Filho...
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Filho
Era apenas o egoísmo normal de um ser humano.
Pensava nos mortos pela segunda guerra mundial. Pensava nas crianças mortas pela fome e miséria. Pensava no câncer que matava pessoas em todos os países, quer sejam desenvolvidos, quer não. Pensava... chegando à conclusão de que não se importava com nenhum destes mortos. Sequer com os vivos!
Só uma morte dentre todas que já aconteceram no mundo significou algo.
Morte...
Pior era ter que ouvir aquelas frases de quem vive na ignorância, em tentativas falhas de consolação: “ele está num lugar melhor”, “Deus irá lhe guardar a alma”, “deve ter virado um anjo”. Se já queria morrer pela dor que sentia, mais ainda por tais palavras.
Por que não se foi no lugar dele?
Como se houvesse justiça no Universo que segue unicamente as leis da ciência. Os acasos que fizeram a Terra e o homem são os mesmos que tiraram a vida de seu amado. Quem criou as regras foi a imensidão expansiva do Universo e ninguém poderia contestá-las. Nem mesmo aquele que dedicou uma existência inteira a idolatrar as leis que o tiraram a vida... de todas as maneiras possíveis!
Engoliu o whisky que segurou na boca por segundos. Mentiria se dissesse que seu peito apertado e sua cabeça doendo não o fizeram sentir a bebida descer ardendo na garganta. Contudo, o que mais ardeu foram seus olhos numa tentativa desesperada de soltar as lágrimas que segurava. Não as permitiu descer.
Nem toda a dor do mundo o faria cair... afinal, se já estava no chão, se caísse mais, iria parar no centro da Terra.
“Perdoe-me, filho...”.
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