A minha história ninguém conhece, nem ao menos eu, e as únicas coisas que sei foi as que a Lua me contou.


Meu nome é Mary Firt, hoje devo ter uns 100 anos, mas tenho aparência de 17 anos. Com 15 anos descobri que tinha poderes, consigo controlar os elementos, tenho influencia sobre a matéria, posso levitar objetos, mudar sua forma, enfim, varias coisas, e também sei voar. Aos 17 parei de crescer, mas o que deveria ser meu vigésimo aniversário, se tornou minha morte. Acabei falecendo.


Tudo isso a Lua me contou quando eu acordei em uma estranha casa, deitada na cama e a vi pela janela iluminando os céus, tão linda, não me senti mais tão perdida. Olhei meu pulso e vi uma pulseira com um pingente com a letra M pendurado, ela me disse que foi a minha mãe que me deu e que era a fonte dos meus poderes. Também me disse que eu era a única igual a mim que ainda possuía um pai e uma mãe, mas apenas meu pai estava vivo.


Eu me levantei da tal cama e me olhei em um espelho, eu tinha cabelos castanhos presos em uma colinha com uma franja lateral e olhos negros, estava usando uma blusa com ombro caído cor de vinho, uma calça preta e botas compridas também pretas. Olhei em volta e decidi dar uma volta pela casa, e quando cheguei em um cômodo que parecia ser a sala, vi algumas pessoas sentadas em um sofá chorando, tentei me manifestar, perguntei o que ouve, mas, ninguém me respondeu. Um homem então, se levantou e veio na minha direção, por um momento pensei que ele havia me visto, mas ele passou por mim atravessando meu corpo. Fiquei assustada, confusa e decidi sair da casa. Me vi em um vilarejo calmo, tentei falar com alguém, mas, era como se eu fosse um fantasma.


Passaram-se anos e eu já andei por todos os lugares, mas sempre voltei em um lugar onde eu vi um garoto, um garoto diferente. Eu não cheguei a falar com ele, mas acho que o que fiz por ele foi muito importante, eu salvei a vida dele.


Era de noite, e eu estava no alto de uma árvore observando o céu, quando derrepente vi algo voando com muita velocidade indo em direção a uma nuvem de poeira negra, e decidi ir ver o que era. Voei até lá, e quando estava me aproximando da tal poeira negra, vi um garoto voando até o interior da estranha nuvem, e eu o segui sem que ninguém me visse.


Quando me dei conta, eu estava no meio daquela poeira, ela parecia que tinha vida própria, era assustador. Derrepente avistei o tal garoto, ele tinha cabelos brancos, era pálido, muito misterioso, segurava um bastão de onde lançava raios de gelo em criaturas feitas da tal poeira, que parecia querendo atacá-lo, mas o que ele não viu, foi uma laça que se formou atrás dele que iria atingi-lo. Quando percebi o que iria acontecer, gritei:


– Cuidado!


Para salva-lo, me joguei na frente da lança, formei uma grande bola de fogo, e com um gemido joguei na tal lança que pegou fogo e desintegrou-se. Depois, me virei e o olhei nos olhos, azuis, lindos, algo me atraia, aquele olhar surpreso, eu não consegui dizer nenhuma palavra, apenas sai voando, fugindo da cena, mas o que eu nunca me esqueci, foi aquele olhar.


Em uma noite, a Lua me contou sobre os guardiões, Norte, Coelhão, Fada do Dente, Sandman e Jack Frost, e disse que um dia eu poderia me juntar a eles.


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Dias Atuais


Mary Firt, uma feiticeira aventureira, corajosa, percorre o mundo diariamente, ela usa seus poderes sempre para o bem, para ajudar as pessoas. Ela estava sentada em baixo de uma arvore, quando ouviu uma garota ameaçando uma garotinha de óculos que aparentava ser menor que ela. Mary viu a garota maior levantando a mão para a garotinha dando um tapa nela. A feiticeira não suportou a cena, chegou perto e fez nascer uma linda flor perto das garotas. Elas olharam a flor, Mary fez sair da tal flor um pó cor-de-rosa que foi em direção dos olhos da garota que havia batido na menina de óculos.

– Me desculpa, eu não deveria ter batido em você. – desculpou-se a garota maior.

A garotinha colheu a tal flor e deu a menina que havia lhe batido e disse:

– Tudo bem, as pessoas erram.

Mary ficou satisfeita, ela também tinha o poder de fazer as pessoas reverem seus erros, e a maioria das vezes, os consertar. Ela odiava injustiça, e quando ela a via, ela intervia.

Mary passou o dia todo em baixo de uma mesma arvora pensando em coisas aleatórias e, às vezes, fazia umas brincadeiras, como fazer uma pessoa cair na lama ou coisas similares. A feiticeira também sempre acompanhava de perto os guardiões trabalhando, adorava ajudá-los, mesmo sem que eles saibam.


À noite, tentou descobrir algo mais sobre seu passado perguntando ao Homem da Lua, mas sempre ficava sem resposta.


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No outro dia, no Polo Norte, Norte estava ajudando os yetis a resolver alguns detalhes para o natal, ele estavam no salão onde estava o grande globo com as luzes que representavam a crença das crianças, quando, derrepente, o Norte sentiu um vento quente, ele olhou para o globo e depois para o teto solar que havia em sua fabrica e viu o Homem da Lua.

– Oh meu amigo, o que houve. – falou ele com um sotaque russo.

O Homem da Lua não disse nada, mas Norte entendeu e concluiu:

– Parece importante, vou chamar os outros.

Ele mexeu em uma alavanca que criou uma aurora boreal, era o jeito de convocar os outros guardiões, que chegaram em pouco tempo.

– Uhh, ta frio, ta frio, não da pra aumentar o aquecedor? – gêmeo Coelhão.

– Ah, que frescura, coelhinho pom pom. – riu Jack Frost.

– Olha o jeito que você fala comigo. – disse o coelho meio zangado.

– Meninos, chega! – disse a Fada do Dente afastando os garotos. – Norte, por que nos chamou aqui?

– É o Homem da Lua, ele parece ter um comunicado a fazer. – explicou ele.

O Homem da Lua lançou uma luz em um circulo que havia no chão, e logo uma estatua de gelo foi se formando na frente dos guardiões.

– Ele...? – questionou Jack.

– Esta escolhendo um novo guardião. – completou Coelhão.

Então a estatua na frente deles se transformou em uma garota, era Mary Firt.

– Quem é ela? Ela é a nova guardiã? – perguntou o coelho.

– Parece que sim, mas nunca ouvi falar dela. – falou Norte duvidoso. – Homem da Lua, tem certeza?

Ele não disse nada, mas os guardiões entenderam.

– Ele disse que o nome dela é Mary Firt. – concluiu a Fada.

– Ok, mas como vamos acha — lá se só sabemos o seu nome? – questionou o coelho da Páscoa. — Mas pra que precisamos de mais um guardião? Já tivemos que agüentar esse ai, e agora outra?! Deve ser mais outra delinqüente. — falou ele apontando para Jack.

– Ela não me é estranha... Acho que sei onde ela esta. – Jack pensou e disse, com um olhar maldoso: – Norte, acho que vou precisar dos seus yetis.

Norte concordou e, com dois yetis com sigo, Jack atravessou o portal feito pelo globo de neve mágico de Norte, e foi para a cidade onde pensou ter visto Mary Firt pela ultima vez.


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Já era noite na cidade onde Mary estava uma noite quente de verão, e a feiticeira estava deitada no topo de uma arvore olhando o céu, quando ouviu alguma coisa se aproximar. Ela olhou para baixo e o que viu foi um garoto e duas criaturas grandes junto dele. Ela os reconheceu: Jack Frost e dois yetis do Norte. Mary tentou chegar mais perto para ouvir o que estavam dizendo, mas sem querer quebrou um galho, o que chamou a atenção de todos.

Jack olhou para cima e a viu, e disse:

– É ela!

Mary se assustou e saiu voando, mas foi seguida pelo guardião.

– Espera! Eu só quero te falar uma coisa! — gritou ele voando em direção de Mary.

– Se só queria falar, pra que os yetis?! — respondeu ela desviando, tentando despistá-lo.

– Ah, mas que garotinha difícil. — sussurrou ele para si mesmo.

Mary estava preocupada em despistar o garoto que não viu uma grande parede que dava para um beco, e acabou colidindo com ela e caindo no chão no mesmo beco.

– Então você é a Mary Firt, hahaha, tem que aprender a voar melhor. — riu Jack se aproximando dela.

– E você é o famoso Jack Frost. Pronto, já nos apresentamos agora o que você quer comigo? — questionou ela com um tom severo.

– Preciso te levar para um lugar. — respondeu ele.

– Ha, não vou a nenhum lugar com você. — riu ela.

– Se não vai por bem... — ele assobiou e os dois yetis que estavam com ele chegaram e pararam perto dele.

O guardião apontou para Mary, os yetis entenderam e foram na direção da garota e a pegaram pelos braços, ela fez um esforço, mas não conseguiu se soltar.

– Quando me chamaram me jogaram dentro desse saco. — disse Jack mostrando um saco para a menina. — Mas eu vou ser bonzinho com você e não vou fazer isso.

– Se você quer ser bonzinho comigo então pede pros seus amigos peludos aqui pra me soltar. — falou Mary brava.

– Hum, não, não, você não esta com tanta sorte. — respondeu ele brincalhão.

Ele abriu o portal usando o globo de neve mágico de Norte e passou por ele. Mary Firt estava confusa, não sabia o que esperar, mas a ultima coisa que sentia era medo, isso havia lhe deixado há tempos.


Quando passaram pelo portal, eles estavam no Polo Norte, na fabrica de brinquedos de Norte. A fabrica era muito bonita, cheia de encanto, com vários brinquedos, era realmente um lugar mágico. Ela não ficou surpresa, já havia estado lá outras vezes, mas estranhou estar lá, e mais ainda ver Coelhão, Fada do Dente, Norte e Sandman na sua frente.

– Pronto. Aqui esta ela. — falou Jack apontando para Mary, que estava muito brava com ele.

– Ta, ta, agora da pra você pedir pra eles me soltarem agora? — questionou Mary.

Jack fez um sinal com as mãos para os yetis, que soltaram à feiticeira.

– Valeu, floquinho de neve. — riu ela.

– Ei! — defendeu-se Jack.

– Hahaha, floquinho de neve, gostei dela. — falou o coelho meio brincalhão.

– Olha, faz tempo que eu não venho aqui. — disse ela olhando em volta.

– Como assim? Você já veio aqui? — perguntou Norte meio preocupado.

– Varias vezes. Quem você acha que pintou aqueles coraçõesinhos naqueles carrinhos de controle remoto?! — respondeu ela convencida.

– Foi você! — disse Norte um pouco bravo e surpreso.

– Mas como passou pelos yetis? — questionou Jack.

– Ué, foi fácil, foi só passar voando por cima deles, eles nem notam. — respondeu à feiticeira como se fosse algo obvio, e era.

– Voar por cima deles, como eu não pensei nisso. — falou Jack batendo em sua testa.

– Quê?! Vai me dizer que o famoso Jack Frost não conseguiu despistar uns simples bichinhos peludos?! Hahahaha. – riu Mary Firt.

– Pelo visto você sabe muito sobre a gente. – disse Norte intrigado.

– Sei mais do que imaginam. – gabou-se ela.

– Mas nós não sabemos nada sobre você. – falou Coelhão curioso.

– Pois é, não me importei em, digamos, me manifestar para vocês. O Homem da Lua me falou tudo que eu precisava saber sobre mim, e sobre vocês. – explicou ela. – Mas afinal, por que vocês me arrastaram pra cá?

– A gente vai te explicar, assim que você nos falar quem é Mary Firt. – concluiu Norte.

– É necessário mesmo? – questionou ela fazendo biquinho.

Sandman balançou a cabeça confirmando.

– É de extrema importância. – completou Norte com o seu sotaque russo.

– Ok, ok... Ãh, eu devo ter a mesma idade do Jack, sou uma feiticeira desde os 15 anos, com 17 meio que parei de crescer e, de acordo com o Homem da Lua, tenho um pai vivo. – explicou Mary. – Tudo isso a Lua me contou.

Os guardiões ficaram boquiabertos, como ela poderia ter um pai vivo, e ter seus poderes desde antes de ser Mary Firt, havia vários questionamentos sobre ela.

– Pera ai, pera ai, você tem um pai vivo? – perguntou Jack.

– Vocês pediram pra eu contar as coisas sobre mim, ta ai, eu tenho um pai, mas não tenho lembranças. — respondeu ela.

– Como não tem lembranças?! Todo mundo tem alguma lembrança. — concluiu Fada.

– Eu não. Já fui ao seu castelo, mas não achei nada sobre mim. — falou Mary sendo misteriosa.

– Ai meu Deus, nem quero saber o que você fez na minha toca. — disse Coelhão um pouco inseguro.

– Hahaha, é melhor não saber mesmo. — Mas da pra me dizer por que eu estou aqui?!

– Você esta aqui porque ele te escolheu, o Homem da Lua. — disse Norte.

– Me escolheu?! Pra que? — questionou ela curiosa.

– Agora, você é uma guardiã. — falou Norte alegre.

Nesse momento, muitos duendes chegaram, uns tocando uma musica, outros ficaram jogando pétalas de flores em cima de Mary, Norte pegou um grande livro e o abriu. A feiticeira estava confusa, olhava em volta e se sentia no meio de malucos, era extremamente desconfortável.

– Ei! Para tudo! — gritou ela, que em seguida calou a todos.

– Ah o que foi?! Não vai me dizer que vai fazer birra igual ao Jack. — choramingou Coelhão. — Nos poupe.

– Ei! Eu não fiz birra. — negou Jack.

– Ah fez sim. — conclui o coelho.

– O que?! Não! Eu não quero ser guardiã! Não me encaixo nisso. — disse Mary.

– Mas é claro que se encaixa. Musica! — falou Norte pedindo para seus duendes começaram a tocar novamente.

– Não se atrevam. — ameaçou a feiticeira, fazendo com que os duendes não tocassem.

– É o seguinte, se o Homem da Lua te escolheu é porque você tem algo especial, eu também sinto isso... Aqui na pansa. — riu Norte fazendo com que a feiticeira risse também.

Papai Noel percebeu algo familiar na risada de Mary, era bonita e doce, ele já havia a escutado antes, mas não se recordava.

– Qual o seu cerny? — perguntou Norte.

– Justiça... Eu acho... — respondeu ela meio em dúvida.

– Justiça? — questionou Jack.

– É, por exemplo: eu pego essas espadas e coloco elas no seu pescoço assim. — falou ela pegando as espadas de Norte e colocando elas cruzadas no pescoço do garoto. — Eu não estou sendo justa com você agora. Acho que meu dever é manter as coisas equilibradas.

– Hohoho, você é boa com espadas, onde aprendeu? — questionou Norte enquanto ela devolvia suas armas.

– Em lugar nenhum, acho que já nasci tem essa habilidade, sei lá. — respondeu ela meio insegura. — Enfim, eu não quero ser guardiã.

– Mas o Homem da Lua te escolheu, e ele costuma estar certo nas escolhas dele. — debateu Fada do Dente.

– Olha, agora a única coisa que me importa é saber quem é o meu pai, só isso. Depois que percebi que ninguém podia me ver preferi ficar sozinha. — explicou Mary.

– Mas você não esta sozinha, e nunca esteve. — falou Coelhão.

– E nós podemos te ajudar a achar seu pai. — disse Norte alegremente. — Mas se o Homem da Lua te escolheu é porque sabe que vamos precisar de você, e você vai precisar da gente também, pra o que for.

– E-eu não sei. — gaguejou ela em duvida. Ela pensou um pouco e concluiu: — Ok.

– Perfeito. — Norte abriu o livro e falou: — Você, Mary Firt, jura cuidar das crianças do mundo, preteje-las com a sua vida, selar pela esperança nos seios de seus sonhos, porque elas são tudo que nós temos, tudo que nós somos, e tudo o que seremos no mundo?

A feiticeira baixou a cabeça e pensou: "selar pelas crianças, eu já faço isso, por mim mesma, mas agora, creio que chegou a hora de mudar um pouco isso..."

– Eu juro. — respondeu ela com um sorriso no rosto.

– Então, meus parabéns Mary Firt, porque você é agora, e para sempre, uma guardiã. — concluiu Norte.

Mary não sabia o que pensar, agora ela era uma guardiã, mas mesmo assim ninguém conseguia ve-la, por hora.

– As pessoas vão conseguir me ver? — perguntou ela esperançosa.

– Elas ainda não sabem de você, mas quando souberem irão crer em você. — explicou Norte.

Ela sorriu, tinha esperanças de que não estaria mais sozinha, agora ela era uma guardiã, mas o que realmente lhe importa é encontrar o seu pai.