Filha de Apolo

7 Meus presentes vêm pelo correio


Notas iniciais
Cheguei com mais um capitulo, pra deixar vocês um pouco felizes antes de fazerem o ENEM. Eu vou fazer e estou meio nervosa. Boa sorte pra quem vai fazer também e me desejem sorte, porque tá difícil. Aproveitem o capitulo! Bjs Semideuses!

Poppy estava certíssima! Quando chegamos ao terminal o ônibus já havia saído, tínhamos passado bastante tempo naquela "brincadeira". As passagens não eram reembolsáveis, e, de qualquer modo, não poderíamos esperar o próximo ônibus pra Portland, pois esse só chegaria na tarde do dia seguinte, mas precisávamos ir o mais rápido possível.

Sentamos em um dos bancos de pedra da estação olhando as pessoas passarem, cada vez em menor número, enquanto pensávamos no que fazer.

— Temos que pegar um táxi! — disse Anthony. — É o jeito mais rápido. Vocês tem algum dinheiro? Desculpa mas eu não tenho!

— Só tenho vinte dólares no bolso.

—Talvez tenha algum nas mochilas — disse ele.

Vasculhamos nossas mochilas em busca de algum dinheiro, Poppy encontrou cinquenta dólares na dela, mas nas outras só haviam 7 drackmas de ouro.

— Não é suficiente. O que faremos? — eu disse.

— Não podemos ficar parados aqui! Vamos andando... naquela direção! — disse Poppy apontando pro norte. — Com sorte encontramos um banco aberto.

Seguimos andando por algum tempo, as ruas estavam quase desertas e não, não havia nem um banco nem nenhum outro lugar aberto.Não era muito seguro andar por aí, acabou que resolvemos parar.

Quando chegamos no parque da cidade imaginamos que era o melhor lugar pra ficarmos, não haveria ninguém lá a essa hora, já era tarde, a lua brilhava em seu auge. Decidimos passar o resto da noite ali — se é que pode-se dizer assim — e sentamos ao pé de uma árvore. Pegamos alguns gravetos e eu acendi uma pequena fogueira para nos aquecermos um pouco.

Tínhamos seis sanduíches, cada um de nós comeu um, o meu era de tofu, e deixamos os outros três para o dia seguinte, mas ninguém estava realmente satisfeito. Bebemos um pouco de água, por fim Poppy disse:

— Vocês podem dormir — disse Poppy — vou ficar com o primeiro turno.

— Não, eu dormi à tarde, não estou com sono.

Poppy ainda queria ficar acordada, mas não conseguiu por muito tempo, deitou com a cabeça sobre sua mochila e dormiu. Anthony logo adormeceu, também cansado.

Encostei-me no tronco da árvore e fiquei acordada olhando as estrelas e pensando no que aconteceria se não conseguíssemos — sei que não devia pensar assim, mas as coisas não estavam indo as mil maravilhas. O que aconteceria com meu pai? Talvez além de deixar de ser o deus do sol ele também perdesse outros títulos como castigo de Zeus, quem sabe? Ele castigou Dionísio a passar todo aquele tempo no acampamento. Talvez Apolo não me culpasse, mas acho que eu me culparia por não conseguir ajuda-lo. Tentei afastar esses pensamentos, disse pra mim mesmo "tudo vai dar certo" tentando me convencer disso.

Foquei meu pensamento no momento. Poppy dormia um pouco agitada, como se estivesse tendo um sonho ruim, mas se eu a acordasse ela não iria voltar a dormir, então deixei-a. Anthony também dormia sobre sua mochila, ele estava quieto e encolhido, acho que estava com frio.

De súbito percebi que também estava, a fogueira havia apagado, mas eu não devia acende-la de novo, pra não chamar atenção de nenhum monstro inconveniente. Felizmente havíamos trazido casacos. Poppy havia lembrado de vestir o dela antes de dormir, mas Anthony não. Abri lentamente a mochila dele, mas sem tirá-la de debaixo de sua cabeça, não queria acorda-lo, escorreguei a mão às cegas pela mochila e puxei de lá uma jaqueta jeans escura, colocando-a por cima dele. Tony dormia serenamente — agora agarrado com sua jaqueta. — Vesti meu casaco e fiquei apenas olhando-os dormir.

Thony acordou e eu rapidamente mirei meu olhar em outra direção, não queria que ele me visse velando seu sono. Ele se levantou e veio sentar ao meu lado.

— Você foi muito bem ontem — disse ele, já havia passado muito da meia-noite.

— Você também.

— Desde quando você faz aquilo?

— O que? — perguntei.

— Você sabe, aquilo com o fogo...

— Bem, acho que eu já fazia, mas só soube mesmo quando meu pai me disse.

— É um poder muito legal! Pensa só, é uma arma, serve como tocha se precisar de uma e também você nunca mais vai precisar de fósforos! — disse empolgado.

Ficamos sentados juntos e conversando qualquer coisa bom a algum tempo até que ele disse:

— Se quiser pode dormir agora, vou ficar aqui..

— Não, estou bem.

— Você não é de ferro Claire! Precisa dormir.

Realmente eu estava com sono e não consegui resistir por muito mais tempo. Deitei ao lado de Poppy e logo estava dormindo.


...

Sonhei que estava agora em uma salão escuro, mas não era a mesma sala de antes, era um grande salão um pouco mais iluminado que o anterior, mas de algum jeito era ainda mais sombrio. Haviam algumas pouquíssimas janelas de onde vinham pequenos raios de luar o que me fez pensar que o lugar ficava na superfície.

Eu estava atrás de um grande trono escuro pontilhado de pequenas luzes semelhante a estrelas, de modo que não conseguia ver quem estava sentado no trono. Há pelo menos vinte metros de distância do trono havia uma grande porta escura que provavelmente era a entrada para o salão. Entre o trono e a porta tinham algumas tochas que iluminavam três rostos de frente para o trono dos quais uma era uma mulher exuberante com um longo vestido e uma doninha a seus pés, que reconheci como Hécate. À sua direita uma mulher jovem e bonita de toga preta com olhos brilhantes, imaginei que essa fosse Éris, deusa da discórdia. Por último, à esquerda de Hécate havia um velho — muito velho — que só pude supôr ser Géras, deus da velhice.

— Eles estão a caminho, Minha Sra — disse Hécate para a deusa sentada no trono.

— Moleques atrevidos! Éris, Cuide deles pra mim! Não tenho tempo pra gastar com esses semideuses metidos a heróis! — disse a voz sombria.

— Como quiser, Senhora.

— Mande os monstros que achar necessário, se preferir pode cuidar deles com as próprias mãos.

— Sim, irei eu mesmo! Não quero perder a diversão! — respondeu Éris com seu sorriso assustador de serial killer.

— O carro do sol já esta na forja? — perguntou.

— Chegará amanhã, mas ainda não pegamos o ciclope.

— Pois tratem de fazê-lo logo!

— Ele está sob proteção.

— Pois que arrumem outro, ninguém é insubstituível!

— Assim será — então os deuses saíram, mas a voz sinistra ainda disse:

— Antes que os olimpianos percebam eu estarei no poder!

Pensei em me mover pra frente e ver quem estava no trono, de quem era aquela voz que perturbava em meus sonhos, mas antes que pudesse a cena mudou.

Estava no parque, mas não como se tivesse acordado. Sabia que ainda estava sonhando pois tudo estava coberto por uma luz ambárica e o sol brilhava forte no céu. Ao meu lado estava um homem de olhos azuis com um cetro na mão onde duas cobras vivas se enroscavam. Ao longe um caminhão de entregas com o desenho de asas douradas na lateral.

— Olá! Claire, não é? Sou Hermes — disse ele.

— O deus Hermes? Que faz aqui?

— Entregas Hermes! — disse ele empolgado me entregando uma caixinha dourada. Abri-a e dentro havia um medalhão pouco maior que um drackma de ouro com o desenho do sol cravado de um lado e Febo escrito no verso. — Apolo mandou pelo correio, ele não tem permissão pra falar com você de novo antes que acabe a missão.

"O deus dos trovões está uma fera com ele" disse uma das cobras no cajado, era Jorge "Aliás, você não teria um rato aí, teria?"

"Jorge!" respondeu Marta "Não importune a menina! Feliz aniversário querida!" disse simpática.

— Ahn... Obrigada.

— Tenho mais uma coisa! Este é meu presente pra você — ele me deu outra caixa, um pouquinho maior.

"Vamos! Abra!" disse Marta ansiosa. Abri-a e dentro havia o que parecia um relógio de bolso de bronze.

— Não é um relógio, é uma bússola, você só precisa pôr um pedacinho de alguém aí dentro (fio de cabelo, um pedaço de roupa, qualquer coisa) e ela mostrará o caminho até esse alguém.

— Obrigado — disse pensando quando eu poderia usa-la.

"Será útil querida! Você só não sabe ainda"

"Tá tudo muito bem, mas tem uma cobra aqui que precisa de um rato!" disse Jorge rabugento.

— Tenho que ir agora, Jorge fica mal-humorado quando está com fome — disse Hermes.

"Boa sorte querida" disse Marta.

"Boa sorte e da próxima vez não se esqueça de me trazer um lanchinho com pernas" disse Jorge. "Jorge!" Marta o repreendeu.

— Não se preocupe Claire, você vai conseguir — disse o deus.

Então uma luz brilhou ofuscando minha visão e quando pude novamente abrir os olhos estava ainda no parque, mas novamente deitada ao pé da árvore.

Notas finais
Então, o que acharam do capítulo? A partir de agora vou postar sempre na sexta feira, então até a próxima. Desejo que vocês tirem 1000 em suas redações do enem! Favoritem, acompanhem, recomendem e PELO AMOR DE DEUS comentem, preciso saber o que estão achando da fic. Bjs de açucar!