Fighting Demons
3 The Runaway
Notas iniciais
Crowley caminhava pela escuridão à procura de alguém específico, O Rato do mundo sobrenatural. Como aquele apenas existia um rapaz na costa leste e nenhum outro. Sua função na vida era observar câmeras e imagens e acumular informações, informações essas que ele passava para qualquer um mediante pagamento. Mesmo que a esperança que este mero humanos pudesse lhe ajudar fosse pouca, ele mesmo assim arriscou.
No centro de uma cidade suja e promíscua havia uma pequena porta de rolar com alguns símbolos discretos no canto esquerdo. Crowley sorriu ao vê-los e rolou a porta para passar.
–- Alguém em casa? – Ele perguntou calmamente, no interior igualmente escuro.
–- O que faz o Rei do Inferno no meu humilde ambiente de trabalho? – O baixinho esquelético de tão magro falou acendendo a Luz – Me chamam de Rato, prazer em conhece-lo, senhor. – Brincou o homem fazendo um reverência.
–- Pra que outra coisa as pessoas lhe procuram além de informação? – Crowley respondeu um tanto impaciente, jogando algum dinheiro no bancada próxima.
–- A não ser que eu esteja pagando... – Ele ponderou dando de ombros – Nada. – Sorriu – O que deseja saber? –
–- Qualquer coisa sobre os caçadores com aquela maldita marca de “V e C”. Mais especificamente essa ruiva aqui. – Ele falou com certa raiva escondida na voz jogando a foto que tinha pego nas coisas de Dean em cima de uma bancada, perto do magricelo.
O rapaz engoliu em seco.
–- Ah! Ela é espetacular! – O Rato soou como fã – Embora eu não saiba nada além da nacionalidade: russa. E que ela é uma gostosa, mas isso não é segredo, nem relevante... – Ponderou mais uma vez, dando de ombros.
Crowley abruptamente lhe segurou pelo pescoço, irritado.
–- Tem que ter mais alguma coisa, qualquer coisa! E a garotinha? É filha dela? – Ele perguntava desenfreadamente – Qualquer coisa, seu imbecil! Principalmente se envolver algum dos Winchester! –
A expressão do rapaz mudou quando ouviu o sobrenome e Crowley o soltou para que falasse.
–- Agora você me deu um norte... eu não sei o nome dela, nem a idade, nada. Mas, -- Ele começou a mexer em seu computador – quando se fala em Winchester é diferente. – Veja, essa foi a primeira que ela apareceu em qualquer gravação de qualquer câmera de vídeo do país! – Ele se gabou.
–- Como você sabe? – Crowley desdenhou.
O rapaz então, clicou em um botão e a saleta onde estavam se acendeu, revelando praticamente toda coberta de telas, cada tela se dividindo em imagens menores.
–- Eu vejo tudo, ora. – o Rato pareceu ofendido – Só não muito desses caçadores marcados, eles são uma praga... –
–- É, eu sei! – Crowley quase rosnou – Agora continue o que dizia, eu não tenho todo o tempo de mundo! –
–- Sim, veja, a primeira vez que ela apareceu, acho que tinha, sei lá, uns dezessete, dezoito anos... – Contou “dando play” num vídeo relativamente antigo, que parecia ter sido gravado pela outra moça que a acompanhava na imagem. – Câmeras desse tipo não eram muito comuns nessa época, mas aparentemente para esse pessoal tatuado o Céu é o limite.
Na gravação não tinha nada de mais, no começo eram só as duas, a loira documentando uma ida a um mercado e a ruiva não estava nada satisfeita.
“Abaixa essa porcaria de câmera, tira isso da minha cara, não posso aparecer nessas coisas! Se essa porcaria vazar eu mato você!”
Ela ameaçava entre os dentes.
Algumas pessoas aleatórias olhavam o desconforto da ruiva e Crowley estava começando a ficar um pouco entediado quando um homem de sobretudo apareceu por trás das duas na imagem. Estava claramente com as meninas, pois encheu o carrinho do mercado que as meninas traziam com alguns produtos que trazia na mão. Afagou a cabeça ruiva da mal humorada e brincou com ela fazendo-a rir e então convenceu a outra de parar de filmar e assim se encerrava o vídeo, que seria completamente banal, se homem com elas não fosse John Winchester.
–- Alguma coisa a mais, além disso? – Crowley tinha o cenho franzido.
–- Isso é uma relíquia. Inútil para encontrar qualquer uma das duas, acredite, eu já quase me matei tentando. Mas é a minha musa com um Winchester, “O” Winchester! – O Rato quase pulava na cadeira onde estava.
–- E com Dean Winchester tem alguma coisa por aí? – A mente de Crowley ia à mil por hora.
–- Ah! Os pombinhos... é um dos meus preferidos! Sabe? É a caçadora mais maravilhosa com Dean Winchester, o cara é uma lenda viva! – O Rato soava como um fã apaixonado – Que homem não adoraria ser ele? – O rapaz se perdia em suas ponderações mais uma vez.
–- Rato, o vídeo. – Crowley o interpelou.
–- Vou mostrar o compilado que um colega meu da Costa Leste fez... – Ele se animava na cadeira – Esse dois sempre esquecem das câmeras na ruas! E eu que agradeço! – Completou dando play.
A maioria dos vídeos eram curtíssimos, mas estavam os dois sempre sozinhos às vezes só caminhando, muitas vezes abraçados, outras muitas vezes discutindo e, é claro: as românticas desde apenas beijos até algo mais quente. Essa parte da sequencia era maior e tinha uma música de fundo ridícula. Crowley revirou os olhos irritado.
–- Já chega. – Ele fechou o notebook – Você devia ter vergonha de se comportar como um fã adolescente. – O Rato fez cara de ofendido – Certo, eles eram amantes, mas e a menina? alguma imagem de alguma loirinha, uma pirralha baixinha, comportamento agressivo... –
–- Não, nada de menina nenhuma... a não ser uma imagem da ruiva há uns seis ou sete anos que ela aparentou estar grávida, mas nada confirmado, nem nenhuma prova. Mas, eu e meu amigo da costa leste achamos que ela estava realmente e nos arriscamos a dizer que essa criança seja uma Winchester. A gente simulou como seria a carinha dessa pequena maravilha – Ele se virou pegando dois papeis – Se fosse menino ou menina! – Exibiu as imagens orgulhoso.
Crowley reconheceu a enorme semelhança da pirralha com a foto mostrada pelo rapaz.
–- Obrigada. – Ele falou tomando a imagem da mão dele – Foi ridículo, mas foi útil. –
Saido dali, o Rei do Inferno espalhou aquela imagem da pequena loirinha e espalhou para cada demônio em cada canto do país, que trouxessem para ele aquela garotinha viva. Talvez o novo Caim se interessasse em vir atrás da filhinha.
Xx
Castiel se sentiu infinitamente melhor depois de beber o que Vivian havia trazido, estava curioso a respeito do que se tratava aquela coisa que tinha o pior gosto da história, mas funcionava bem.
–- O que é isso? – Ele perguntou devolvendo o copo.
–- É uma vitamina, várias ervas e especiarias raras, batidas com leite de um tipo igualmente raro e mais algumas outras gracinhas. Quando mistura tudo aí dentro de você colabora pra te deixar forte até que o pessoal daqui ache uma solução definitiva para a sua graça. – Ela explicou se sentando e ficando calada por um tempo, até prosseguir – Posso perguntar algo, Castiel? – Ela o olhou com seus olhos âmbar, o anjo concordou – O que há exatamente com Nina? Ela não me falou muita coisa do que estava aprontando, sei que está com Sam e tem haver com Dean, mais nada além disso. –
Castiel sorriu um pouco, mas não tinha muito humos realmente.
–- Por conta da marca de Cain, ele se transformou num demônio. E sumiu depois disso. Irina está com Sam procurando por ele agora. –
Vivian baixou a cabeça por um tempo.
–- Eu não acredito... – Ela riu sem humor – Isso é a pior coisa que podia ter acontecido na história! – Castiel maneou a cabeça sem entender o que ela falava – Castiel, Nina é como uma irmã pra mim, eu sei de muita coisa que se passa na cabeça dela. E desde que eles voltaram a estar juntos... depois de Lisa – Vivian fez uma cara de nojo ao dizer o nome da mulher – Nina vinha pensando sobre pedir a dispensa daqui da Vila e ficar com ele de vez. -- Ela gesticulava muito enquanto falava -- Só que as coisas apertaram... você pirando, Leviatãs, toda aquela coisa com as tábuas e anjos caindo, Metatron... E você sabe que não são só os Winchester que matam cinco leões por dia! Irina tem um mundo nas costas, mas mesmo assim, ficou o mais perto que pode. Umas semanas atrás ela estava com a dispensa na mão, Castiel. Ela ia largar tudo que tem para finalmente ficar com Dean. –
–- Isso é verdade, Vivian? – Castiel baixou a cabeça por um momento.
–- A mais pura delas... – A loira esperneou como se fosse uma criança – Nina é uma mulher feita e difícil de lidar, que tem o mundo todo nas costas; mas no fundo é só uma garota extremamente apaixona, que virou mãe de uma hora pra outra e acha que sabe o que está fazendo, mas não sabe. Ela sempre quis ficar com ele, sempre... e quando finalmente ia, acontece essa merda! –
–- Ela estava realmente disposta a contar para Dean que Mary é filha dele? – Castiel estava igualmente triste.
–- Claro! Dean Winchester ia finalmente saber que é pai. – Vivian deu de ombros, quando a porta do quarto rangeu, revelando a chegada de alguém.
–- Tia Vivi! – Era Mary que entrou correndo até à loira que a tirou do chão – Eu soube que estava aqui quando cheguei com Eliot e daí eu vim correndo! Estava com muitas saudades. – Completou beijando a bochecha de Vivian.
–- Ah, meu bem, eu também! –Ela estava muito feliz em ver a pequena, mas olhava para Castiel preocupada, sabia como Mary era esperta e sinceramente não sabia se ela havia ouvido alguma coisa ou não.
Xx
–- Tem certeza que não quer ir num posto, hospital, sei lá... – Sam dirigia o Impala com Nina no banco do passageiro, ela apoiava a perna no painel do carro, já tinha rasgado a calça na altura do joelho e costurava o talho no mesmo, enquanto conversava tranquilamente e tomava vodka.
–- Não. – Ela falou veemente, quase assustada – Nunca fui num hospital como paciente, na verdade, acho que só entrei num hospital quando vocês sofreram o acidente... Dean em coma, seu pai morreu depois... – O luto ponteou a fala dela sobre John.
–- Você realmente gostava do meu pai, não é? – Sam a olhou rapidamente.
–- Johnny foi uma figura paterna pra mim melhor do que a minha referência original. E de onde eu venho, ele é um herói. – Ela sorriu ao falar.
–- Sabe, meu pai e o cara que você descreve, eu custo a achar que são a mesma pessoa. – Sam franziu o cenho.
–- É claro que eram, Sam, é que vocês eram filhos dele e Johnny só queria que vocês fossem durões, eu acho. Com a gente era diferente! Ele era mais leve porque nós éramos os soldados, ele era só o John Winchester, herói, mas... diferente. – Nina deu de ombros.
Sam riu e calou-se por um tempo, observando-a cortar o fio dos pontos com a boca.
–- E de onde você vem? – Sam bateu no volante, mas não estava com raiva – Só o que você fala é “de onde eu vim”! –
Ela levantou os cabelos e tocou a tatuagem pequena que tinha na nuca.
–- Vila Celeste. – Ela falou sem arrodear – Existe há muito tempo mesmo, a tradição foi passando de geração a geração, somos caçadores também, só trabalhamos numa linha diferente. –
Sam ficou um tanto surpreso ao ouvi-la falar tão abertamente sobre seus segredos.
–- O que está acontecendo, Nina? – Ele perguntou – Por que me contar tudo que sempre escondeu a vida toda até mesmo do meu irmão? –
Ela riu e não olhou Sam ao responder, manteve os olhos na estrada.
–- É o que estamos fazendo Sam... não acho que a busca vai ser fácil, nem curta, não dá pra eu ficar me fechando como sempre! Você precisa confiar em mim, coisa que eu sei que você não faz. Então, resolvi me abrir, acho que foi isso... – Ela não soava muito segura.
–- E qual foi a outra razão? – Sam percebeu a falha na fala dela – Isso não é forte o suficiente pra você simplesmente se abrir a ponto de me deixar conhecer Mary. –
A ruiva suspirou e tirou um papel do bolso da jaqueta, entregando a Sam.
–- Isso aí é a minha Dispensa. Eu ia deixar a Vila e ficar com Dean como manda o figurino depois que ele acabasse com Metatron, a gente já até havia conversado sobre isso... – Ela engoliu em seco – Estava tudo certo, só não tinha falado da nossa filha ainda. –
Flashback on
Meses atrás.
–- Dean? – Nina chamou ao entrar no Bunker.
–- Aqui, Nina. – Ele respondeu meio derretido, aparecendo nos pés da escada.
Ela apressou o passo escada a baixo e se jogou nos braços dele.
–- Eu tenho uma surpresa pra você. – Ela falou nas pausas dos beijos que trocavam.
–- Ah é?! – Ele deu um meio sorriso – Eu nunca sei se isso é bom... – Falou enquanto os dois iam até o quarto dele. Dean empurrou a porta quando passaram.
–- Eu acho que dessa você vai gostar. – Ela falou sentando encostada na cabeceira da cama e deitando Dean em seu colo, lhe entregou um papel dobrado – Eu vou pedir dispensa do lugar onde eu trabalho e vivo, enfim... –
Dean se sentou para olhar nos olhos dela, enquanto sorria para o papel nas mãos.
–- Você está me dizendo que depois que eu acabar com o filho da puta do Metatron, vou finalmente ter você todos os dias? –
–- Todos os dias da sua vida... – Ela pulou no colo dele.
–- Sabe, há algum tempo que eu não sorrio por nada... – Ele desviou o olhar dela para a marca de Cain – Mas você sempre foi minha salvação e dessa vez não vai ser diferente. – Os dois encostaram as testas por um longo momento antes de se beijarem mais uma vez e daquela era diferente, não tinha mais o gosto de despedida, só de felicidade.
Flashback off
–- Então, já que está saindo mesmo, você resolveu começar a falar... começa a fazer sentido -- Sam suspirou, chamando a atenção dela de volta. – Nina, eu sinto muito por vocês. Sabe, eu nunca te entendi e tem coisas que eu não entendo ainda... mas eu sempre quis que vocês dois se acertassem porque eu nunca vi meu irmão amar alguém como ama você... e eu estou muito feliz por ter a Mary. – Ele ficou sem jeito – Eu precisava dizer isso.
–- Eu acho que Dean e Mary são os únicos por quem eu morreria... queria que ele soubesse dela. – Nina colocou uma das mãos da testa, deslizando-a pelos cabelos nervosamente.
–- Nina, seu celular... – Sam chamou a atenção dela mais uma vez.
–- É o Elliot. – Falou antes de atender – Fala, garoto, chegaram bem? – Elliot pareceu demorar na fala, mas a agitação gradual de Nina chamou a atenção de Sam – A Mary o que? – Ela gritou – Tá, tudo bem, passa pra ela. – Nina falou ofegava – Vivian, o que houve? – Passou mais alguns minutos em silêncio – Revirem tudo de cabeça pra baixo, encontrem a minha filha ou vou matar todos vocês um por um. – Dito isso ela desligou o telefone e o arremessou no banco de trás, apoiando os cotovelos nos joelhos e as mãos na testa.
–- Nina? – Sam chamou, estava curioso mas não queria pressiona-la.
–- Mary fugiu. Ela provavelmente escutou Vivi conversando com Castiel e descobriu o nome do pai. Elliot acabou de achar um bilhete dela dizendo que ia encontrar o pai. – Ela falou de olhos fechados respirando fundo várias vezes.
–- Eles vão encontrar a minha menina em menos de oito horas se não quiserem ser decapitados antes mesmo de eu sair para procurar aquela pirralha eu mesma. -- Ela tremia de raiva --
–- Nina, o que você quiser fazer está ok pra mim. Eu ajudo você em qualquer coisa. – Ele tinha o olhar completamente desviado da pista – Ela é filha de Dean, minha sobrinha. Faço o que você precisar. – Ele falou quando um vulto se materializou na frente do carro.
Nina virou o rosto e perdeu um segundo, em choque ao ver o vulto, antes de gritar:
–- Sam, cuidado! –
–- Dean! – Sam gritou ao reconhecer a pessoa que havia acabado de se materializar em frente ao carro.
O homem virou o carro para evitar a batida, o Impala rodou na pista várias vezes e se chocou contra a banqueta. Sam desmaiou devido à batida e Nina permaneceu paralisada enquanto Dean se aproximava, marchando pesadamente, amassando um papel idêntico ao que Crowley havia espalhado entre os vários demônios.
–- Quando você ia me dizer que eu tenho uma filha? – Ele perguntou raivosamente com os olhos completamente pretos, quando arrancou Nina de dentro do carro.
Continua...
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