Filho Da Floresta- Interativa
1 Jogo Da Vida Real #1
Notas iniciais
Naquela manhã, havia algo de errado com Lúcifer, meu cãozinho de estimação. Ele estava afoito e bastante agitado, além do mais, vamos ser otimistas, tínhamos nos acabado de se mudar para aquela casa, e devia estar ansioso com tanta mudança repentina.
Nossa nova casa ficava praticamente ao lado de uma floresta gigante de dar medo, muito medo e, como todo garoto curioso de 13anos, resolvi dar uma espiada no “nenê”.
Grandes árvores e arbustos predominavam na floresta, e deixava qualquer um encantado com tanta perfeição. Antes que vocês me perguntem, não, eu não acho tão normal assim morarem ao lado de uma floresta, mas, “sacomé né?” todo mundo gosta de um “passatempo” inusitado para si mesmo. E além do mais não estávamos sós, tínhamos companhia. Segundo meus pais, uma garota chamada Emilly Cazuera (Emilly com a zueira) de 14anos e seus pais eram nossos vizinhos.
Em passos lentos, fui adentrando a floresta antes mesmo de entrar na minha nova casa, eu recebia a adrenalina de estar sozinho com árvores cinqüenta vezes maiores que eu. Mas de cara, o que mais me chamou a atenção, foram o círculos com um “x” dentro deles no tronco de todas as árvores. O que obviamente, alimentava minha curiosidade :3.
Lúcifer farejava mais do que de costume uma moita que se encontrava ali perto, e latiu quando supostamente encontrou algo.
- Bom garoto...- Com um sorriso no rosto, agachei passando a mão em seu pelo.- O que temos aqui?? – Inclinei a cabeça em direção ao mato.
Algo que parecia ser vermelho, brilhava em minha direção. Resolvi “investigar”.
– Aaaaah! O que é isso? – Gritei caindo no chão.
Lúcifer latiu mais ainda.
Era uma faca. Isso mesmo era uma faca aparentemente de cozinha, bem pontiaguda e toda ensangüentada. Provavelmente uma faca profissional muito usada. No cabo da faca se encontrara a abreviação “JTK”, que por coincidência não me era estranho...
Assustado, corri para casa com a faca em mãos a fim de investigar sobre ela. Lúcifer veio correndo atrás de mim, que quase me fez tropeçar e cair de cara em um galho.
Quando cheguei em casa, minha expectativa era passar o dia observando e admirando aquela faca, o que não aconteceu já que tive de ajudar meus pais com o desembrulho das caixas da mudança. Aquela faca podia esperar... Ou não?
Depois de 7 horas arrumando meu guarda roupa e meu quarto, estava exausto e já sem animo para qualquer coisa a não ser “capotar” na cama. Tomei um banho super quente, que cheguei a ficar com a pele vermelha.
Minha mãe, ainda que “tarde” estava arrumando a casa, e agora arrumava o porão... Pera aí, tínhamos um porão?? Siiiiiiiim tínhamos um porão, e era enorme! Sabe quantas coisas da para fazer em um porão? Infinitas... O estranho, era que o porão tinha várias cadeiras de roda velhas e enferrujadas, máquinas de costura praticamente revestidas por teias de aranha, e um livro antigo, muito antigo, pelo o que pude ver, de 1983 e logicamente também bastante empoeirado. Minha vontade era de vasculhar tudo o que podia naquele momento, e agir feito uma criança num parque de diversões, mas sabia que minha mãe não deixaria, por isso subi para o meu quarto onde fui tentar dormir sem sono. Aaahh meu quarto, uma paisagem linda, com meus desenhos na cabeceira da cama. Prateleiras serviam de suporte para meus livros e bonecos e sim, eu tinha o Max Steel.
Deitei-me diante os lençóis da cama e me cobri até a altura da cintura, por mais que estivesse frio hesitei em me cobrir até cabeça como de costume (fala aí, sou vida loca :3). Minha cama ficava embaixo da janela com uma cortina de puxar, e lentamente espiei pelo vão. A vista era da floresta que de noite parecia que nem floresta tinha, de tão obscuro. Observei o interior dela e vi um círculo branco bem alto, parecia olhar “fixamente” para a janela. Não fazia idéia do que se tratava, mas fiquei com medo e resolvi dormir. Meu boneco Max caiu na mesma hora.
– Brayan? Ainda ta acordado misera?!- Gritou minha mãe do quarto.
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Água, muita água. A vista um privilégio, rochas e arvores flores e pássaros... Eu estava no paraíso? Onde eu estava?
A luz do sol deixava o lugar ainda mais reluzente, e por um momento, achei que ficaria cego com tanto brilho. Levantei-me das folhas verdes, caminhei pelo lugar tranqüilo e harmonioso. Pude avistar Sereias no fundo das águas, e por um momento achei que fosse ilusão de ótica, ou até mesmo miragem... (realmente era o paraíso :3 ) .
“Brayan, Brayan, aqui “ – Exclamou uma voz suave vinda do fundo do mar.
Ah, faça-me o favor, além de eu acordar em outro mundo, estava ouvindo vozes? Pera aí...Como o ser sabia meu nome? #Tenso. Olhei ao redor, e realmente havia uma mulher na beira do rio, que fazia um gesto de “venha cá” com o dedo indicador. Sentia medo do que poderia vir acontecer em seguida, mas mesmo assim arrisquei em ir até ela.
– Você é o Brayan certo? – Indagou a mulher.
–S... Sim, eu mesmo. — Gaguejei mais que o normal.
–Certo, venha comigo Sr. Brayan – De repente o ser me puxou para baixo da água, sem dar tempo para eu respirar. Eu via tudo de olhos abertos, e por mais que eu tivesse sem oxigênio parecia que o mesmo não me fazia falta.
Quando cheguei praticamente ao outro lado de onde estava, vi que tudo era diferente, mais triste, desanimado, sem vida. Assim que olhei para trás, percebi que a tal mulher que me trouxera não estava mais lá.
De repente, tudo ficou escuro, o céu se tornou negro como a alma da noite, e nada se enxergava. Deparei-me em uma floresta, onde no tronco das árvores se encontravam folhas com o símbolo que eu vira nas próprias arvores perto de casa. Por instinto, pus a mão no bolso e encontrei uma lanterna na qual poderia usar para amenizar a escuridão.
Agora, o que eu mais tinha de valioso era aquela lanterna. O que era aquilo? Um jogo de sobrevivência? Teste de fidelidade?? Eu tinha que usar pelo menos 90% de minha inteligência, e meu maior medo era esse. Aliás, seria a primeira vez que eu usaria 90% da minha capacidade cerebral.
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