Filho da guerra
2 Me mandam atrás do "projeto de Quarterback"
Notas iniciais
Sai da enfermaria e fui direto ao pavilhão do refeitorio, estava com fome e um pouco atordoado com o fato de Clarisse estar precisando de ajuda, não estou querendo me sobrepor em cima de Clarisse,mas conhecendo ela como eu conheço, a sua voz aflita poderia significar muitos problemas.
Chegando ao pavilhão, sentei-me junto de meus meio-irmãos do chalé de Ares, eles me olhavam como se precisassem me contar algo.
–Sentiram minha falta? -sorri calmo.
–Para alguém que bateu a cabeça e desmaiou,você parece ótimo. — Jay dizia como se eu fosse uma miragem.
–Fui bem cuidado, perdi algo? -Olhei preocupado para Jay.
–Quíron estava agitado hoje, andando de um lado para o outro e murmurando coisas. -Ele falou rápido como se eu tivesse perdido.
–Que tipo de coisas? -Algo haver com " temo ser verdade", "estamos alegres demais" , "Clarisse... — Ele interrompeu-se.
–Clarisse o quê? -Perguntei.
–Clarisse pode não voltar mais. -Ele se fechou.
–Era o que eu pensava. -Perdi a fome naquele instante,normalmente filhos de Ares gostam de implicar com seus irmãos, mas, eu não poderia me adequar a ideia de que minha irmã estaria em condições de não voltar viva de alguma missão "secreta".
Dirigi-me a Casa grande e percebi que Quíron estava conversando com alguém, era Victoria,de Atena.
–Precisamos enviar reforços imediatamente. -Ele dizia enquanto ela olhava alguns papeis velhos.
–Quem? -Ela o questionava, imaginei o porque dele estar discutindo isso com ela e não comigo ou com Jay, ou até com os outros irmãos de Clarisse, porque certamente era da missão de Clarisse que ele se retratava.
–Você é claro, levará contigo Luan, Jay, Rebeca e Analice, mesmo que antes de chegarem na metade do caminho vocês se dividam, é bom ir pelo menos esse pequeno trecho juntos. -Quíron instruia-a quando eu sai dos arbustos revelando que estava ouvindo a conversa.
–Você me deve uma explicação, duas ou três na verdade. -Falei encarando-o.
–Onde está Clarisse,suponho. -Ele falava calmamente, um truque seu para acalmar os ânimos de quem estava agitado, no caso eu.
–Isso mesmo, quero saber também qual foi a missão que Clarisse se meteu e por que ela está em perigo. -Eu parecia mais calmo, droga, ele conseguiu me acalmar.
–Sua irmã foi atrás de um filho de Deimos, longa história.
–Tenho tempo. -Retruquei.
–Digamos que seus irmãos Phobos e Deimos tiveram filhos, isso seria bom? -Ele me encarou sério.
–Claro que não.
– Pois... -Ele continuou.
–Phobos sendo o Deus do medo e Deimos do pânico, seus filhos herdaram seus poderes. -Eu começava a entender.
–E...
–E que se eles usassem isso para o mal ou fossem manipulados para fazerem coisas ruins... -Eu estava pensativo.
–Usar os poderes para o mal é inevitável, mas, ser manipulados por uma força mais forte que os usariam para fazer coisas ruins que a tal força não conseguiria fazer, seria arrasador. –Victoria interviu, confiante.
–Encontraram um filho de Deimos? -perguntei.
–E dois de Phobos. -Quíron me passava confiança,mesmo parecendo pasmo.
–Clarisse foi encontrar o de Deimos, Nico atrás de um de Phobos e Augusto atrás do outro. -Victoria me explicava, convicta de que estava tudo sobre controle com Augusto, seu namorado.
–Tá o negocio foi isso, um filho de Ares atrás do de Deimos, um de Hades atrás de um de Phobos e um de Hermes atrás do outro de Phobos, agora me digam qual a chance de isso dar certo? Eu sei que acharam que seria algo tranquilo, sem muitos monstros no encalço, mas não teria sido mais confiavél enviar pelo menos dois campistas? -Estava demonstrando estar ciente de tudo, comandando daqui por diante, o que deixou Victoria um pouco exaltada.
–Algumas coisas andam acontecendo em volta do acampamento, coisas difíceis para você entender, por isso tomamos o despeito de evitar a saída dos campistas por qualquer coisa e o menor número possível de campistas para as missões realmente necessárias.
–Irei enviar cinco semideuses, Analice de Afrodite irá procurar Nico que por acaso ainda não deu um sinal de vida, Victoria irá atrás de Augusto com Rebeca, você e Jay vão atrás de Clarisse.
–Uns reforços mal colocados. -Dioniso surgia de dentro da Casa grande.
–De primeira vista sim, se pensar direito não -Quíron sorria.
–Agora vão.-Dioniso disse expulsando a mim e a Victoria dali.
Me afastei um pouco da Casa grande e então, longe da vista de todos, conversei com Victoria.
–Eu pensei direito e ainda não entendi. -Ergui as mãos.
–Olhe bem, Analice irá atrás de Nico porque a escola onde estuda o tal de Phobos, se localiza próximo de São Francisco e como filha de Afrodite,ela conseguirá atrair os monstros que também estão atrás do garoto e distraí-los tempo suficiente para que Nico traga o semideus para o acampamento e ela se salvar. -Rebeca é filha de Poseidon e isso fará com que nós tenhamos uma pequena carona de ida e de volta já que teremos que atravessar quase o oceano para encontrar Augusto, e eu sou inteligente o bastante para o achar na superfície terrestre. -Eu ri.
–Você e Jay, isso nem eu entendi. -Ela parecia estar ansiosa para rever seu namorado.
–Que papel é esse? -perguntei.
–A foto é os registros dos garotos. -Ela respondeu.
Olhei a foto do filho de Deimos e ele era um comum "projeto de Quarterback", me parecia um simples mortal.
–A verdade é que eles estão nervosos por os outros terem dificuldades em buscar os semideuses e estão nos mandando para fazer isso,né? — Eu a encarei extremamente bravo.
–Basicamente isso. -Ela tentou o truque do Quíron,sem sucesso.
–Porque Phobos e Deimos não ajudam seus filhos a virem para o acampamento?
–Se você acha que os Deuses olimpianos não ligam muito para os seus filhos, imagina esses dois bebezões. -Ela explicava.
–Mas eles não estão indo para o lado dessas forças maiores que você mencionou agora pouco, estão?
–Com muito esforço de seu pai,não. -Ela sabia muita coisa e eu achava isso gratificante. -Eles estão muito independentes de seu pai,mas, Ares ainda conseguem os manter ao lado que o mesmo apoia.
–Até amanhã, não esqueça os papéis. -Eu me despedia.
–Como se isso fosse possível,tchau. -Ela foi na direção do chalé de Atena e eu para o de meu pai.
O chalé de Ares é todo vermelho sangue, mal pintado, com um javali empalhado em cima, o chamamos de "recepcionista", seu telhado é todo coberto de arame farpado um pouco enferrujado.
Na porta e por todo o chalé, há marcas de arranhões, desenhos de pessoas morrendo em batalha e lanças com sangue, o que me deixa extremamente confortável e assusta os novatos. Os outros chalés são bem respectivos de acordo com o deus, uma boa representação dos deuses. Eu entrei em meu chalé e estavam todos quase dormindo, virei me para procurar Jay.
–Ei Jay.
–Oi. -Ele estava deitado do lado da minha beliche com cara de assustado.
–Que foi? -Perguntei.
–Sonhei com Clarisse, ela estava com nosso pai e dizia para ele que não podia falhar, você interrompeu meu sonho nessa parte. -Ele tinha sonhado a mesma coisa que eu e, curiosamente, interrompido na mesma hora.
–Hm, amanhã de tarde arrume sua mochila e se apresente na Casa grande, iremos atrás do filho de Dei..... de Clarisse. -Eu não sei se estava na hora de lhe contar sobre a missão em detalhes e que precisávamos fazer o que Clarisse estava tentando fazer, além de procurar por ela.
–Legal, eu sei que ela está precisando de nós.
–Eu também, muito antes que você, eu já sabia que ela está enfrentando problemas, até porque nosso pai não sai visitando os filhos durante as suas missões, né? -Eu sorri para lhe causar um pouco de conforto.
–Ei, isso não é competição, porque eu vi quando Clarisse foi para a missão. -Ele riu tentando ganhar comigo no "eu vi a Clarisse".
–Vou tentar dormir, ok. -Me virei e fechei os olhos.
Sonhei com algo escuro, era uma sombra de alguém grande e forte, e puxando alguém, parecia ser o tal garoto que iriamos buscar e que eu achava um simples mortal de 12 anos aparentemente com seus míseros sonhos de se tornar jogador de futebol americano, meio lesado e forte, até um pouco agressivo, pelo menos era essa a minha impressão.
–Me solta. -Ele se contorcia, sem sucesso.
–Primeiro irei usá-lo, quando seus serviços não forem mais úteis, eu penso no assunto. -Sua voz era ofegante como alguém que acabara de correr alguns quilômetros e parou para descansar. -Fique calmo, logo terá companhia jovem desmiolado, se tudo der certo é claro.
–Companhia de quem? O que eu fiz afinal? Quem é você? Você deve estar me confundindo, eu só sou um estudante meio burro do ginásio, não tenho nada de especial, eu tenho dislexia se você quer saber. -Ele tentava convencer a sombra.
–O filho do deus do pânico, está assustado? isso é novo para mim HAHAHA. Você logo terá dois amiguinhos, o valentão e a delinquente . -A voz estava satisfeita e ao mesmo tempo desconfiada, eu percebo isso na sua voz.
–O que você fez com a garota? -Ele já não aguentava mais resistir as correntes.
–Digamos que ela precisava de um bom banho. -A voz gargalhava, então ela sentira minha presença e uma pedra atirou na minha direção fazendo com que eu acordasse já sem fôlego.
Virei-me e procurei por Jay, que já tinha saido do chalé e estaria no pavilhão tomando seu café.
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