Filhos da noite 2 – Sozinha

4 Capítulo 3 - JANTAR NADA AGRADÁVEL


Comprei o violoncelo e voltei a escola. Passei o resto da tarde tocando e quando parei meus dedos estavam doendo muito.

— Quer uma massagem? — Simas perguntou quando me viu fechando e abrindo a mão.

— To legal.

— Você está sempre na defensiva por que tem namorado ou é assim mesmo?

Eu não sabia responder aquilo.

— Namorado. — Chutei.

— Não deveria fazer só o que ele manda.

— Ele está longe de mandar em mim, Simas. Ben é muito diferente desses caras. E eu também sou diferente dessas garotas.

— Isso eu já vi. Então você está sempre na defensiva mesmo.

— Tenho um problema em confiar nas pessoas. — Murmurei.

— Achei que tínhamos passado essa parte.

— Estamos longe de passar essa parte. — Retruquei. — Agora eu preciso ir.

Carreguei meu violoncelo para dentro do carro e vi Patch parado na porta.

— Hey. — Falei fechando o porta-malas. — Tudo bem?

— Preciso que você converse com Nora.

— O que aconteceu?

— Ela terminou comigo.

— É tão difícil dizer o que sente?

"Não posso!" Seus pensamentos invadiram a minha mente. "Estou caminhando na corda bamba, não posso dizer que a amo. Na verdade não poderia nem ao menos estar envolvido com ela desse jeito."

— O que você estava fazendo na casa da Marcie afinal?

Ele passou a mão na nuca e se encostou no chão.

— Negócios.

— Ótima resposta. Ela odeia a Marcie.

— Tente conversar com ela.

— O que eu posso dizer? Confie nele. Ele não estava olhando Marcie tirar a roupa ou coisa do tipo só estava fazendo algo sigiloso. Francamente Patch isso não vai rolar.

"Os Arcanjos estão em cima de mim. Ela tem que entender isso."

— E parece que ela entendeu. Ela terminou por que sabe que isso é proibido.

— Por que ela é tão diferente de você?

— E por que você é tão diferente de Ben?

— É, mas vieram atrás dele também.

— Eu imaginei que isso aconteceria. Nós... Transamos.

Patch pressionou os lábios.

— Já notamos isso em suas asas. Ele andou pecando. E os Arcanjos também.

"Eles vão nos mandar para o inferno desta vez se fizermos algo de errado."

Mordi o lábio.

— Então aceita que levou um pé na bunda, Patch. — Falei colocando a mão na porta, mas ele não se desencostou. — Com licença.

— Só conversa com ela.

— Nada do que eu falar vai ajudar. Agora me deixe ir. Com certeza ela deve estar chorando agora. — Resmunguei e ele se afastou do carro.

Entrei no carro e dirigi de volta para casa o mais rápido que consegui. Encontrei Nora dentro do banheiro.

— Oi. — Murmurei entrando e pegando uma toalha.

Molhei a toalha depois entreguei a ela que limpou a boca.

— Eu não acredito que fiz isso. Não pode ter sido o fim. Por que eles não podem nos deixar em paz?

Alguém bateu na porta e Nora foi se deitar enquanto ligava para a mãe dela.

— Os Parnell estão aqui.

— Eca! Estou no sinaleiro da Walnut. Estarei aí em dois minutos. Mande eles entrarem.

— Eu mal me lembro do Scott e não me lembro nenhum pouco da mãe dele. Vou convidar eles para entrar, mas não vou bater papo. Vou ficar no meu quarto até você voltar.

— Nora.

— Ótimo! Eu falo com eles. — Nora desligou e jogou o celular para o outro lado do cômodo. — Pode fazer isso por mim?

— Me desculpe, mas você é a Nora. Eu nem ao menos os conheço.

Nora bufou e levantou.

— Mas pelo menos você vem junto.

— Sim.

Nora abriu a porta para o garoto parado atrás dela. Ele era alto, cabelo cortado curto e tinha uma argola no lóbulo esquerdo. Ele sorriu.

— Você deve ser a Nora.

— Você deve ser o Scott. — Ele deu um passo para frente e tirou os óculos.

— Você é?

— Nicolle. — Respondi.

— Onde está a sua mãe?

— A caminho de casa com o jantar.

— O que vamos comer? — Nora não respondeu. — Coldwater é um pouco menor do que eu estou acostumado. — Nora cruzou os braços.

— É também um pouco mais fria que Portland. — Ele a encarou de cima a baixo depois sorriu.

— Eu notei. — Ele caminhou até a geladeira. — Tem cerveja?

— O quê? Não.

Do lado da rua podíamos ouvir a voz de Blyte e de outra mulher. Blyte entrou carregando sacolas marrons de mercearias e uma mulher gordinha vinha ao lado dela.

— Nora e Nikki, esta é Lynn Parnell. Lynn, essa é a Nora e a outra é a Nikki.

— Minha nossa. — Sra. Parnell falou juntando as mãos. — Ela parece exatamente com você não parece, Blyte? E olhe para essas pernas! Mais compridas que a Strip de Vegas.

— Eu sei que é uma péssima hora, mas não estou me sentindo bem então eu vou me deitar... — Nora se calou quando Blyte a encarou.

— O Scott realmente cresceu não foi, Nora? — Blyte falou e eu disfarcei o sorriso.

— Que observadora.

— Nora e eu estávamos um tanto nostálgicas esta manhã nos lembrando de todas as coisas que vocês dois costumavam fazer. Nora me disse que você costumava fazê-la comer rocambole.

— Ele costumava fritá-los vivos sob uma lupa e ele não tentava me fazer comê-los. — Nora resmungou. — Ele se sentava em cima de mim e apertava meu nariz até ficar sem ar e ter que abrir a minha boca. Então ele jogava eles dentro.

As mães trocaram um olhar. O jantar seria no mínimo divertido. Vee estava certa. Blyte queria juntar Nora e Scott.

— Scott sempre foi muito persuasivo. — Sra. Parnell falou. — Ele pode convencer as pessoas a fazerem coisas que elas nunca imaginaram fazer. Ele tem um dom para isso. Me convenceu em comprar para ele um Ford Mustang 1966, novo. É claro ele me acertou num período bom, me sentia tão culpada pelo divórcio. Bom. Como eu dizia Scott provavelmente fez os melhores rocamboles fritos do quarteirão todo.

— Então. — Scott falou coçando o peito. — O que tem para o jantar?

— Lasanha, pão de alho, e uma salada de gelatina. — Blyte respondeu. — Nora fez a salada.

— Eu fiz?

— Você comprou as caixas de gelatina.

— Isso não conta na verdade.

— Nora fez a salada. — Blyte falou para Scott. — Eu acho que está tudo pronto. Por que não comemos?

Nos sentamos e demos as mãos para abençoar a comida.

— Me conte sobre os apartamentos na vizinhança. — Sra. Parnell falou cortando a lasanha e colocando no prato de Scott um pedaço. — Quanto eu posso esperar pagar por dois quartos com dois banheiros?

— Depende de quanto você quer que ela seja remodelada. — Blyte respondeu. — Quase tudo desse lado da cidade foi construído antes de 1900, e aparenta. Assim que nos casamos Harrison e eu procuramos por diversos apartamentos acessíveis de dois quartos, mas quase sempre havia algo errado, buracos nas paredes, problemas com baratas ou eles não estavam perto o bastante de um parque para ser capaz de ir caminhando até um. Já que eu estava grávida, decidimos que precisávamos de um lugar maior. Essa casa estivera no mercado por dezoito meses e conseguimos fazer um acordo que consideramos quase bom demais para ser verdade. — Ela olhou ao redor. — Harrison e eu planejamos restaurá-la por completo eventualmente, mas... Bem e então... Como você sabe... — Scott limpou a garganta.

— Sinto muito pelo seu pai, Nora. Ainda lembro do meu pai me chamando na noite em que aconteceu. Eu estava trabalhando a alguns blocos de distância na loja de conveniência. Espero que eles peguem quem quer que seja que o tenha matado.

— Nos diga, Nora. — A Sra. Parnell falou. — Como é o colégio Coldwater? Scott praticava Wrestling em Portland. O time ganhou o Estadual os últimos três anos. A equipe daqui é boa? Eu estava certa de que tínhamos nos enfrentado antes, mas foi quando Scott me lembrou que Coldwater é Classe C.

— Eu não sei sobre Wrestling, mas o time de Basquete foi ao Estadual uma vez. — A Sra. Parnell engasgou com seu vinho.

— Uma vez?

— Tem uma foto do time do outro lado do escritório. — Nora respondeu. — Pela foto isso foi a mais de sessenta anos atrás. – Sra. Parnell arregalou os olhos.

— Sessenta anos atrás? Tem algo de errado com o colégio? O treinador? O diretor de atletismo?

— Nenhum grande. — Scott falou. — Eu estou largando o ano. – Sra. Parnell deixou cair seu garfo.

— Mas você ama Wrestling! — Ela falou, mas o filho se limitou a comer e dar de ombros.

— E? — Ele respondeu de boca cheia.

— E que você não está indo para a faculdade com suas próprias grades. Sua única esperança a essa altura é que alguma instituição de ensino o pegue em algum jogo.

— Eu tenho outras coisas que quero fazer. — Ela ergueu as sobrancelhas.

— Ah como repetir o último ano?!

— Passa a salada Blyte? — Scott pediu depois de engolir.

— O que aconteceu no ano passado? — Blyte perguntou.

— Ah você sabe como é isso. Scott arranjou um tantinho de problemas, coisas normais. Nada que uma mãe de um garoto adolescente não tenha visto antes. — Ela forçou uma risada.

— Mãe. — Scott falou.

— Você sabe como são os garotos. Eles não pensam. Vivem o momento. São imprudentes. Fique grata por ter uma filha Blyte. Oh céus. Aquele pão de alho está me dando água na boca me passa uma fatia?

— Eu não deveria ter dito nada. — Blyte falou passando o pão. — Não consigo dizer o suficiente o quão felizes estamos por terem vocês de volta em Coldwater.

— Estamos encantados por estar de volta e tudo numa parte.

Nora colocou uma mão no peito.

— Por que Scott você não foi durante a noite roubar sinalização da estrada para pendurar no seu quarto foi? — A Sra. Parnell gargalhou.

Pela segunda vez naquele dia eu me afoguei, desta vez com o refrigerante.

— Bem. — Blyte falou quando eu havia me recuperado. — Tenho certeza de que o que quer que tenha acontecido ficou no passado. Coldwater é um ótimo lugar para um recomeço. Você já se matriculou para as aulas Scott? Algumas delas se enchem bem rapidamente especialmente as aulas de colocação avançada.

— Colocação Avançada. — Scott repetiu debochando. — Quer dizer CP? Sem ofensa, mas não sou tão ambicioso assim. Como a minha mãe. — Ele colocou a mão no ombro da mãe e a deu um balanço um tanto rude. — Apontou tão gentilmente se eu for para a faculdade não será por causa das notas.

— Ah vamos lá Scott. — Nora falou. — Você está me matando. O que tem de tão mal no seu passado? Não pode ser tão horrível que você não tem vontade de contar aos seus velhos amigos.

— Nora... — Blyte falou.

— Dirigiu bêbado algumas vezes? Roubou um carro? Deu umas voltas num carro roubado?

Scott levantou.

— Banheiro? Indigestão.

— No alto da escada. — Blyte respondeu.

Sra. Parnell sorriu.

— Então me diga a Nora tem namorado? — Ela perguntou.

— Não. — Nora falou ao mesmo tempo que a mãe dela dizia: — Mais ou menos.

— Isso é confuso. — Sra. Parnell falou.

— O nome dele é Patch. — Blyte falou.

— Nome estranho. — Sra. Parnell falou. — O que os pais dele estavam pensando?

— É um apelido. — Blyte explicou. — Patch se mete em muitas brigas. Ele sempre precisa ser remendado. Ao contrário de Benjamin que namora Nikki e é um ótimo rapaz.

A Sra. Parnell balançou sua cabeça e eu arregalei os olhos lançando a Nora um olhar.

Ela havia contado o porquê do apelido idiota? Meu Deus!

E Ben não era um ótimo rapaz. Ele só sabia fingir melhor que Patch. E isso me atingiu em cheio. Ele sabia fingir melhor que qualquer pessoa no mundo.

— Acho que é um nome de gangue. — Sra. Parnell falou. — Todas as gangues usam apelidos. Slasher, Slayer, Maimer, Mauler, Reaper. Patch.

— Patch não está numa gangue. — Nora falou revirando os olhos.

— Isso é o que você pensa. — Sra. Parnell falou. — Gangues são para criminosos de áreas pobres, certo? São baratas que só saem à noite. — Ela pareceu lançar um olhar para a cadeira de Scott. — Os tempos estão mudando. Há algumas semanas eu assisti um episódio de Law & Order sobre uma nova raça de gangues ricas suburbanas. Eles chamavam-nas de sociedades secretas, ou sociedades de sangue, ou alguma bobagem assim, mas dá tudo na mesma. Achei que fosse aquele típico lixo sensacionalista hollywoodiano, mas o pai do Scott disse que ele vê cada vez mais dessas coisas o tempo todo. E ele saberia... Sendo policial e tudo.

— Seu marido é um policial? — Nora perguntou.

— Ex-marido e que ele apodreça.

Já chega.

A voz de Scott entrou na minha cabeça e eu me engasguei com um pedaço de Lasanha.

Ok. Eu iria morrer hoje. Afogada ou engasgada.

Tossi e consegui engolir empurrando o pedaço de lasanha com um gole de refrigerante.

Eu não estava escutando os pensamentos de Scott então quando sua voz invadiu minha mente me pegou de surpresa por que ele estava falando com a mãe dele.

Notas finais
N.B.: Puta que pariu, eu não lembro e estou pirando com isso... kkkkkkk E nossa, até eu pensei que qualquer hora iam ter que chamar a ambulância para a Nikki. Bjs, bjs. Fhany Malfoy. N.A.: kkkkkkkkkk Tem muita agua para rolar ainda. Muito segredo para ser revelado. Alguns personagens novos. Espero que estejam gostando pessoal isso é so o começo. Bjs. CM Winchester.