Filhos da noite 2 – Sozinha

15 Capítulo 14 - DA TERCEIRA VEZ EU CONSIGO


Quando achei que fosse alcança-lo ele entrou dentro da casa e eu parei na rua, coloquei as mãos nos joelhos e puxei o ar com força.

— Não conseguiu? — Vee perguntou se aproximando.

Quase 5 minutos depois.

— É claro que não. — Resmunguei olhando para a casa.

— O que vamos fazer? — Vee perguntou e eu coloquei os dedos sobre meus lábios sinalizando silêncio.

Me concentrei em escutar os pensamentos.

Nora tinha conseguido uma desculpa. Mas é claro que Scott não acreditou.

Ficamos esperando até que Nora saiu. Vee estava quase enfartando ao meu lado e isso que ela não tinha corrido nada comparado a mim.

— Ótimo trabalho de distração. — Nora resmungou.

— Não consegui alcança-lo. Ele entrou antes que eu pudesse chama-lo. — Falei.

— Você nunca tentou perseguir um carro? — Vee perguntou.

— Eu vou disputar com você. Dei ao Scott meu cachorro-quente e perguntei se ele iria Solstício de Verão comigo.

— O que o cachorro-quente tem a ver com alguma coisa?

— Eu disse que ele ia ser um banana se ele não fosse comigo. — Vee riu e eu sorri.

— Eu teria que correr mais pesado se eu soubesse que ia ver que você chamá-lo de banana.

Tivemos que pedir para o pai de Vee um reboque e só 40 minutos depois voltamos para casa.

Nora sacudiu a caixa que tinha encontrado no quarto de Scott. Fita adesiva tinha sido enrolada em torno dela. Peguei uma faca e Nora cortou a fita. Dentro da caixa tinha um tubo de meia branca. Ela a pegou e olhou para dentro.

Havia um anel do Mão Negra dentro.

— O que isso significa?

— Vou ter que falar com Ben. — Falei.

— Acho melhor não fazer isso. — Nora comentou. — Vou esconder o anel.

— Ok. Vou trancar a porta e vamos dormir.

Mas a noite não tinha fim.

Fui acordada de novo durante a madrugada com os gritos de Nora.

— Não se mexa! — Saltei da cama rapidamente. — Se você subir outro degrau, eu vou chamar a polícia.

— A polícia vai levar 20 minutos para chegar aqui. — Scott estava dentro da casa.

— Isso não é verdade..

— Pare. — Nora pediu. — Eu vou fazer a chamada juro que vou.

— E dizer-lhes o quê? Que você entrou no meu quarto? Roubou uma joia valiosa?

— Sua mãe me deixou entrar.

— Ela não teria se soubesse que você estava indo roubar a mim.

Sai do quarto para o corredor.

— Você mentiu para mim sobre a Mão Negra. Naquela noite em seu quarto. As lágrimas foram quase convincentes.

— Eu menti. Eu estava tentando mantê-la fora desse assunto. Você não vai querer se meter com a Mão Negra.

— Tarde demais. Ele matou meu pai.

— Seu pai não é o único que a Mão Negra quer morto. Ele me quer morto, Nora. Eu preciso do anel.

— A Mão Negra não forçou você a ter a marca não é? Você queria. Você queria aderir à sociedade. Você quis jurar fidelidade. É por isso que manteve o anel. Ele é um amuleto sagrado não é? Será que a Mão Negra deu isso para você depois de ter acabado de marcá-lo?

— Não. Eu fui forçado.

— Eu não acredito em você.

— Você acha que eu ia deixar algum psicopata colocar um anel ardente em meu peito? Se eu sou tão orgulhoso da marca porque estou sempre cobrindo-a?

— Porque é uma sociedade secreta. Tenho certeza de que você pensa que uma marca era um pequeno preço a pagar pelos benefícios de ser parte de uma sociedade forte.

— Benefícios? Você acha que a Mão Negra fez uma única coisa para mim? Eu não posso escapar dela e confia em mim eu tentei. Mais vezes do que posso contar.

— Ele voltou. — Nora falou. — Depois que ele te marcou. Você mentiu quando disse que nunca mais o tinha visto.

— Claro que ele voltou! Ele me chamaria tarde da noite ou me encontrando no meu caminho de casa vestindo uma máscara de esqui. Ele sempre estava lá.

— O que ele quer?

— Se eu falar você vai dar o anel de volta?

— Depende se eu achar que você está dizendo a verdade.

— A primeira vez que o vi foi no meu aniversário de quatorze anos. Ele disse que eu não era humano. Disse que eu era Nephilim como ele. Ele disse que eu tinha de me juntar este grupo a que ele pertencia. Disse que todos os Nephilins tinham de estar juntos. Disse que não havia outra maneira de nos livrarmos dos anjos caídos. Pensei que ele havia se perdido. Eu pensava que ele estava tendo alucinações. Me mantive esquivando dele, mas ele continuou aparecendo de volta. Começou a me ameaçar. Ele disse que os anjos caídos iam me pegar quando eu fizesse dezesseis. Ele me seguiu depois da escola e do trabalho. Disse que estava vigiando a minha volta e eu devia ser grato. Então ele descobriu sobre a minha dívida de jogo. Pagou pensando que eu visse isso como um favor e quisesse participar de seu grupo. Ele não entendeu eu queria que ele fosse embora. Quando eu disse a ele que eu estava indo pedir para o meu pai conseguir uma ordem de restrição ele me arrastou para o depósito me amarrou de cabeça para baixo e marcou-me. Ele disse que era a única maneira que podia manter-me seguro. Ele disse que um dia eu entenderia e agradeceria.

— Parece que ele está obcecado com você.

— Ele pensa que eu o trai. Minha mãe e eu nos mudamos para cá para ficar longe dele. Ela não sabe sobre o conteúdo Nephilim ou a marca ela só pensa que é uma defesa. Nós mudamos mas ele não quer eu fuja e ele especialmente não quer correr o risco de me ver abrir a boca e abrir a porta no seu culto secreto.

— Será que ele sabe que você está em Coldwater?

— Eu não sei. É por isso que eu preciso do anel. Quando ele terminou de me marcar ele me deu o anel. Disse que eu tinha de mantê-lo e encontrar outros membros para recrutar. Ele me disse para não perdê-lo. Ele disse: algo de ruim que aconteceria se eu perdesse. Ele é louco, Nora. Ele podia fazer todos os tipos de coisas comigo.

— Você tem que me ajudar a encontrá-lo.

— Esqueça isso. Eu não vou procurá-lo. Agora me dê o anel. Pare de enrolar. Eu sei que está aqui.

Nora correu vindo até mim e me empurrou para dentro do banheiro onde trancou a porta.

— Isso está ficando velho. — Scott falou. — Abra. — Nora me encarou. — Você acha que esta porta vai me parar?

Nora encontrou uma faca que tinha usado para abrir umas embalagens de cosméticos. Scott se jogou contra a porta e eu empurrei Nora para trás de mim. A porta se abriu e Scott agarrou a faca facilmente.

— Quem está no comando agora?

— Péssima ideia. — Falei abrindo minha mão e seu estômago foi atingido.

Ele foi lançado para trás e caiu no corredor.

Quando me preparei para pegar a faca Rixon já tinha pegado Scott o acertando com a base de bronze da lâmpada da tia Blyte que ela mantinha sobre o aparador.

— Oouf! — Scott falou.

Rixon bateu de novo e a faca caiu no chão. Ele chutou a faca para longe e socou Scott. Sangue respingou nas paredes. Ele socou de novo e Scott caiu sentado. Rixon se aproveitou para ficar por cima dele e voltar a soca-lo.

— Rixon! — Vee gritou das escadas. — Pare Rixon! Você vai matá-lo!

Agarrei Rixon pela camiseta e tentei afasta-lo de Scott parei seu punho no ar e ele me encarou.

— Patch vai me matar se eu não fizer. — Rixon respondeu.

— Isso Patch vai resolver depois. Chega! — Falei.

O soltei e ele me encarou me avaliando.

— Vocês estão bem? — Ele perguntou.

— Estou bem. — Nora falou.

— Você tem certeza? Precisa de algo para beber? Um cobertor? Você quer se deitar?

— O que vamos fazer agora? — Nora perguntou.

— Eu vou chamar Patch. — Rixon falou pegando o celular. — Ele vai querer estar aqui para isso.

— Devemos chamar a polícia. — Vee falou lançando um olhar para Scott. — Devemos amarrá-lo? E se ele acordar e tentar fugir?

— Eu vou amarrá-lo na parte de trás do caminhão logo que eu terminar essa chamada. — Rixon falou.

— Como você segurou Rixon? — Vee perguntou.

A encarei e respirei fundo. Eu nunca tinha realmente mexido com a mente das pessoas. Mas eu tinha que fazer isso com ela.

Ela não precisava entrar nesse mundo.

Facilmente criei na cabeça dela que Rixon parou sozinho e ela parou de me encarar. Seus olhos foram para Nora.

— Vem cá, meu bem. — Vee falou abraçando Nora e seguindo para as escadas.

— Não devia se meter nisso Filha de Lillith. — Rixon falou.

Lancei um olhar ao Scott.

— Nem você, Anjo Caído. — Resmunguei antes de me afastar.

— Como vocês vieram dar as caras aqui? — Nora perguntou quando me aproximei delas na sala.

— Rixon apareceu e nós estávamos saindo do meu quarto quando eu tive um desses sentimentos assustadores e achei que devíamos verificar você. Quando nós chegamos o Mustangue do Scott estava estacionado na garagem. Achei que ele estar aqui não poderia ser bom especialmente depois de você ter bisbilhotado seu quarto. Eu disse a Rixon que algo estava errado e ele me disse para esperar no carro enquanto ele vinha aqui dentro. Estou apenas feliz que chegamos antes que algo pior acontecesse. Que show de horrores. O que ele estava pensando puxando uma faca para você?

Rixon desceu as escadas.

— Deixei uma mensagem para o Patch. — Ele falou. — Ele deve estar aqui em breve. Também chamei a polícia.

Vinte minutos depois Detetive Basso chegou. Scott já estava acordando. Detetive Basso o pegou e trocou as cordas pelas algemas.

— Eu não fiz nada. — Scott falou.

— Arrombar e entrar não é nada? Engraçado, a lei não concorda.

— Ela roubou alguma coisa de mim. — Scott sacudiu o queixo na direção de Nora. — Pergunte a ela. Ela esteve no meu quarto esta noite.

— O que ela queria roubar?

— Eu não posso falar sobre isso.

— Ela esteve conosco durante toda a noite. — Vee falou. — Certo Rixon?

— Absolutamente. — Rixon falou.

— Você não é tão honesta não é? — Scott perguntou para Nora.

— Vamos falar sobre essa faca que você puxou. — Detetive Basso falou.

— Ela a puxou primeiro!

— Você invadiu a minha casa. — Nora falou. — Autodefesa.

— Eu quero um advogado. — Scott falou e o Detetive sorriu.

— Um advogado? Você parece culpado Scott. Por que a ameaçou com a faca?

— Eu não a ameacei com a faca. Peguei a faca da mão dela. Ela foi a única que tentou usar a faca.

— Ele é um bom mentiroso eu vou dar isso a ele. — Rixon falou.

— Você está preso Scott Parnell. — Detetive Basso falou colocando Scott dentro do carro. — Você tem o direito de permanecer calado. Qualquer coisa que disser poderá e será usado contra você.

— Você está cometendo um grande erro. — Scott falou encarando Nora. — Se eu ir para a cadeia sou como um rato preso em uma gaiola. Ele vai me encontrar e me matar. A Mão Negra. É isso Nora. Se eu sair daqui eu estou morto.

— Sim, sim. — Detetive Basso falou fechando a porta depois se virou para Nora. — Acha que poderia ficar fora de problemas pelo resto da noite?

— O problema vem até nós e a culpa é nossa? — Perguntei.

— Olha mocinha. — Ele murmurou.

Ele entrou no carro e foi embora. Vee e Rixon olharam a fechadura da porta.

— Whoa. — Vee falou. — O que Scott fez para a trava ficar assim? Um maçarico?

Rixon, Nora e eu trocamos um olhar.

— Eu virei aqui amanhã para instalar uma nova fechadura. — Rixon falou.

Assim que eles saíram eu me virei para Nora.

— Você tinha que roubar o anel dele?

— Estou arrependida.

— Arrependida do que?

— E se fizerem algo a Scott?

— Agora é tarde para arrependimentos, Nora. Eu vou dormir. Tentar pelo menos. Acho que dá terceira vez eu consigo. — Resmunguei subindo as escadas.

Eu nem conseguia imaginar quão péssima tinha sido a noite.

Eu estava acabada.

Notas finais
Oie. Semana que vem posto o final. Muitas surpresas pessoal. Não percam. Obrigada Fhany Malfoy por seus comentários e apoio. Obrigada a todos que estão acompanhando. Bjs. CM Winchester