Fight For This Love
23 Capítulo 22 - Motel.
Notas iniciais
Algum tempo depois nós chegamos a entrada de um motel barato afastado da cidade. A essa altura eu não estava só ensopada, como quando entramos no lago, mas sim estava completamente... Congelada. A chuva caía em cascata e eu não achava que fossemos voltar em breve, o que nos deixava em um motelzinho por uma indeterminada quantidade de tempo. A porta tocou um sino quando entramos e o recepcionista ficou em pé abruptamente, um garoto franzino com óculos de grau que o deixavam semelhante a uma mosca, uma blusa gola V azul clara sem sequer um crachá que indicasse seu nome. Patch e eu nos aproximamos do balcão, eu me mantive abraçada nele o tempo inteiro para evitar de me congelar ainda mais.
— O que vai ser? — o garoto perguntou ajeitando os óculos ao rosto preguiçosamente.
— Precisamos do seu telefone emprestado... — disse suspirando profundamente me esforçando para não gaguejar de frio.
— Sinto muito, com essa tempestade estamos sem sistema, aliás, como vocês perceberam nem as luzes elétricas funcionam, só abrimos em prol de quem ficou com o carro quebrado na estrada, como vocês eu imagino. — o garoto disse apontando com o indicador para a lâmpada no teto.
— É, sei como é. — Patch revirou os olhos com mau-humor. Nunca vai existir alguém mais apaixonado por um carro idiota. — Nesse caso, vamos querer um quarto para não fumantes.
— Como é?! — inclinei o rosto para trás o encarando atônita.
— Ah... Tudo bem, eu vou ver o que posso fazer por vocês... — gaguejou o magricelo virando-se para o chaveiro á parede atrás do balcão.
— É, afinal está lotado hoje, não é?! — ironizou Patch com um sorriso desdenhoso.
— Patch, nós não vamos passar a noite aqui. — murmurei com uma expressão severa, cutucando seu braço.
— Você morre de medo de ficar sozinha comigo, não é anjo?! — zombou.
— O quê?! Claro que não! — disparei com a expressão fechada.
— Então não há com o que se preocupar. — ele respondeu voltando-se para o recepcionista.
— Aqui... Encontrei! — anunciou o rapaz. — Vocês deram sorte, é um dos melhores quartos daqui.
O garoto entregou a Patch uma chave de metal presa a um pedaço de plástico, no qual estava gravado o número 105. Patch me olhou e sorriu em tom óbvio de provocação enquanto o rapaz do balcão alcançou uma lanterna guiando-nos pelo corredor escuro a frente.
— Você por acaso não teria um celular? — perguntei surpresa por um adolescente não ter pelo menos um celular para emprestar.
— Meu celular está para concerto, eu estava lá fora quando a chuva começou. — explicou enquanto nos guiava até alcançarmos a ponta de uma escada.
— Ah que ótimo! — exclamei revirando os olhos e soltando Patch com desgosto.
— Então, é só vocês seguirem o corredor acima até o 105, vou avisar que lá em cima é ainda mais escuro que aqui. — instruiu o recepcionista alcançando uma lanterna ligeiramente maior a Patch. — É melhor levarem a lanterna mais potente.
— Vou me lembrar disso. — Patch pegou a lanterna e segurou minha mão na hora de subirmos os degraus. Depois voltou-se a mim com uma expressão safada ao sussurrar: — Você ouviu, não é?! É muito escuro lá em cima.
— Cala a boca! — sussurrei sorrindo ironicamente o acompanhando.
Nós iluminamos com a lanterna, muito boa por sinal, as portas dos quartos até encontrarmos o nosso de número 105. A porta de madeira velha e danificada já passava a imagem do que deveria se esperar de um quartinho de motel barato como este: nada de bom.
— Quer ter a honra? — ele zombou me entregando a chave.
— Claro, será um prazer. — eu respondi com um sorriso sínico.
Peguei a chave e destranquei a porta, enquanto fazia isso senti a massa de ar quente vinda do arfar de Patch atrás de mim, muito próximo, mais do que deveria. Senti um arrepio e tentei disfarçar ou estremeceria em sua frente, então com certeza ele faria alguma piadinha.
— Parece amedrontada, anjo?! — não perdeu a oportunidade de me debochar.
— Não, deve ser impressão sua. — disse na defensiva, mas no fundo, eu não teria tanta certeza. Pelo menos não depois do incidente com Dorotha.
— Claro, você não teria porque ter medo de mim num motelzinho afastado a beira de estrada no escuro. — eu percebi como aquele discurso era mais para me amedrontar do que para zombar como de costume. Justamente por isso talvez eu devesse temer.
— É. — disse abrindo a porta depressa e entrando no quarto escuro.
Assim que entramos, Patch posicionou a lanterna sobre a cômoda de modo que a iluminação se acentuasse de forma que iluminasse o quarto por inteiro, mesmo que a luz fosse fraca e opaca. Ele me analisou com um sorriso sacana antes de torcer a borda da blusa retirando uma quantidade suficiente de água.
— Parece que eu preciso de uma ducha. — constatou.
— É, parece. — disse me abraçando, encolhida.
— Você poderia me ajudar com as costas. — sugeriu maliciosamente enquanto atravessava a porta do anexo que deveria levar a um banheiro imundo de estrada.
— Vai logo, Patch. — repliquei arqueando uma sobrancelha.
— Está com pressa, anjo? — perguntou insinuando o que, normalmente em uma situação como esta, viria depois. Eu evitei de corar o máximo possível.
— Sim, estou congelando e também quero tomar banho! — me expliquei como quem se defende de uma acusação. Ele sorriu.
— Nesse caso, se quiser me acompanhar, eu posso ajuda-la. — eu me arrependi imediatamente do que disse. — Sou muito bom com as mãos. — quase me afoguei percebendo no que ele estava pensando com aquela expressão. Maldito acampamento.
— Você vai ou não?! — exclamei em tom de acusação, mas estava querendo mais era ficar sozinha antes de virar um tomate.
— Sim, senhora. — ele passou pela porta, empurrando-a e a deixando encostada, eu percebi como aquilo era uma sugestão, realmente tentadora, mas a ignorei.
Assim, esperei sentada a beira da cama enquanto Patch tomava banho, evitei definitivamente encarar aquela fresta que ficara entre a porta e a fechadura até que ele saísse de lá. Quando a porta se abriu e Patch surgiu dela, vestindo apenas as calças jeans pretas exibindo seu porte físico atlético com partículas de água escorrendo por seu peitoral o deixando ainda mais tentador, seus cabelos úmidos estavam mais bagunçados que o normal e pingando água, o que tornava a situação fodidamente sexy.
— Pronto? — perguntei me erguendo da cama lentamente, fixando o olhar em seu rosto embora ele parecesse ser puxado para baixo como um imã.
— Como sempre. — ele disse como se interpretasse um duplo sentido na minha frase, ok, era hora do meu banho.
— Certo. — disse respirando fundo e indo em direção ao banheiro.
Patch se manteve na entrada, de braços cruzados apoiando-se ao mastro da porta deixando apenas um pequeno espaço livre para passagem. O encarei, sem poder evitar de analisar seus músculos, antes de direcionar os olhos para inspecionar o banheiro a frente.
— Posso? — perguntei voltando o olhar para o seu e apontando ao interior do cômodo.
— Você pode tudo, anjo. — respondeu com um sorriso sedutor, o que não me ajudava estando aliado a sua aparência atual.
Rocei nele ao passar, deixando a porta entre-aberta apenas para conseguir um feixe de luz. Tirei as roupas molhadas, percebendo o quanto seria chato ter de vestir aqueles jeans skinny novamente depois de molhados. Prendi os cabelos em um coque frouxo e abri o chuveiro entrando no box, sentindo a cerâmica fria e úmida abaixo de meus pés.
Sai do banho e sequei-me em uma das toalhas do local, com certo receio de estar usando uma das toalhas de um motel barato, afinal, eu não sabia quem mais poderia tê-las usado. Vesti a lingerie outra vez congelando em minha pele quente após o banho e apenas encarei seriamente aquelas calças justas que seriam um inferno para vestir tomando a decisão de que não as vestiria por fim. Alcancei a blusa preta a qual Patch havia deixado no banheiro e a vesti sentindo minha pele se arrepiar ao contato com a blusa úmida e fria.
Deixei o banheiro devagar soltando o coque que fizera em meus cabelos, ainda constrangida em relação as minhas roupas e as de Patch, ou melhor, no caso de Patch, a falta delas.
— Desculpe, não tinha nada para vestir. — puxei a borda da blusa mais para baixo de um jeito constrangido.
— Então, hoje é meu dia de sorte. — ele sorriu, aproximando-se de mim devagar, e imediatamente me senti estremecer.
— Hã... Em que lado da cama você dorme? — perguntei recuando e me dirigindo a cama de casal a frente.
— Pensei que você não passaria a noite aqui, anjo. — ele não perdeu a oportunidade, como sempre.
— Bom, é minha única saída, então... — disse dando o braço a torcer com receio.
— Então? — ele perguntou como se esperasse uma outra resposta. Engoli em seco.
— Eu... Vou ter que passar a noite aqui... — murmurei, parecendo não tão certa quanto deveria, talvez por realmente não estar.
— Isso não parece uma coisa ruim para você. — comentou voltando a se aproximar.
Eu soube que deveria ter reformulado aquela frase a partir do momento que comecei a ficar nervosa a cada centímetro de distância entre nós que diminuía. Recuei evitando de estremecer embora minhas pernas parecessem mais fracas.
— Nunca disse que era. — argumentei.
— E não é? — ele perguntou parando a minha frente, relativamente próximo a mim.
— Não. — respondi regulando meticulosamente minha respiração.
— Que lado da cama você quer?! — ele repetiu minha pergunta como se fosse uma provocação.
Antes que eu tivesse tempo de pensar em uma resposta, ele segurou minha cintura e me levou alguns passos mais para trás, empurrando-me gentilmente para cima do colchão e depositando seu peso, que não era tão leve se levado em conta aqueles músculos, sobre meu corpo. Nossos rostos estavam separados por uma fina camada de ar, e seus olhos eram intensos e intimidadores sobre os meus.
— Esse. — eu disse sendo o mais firme possível.
— Boa escolha. — ele sorriu, então, acabou com a pouca separação existente entre nossos rostos, lançando os lábios sobre os meus, que só tive tempo de fechar os olhos e corresponder.
Ergui as mãos segurando seu pescoço, sentindo suas mãos apertarem minha cintura com aquela força característica. Seu beijo era envolvente, tão envolvente que eu não poderia resistir nem se quisesse, por isso sabia que não deveria tê-lo deixado me beijar. Senti suas mãos vagarem de minha cintura indo a caminho de minhas coxas e adentrando abaixo de sua blusa cobrindo meu corpo. Seus dedos começaram a esmagar minha pele com muita força. Viajou por minha barriga e por fim chegando ao seu destino, meus seios. Passou-as por baixo de meu sutiã, apertando ainda mais forte e fazendo-me soltar um suspiro de aprovação entre o beijo.
Ergui as pernas ao redor de seu quadril e deslizei a perna direita pela sua, acariciando-a. Mordi seu lábio inferior sugando-o com força, logo em seguida avançando com minha boca sobre a sua novamente. Patch retribuiu meu beijo, parecendo querer devorar meus lábios naquele beijo enlouquecedor, ele retirou as mãos de baixo da blusa, segurando minha cintura e me erguendo para si com uma força gostosa, sentando-me contra si sobre o colchão com as pernas ao seu redor e erguendo a blusa, livrando-se dela e a fazendo desaparecer de nossas vistas.
Ele encarou meu corpo semi-nu com desejo no olhar, avançando em direção ao meu pescoço com certa voracidade, distribuindo beijos molhados e estalados por ele, roçando os lábios a cada término de beijo de um jeito envolvente. Sugando minha pele e deixando marcas posteriores bem difíceis de encobrir, baixando a boca por minha clavícula e em direção aos meus seios, beijando vorazmente a parte descoberta pelo sutiã. Deslizei as mãos por suas costas inclinando a cabeça para trás e revirando os olhos de prazer, quando de repente, senti uma estranha elevação de sua pele enquanto passeava os dedos por suas costas, havia uma parte irregular na pele, como uma cicatriz, uma grande cicatriz.
Patch enrijeceu diante aquele toque. Me vi paralisada, a ponta do meu dedo tremia sob sua cicatriz. Levei um tempo para perceber que na verdade não era meu dedo que estava se mexendo, mas era eu. Eu inteira. Era como se eu fosse puxada, arrancada daquela realidade e entrando em coma, quando de repente, tudo estava escuro.
Me vi de pé no Fliperama do Bo repentinamente, mas que porra é essa?! As janelas estavam cobertas por tábuas, e eu não poderia dizer se estava de noite ou de dia. Stevie Nicks saia dos auto-falantes, uma música idiota sobre a pomba branca ferida na asa e estar à beira dos dezessete anos, que ridículo, pombas nem vivem tanto tempo assim.
Ninguém parecia surpreso pela minha aparência cósmica e então me lembrei que não estava usando nada além de uma lingerie, o que já era suficientemente vergonhoso. Recuei tentando me esconder de alguma maneira, mas mesmo preferindo assim, não poderia deixar de estranhar afinal, não é todo dia que uma garota semi-nua aparece de repente em meio a um bando de homens tarados para surpreendentemente, ninguém parecer sequer notar. Tudo bem, isso é muito esquisito. Será que aquela chuva toda misturada com a água quente repentina afetou meu raciocínio de alguma maneira?!
Eu me belisquei, ao menos não estava morta aparentemente, o que já era uma coisa boa. Finalmente, quando lancei meus olhos pelo local, avistei Patch do outro lado do cômodo. Estava em uma mesa de pôquer, recuado, segurando uma mão de cartas perto de seu peito. Andei em sua direção me encolhendo e tentando me esconder, após tomar certa coragem para desfilar semi-nua pelo local.
— Podemos conversar? — murmurei a sua orelha me sentindo cada vez mais envergonhada.
Havia uma característica enevoada a minha voz. Entendível, já que eu não fazia ideia como eu fora parar no fliperama. Um instante eu estava no motel, e a seguir estava aqui. Patch empurrou uma pilha das fichas no amontoado que havia no centro da mesa.
— Tipo agora? — sugeri olhando para os lados enrubescida. — Acho que está meio óbvio o quanto é urgente!
Enquanto corria os olhos pelo lugar, algo surpreendente e perturbador prendeu minha atenção. O calendário na parede datava alguns meses atrás, do tempo real. Se fosse assim, eu nem deveria conhecer Patch ainda, afinal, nos conhecemos este ano no início das aulas. É claro que para isto havia uma explicação perfeitamente racional e comum, só tinham sido desleixado quanto a atualização do calendário, o que era compreensível e nem deveria ser algo tão alarmante assim já que se tratava de uma casa de jogos. Ninguém muito interessado e responsável trabalha em lugares como este. Mesmo assim, não pude evitar a duvida que surgia inevitavelmente, por mais absurda que fosse, de que onde devia estar, eu não estava.
— Pois é gente ele está com um cinco de espadas, um nove de espadas, o ás de copas... — teria continuado espontaneamente mas de que me adiantaria se ninguém prestava a atenção?! Ou talvez não fosse esta a situação, talvez... Ninguém pudesse me ver, e talvez... Eu realmente não estivesse lá.
Passos avançaram com dificuldade escada abaixo pelo cômodo, e o mesmo caixa que tinha ameaçado me jogar para fora na primeira vez que eu fora no fliperama apareceu no fim da escadaria.
— Alguém lá em cima quer dar uma palavrinha com você, — ele disse ao Patch. Patch levantou suas sobrancelhas, transmitindo uma pergunta silenciosa. — Ela dava seu nome. — o caixa disse apologeticamente. — Eu perguntei algumas vezes. Eu disse à ela que você estava num jogo particular, mas ela não ia embora. Posso mandá-la embora se quiser.
— Não. Mande ela descer. — Patch jogou sua mão, reuniu suas fichas, e empurrou sua cadeira. — Estou fora.
Ele andou para a mesa de sinuca mais perto da escada, descansou contra ela, e deslizou suas mãos para dentro de seus bolsos. Eu o segui pelo cômodo. Estalei meus dedos na frente do rosto dele. Chutei suas botas. Bati minha palma contra seu peito. Ele não recuou, não se moveu. Mas que macumbada é essa, gente?! Vou imediatamente revistar se não tem meu nome nessas encruzilhadas da cidade.
Passos leves soaram na escada, ficando mais perto e foi quando a Senhorita Hall saiu da escada escurecida.
— Ah, deixa eu adivinhar, — comecei cruzando os braços em direção a Patch. — essa putaria já começou faz tempo, não é?! Agora está explicado a psicóloga ninfomaníaca.
Seu cabelo loiro platinado estava caído até sua cintura e arrepiado, em contraste com a sua maquiagem razoavelmente forte e escura. Ela estava usando uma calça jeans rasgada e um espartilho preto, além das botas de cano alto, hm, piranha. Vestida dessa maneira, ela parecia ainda mais perto da minha idade. Ela chupava um pirulito, mas na verdade eu sei muito bem o que ela estava querendo chupar.
O rosto de Patch é sempre uma máscara, e de repente eu não faço ideia do que ele realmente está pensando. Mas assim que travou os olhos na Senhorita Hall, eu soube que ele estava surpreso. Porém, se recuperou rapidamente. Todas as emoções se afunilando à medida que seus olhos ficavam protetores e prudentes.
— Debrah?
Meu coração vacilou uma batida. Tentei juntar meus pensamentos, mas tudo em que conseguia pensar era, se realmente era oito meses atrás, como a Senhorita Hall e o Patch se conheciam? Ela não tinha um trabalho na escola ainda. E por que ele estava chamando-a por seu nome? Já vi que eu não estava tão errada quanto ao que acabara de dizer a ele.
— Como tem passado? — a Senhorita Hall — Debrah — perguntou com um sorriso insinuativo, jogando o pirulito no lixo.
— O que você está fazendo aqui? — os olhos de Patch ficaram ainda mais observadores, como se não achasse que “é pegar ou largar” se aplicava à Debrah.
— Você não é o único que tem seus troques. — seu sorriso se contorceu de um lado. — Eu tinha que ver você de novo. Estive tentando por muito tempo, mas a segurança... Bem, você sabe. Não é exatamente relaxada. O seu povo e o meu nós não devíamos nos misturar. Mas você sabe disso.
— Vir aqui foi uma má ideia.
— Eu sei que faz um tempo, mas eu estava esperando por uma reação ligeiramente mais amigável. — ela disse, empurrando seus lábios em um beicinho, alguém avisa pra esse projeto de biscate que isso não é sexy.
Patch não respondeu.
— Eu não parei de pensar em você. — Debrah esmaeceu sua voz para um tom baixo e sexy e deu um passo para mais perto de Patch. — Não foi fácil descer aqui. Lucky está inventando motivos pela minha ausência. Estou arriscando o futuro dela, assim como o meu. Você não quer pelo menos ouvir o que tenho a dizer?
— Fala. — as palavras de Patch não tinham nenhum fragmento de verdade.
— Não desisti de você. Esse tempo todo... — ela fingiu uma pontada de tristeza. Quando falou novamente, sua voz estava mais contida, mas ainda guardava uma nota vacilante. — Eu sei como você pode conseguir suas asas de volta.
Asas? Ela sorriu para Patch, mas ele não retornou o sorriso.
— Assim que conseguir suas asas de volta, pode voltar pra casa. — ela disse, falando mais confiantemente. — Tudo será como era antes. Nada mudou.
— Qual a pegadinha?
— Não tem pegadinha. Você tem que salvar uma vida humana. Muito criterioso, considerando o crime que o baniu para cá em primeiro lugar.
— Que nível eu serei?
Toda confiança dispersou-se dos olhos de Debrah, e eu tive a sensação que ele fizera a única questão que ela esperava evitar.
— Acabei de te contar como conseguir as suas asas de volta. — ela disse, soando um tanto condescendente. — Acho que mereço um obrigado...
— Responda a pergunta. — mas seu sorriso carrancudo me dizia que ele já sabia. Ou tinha um belo palpite. Qualquer que fosse a resposta de Debrah, ele não iria gostar.
— Tudo bem. Você será um anjo da guarda, está bom?
Patch inclinou sua cabeça para trás e riu suavemente. Anjo de o quê?! Ai meu Deus, eu acho que a fumaça naquele motelzinho não era da tempestade.
— Qual o problema de ser um anjo da guarda? — Debrah exigiu. — Por que não é bom o bastante para você?
— Tenho algo melhor em progresso. — seu sorriso pareceu se tornar mais brincalhão que o normal. — Aliás, como você disse que vai fazer com o Miguel mesmo?!
— Me escute, Patch. Não há nada melhor. Você está se enganando. Qualquer outro anjo caído iria se jogar na chance de conseguir suas asas de volta e se tornar um anjo da guarda. Por que não você? — ela também pareceu perder um pouco da auto confiança ao pensar no tal Miguel. — E quanto ao Miguel... Podemos falar com ele. Ele sabe que você é útil.
Sua voz estava abafada com estupefação, irritação, rejeição. Patch levantou-se da mesa de sinuca.
— Foi bom te ver novamente, Debrah. Tenha uma boa viagem de volta.
Sem aviso, ela curvou seus punhos na camiseta dele, puxou-o para perto, e esmagou um beijo em sua boca. Muito lentamente o corpo de Patch se virou na direção dela, sua posição suavizando. Suas mãos subiram e roçaram os braços dela.
Eu engoli secamente, tentando ignorar a facada de ciúmes e confusão no meu coração. Parte de mim queria se virar e chorar, outra parte queria marchar até lá e começar a gritar. Não que fosse fazer algum bem. Eu estava invisível. Obviamente a Senhorita Hall... Debrah... Quem quer que ela fosse... E Patch tinham um passado juntos. Eles ainda estavam juntos agora — no futuro? Ela tinha se candidatado a um emprego no Elementary para ficar mais perto de Patch? Era por isso que ela estava tão determinada a me manter longe dele?
— Eu deveria ir. — disse Debrah, se desvencilhando. — Já fiquei tempo demais. Prometi a Lucky que eu me apressaria. — ela abaixou sua cabeça contra o peito dele. — Sinto sua falta. — ela sussurrou. — Salve uma vida humana, e terá suas asas de volta. Volte para mim. — ela implorou. — Venha para casa. — ela se desvencilhou repentinamente. — Eu tenho que ir. Nenhum dos outros pode descobrir que desci aqui. Eu te amo.
Enquanto Debrah se virava, a ansiedade sumiu de seu rosto. Uma expressão de confiança astuta a substituiu. Era o rosto de alguém que tinha blefado inteiramente em uma mão de cartas difícil.
Sem aviso, Patch a capturou pelo punho. Trouxa, não pode ver uma calcinha mesmo.
— Agora me diga por que realmente você está aqui. — ele disse. — Sabe que não vai funcionar. Eu estou exatamente onde ele quer que eu esteja.
Eu estremeci pela influência oculta e sombria no tom de Patch. Para um forasteiro, ele parecia perfeitamente calmo. Mas para qualquer um que o conhecia a algum tempo, era óbvio. Ele estava mandando um olhar para Debrah que dizia que ela tinha cruzado uma linha e era melhor para ela saltitar para trás dela – agora. Seja lá quem fosse esse Miguel, ele parecia ser poderoso o bastante para fazer alguém como Patch recuar.
Patch a dirigiu em direção ao bar. Ele a plantou numa banqueta de bar e deslizou para a do lado. Fiquei próxima de Patch, inclinando-me para ouvi- lo sobre a música.
— O que você quer dizer, por que estou aqui? — Debrah gaguejou. — Eu te disse...
— Você está mentindo.
Sua boca abriu.
— Não acredito... Você acha...
— Me conte a verdade, agora mesmo. — disse Patch.
Debrah hesitou antes de responder. Ela lançou-lhe um olhar poderoso, então disse:
— Tudo bem. Eu sei o que está planejando fazer.
Patch riu. Era uma risada que dizia, eu tenho muitos planos. A qual você está se referindo?
— Eu sei que ouviu rumores sobre O Livro de Enoque. Eu também sei que você acha que pode fazer a mesma coisa, mas não pode. — Patch dobrou seus braços no bar.
— Eles te mandaram aqui para me persuadir a escolher um curso diferente, não mandaram? — um sorriso apareceu nos olhos dele. — Então eu realmente sou uma ameaça, os rumores são verdade.
— Não, não são. São rumores.
— Se aconteceu uma vez, pode acontecer novamente.
— Nunca aconteceu. Você ao menos se deu ao trabalho de ler O Livro de Enoque antes de cair? — ela desafiou. — Você sabe exatamente o que diz, palavra sagrada por palavra?
— Talvez você possa me emprestar a sua cópia.
— Isso é blasfêmia! Você está proibido de lê-lo! — ela gritou. — Você traiu todos os anjos no paraíso quando caiu.
— Quantos deles sabem do que estou atrás? — ele perguntou. — Sou uma grande ameaça, não é?!
Ela jogou sua cabeça de lado a lado.
— Não posso dizer isso. Eu já disse mais do que deveria.
— Eles vão tentar me impedir?
— Os anjos vingadores vão.
Ele olhou para ela com propósito.
— A não ser que eles achem que você me persuadiu.
— Não me olhe desse jeito. — ela soava como se estivesse colocando toda sua coragem em soar firme. — Eu não mentirei para protegê-lo. O que você está tentando fazer é errado. Não é natural. Sabe que o Miguel jamais me perdoaria, não vou arriscar isso por você. — ela disse determinada, parecendo temer o bastante para não arriscar. — Você está por conta própria.
— Debrah. — Patch falou o nome dela como uma ameaça suave. Tanto faz se ele a tivesse pego pelo braço, torcendo-o atrás de suas costas.
— Não posso ajudar. — ela disse com uma convicção silenciosa. — Não desse jeito. Tire isso de sua cabeça. Torne-se um anjo da guarda. Foque-se nisso e esqueça O Livro de Enoque.
Patch plantou seus cotovelos no bar, radiando pensamentos. Após um momento ele disse:
— Sou um arcanjo, Debrah. Eu não sou apenas um de vocês, eu sou mais do que você jamais será, ou qualquer outro. — disse convencido, mas não era apenas para se vangloriar, e sim para impor um respeito. — Nunca vou me rebaixar a ser como vocês. Então, diga a eles que conversamos, e mostrei um interesse em me tornar um anjo da guarda.
— Interesse? — ela disse, um tantinho incredulamente. — Você acabou de dizer que nunca vai se rebaixar a este ponto!
— Interesse. — ele repetiu. — É o que você vai dizer a eles. Também diga que pedi um nome. Se eu vou salvar uma vida, preciso saber quem está no topo da sua lista de partida. Eu sei que você tem privilégios a essa informação, como anjo da morte.
— Essa informação é sagrada e particular, e não previsível. Os eventos nesse mundo mudam de instante para instante dependendo das escolhas humanas...
— Não se esqueça quem eu sou, Debrah. — ameaçou com um tom bastante amedrontador. — Um nome.
— Prometa-me que esquecerá O Livro de Enoque primeiro. Me dê sua palavra.
— Você confiaria na minha palavra?
— Não, — ela disse. — eu não confiaria.
Patch riu friamente e, pegando um palito de dentes do ministrador, andou na direção da escada.
— Patch, espera... — ela começou. Pulou da banqueta do bar. — Por favor espere!
Ele olhou sobre seu ombro.
— Ashley Claflin. — o quê?! Ela disse, então imediatamente prendeu suas mãos sobre a boca.
Houve uma confusão na expressão de Patch – um franzir de testa de descrença misturado com irritação. O que não fazia sentido, já que, se o calendário na parede estava correto, nós ainda não tínhamos nos conhecido. Meu nome não devia ter estimulado familiaridade. Aliás, como esses dois ousam colocar o meu nome nessa conversa maluca?!
— Como ela vai morrer? — ele perguntou. Como assim morrer?! Mas não vou morrer mesmo!
— Alguém quer matá-la. — mas não vai conseguir!
— Quem?
— Eu não sei. — ela disse, cobrindo suas orelhas e chacoalhando sua cabeça. — Há tanto barulho e comoção aqui embaixo. Todas as imagens ficam borradas juntas, elas vêm rápidas demais, não consigo ver claramente. Preciso ir para casa. Preciso de paz e calma.
Patch enfiou uma mecha do cabelo de Debrah atrás de sua orelha e olhou para ela persuasivamente. Ela estremeceu ao toque dele, então assentiu e fechou seus olhos.
— Eu não consigo ver... Eu não vejo nada… É inútil.
— Quem quer matar Ashley Claflin? — Patch encorajou. Vocês não estão compreendendo, eu não vou morrer.
— Espere, eu a vejo. — disse Debrah. Sua voz ficou ansiosa. — Há uma sombra atrás dela. É ele. Ele está seguindo-a. Ela não o vê... Mas ele está bem ali. Por que ela não o vê? Por que ela não está correndo? Não consigo ver o rosto dele, está nas sombras...
Os olhos de Debrah se abriram de supetão. Ela inspirou rápida e distintamente.
— Quem? — Patch disse.
Debrah curvou suas mãos contra sua boca. Ela tremia enquanto levantava seus olhos até os de Patch.
— Você. — ela sussurrou.
Meu dedo se deslocou da cicatriz de Patch e a conexão foi quebrada. Levei um tempo para me reorientar. De repente, Patch me empurrou de volta para o colchão enquanto eu ainda estava desnorteada. Prendeu meus punhos sobre a minha cabeça e depositou o peso de seu corpo sobre o meu, impedindo-me de me mover.
— Péssima ideia, anjo. — ele sorriu como se fosse uma brincadeira, mas no fundo, nós dois sabíamos que não era. — Você não deveria ter feito isso.
— O quê... — gaguejei perdida, levando mais alguns segundos para me recompor. — S-sai de cima de mim! — comecei a gritar, tentando me desvencilhar.
— Não é o que parece. — ele disse suavemente, como se fosse me acalmar. — O que você viu?
— Não é o que parece, Patch?! — quis saber alterada ainda me debatendo abaixo de si. — Você é a droga de um arcanjo?!
— Você vê o quanto é estranho quando você diz isso?! — ele insistia em levar tudo como se fosse uma brincadeira. — Vou perguntar outra vez. O que você viu?!
— Vai se foder! — bufei sentindo a raiva crescer cada vez mais dentro de mim e tentando desesperadamente me livrar dele. — Me deixa em paz!
— Sua raiva é compreensível, mas essa não é a resposta certa. — disse ele friamente, sem se alterar nem sequer por um instante. — Agora, o que você viu?
— Quem é você? Quem realmente é você? — berrei sentindo meus olhos arderem.
— Você arriscaria um palpite? — sugeriu com um sorriso frio. — Parece que já sabe a resposta.
— Você quer me matar! — explodi finalmente. — O Jeep não morreu sozinho, não é? Você mentiu. Me trouxe aqui para que pudesse me matar. Foi o que a Debrah disse que você queria fazer. Bem, por que ainda não o fez?! — não fazia ideia de onde iria com tudo isso, porém eu não ligava. Estava cuspindo palavras numa tentativa de manter o meu horror à margem. — Você esteve tentando me matar o tempo todo. Desde o começo. Vai me matar agora? — eu o encarei, firme e sem piscar, tentando impedir as minhas lágrimas de se derramarem enquanto eu me lembrava do dia bosta em que ele tinha entrado na minha vida.
— Ainda não decidi. — ele agia como se estivesse se divertindo, tudo isso era uma brincadeira?! — Aposto que está com medo agora, não é?!
— Faça isso logo! O que está esperando?! Um convite? — esbravejei ainda tentando inutilmente tira-lo de cima de mim.
— Se fosse, você acaba de fazê-lo. — seus olhos eram tão indecifráveis quanto seus pensamentos.
— Então faça! — berrei sentindo as lágrimas de ódio e dor escorrerem por minha face. — Mas antes, eu quero saber o por que, de tantas pessoas no mundo.
— Culpe a sua árvore genealógica, se quiser. — ele sorriu pensativo.
— Só isso? Essa é a unica explicação que eu recebo antes de ser morta?! — perguntei incrédula entre uma risada fatídica.
— Por enquanto, sim. — ele respondeu.
— E quanto a Debrah? Ela é como você?! Um... Anjo. — quis saber não acreditando em minhas próprias palavras. Aquilo era loucura.
— Então foi isso o que viu. — adivinhou curiosamente. — O dia em que ela me falou sobre você.
— Responda a minha pergunta. — exigi com firmeza, diante a situação. — Vocês são... Anjos?!
— Adoro como você acha que ainda pode exigir alguma coisa nesta posição. — ele sorriu e me analisou, eu o divertia?! — Se bem que desse jeito, você está tirando vantagem.
— Adoro como você nunca responde as minhas perguntas. — concluí revirando os olhos. — Isso explica então aquela cena ridícula na sala da minha psicóloga. Vocês estavam com saudades não é mesmo?! Ah, que lindo!
— Isso são ciúmes, anjo? — ele perguntou com um sorriso mais largo.
— Vá para o inferno! — exclamei raivosamente.
— Seria um belo trocadilho no meu ponto de vista. — ele disse começando a relaxar seu peso sobre mim. — Se eu soltar, você vai tentar fugir, não é?!
Apenas o encarei seriamente. Se me soltasse eu com certeza sairia correndo e pediria socorro nem que tivesse de ser ao bobalhão da recepção ou invadir um quarto e roubar um celular.
— Você quer respostas, não é?! — disse libertando devagar meus pulsos. — Posso responder algumas de suas perguntas se você não me fizer te arrastar de volta para cá do corredor.
— Vou ver o que posso fazer. — relatei fingindo a melhor expressão de tudo bem, quando na verdade estava fervendo de raiva.
— Isso é um sim ou é um se você me soltar eu vou fugir? — sugeriu com um sorriso irônico arqueando a sobrancelha desconfiado.
— A Debrah é sua namorada?! — perguntei só para fugir daquele assunto, porque sim, eu iria fugir.
— Por quê? Esta preocupada em estar num motel com um cara compromissado? — ele não conseguia falar sério nem em uma situação séria como essa.
— Você pode, por favor, responder alguma das minhas perguntas? Você pode falar sério de verdade?
— Vou ver o que posso fazer. — sorriu debochado usando minha frase contra mim.
— Acho que isso é um sim. — devolvi as suas palavras contra ele.
— Sim e não. — ele pensou. — Eu nunca disse que estava namorando com ela, mas acho que ela entendeu assim. Bom, e quem sou eu para dizer que não?
— O Arcanjo mais foda do universo?! Pelo menos foi isso que você impôs a ela. — respondi sua pergunta ironicamente.
— Ah, eu faço o que posso. — ele sorriu sarcástico. — A gente teve um lance há uns... Milênios atrás.
— O quê?! — perguntei espantada. — Quanto tempo faz que você... Esta aqui?
— Bom, acho que fazem... — Patch sorriu para mim como se estivesse surpreso, sabia que não estava. — Olhe que coincidência, dezesseis anos, isso te lembra alguma coisa?
— Você caiu no mesmo ano em que eu nasci... — murmurei ainda assustada digerindo a informação.
— Bingo! — ele debochou sorrindo.
— Pode sair de cima?! — acordei daquele transe sentindo a raiva voltar, embora aquilo tudo fosse muito estranho, seria uma coincidência mesmo?
— Por que você quer ficar por cima?
— Eu quero ir embora! — quase gritei voltando a me debater furiosa.
— Esta vendo você mentiu para mim. — ele disse com uma falsa expressão abismada. — Que coisa feia, anjo.
— Me solta! — dessa vez gritei tentando me debater mais rápido.
— Eu já entendi, sou um arcanjo de mil e poucos anos, não um velho surdo. — ele disse normalmente como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Senti toda a frustração tomar conta de mim e estava realmente cansada de tudo isso, ainda assim ele não conseguia levar a sério, eu queria respostas e ele não pretendia cede-las. Meus olhos incharam, eu sentia o líquido quente escorrendo pelo meu rosto, que ótimo, agora estava chorando na frente dele.
— Por favor... Me deixa em paz ou então acaba logo com isso. — implorei aos prantos.
— Você não me deixa te deixar em paz. — mas ele pareceu ceder, passou o polegar sobre minha bochecha secando as lágrimas. — Sinto muito, não sei porque mas é muito difícil te ver chorando. Podemos conversar agora?
— Estou pedindo isso desde o começo.
— Então significa que eu posso te soltar? — ele continuou passando os dedos pelo meu rosto.
— Sim. — concordei fingida.
Patch começou a libertar meu outro pulso devagar, olhando profundamente em meus olhos, eu adoraria saber o que ele estava pensando, parecia mesmo afetado ao me ver chorando, mas ele já mentiu para mim outra vez. Então me soltou completamente, apoiando-se sobre os joelhos a minha frente como se esperasse uma reação. Respirei fundo algumas vezes me impulsionando para cima e pulei da cama correndo em direção a porta do quarto com esperanças de sair.
Senti seu braço contornar minha barriga depressa e com certa força, puxando-me com brutalidade e me encurralando entre a parede e seu corpo. Perdi as forças e o ar. Suas mãos apertavam meus pulsos contra o concreto, e seu peito musculoso me apertava me fazendo arfar, o que não chegava a ser ruim.
— Quero a verdade! — exigi. — Você foi para a escola para me matar? Esse foi o seu objetivo desde o início?
— Sim. — confessou contrariado. — Mas ai eu te conheci.
— Mentiroso! Você deve estar se vangloriando não é mesmo?! O objetivo era me fazer confiar em você para jogar tudo na minha cara e depois me matar! — explodi.
Senti seus lábios virem contra os meus tão duramente que ele impediu de sair qualquer nome que eu estivera prestes a chamá-lo. Suas mãos libertaram meus pulsos e ele enlaçou minha cintura puxando-me contra si unindo nossos corpos. Fiquei os primeiros segundos sem reação então lembrei o quanto eu estava com raiva dele e tudo o que fez, como estava prestes a me matar principalmente, não podia simplesmente me jogar nos braços dele e ignorar tudo isso. Mordi seu lábio inferior com força, me surpreendendo ao senti-lo sorrir e se afastar repentinamente.
— Você me mordeu? — seu sorriso era tão surpreso quanto debochado.
— Tudo sempre é uma piada para você?! — o olhei raivosa subindo as mãos para seus ombros tentando afasta-lo.
— Você me odeia? — ele perguntou, como se realmente tivesse interesse na resposta.
— Você quer me matar, droga! — eu disse distribuindo socos em seus ombros freneticamente.
— Não respondeu minha pergunta. — ele continuou me mantendo junto a si. — E não acha que se eu quisesse você morta nem estaríamos tendo essa conversa?
— Você não responde as minhas. — disparei indignada. — Não acho mais nada de você Patch.
— Tushe. — observou me dando razão. — Me magoou. — ele fez beicinho.
— Como você fez? Você tentou, não tentou? — questionei seriamente.
— Fiz com que a Masterson tivesse a brilhante ideia de criar um mapa de assentos, onde eu pudesse me aproximar de você mais rapidamente. Fiz você pensar que caiu do Arcanjo porque queria te matar, mas não consegui prosseguir com isso. Quase te matei, mas eu parei. Eu me contentei em te assustar, ao invés. Então te ofereci uma carona para casa, seu péssimo habito de não carregar celular me ajudou outra vez. Quando entrei na sua casa, peguei uma faca. Eu ia te matar então. — contou sem se alterar enquanto eu estava apavorada, minha cabeça fervia. — Mas ai, a gente se beijou.
— E como você fez tudo isso?! — quis saber cada vez mais embora ainda estivesse atônita. — Fico feliz em saber que um beijo me salvou a vida.
— Poderes psíquicos. — ele sorriu, senti como mais uma ironia. — Por que essa cara? Eu sou um Arcanjo. — disse ele, então continuou. — Não foi só o beijo, é o que eu estou tentando dizer desde o começo, foi você. É muito difícil acreditar que um cara está apaixonado por você, Ashley?
— Você era um Arcanjo. — o corrigi querendo realmente ser maldosa. — E isso não faz sentido, porque um Arcanjo, ou ex, cairia? Vocês são a casta mais alta. — quis saber intrigada. — Não sabia que pessoas apaixonadas perseguiam as outras a noite, você é um psicopata por acaso?
— Cuidado com essa boca. — ele sorriu. — Eu ainda tenho alguns truques na manga. — ele revirou os olhos ao ouvir minha pergunta. — Longa história, mas parece que nós temos uma religiosa por aqui. — me encarou e soltou uma leve risada. — Eu sou um anjo caído, o que você esperava? Flores e chocolate?
— Não sou religiosa. — esclareci. — Então você admite que me perseguiu enquanto estava de carro e... Você usou uma ilusão em mim?! Porque meu carro tinha ficado em pedaços.
— Ou você esta ficando doida ou eu não sei do que esta falando. — então adquiriu um tom mais sério, segurou meu rosto com uma das mãos olhando-me intensamente. — Eu nunca invadi sua mente, anjo. Eu nunca precisei, admita, você se apaixonou por mim por conta própria.
— Se não foi você, então quem foi? Porque tem alguém me perseguindo, querendo realmente me matar, me seguiu a noite e fingiu que destruiu meu carro e depois... Depois fez aquilo no meu quarto que você mesmo viu, espera... — de repente tive uma centelha de esperança no meio de tudo isso. — Então a Dorotha pode estar...
— Não, ela está mesmo morta. Sinto muito. — contou acariciando meu rosto gentilmente. — Não fiz essas coisas, anjo. Se tem mais alguém perseguindo você, não sou eu.
— Oh meu Deus... — sussurrei sentindo toda a dor voltar a tona e as lágrimas teimosas voltarem a escorrer simultaneamente. Perdi as forças e senti meu corpo mole escorrendo para um abismo sem fim e foi então que ele me segurou com mais forças.
— Shh... Se segure em mim. Eu estou aqui com você, anjo. — sussurrou me dando apoio, abraçou-me com mais força de um jeito protetor. — Sempre vou estar.
Patch apoiou minha cabeça contra seu peito e acariciou meus cabelos como se quisesse mesmo me fortalecer, não acreditava nele mas parecia ser sincero ao demonstrar que se preocupava comigo. Que queria realmente me proteger e me ajudar a enfrentar e querendo ou não, no fundo sabia o quanto precisava dele. Mas isso me assustava, ele tentou me matar e ainda assim eu... Isso não podia acontecer, não podia ceder, e se fosse mais uma mentira? Ele fez isso todo esse tempo e eu jurava que estava sendo sincero quem me garantia que não estava fazendo de novo?
Me afastei após alguns segundos, seu peito era quente e confortável ainda que duro e forte. Foi difícil conter mais lágrimas então deixei-me desabar por um momento sobre aquele lugar tão seguro quanto podia ser perigoso, mas eu estava frágil demais para bancar a durona. Me permiti chorar em seu abraço antes de recuar abruptamente, secando o rosto rapidamente.
— Então quem é Patch? Quem?! É questão de tempo para essa pessoa enfim fazer o seu trabalho. — questionei nervosa e assustada, tentando mudar de assunto desesperadamente. Afinal, de qualquer jeito, tinha alguém querendo me matar!
— Então quer dizer que você acredita em mim, anjo? — Patch segurou meu rosto e prendeu meus olhos aos seus. Sorriu de um jeito irresistível, isso era golpe baixo!
— Eu... Eu... — gaguejei medrosa. — Eu não sei.
— Vou aceitar isso como um sim. — manteve o sorriso e antes que eu pudesse impedir, tomou minha boca com um beijo.
Não tive tempo para perceber ou me afastar, muito menos recuar. De repente nossas bocas já haviam se encontrado e nossos lábios já estavam entrelaçados em uma batalha, mas não era o que eu devia fazer. Droga, ele queria me matar e isso... Era errado e meu Deus, eu estava beijando um anjo caído, arcanjo... Nem sei mais mas, isso não devia acontecer!
Segurei seu peito e o empurrei me afastando, surpreendentemente Patch não tentou me impedir, ou me obrigou a ficar. O encarei em conflito, respirando com dificuldade, mas o que eu estava fazendo?!
— Espere um momento... Você pode sentir? Quero dizer, meu toque, você sente? — perguntei a primeira coisa que me veio em mente não sabendo o porque, mas aquilo simplesmente apareceu e parando para pensar agora, eu realmente gostaria que ele me sentisse. — Uma vez eu li que anjos e arcanjos não sentiam os toques de humanos, muito menos os prazeres, isso é verdade?
— Eu sou um anjo caído, não um zumbi é claro que eu posso sentir você. — ele sorriu como se eu o divertisse. — Não acredite em tudo que lê, anjo. A maioria é mentira e se eu não sentisse desejo ou prazer, pode apostar, eu não teria caído!
— Seu tarado filho da mãe. — sorri animada, aquilo não poderia ser melhor, ele realmente me sentia afinal!
Avancei em sua direção segurando seu pescoço e puxando seu rosto de encontro ao meu, grudando nossas bocas e o beijando de um jeito meio que animalesco. Ele surpreendeu-se sorrindo entre nosso beijo e segurou minha cintura fina brutalmente, empurrando-me com certa força em direção a parede. Nossos corpos estavam unidos, o seu grande e másculo, e o meu pequeno e frágil em comparação. Nossos lábios pareciam partir agressivamente, um sobre o outro, como se fossemos dois predadores na busca do controle, seus beijos eram brutais e dominantes e eu retribuía a mesma intenção nos meus, nossas línguas se enfrentavam em uma batalha pelo controle de nossas bocas e de repente, ele interrompeu aquele beijo.
Segurou o cós de sua blusa a qual eu vestia e a puxou sobre meu corpo, só me dando tempo de erguer os braços para que se visse livre dela. Novamente eu me via só de lingerie em sua frente, ele me observou com desejo, suas mãos exploravam minhas curvas, acariciando minha pele e me fazendo arrepiar, voltou a me beijar intensamente me puxando contra si com pressa, esmagando meu corpo contra o seu de uma forma deliciosamente boa, suspirei entre o beijo.
Impulsionei meu corpo em direção ao dele afastando-nos da parede, meus dedos reviravam seus cabelos macios enquanto nos beijávamos enlouquecidamente. Patch deu alguns passos atrás e eu o puxei virando nossos corpos e invertendo a posição, puxando-o comigo enquanto trocávamos beijos ardentes em direção a cama atrás de mim, caí. Joguei-me sobre o colchão trazendo-o comigo, até que estivesse completamente deitada e ele sobre mim.
Seu corpo era pesado e forte, as definições de seu peito esmagavam o meu de um jeito prazeroso, contornei seu quadril com as pernas, empurrando-o contra o meu. Ele suspirou e eu gemi sem me conter, interrompendo aquele beijo. Patch roçou os lábios aos meus e começou a beijar meu queixo, até meu pescoço. Sugou minha pele com uma mordida de prazer, me fazendo suspirar, e continuou por toda aquela região e sabia que mais uma vez meu pescoço ficaria cheio de marcas, mas eu não me importava.
Sua mão deslizou pelo meu seio sobre o sutiã e continuou por minha barriga e a coxa, apertando minha pele com os dedos com força me apertando mais contra si, nossos quadris estavam unidos em sintonia e isso me fazia suspirar e delirar. Mordi o lábio, ele sorriu ao continuar beijando minha pele, descendo com a boca pela minha clavícula e encontrando a parte descoberta pelo sutiã e novamente sugando minha pele para sua boca com novas mordidas, mais marcas. Suspirei outra vez.
Eu sentia minha intimidade arder em chamas, cada beijo ou toque de Patch me deixava em êxtase, sabia que estava molhada e precisava de algo em que ter contato. Ergui o quadril contra o de Patch, pressionando em busca de atrito, sentindo o quanto ele já estava excitado, sorri. Cruzei as pernas em sua cintura e inclinei o corpo sobre o dele, invertendo nossas posições, me ajeitando propositalmente em sua ereção. Nossos olhares se cruzaram e eu sorri safada, indo em direção a sua boca e o beijando de uma maneira provocante, sentindo as mãos de Patch enroscarem-se em meu cabelo e o segurar com força, atiçando-me cada vez mais, então comecei a rebolar devagar, subindo e descendo contra seu quadril.
Seu membro ereto pulsava em minha intimidade, nos arrancando suspiros cada vez mais altos. Patch deslizou as mãos pela lateral de meu corpo subindo para minha bunda e esmagando minha pele com força, flexionando meu quadril no ritmo, acompanhando meus movimentos sobre seu membro. Parei o beijo dando uma ultima mordida em seu lábio inferior, então apoiei as mãos em seu peito e me ergui, sentando-me sobre ele. Segurei o cós de sua calça e a abri, ao deslizar o zíper senti seu solavancar, ele pareceu ter um sobressalto de repente, então se ergueu. Sentou-se sobre o colchão me mantendo em seu colo, confusa, o que tinha acontecido? Eu tinha feito algo de errado?
O encarei preocupada já que não tinha ideia do que estava acontecendo.
— Ei... — sussurrei. — Está tudo bem? — quis saber erguendo as mãos para o seu rosto o encarando.
— Vai ser estranho se eu disser que não? — ele mesmo parecia não aprovar o que fazia, mas continuou. — Tudo bem, acho que já está na hora de eu te contar uma coisa...
— Me contar o que? — perguntei percebendo que não iria gostar da resposta.
— Bom, longa história. — preveniu.
Segurou minha cintura e ergueu-me de seu colo para me sentar no colchão, então se levantou.
— Resumindo: a gente não pode. Parece que se eu transar com uma humana e perder o controle já podemos encomendar o seu caixão. — seu sorriso foi tão sombrio quanto repudioso, o próprio Patch parecia odiar aquela história. Continuou dando passos mais pesados sobre a madeira do motel. — É, não é uma história tão longa assim. — zombou com desdém.
— Ah... — deixei escapar decepcionada me jogando no colchão e encarando o teto. Aquilo não poderia ser pior, nessas horas eu definitivamente odiava ser humana. — E se você não perder o controle?
Patch virou para mim com um sorriso de deboche, eu entendi o está brincando, não é? por trás daquela expressão.
— O fato é que, até eu dar um jeito de resolver essa situação é melhor você cruzar as suas perninhas. — disse parecendo tão decepcionado quanto eu. Puxou o zíper e fechou o jeans, que desperdício, agora que essa merda já estava paga mesmo.
— Que jeito Patch?! Não tem o que fazer em relação a isso, eu sempre serei humana. — disse carrancuda subindo para o travesseiro ficando de costas para Patch.
— Seu otimismo é inspirador, anjo. — zombou ele.
— Foda-se. — conclui fechando os olhos tentando dormir para ver se isso tudo não era apenas um pesadelo.
— Na verdade não tem foda-se. Mas se te deixa feliz, eu já estou trabalhando nisso. — comentou Patch com desdém. — O que me lembra que tenho que fazer uma ligação.
Ouvi segundos depois o som da porta ao se abrir.
— Volto em seguida. — garantiu antes de sair.
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