Filho De Uma Akatsuki!
16 Capítulo 16: Para cada problema, uma solução
Notas iniciais
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria...
"Ai, ai, uuuuui... Auuuuuuuuu... Vocês me pagam, eu ainda vou levar esse bebê, nem que tenha que perder uma língua!" Era Orochimaru, no seu esconderijo, com o traseiro mergulhado numa bacia de água com gelo e sal. "Kabuto, pare de rir ou vou confiscar seus óculos!"
Zetsu permaneceu no quarto de Tobi, sentado num dos pufes coloridos que ficavam jogados por lá, velando o sono do bebê. O quarto não precisava ser adaptado para uma criança; era bastante colorido (com predominância do laranja, claro), o que já era típico de Tobi, e Deidara sempre dizia que o tal quarto era uma afronta aos olhos de quem ali entrasse.
Tobi, em sua cama, choramingava um pouco e tinha alguns espasmos enquanto dormia, talvez estivesse no meio de um pesadelo; Zetsu se aproximou e tentou tranquilizá-lo, colocando-lhe a chupeta na boca e ajeitando seu cobertor.
"Pronto, está tudo bem agora, Tobi, não se preocupe...", sussurrou Zetsu Branco, gentilmente acariciando os cabelos do bebê.
"Enquanto ele dorme, melhor dar uma vistoria pelo quartel-general... e fazer uma boquinha, tô com fome!", disse Zetsu Preto.
No quarto da pousada na Vila Oculta da Fumaça, Kakuzu ainda estava acordado, sentado em sua cama, fazendo a contabilidade enquanto usava a calculadora de bolso, que, apesar de minúscula, fazia um "bip" chato toda vez que uma tecla era pressionada. Hidan, na cama oposta à de Kakuzu, virou-se para chamá-lo.
"Kakuzu... Oi, estou falando com você, p***a..." E acenava.
Talvez Kakuzu estivesse muito concentrado nos números, a verdade é que ele nem ouviu o albino, que já estava irritado com aquele "bip" incessante da calculadora.
"KAKUZU!" Finalmente o nukenin da Vila Oculta da Cachoeira escutou.
"Eeh, que é que foi, seu chato?" E desligou a calculadora por um momento para ouvir o que Hidan tinha a dizer.
"Pelo amor de Jashin-sama, apaga o c*****o da luz e vamos dormir, a missão me deixou moído, já tomei banho, você também, já comemos, e agora você fica aí com essa maquininha do inferno, você nunca dorme, não?" Hidan disse tudo isso de uma vez, sem tomar fôlego.
"Eu não vi o tempo passar...", disse Kakuzu, coçando a cabeça.
"Por isso que você já tem mais de noventa?", disse o Jashinista, rindo e se desviando de uma travesseirada. "Eu estava brincando, p***a!"
"Aah, cale a boca e durma... Vou tentar dormir, também..." Kakuzu pôs seus cadernos de lado, apagou o abajur e deitou-se, cobrindo-se com um lençol até o ombro.
"Você disse 'tentar dormir'?" Hidan ficou com o olhar confuso, sem entender. Kakuzu suspirou e explicou.
"Ao contrário de um certo albino preguiçoso que conheço, eu não consigo dormir tão facilmente... Eu tenho insônia."
"Pudera! Fica aí contando essa m***a de dinheiro, fazendo cálculos... Não descansa essa cabeça de muquirana um minuto..."
"Hidan, chega! E boa-noite..." Kakuzu virou-se para a parede e fechou os olhos, talvez o sono viesse... Talvez não...
"Oi, Kakuzu...", chamou Hidan, que ainda estava deitado. "Se não consegue dormir, eu posso ajudar." Kakuzu virou-se em direção à cama de seu parceiro.
"Como, Hidan? Fazendo uma caneca de chocolate quente para mim?", perguntou, irônico.
"Não, baka, fazendo algo que sempre funciona com o pestinha... Talvez dê certo com você." Hidan disse, segurando o riso.
"Pelo amor de Kami, tudo menos isso..." Kakuzu já estava antevendo o tal "remédio contra insônia".
"Eu sabia que você iria aceitar, Kakuzu-chan." Hidan deu um sorriso largo e, mesmo deitado, começou. "Naaaaana, nenêêêê... Que a cobra..."
"HIDAN, PARE COM ESSA CANTORIA OU VAI DORMIR LÁ FORA!" Kakuzu enfiou a cabeça debaixo do travesseiro não só para poder dormir, mas também para esconder o constrangimento.
Na manhã seguinte, Konan resolveu acordar mais cedo que o usual; antes de ir para a cozinha, deu uma espiada no quarto de Tobi, e sentiu um alívio ao ver que tudo estava bem: Tobi dormia profundamente em sua cama, e Zetsu estava sentado num pufe laranja ao lado, segurando sua mãozinha e também dormindo.
"Aww, kawaii..." suspirou Konan, colocando uma manta sobre Zetsu e indo à cozinha para preparar o café; quando estava em frente à geladeira, duas mãos azuis cobriram seus olhos, de maneira brincalhona.
"Adivinhe quem é!" Não adiantava Kisame disfarçar a voz, o tom ainda era reconhecível.
"Kisame, seu tolo, dá pra saber que é você, nunca ouviu falar de chacra?" Konan riu, virando-se e dando um abraço fraternal no espadachim. "Onde está Itachi?"
"Aqui, Konan. Trouxe um presente para o Tobi." Itachi entrou, carregando um pacote grande. O anjo de cabelos azuis abraçou Itachi, que sussurrou: "É um cavalinho de madeira."
"Que lindo, Itachi, vamos fazer o seguinte: esconda o presente no seu quarto porque, um dia em que estivermos todos aqui, vamos brincar de comemorar o aniversário do Tobi, ele estava tão ansioso ontem!"
"Itachi-san e eu estávamos conversando sobre o aniversário dele, também!" Kisame estava admirado. "Muito bem, Konan, vamos aproveitar que o bebê ainda está dormindo." E tomou o pacote das mãos de Itachi, sorrindo. "Deixe que eu guarde, Itachi-san."
"Obrigado, Kisame." Itachi virou-se para Konan. "Eu sabia que Zetsu faria um bom trabalho ajudando você a cuidar do Tobi..." Konan suspirou.
"Aconteceu algo, na verdade... Quando vierem todos eu explicarei melhor. Por que não vão tomar um banho enquanto termino de fazer o café?", disse, sorrindo.
Itachi teve que esperar sua vez, porque Kisame estava monopolizando a banheira e cantarolando; felizmente o Uchiha era calmo.
Assim que Itachi e Kisame sentaram-se à mesa, prontos para tomar o café, Pein apareceu. Konan o recebeu com um beijo romântico e um abraço apertado.
"Aww, sentiu minha falta, meu anjo azul?" Pein sorriu para sua amada e acenou para seus amigos, que já estavam tomando o café.
"O que você acha, seu tonto?" Konan sorriu de volta e deu-lhe um tapinha no ombro. "Agora vá para o banho, e nada de acordar o bebê."
Zetsu, que estava no quarto de Tobi, acordou vagarosamente e percebeu que estava coberto por uma manta. Sorriu e viu Tobi dormindo tranquilamente enquanto segurava sua mão.
"Tobi... Hora de acordar, já é de manhã...", sussurrou Zetsu Branco.
"Deixa o pequeno vagabundo dormir mais um pouco, assim ele poupa a gente do trabalho...", disse Zetsu Preto.
O bebê acordou devagar e deu um sorriso fofo e desdentado, esfregando os olhos. "Jeshuu... Aiooo... Ga-ga-gugu..." Zetsu Preto afirmou, depois de olhar para Tobi:
"Pensando bem, é bom a manhã começar com um sorriso desse..." E o homem-planta ajudou Tobi a descer de sua cama. O bebê saiu do quarto e foi caminhando cuidadosamente até o corredor, e no caminho deparou com Pein, que estava saindo do banheiro.
"Tobi! Como está meu 'mochizinho'? Venha cá..." E pegou Tobi no colo, dando-lhe um abraço demorado e uma beijoca barulhenta na bochecha.
"Pappa! Pappapappapappaaaa!" O bebê riu e pôs os bracinhos em volta do pescoço de seu "papai", estava com saudades, não se viam desde a noite em que ele voltou de Konoha com seu senpai.
Pein sorriu para Zetsu. "Desculpe-me por ter desconfiado de você, Zetsu. Já vi que você cuidou de Tobi muito bem."
"Tudo bem, mas que isso não se repita!", esbravejou Zetsu Preto.
"Shhh!" Zetsu Branco tentou aquietar seu "irmão" e falou para Pein: "Está tudo bem, Leader-sama, foi um prazer tomar conta do bebê."
"Você deve estar com fome, não é, seu gorducho?" Pein carregou Tobi até a cozinha, onde estavam os outros. Zetsu foi para fora, para fazer a fotossíntese antes do café.
"Itachiiiii! Ishameeee!" Tobi esticou os braços para seus "titios", louco por atenção. Kisame tomou o bebê dos braços de Pein.
"Aww, e cadê o abraço pro titio Kisame, bebê?" Tobi estava achando divertido ser tão pequenininho nos braços de Kisame. Depois de um tempo, foi a vez de Itachi dar-lhe um abraço.
"Ei, Tobi... Pensamos em você o tempo todo." E deu-lhe um beijinho delicado na testa. Tobi retribuiu abraçando, era o que realmente sabia fazer. Depois, olhou para Konan, que disse docemente:
"Não vai mostrar pros titios e pro papai o que mamãe ensinou você a fazer, meu bem?" Tobi ficou corado, pôs o polegar na boca e deu uma risadinha tímida.
"O que foi que a mamãe ensinou, Tobi? Mostre pra gente..." Pein tentava convencer Tobi, que finalmente colocou a mãozinha gordinha na boca e soprou um beijinho para Konan.
"Awwwwwww...", disseram todos, em uníssono. Zetsu sentou-se à mesa para tomar café; Konan deu um beijo em Tobi e foi preparar sua mamadeira.
"Ele não é bonitinho quando faz essas coisas?", disse Zetsu Branco.
"O Kawaii no Jutsu do Tobi consegue nos matar por excesso de glicose!", riu Kisame, enquanto olhava para Tobi, que estava todo tranquilo no colo de Itachi. De repente ele ficou agitado e o Uchiha teve que pô-lo no chão, porque o bebê queria ir até a porta que dava para o lado de fora.
"Tão pequeno e já consegue identificar chacras...", disse Pein, impressionado. "Acho que ele sabe que Deidara e Sasori chegaram."
"Ten-paaaai! Nannaaaaa!" Tobi gritou, assim que a porta abriu e o loiro e o ruivo entraram. Sasori levantou Tobi do chão e o abraçou.
"Aah, nenê, titio Danna (ugh...) sentiu sua falta... Você sabia que a gente estava chegando?", disse Sasori com ternura, fazendo um carinho nos cabelos do bebê, que assentiu sorrindo. "Bom menino!"
Deidara se escondeu atrás de Sasori, de modo que Tobi só conseguiu ver seu rabo-de-cavalo. Assim que o viu, deu um gritinho, apontando para seu querido senpai.
"Ten-paaaai!" E estendeu os bracinhos, para ser pego no colo por Deidara, que o abraçou, sorrindo.
"Tobi, seu bobinho, parece que não nos vemos há tanto tempo, hmm!" Tobi estava abraçado a ele, sentindo os cabelos loiros afagarem seu rosto enquanto era embalado. Konan foi recebê-los alegremente, abraçando Sasori e Deidara. Konan era a irmã protetora de todos, e o primeiro e único amor de Pein.
"Vamos, rapazes, para o banho agora, que o café está pronto." Como sempre, Sasori teve que esperar sua vez enquanto Deidara tomava seu banho. E Sasori, como de costume, detestava esperar.
O café transcorreu normalmente; Tobi estava no colo de Sasori, concentrado em tomar sua mamadeira, enquanto todos conversavam e comiam.
"Olhem só as mãozinhas dele segurando a mamadeira, aww...", derreteu-se Kisame.
"Tobi é um bebê esperto, está desenvolvendo habilidades.", afirmou Itachi.
"Já terminou, nenê?", disse Sasori, pondo a mamadeira vazia de lado e colocando Tobi sobre seu ombro e dando tapinhas leves em suas costas. O "terremoto da Akatsuki" aconteceu, e Kakuzu e Hidan perceberam isso quando já estavam se aproximando do quartel-general.
"C*****o, Kakuzu, o Geppu no Jutsu do pestinha está cada vez mais poderoso!", disse o albino.
"É natural, Hidan. Bebês crescem um pouquinho a cada dia, eu acho.", respondeu Kakuzu, abrindo a porta.
A dupla foi imediatamente recebida por Tobi, que se aproximou, acenando alegremente. "Gaguduuuuuuu! Inaaaaaan!" E o bebê abraçou a perna de Kakuzu, que se sentiu um pouco embaraçado pela demonstração de carinho.
"Eeh... Eu já não disse pra você não se jogar nas pessoas desse jeito, moleque? Vai cair!" Kakuzu pegou Tobi no colo, e este o abraçou pelo pescoço.
"Aiatou, Gaguduuu!", disse o bebê, ainda abraçado a Kakuzu, esquecendo-se até de tentar puxar sua máscara. Hidan ficava dando risadinhas, vendo que seu parceiro estava corado e meio sem jeito.
"Ele está me agradecendo? Por quê?" Kakuzu não entendeu o gesto de Tobi. Deidara falou da cozinha, rindo:
"Quando estávamos na feira em Konoha, eu disse a Tobi que você havia dado o dinheiro para ele se divertir, hmm. Ele tem boa memória!"
"Ora... Não precisa agradecer, moleque." Parecia que Kakuzu esboçava um pequeno sorriso por debaixo da máscara, enquanto desmanchava os cabelos de Tobi, que imediatamente apontou para Hidan.
"Inaaaan!" E esticou os bracinhos para o Jashinista, que deu um grande sorriso enquanto o pegava no colo e o abraçava.
"Pestinha-chaaaan! Como é que você está, seu balofo? Fez muita arte enquanto eu estava fora? Aah, vai apanhar na bunda, seu..." E dava umas pancadinhas de brincadeira no bumbum do bebê, que não parava de rir. Konan apareceu e abraçou os dois, feliz por eles estarem bem.
"Bom, e o que fazem aqui, de pé? Vão para o banho, que o café está na mesa!"
Assim que estavam todos reunidos na cozinha, Konan decidiu contar o que havia acontecido no dia anterior. "Orochimaru atacou novamente..." Todos estavam consternados, enquanto o anjo de cabelos azuis dava detalhes do ocorrido.
"Zetsu, você foi rápido!" Pein estava impressionado. "Por um pouco ele teria levado o Tobi." Konan estava com uma expressão preocupada.
"O bebê ficou tão chocado, coitadinho... Até fez xixi de tanto medo." Tobi sabia que sua "mamãe" estava falando dele, e, envergonhado, escondeu o rosto no ombro de Hidan, chorando baixinho.
"Aww, não chore, Pestinha-chan, ninguém vai rir de você, shhhh..." O albino embalava-o vagarosamente enquanto lhe dava um pedacinho de bacon do seu prato.
"Querem ouvir algo muito engraçado?", disse Zetsu Preto, quebrando o gelo.
"Ah, é, esse detalhe nós esquecemos de contar..." Zetsu Branco estava dando uma risadinha. Zetsu Preto continuou:
"Eu dei uma mordida tão forte no desgraçado que deu pra arrancar um pedaço da calça e da cueca dele! HAHAHAHAHAHA!" Kisame engasgou com sua xícara de café e começou a gargalhar, mostrando todos os dentes de tubarão e socando a mesa.
"AAHAHAHAHAHA! Isso foi demais!" Não só Kisame estava rindo, todo mundo ria, só de pensar na situação embaraçosa de Orochimaru. Até Itachi ria, não se sabia se era da cena ou do riso contagiante de seu parceiro.
"Viu isso, Pestinha-chan? Orochimaru saiu com a bunda de fora!", riu Hidan, sacudindo Tobi, que gargalhava e agitava os bracinhos, achando engraçado o jeito de seu "titio" resumir os fatos. A conversa voltou a ser animada e, no decorrer, Pein discutiu os relatórios das missões.
"E sabem do que mais? Kakuzu abriu a mão desta vez, ficamos numa p**a de uma pousada boa!", lembrou-se Hidan.
"Que ótimo, Hidan, quer trocar de parceiro? Hmm!", brincou Deidara, enquanto Sasori sacudia a cabeça. O albino estava orgulhoso.
"Tudo porque eu cuidei bem do pestinha. Né, Kakuzu-chan?" Seu parceiro assentiu e ele continuou: "Então, resolvi bater um papo com a dona da pousada, pra ver se a gente conseguia comida de graça."
"Não me diga que vocês conseguiram!" Itachi estava curioso. Kakuzu confirmou:
"Ganhamos um jantar para três pessoas! Hidan come por duas, então foi mais do que suficiente." Todos riram.
"E qual foi o seu plano de ataque, Hidan? Conte-nos o segredo!", disse Konan, ainda rindo.
"Ah, foi fácil pra c*****o!" O albino estava todo vaidoso. "Foi só eu dar um sorriso e abrir um pouco mais a túnica. Eu sou naturalmente um presente de Jashin-sama pras mulheres..."
"O que ajudou também foi que ele estava cheirando a talco de bebê... Que mulher resistiria a ele?", disse Kakuzu, dando uma risadinha enquanto comia. Kisame engasgou de novo, desta vez com seu sanduíche de camarão, de tanto rir, enquanto Hidan, corado, lançou um olhar mortificado para seu parceiro. Todos acabaram caindo na risada.
O Jashinista fingiu uma cara de zangado para Tobi, que estava no seu colo. "Eu tinha que abraçar você, Pestinha-chan!" Disse, sacudindo de novo o bebê, fazendo-o rir.
Deidara ajudou Itachi a recolher os pratos, Sasori guardou o que sobrou da comida na geladeira e Zetsu lavava a louça, enquanto Pein a enxugava. Kakuzu trancou-se em seu quarto para fazer a contabilidade, dava para se ouvir o "bip" da calculadora e até mesmo o barulho repetitivo do ábaco que ele usava de vez em quando. O quarto de Hidan era em frente ao de seu parceiro, e o albino estava sentado no chão, limpando as lâminas de sua foice tripla, que estava toda desmontada. Kisame e Konan estavam na sala brincando com Tobi, até a hora em que Pein apareceu, sorriu para ela e fez um gesto com a cabeça, olhando para o quarto do casal. Konan entendeu o sinal; ia dizer algo para Kisame, mas este já se antecipou.
"O bebê pode esperar, ele está com a gente; aproveitem o dia.", disse o espadachim, piscando. Konan corou e seguiu Pein até o quarto, trancando a porta. Havia algum tempo que eles não ficavam a sós, curtindo um momento juntos.
"Acho que é hora do banho pra você, Tobi, que tal?", disse Kisame, pegando Tobi no colo e levando-o até o banheiro. Deidara e Itachi estavam no quarto de Sasori, ajudando o ruivo a organizar a gaveta de ferramentas e também conversando sobre arte e livros (um assunto fascinante para Itachi, além de dangos). Zetsu saiu para fazer a ronda nos arredores do local em que estava o quartel-general.
"Eu juro, se eu vir aquela cobra de novo, vou morder o cabelo dela e ela vai sair careca por aí, hahaha...", disse Zetsu Preto.
"Você está se superando a cada dia.", retrucou Zetsu Branco. "Vamos, agora."
Kisame, como sempre, saiu do banheiro molhado da cabeça aos pés, com Tobi embrulhado numa toalha. "Ah, se eu não gostasse tanto de água... Né, Tobi?" E levou o bebê para seu quarto, para colocar-lhe uma fralda.
Hidan havia terminado de polir sua foice e montá-la de novo; estava admirando seu trabalho quando Kisame entrou em seu quarto com Tobi no colo, já que a porta estava aberta. O albino viu o espadachim e teve que rir.
"Hahahaha, p**a m***a, Kisame, está chovendo lá fora?" Kisame fez uma cara brincalhona de bravo.
"Não, é que esqueci de tirar a roupa quando fui tomar banho!" Isso fez Hidan rir mais ainda. "Fique um pouco com o Tobi, onegai shimasu... Não preguei o olho por um dia inteiro...", disse, pondo no chão o bebê, que estava só de fraldas. "Seja bonzinho e obedeça o seu tio imortal, bebê...", riu Kisame, fazendo um carinho em Tobi, colocando-lhe a chupeta na boca e saindo. Hidan abaixou-se para falar com Tobi com um tom engraçado.
"Oi, Pestinha-chan, você não pode andar por aí que nem um lutador de sumô, vamos pegar uma roupa pra você." E o pegou no colo para irem à sala; ali estava o baú de roupas de Tobi. Ao abri-lo, Hidan deparou com o ursinho de pelúcia do bebê, que era um presente de Kakuzu, e o pegou para dá-lo a Tobi, que estava todo alegre.
"Kuma-tan! Kuma-taaaan!" O bebê, sentado no tapete, abraçava seu ursinho, enquanto Hidan distraidamente pegava um macacão e um par de meias de lã. De repente, o albino sentiu um puxão na barra da calça. Era Tobi, com lágrimas nos olhos e fazendo beicinho. "Inan... Kuma-tan itai..."
"O que foi, Pestinha-chan?" Hidan se abaixou e acariciou o rosto do bebê, que lhe mostrava o ursinho com o braço arrebentado. "P**a que o pariu, foi aquela cobra, não foi?" Tobi assentiu, e o albino pôs as roupinhas no ombro e pegou Tobi no colo. "Titio Kakuzu vai ajudar."
E lá estava Hidan, segurando Tobi em frente à porta do quarto de Kakuzu; o bebê ficava chamando-o.
"Gagudu! Gaguduuuuuuu!" E batia as mãozinhas na porta. Do quarto, ainda saía o som da calculadora e do ábaco. Hidan bateu à porta.
"Oi! Oi, Gagu... er, Kakuzu! Abra a porta, p***a!" Depois de alguns minutos, a porta abriu um pouco, revelando um Kakuzu um tanto quanto irritado.
"Que é que aconteceu, Hidan? Não vê que estou trabalhando e..." E olhou para Tobi, que estava com cara de choro, segurando o ursinho. "Tobi? Por que você está triste, moleque?"
"Gagudu... Kuma-tan... Kuma-tan itai..." Tobi mostrou o ursinho que ele lhe havia dado de presente; Kakuzu suspirou e abriu toda a porta.
"Entrem, vou consertar o brinquedo." Hidan piscou para Tobi e entrou com ele, sentando-se na cama de Kakuzu. "E não baguncem minha cama, entenderam?"
O albino deitou-se na cama e pôs o bebê sobre sua barriga. Kakuzu pegou o urso das mãos de Tobi e disse para Hidan:
"Trate de distraí-lo, Hidan, não quero que ele veja o que estou fazendo, ele pode se assustar..." Embora o Jashinista tivesse discordado do pensamento de Kakuzu, resolveu fazer o que seu parceiro pediu, enquanto este se sentava à sua escrivaninha, de costas para os dois. Kakuzu relaxou os braços e, pouco a pouco, os fios começaram a sair das suturas, agitando-se como tentáculos, e começaram lenta e cuidadosamente a costurar o braço do ursinho.
A concentração de Kakuzu era de vez em quando interrompida pelo diálogo de Hidan com Tobi.
"Oi, oi, Pestinha-chan, quem sou eu?", disse o albino, cobrindo metade do rosto com o macacão de Tobi que foi tirado do baú. "Eh, moleque, um dia desses eu mato o Hidan...", disse, com um tom grave de voz, enquanto Tobi deu seu sorriso desdentado e puxou a roupinha.
"GAHAHAHAHAHAA! Gagudu!" Hidan vestiu-lhe a roupa. Kakuzu olhou para eles, ainda costurando o ursinho com os fios dos seus braços.
"Não dê ouvidos ao seu tio baka, moleque, eu não falo assim." Hidan deu uma risada engraçada e ergueu uma sobrancelha.
"Até parece que eu não o conheço, Kakuzu!" E ficou brincando com os dedos dos pés de Tobi antes de calçar-lhe as meias. "Este porquinho rezou para Jashin, este porquinho foi fazer um ritual, este porquinho sacrificou o outro porquinho..." Tobi ria e esfregava os olhos, deitando-se sobre Hidan. "Aww, Pestinha-chan também está cansado?"
"Imagino o pai exemplar que você seria, Hidan. Dê graças a Jashin por você não ter filhos.", disse Kakuzu, quase terminando a "operação". "Acho que já falei que você não deveria ficar falando tanto palavrão na frente do moleque. Mas você me ouve? Nããão, ninguém nunca ouve o velho Kakuzu..." Assim que finalizou o trabalho, Kakuzu abriu uma gaveta e tirou uma fita vermelha acetinada de dentro. "Zetsu falou que Orochimaru estava tentando atrair o Tobi com o ursinho... Foi ele que o arrebentou, não é?" Kakuzu teve o silêncio como resposta. "Não, não é preciso me dizer, eu já sabia... Se eu o encontrar, ele vai conhecer minha ira..." E fez um bonito laço com a fita vermelha no pescoço do ursinho, antes de se virar para a cama em que estavam Hidan e Tobi. "Pronto, moleque, Kuma-tan está bem, de novo..."
Kakuzu não esperava a cena à sua frente: o albino estava dormindo profundamente, com os braços em volta do bebê, que estava roncando, de bruços sobre seu "titio". Com um riso abafado, Kakuzu colocou o ursinho perto de Tobi e estendeu um lençol sobre os dois. "Pelo menos vou ter um pouco de silêncio para ler meus clássicos...", disse, saindo do seu quarto e fechando a porta cuidadosamente. Ao se dirigir à sala, encontrou Konan sentada no sofá, com o controle-remoto na mão.
"Olá, Kakuzu, você não se importa se eu ligar a tevê e pôr no canal de desenhos, não é? Daria pra você chamar o bebê?"
Kakuzu coçou o queixo e perguntou para Konan, com uma expressão confusa: "Qual deles? O gordinho de cabelos pretos ou o magro de cabelos prateados?"
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