— Eu arrumo as carteiras falsas então.

— Carteiras falsas? — Repeti.

— De identidade. — Ele sorriu. — Algum problema? — Eu sorri.

— Nenhum. — Respondi.

— Ótimo. Nos vemos no domingo.

— O que devo usar?

— Pode usar algo curto. — Ele debochou sorrindo e se afastou indo para o seu carro.

Fiquei olhando o carro sair do estacionamento.

Ben iria querer me matar, mas ele teria que lidar com uma adolescente com os hormônios a flor da pele.

Sair da linha às vezes é bom.

Notas finais
N.B.: Minha amiga, sair da linha, às vezes é ótimo, maravilhoso, melhor escolha hahaha. Bjs, bjs. Fhany Malfoy