Fight For This Love

22 Capítulo 21 - Choro dos Anjos.


Notas iniciais
Hello guys!! Tias Succubus estão de volta! Quase dois meses, é pois é! Enfim, por onde começar... Ah sim, primeiro, esse capítulo já estava mofando, sério, e ele só não foi postado porque, bom gente, vocês demoraram séculos para concluírem a meta de 10 comentários pelo capítulo passado, e deixamos claro: só iríamos postar quando chegasse a meta e sim, depois de tempos, chegou! Segundo, nesses últimos dias esta sendo quase impossível de se juntar, fechamento de trimestre não é fácil pessoal, principalmente terceiro ano, estamos nos vendo completamente loucas e sem tempo para nada, mas resolvemos postar esse cap hoje, que é uma quinta-feira (raridade) e terminar o 22 amanhã que já começamos. Agradecendo obviamente a todas as lindas que comentaram e que sempre estão nos dando apoio, e dois agradecimentos mais que merecidos para as lindas: Gih e a erica soares dias, que recomendaram a nossa fic!!! Muito obrigada anjos, vocês são demais, e claro, as que comentaram também são! Bom, chega de blá blá blá e vamos ao capítulo. ♥ Succubus

Na manhã de terça-feira fui obrigada pelo senhor Jared Claflin a voltar para escola de qualquer jeito, embora não tenha contado para ele sobre Dorotha e o que realmente aconteceu no banheiro, ele deveria ter percebido que eu não estava me sentindo bem e muito menos preparada para voltar ao Elementary. Patch dissera que não havia ninguém lá, que não vira nenhuma mulher morta, no entanto, não só a vi como a tive em meus braços morta e ensanguentada e se ela não estivesse assim como se explicaria todo o sangue no banheiro?! Eu estava certa do que tinha visto e na autenticidade disto, só não tinha certeza de como de repente seu corpo desaparecera misteriosamente sem deixar rastros.

Com tudo isso em minha cabeça, tudo o que não queria era ter de voltar a ficar trancafiada naquele colégio, principalmente quando podia jurar que a pessoa que me criou depois do falecimento de minha mãe morreu no meu banheiro de uma maneira horrível e trágica e no fundo sabia como isso era minha culpa pois estava cada vez mais certa que fora o mascarado quem fez aquele horror com ela, e sendo assim então eu era a culpada de todo este pesadelo, pois o cara da máscara de esqui a matou apenas para me atingir, ou seja, Dorotha morreu por minha causa, ela morreu porque a morte dela seria apenas para me causar mais um trauma, para me deixar em pânico outra vez e acabar comigo e bem, deu certo pois eu estava me sentindo horrível, pior do que isto. Dorotha fora minha mãe de coração durante todos esses anos e agora ela se foi. Mais uma vez, mais uma perda.

E ainda teria de voltar para aquele colégio idiota, com tudo o que acontecia e eu ainda não poderia nem contar ou desabafar com as minhas amigas e sofrer declaradamente pois eu sequer podia provar o que houve! A dor em meu peito era gigantesca e dilacerante, era como se uma parte de mim também estivesse morta junto com ela, como se tivesse deixado um buraco enorme em meu coração e a dor em meu peito jamais iria embora, eu não conseguia dormir, mal tinha fechado os olhos esta noite. O pouco tempo em que meu corpo não resistiu a exaustão e me obrigou a pegar no sono, repeti o pesadelo cruel, que infelizmente não era apenas um pesadelo, ele era real, a cena da morte de Dorotha passando e repassando, de novo e de novo em minha mente, como se isso não fosse acabar jamais.

Essa minha realidade que se tornara um pesadelo eterno, no fundo sei que jamais irei superar e que essa dor nunca vai passar só vai me obrigar a ter de me acostumar e aprender a conviver com ela, mas jamais superaria ou esqueceria. Fora a pior cena que já presenciei em toda a minha vida e seria uma das mais terríveis perdas da minha vida que ficaria marcada para sempre, e aquele seria um dia fatídico em minha vida que eu lembraria perfeitamente para sempre como um dos piores de toda minha existência!

Levei bronca dos professores por desatenção e por não fazer nada durante toda a aula e realmente não me importava, afinal, não conseguia me concentrar em mais nada a não ser na perda de Dorotha e toda aquela cena horrenda que se repetia constantemente em minha cabeça me fazendo pensar nas questões tão suspeitas que envolviam o ocorrido. Como o corpo dela sumira de repente? E como o mascarado poderia fazer as letras escritas com sangue aparecerem lentamente no espelho formulando aquele aviso? Como ele pode entrar em minha casa e como eu não o percebi mesmo com as sensações estranhas? Como eu não ouvi nada sendo que para fazer... Aquilo, ele teria de fazer uma barulheira além de Dorotha que com certeza chamaria por socorro! Por que este da máscara de esqui queria tanto me acertar a ponto de me destruir desta maneira? O que eu poderia ter feito para que me odiasse a este ponto e por que estava descontando apenas nas pessoas a quem amo ao invés de acabar comigo de uma vez?! E acima de tudo, quem era a maldita pessoa por trás daquela máscara?

Quando o sinal para o fim das aulas tocou, tudo o que eu queria fazer era cair fora daquela sala de aula e me trancar no quarto, ficar sozinha o dia inteiro sem ver ou falar com ninguém, afinal, também sou uma péssima companhia no momento. Guardei meus pertences na bolsa e levantei-me da cadeira empurrando a classe com uma certa força desnecessária, apoiando a bolsa sobre o ombro rapidamente com uma certa pressa em sair logo dessa multidão. Me preparei para atravessar a sala em direção a porta, quando de repente senti uma mão segurar meu braço antes que eu pudesse dar mais que dois passos em direção a saída, me impedindo de continuar, virei o rosto para trás para ver quem me segurava, me deparando com Patch com a expressão preocupada e controladora ao me observar.

O olhei surpreendida e sentindo-me constrangida, sabe-se lá o que meu pai disse para ele depois de presenciar a cena de nós dois nos beijando ele realmente ficou muito bravo e com certeza deve ter dito coisas ao Patch, além do mais, depois do que aconteceu lá em casa e ele ter ficado do meu lado, me ajudado e reconfortado, nem conseguia desconfiar de Patch ou não me sentir extremamente grata por tudo o que ele já havia feito.

— Patch?... — suspirei atônita.

— Estou preocupado com você, anjo. — Patch disse com um olhar cauteloso e protetor. — Passou a manhã inteira distraída e eu conheço essa expressão, e considerando o que aconteceu você realmente não poderia estar bem.

— Eu estou bem, Patch, só estou... Cansada... — menti querendo parecer mais forte do que realmente sou e também desconversar, afinal, não queria passar pela coitadinha que quer atenção, além do mais também não estava afim de falar sobre o assunto. — Mas vou ficar bem.

— Pode enganar outras pessoas mas não a mim, anjo. Sei que não está e também sei que ficar neste colégio só vai piorar as coisas então, que tal uma fuga? — ofereceu com um sorriso travesso.

Deslizou sua mão de meu braço para a minha, entrelaçando nossos dedos e percebi como ele tentava me distrair com essa atitude na tentativa de me animar, por isso queria me tirar do colégio.

— Uma fuga para onde? — quis saber segurando sua mão.

— Eu quero lhe mostrar um lugar. — ele respondeu com um sorriso bem convincente, mesmo sendo praticamente impossível dizer não para ele.

— Tudo bem, vamos fugir. — concordei sorrindo pensando que podia ser melhor espairecer.

— Te encontro em baixo da janela daqui a vinte minutos. — ele sorriu piscando o olho e se afastando soltando minha mão devagar para se dirigir a porta.

— Vinte minutos. — concordei confirmando com a cabeça também indo mas em direção ao meu quarto.

Me arrumei e desci pela árvore não me importando se alguém veria e falaria ao diretor, ou se eu seria expulsa, ou suspensa, me importando apenas com dar o fora dessa prisão e passar um tempo longe de tudo isso, afinal, perdia mais uma pessoa na minha vida e eu só queria passar o dia bem longe de tudo isso para tentar esfriar a cabeça.

Ao chegar lá em baixo avistei o Jeep de Patch a minha espera estacionado contra a calçada, entrei logo e me preparei para a surpresa que envolvia o suspense do tal lugar ao qual Patch disse que queria me mostrar.

— Pronta? — ele perguntou sorrindo e arqueando as sobrancelhas as chaves na ignição e ouvimos o ronco do motor ganhando vida.

— Pronta. — afirmei em expectativa, sentindo o veículo se mexer e Patch colocou o Jeep na estrada.

— Está linda, anjo. — ele me elogiou com um sorriso sedutor.

— Obrigada. — agradeci pensando em como pela primeira vez eu nem demorei tanto tempo me arrumando para sair.

Patch me analisou de cima a baixo com um olhar em chamas repleto de desejo, como se fosse me devorar com o olhar.

— Escolheu uma boa roupa para onde nós vamos ir, com exceção das calças. — ele disse exibindo seu sorriso irônico.

— Por que exatamente? — perguntei curiosa e desconfiada espremendo os olhos.

— Digamos que é um lugar meio molhado. — ele riu levemente, como se fosse engraçado eu não fazer ideia de aonde era, e não entender suas piadinhas.

— Culpa sua, você não me avisa nunca. — acusei com uma expressão levemente indignada por sempre ter de adivinhar que roupas por.

— É uma surpresa, se eu avisasse iria perder a graça.

— Tudo sempre é uma surpresa, eu gosto. — comentei com um sorriso meigo pensando em como ele realmente sempre consegue me surpreender.

— Viu, por que estragar? — ele brincou me sorrindo de canto pelo retrovisor.

Percebi que ele havia deixado as ruas principais e usava umas que eu não conhecia até agora, se afastando do comércio e da cidade em si nos levando por rotas vazias cercadas por matas ou nada ao redor além de areia e algumas plantas cercando o asfalto. Olhei pela janela confusa e perdida tentando entender onde estávamos indo e por que estávamos indo para lá, será que Patch estava nos tirando da cidade? Mas que lugar era esse que ficava fora de Concord, essa era a surpresa, sairmos da cidade?

— Estamos saindo da cidade? — perguntei atordoada.

— É, pode se dizer que sim. — ele respondeu concentrado na estrada. Arregalei os olhos perplexa.

— E por quê?! Quer dizer, que lugar é esse que tem que sair da cidade? — quis saber começando a ficar preocupada, eu ainda não tinha total confiança em Patch e estar me afastando da cidade com ele estava começando a me cheirar muito mal.

— É uma surpresa, lembra?! — ele disse me lançando um sorriso safado pelo retrovisor.

— Tudo bem. — suspirei tentando me controlar, calma Ashley, isso pode ser só paranoia da sua cabeça, controla essa respiração e esse coração aí.

— Você parece assustada, anjo. — Patch disse desviando o olhar para mim rapidamente antes de volta-lo para a estrada.

— Não, estou curiosa. — respondi tentando parecer natural o que decididamente não estava, limpei minhas mãos na calça que já começavam a ficar úmidas pelo suor.

— Você parece alterada, está tudo bem? — ele perguntou parecendo perceber como de repente eu estava ficando nervosa e até amedrontada.

— Sim, deve ser por causa do que aconteceu ontem, não me recuperei muito bem ainda. — disse sinceramente, tudo bem tinha um pouco de verdade nisso só estava omitindo a parte em que eu tinha um certo pé atrás e ainda desconfiava dele.

— É, fiquei preocupado, ainda bem que o seu pai chegou para você não ficar sozinha em casa, aliás, gostei do sogrão. — ele brincou com um sorriso convencido e sugestivo, corei levemente mas tentei disfarçar.

— Ele falou alguma coisa para você? — perguntei fugindo do assunto e aproveitando a deixa para falar sobre a conversa deles que tanto me intrigara ontem a noite.

— Deveria? — ele perguntou com curiosidade, mas eu sabia que ele estava fingindo pois entendeu muito bem do que eu estava falando.

— Não, só queria saber se ele falou ou não. — disse me recusando a ser eu quem falaria de meu pai nos pegando no flagra. Se eu falasse sobre isso provavelmente ficaria vermelha.

— Sobre o que? Nosso beijo? Seu pai é controlador? — ele quis saber arqueando uma sobrancelha e falando descaradamente, pelo visto eu era a única de nós com problema em falar sobre isso.

— Sei lá Patch, sobre qualquer coisa. E sim, é muito. — disse virando para a janela assim que senti minhas bochechas esquentarem, Jared Claflin controlador? Capaz!

— Deu para notar, vocês falaram sobre mim?

— Na verdade não. — comentei dando de ombros agradecendo por meu pai realmente não ter falado sobre isso.

— Bom, nós falamos sobre você. — ele disse gesticulando com as sobrancelhas tentando e conseguindo atiçar a minha curiosidade.

— Falaram o que? — quis saber virando para ele outra vez percebendo que estava dando o gostinho da vitória para ele exatamente como queria.

— Tenta descobrir. Ele não contou para você? — Patch me perguntou provocando-me propositalmente.

— Não, você pode? — pedi abrindo um sorriso meigo, sim isso era uma tentativa de tentar seduzi-lo para arrancar a verdade.

— Ahm... Não?! — aquilo era mais uma afirmação do que uma pergunta. — O que eu ganho em troca se contar?

— E o que você quer exatamente? — perguntei cruzando os braços já imaginando a resposta.

— Você sabe. — ele disse na cara de pau abrindo seu sorriso cafajeste.

— Não, não sei. — me fiz de desentendida, torcendo para que ele não falasse.

— Você. — Patch respondeu simplesmente sem nem se alterar enquanto eu sentia outra vez meu rosto aquecendo de vergonha.

— Isso você já tem. — murmurei mais para mim mesma olhando a janela novamente.

— Não completamente. — ele insinuou e eu entendi logo de cara o que ele estava falando, aí sim minhas bochechas coraram sem que eu pudesse impedir me controlando apenas para não ficar nervosa.

— Concordo. — tive de admitir, embora isso não fosse culpa minha.

— E o que vamos fazer sobre isso? — ele perguntou sugestivo arqueando uma sobrancelha.

— Me diga você.

— Acho que tenho uma ideia. — disse ele me analisando de cima a baixo antes de voltar a atenção para a estrada e morder o lábio com a expressão de desejo.

— Que seria? — quis saber arqueando uma sobrancelha, imaginando algumas coisas nada decentes que me fizeram sentir até calor.

— Você vai ter que esperar para descobrir. — Patch respondeu parecendo bem realizado com a ideia, me perguntei se seria tão bom assim, eu conhecia a resposta.

— Esperar até quando? — perguntei me sentindo quase desanimada e decepcionada, eu queria isso logo.

— A pressa é a inimiga de perfeição, anjo. — ele me olhou rapidamente pelo canto dos olhos com seu sorriso irônico que me deixava louca. — Mas em breve, eu espero.

— Bom, quero ver. — disse virando para a frente e sorrindo, eu mal podia esperar.

Em seguida eu percebi que chegávamos em diferentes elevações da estrada e a estrada parecia circular uma montanha, ou alguma coisa deste tipo. Observei o redor curiosa, percebendo que subíamos cada vez mais e as paisagens abaixo se tornavam cada vez menores. Finalmente chegamos no topo do local e ao nos aproximarmos um pouco mais eu pude ver o fim do local como a ponta de um penhasco e na descida, o circular de rochas com cores ainda mais avivadas pelo sol, algumas árvores no contorno, mas parecia que o que havia ao final do buraco que era realmente admirável.

— Onde estamos? — perguntei curiosa assim que Patch parou o Jeep puxando a marcha ré e girando a chave, desligando o carro e abrindo a porta ao seu lado parecendo pronto para descer.

— Vamos. — Patch me chamou sorrindo vitorioso e me perguntei se o lugar seria realmente tão bonito a este ponto de ele ter certeza de que me impressionaria.

— Vamos! — concordei prontamente também sorrindo curiosamente.

Patch desceu primeiro do que eu e enquanto batia a porta, ele chegou ao meu lado, pegando minha mão mais uma vez e me direcionando seu olhar sedutor.

— Feche os olhos. — me indicou com seu sorriso vadio, pensei no que ele estava tramando, e o direcionei um olhar desconfiado.

— Por quê?! Eu quero ver logo! — insisti fazendo beicinho, entristecida.

— É uma surpresa. Agora feche. — também insistiu e eu sabia que não adiantava de nada insistirmos nessa discussão, afinal, Patch sempre acabava vencendo e eu só discutia a toa.

— Tudo bem! Já estou fechando. — respondi, revirando os olhos impaciente e suspirando cansada, fechando meus olhos e apertando com um pouco mais de força a sua mão já que deixaria que ele me guiasse.

Patch entrelaçou nossos dedos segurando-me mais firmemente pela mão, eu sorri mas me obriguei a manter os olhos fechados embora a vontade de abri-los fosse quase irresistível. Ele nos levou mais passos a frente, então paramos abruptamente.

— É aqui. — ele indicou, me mantendo ao seu lado e imediatamente parei imóvel. — Certo, já pode abrir os olhos.

— Ai meu Deus. — murmurei sentindo um frio na barriga incontrolável que me provocou arrepios.

Respirei fundo já ansiosa além de curiosa, e quando abri os olhos, me deslumbrei vendo a minha frente, a paisagem mais encantadora que já presenciara em toda a minha vida. Do topo de um penhasco alto onde estávamos, podia se ver a paisagem encantadora de algo que para mim, era como um oásis, as rochas vermelhas circulavam um lago de águas tão lípias que era possível se ver a areia ao fundo, a água trazida por uma cascata gigante vindo da outra extremidade do lugar, banhava a lagoa constantemente, e o chiado do constante movimento da água era envolvente o suficiente a ponto de me manter concentrada para ouvi-lo, e ainda uma lagoa menor dava continuidade as quedas de água. Algumas poucas árvores e folhagens decoravam ao redor do local que ainda tinha uma entrada para as rochas, como uma caverna adentro.

Cobri a boca com as mãos maravilhada, com um sorriso encantado enquanto meus olhos vidrados e impressionados se perdiam pelo local fascinados, eu mal podia crer que uma paisagem como essa realmente existia.

— Patch... Isso é... Isso é incrível!... — sussurrei perdida com a beleza cativante e natural daquele lugar.

— É o Choro dos Anjos, o nome que deram a esse local, mas ninguém vem mais aqui, não com toda a urbanização da cidade, ninguém lembra das paisagens naturais, mas eu amo esse lugar. — Patch contou também admirando o lugar lá embaixo encantado.

Era a primeira vez em que via seus olhos realmente vidrados em alguma coisa, ele dava mesmo muita importância para a beleza do Choro dos Anjos, era como se este o deixasse tão alegre e fascinado, de uma maneira que eu nunca tinha visto.

— Faz sentido. Eu... Uau!... Obrigada. Muito obrigada por isso. — disse imensamente grata, realmente agradecida por ele me trazer neste lugar tão lindo que acabou até me deixando um pouco melhor depois de tudo com sua beleza estonteante.

— Não me agradeça ainda, vamos terminar o tour. — disse com um sorriso envolvente me fascinando assim como ou talvez até mais que o lugar.

De mãos dadas, Patch foi a frente me levando consigo logo atrás, em direção a uma trilha já marcada na rocha. Descemos a trilha até chegarmos ao caminho a beira do lago, de perto, a água parecia ainda mais límpida, e a visão se tornava tão mais envolvente que poderia passar o dia inteiro olhando para este lugar e não me cansaria, tudo era mais fascinante vendo daqui e quando ergui a cabeça olhando para cima, o céu parecia tão mais distante, assim como o penhasco ao qual estávamos anteriormente.

— Venha, quero te mostrar mais uma coisa. — ele disse me puxando consigo mais uma vez.

O segui novamente, então, percebi quando adentrávamos a caverna, e tudo se tornava mais escuro, sem os feixes de luz do sol para iluminar lá dentro. A imensidão nas sombras se tornaria um lugar sombrio não fosse o entalhar da rocha formando diferentes elevações e composições, a cada vez que nos aproximávamos, então, mais a frente, outra vez o lugar me surpreendeu, conseguindo deixar-me ainda mais maravilhada e perplexa quando achei que fosse impossível. No interior mais a dentro da caverna, a luz se formava, iluminando apenas aquele local, deixando os raios solares entrarem e irradiarem o lugar, diretamente sobre um outro lago que se formara, com água cristalina e tranquila convidando a um mergulho fundo em um fim de tarde, passar um dia inteiro e até acampar neste lugar, mas não fora realmente isso o que se destacou na minha visão atenciosa.

Na outra extremidade do lago, iluminada diretamente pelo sol, como se fosse um imã ao astro, havia uma enorme estátua de granito, polida perfeitamente, parecendo já existir a uma longa data mas sendo sempre conservada e bem cuidada, a pedra era impecável e as feições ficavam perfeitamente entalhadas, formando uma expressão clara e sobressalente. A estátua exibia um anjo, com grandes asas abertas que faziam sombra a certas partes da água, uma túnica no corpo, os pés descalços, cabelos aos ombros cacheados e uma expressão serena e bondosa, enchendo de paz e calmaria quem a observasse, passando uma sensação incrível de bondade e harmonia, como se o próprio anjo tivesse abençoado o local.

— A estátua representa o Arcanjo Gabriel. — informou Patch notando minha atenção presa completamente a ela, sem conseguir sequer pensar em desviar daquela perfeição esculpida. — Os religiosos dizem que ele veio a esse lugar.

— Você acredita nisso?! — perguntei ainda com o olhar fixo na estátua sem conseguir fazer mais nada além de encara-la, era como se eu sentisse a presença angelical aqui.

— É claro que não, isso é apenas para a igreja ganhar dinheiro as custas dos fanáticos. — ele disse com um sorriso irônico, e notei quando ele encarou a estátua com desdém, como se pouco se importasse com ela. — Que idiotas, idolatrarem uma pedra. Você acredita nisso?!

— Na verdade sim, é como se ele realmente tivesse vindo aqui. Vou parecer louca se disser que sinto sua presença?! — perguntei confessando com arrepios como eu poderia jurar que o próprio arcanjo estivesse no lugar admirando através da estátua, para o bem de Patch, era melhor que não estivesse.

— Então é melhor eu não dizer mais nada na frente de vossa majestade de pedra. — ele zombou como se guardasse um rancor por religião, ou por anjos e essas coisas. — Talvez ele lance um cascalho em mim, não queremos arriscar provocar a ira da rocha, não é?!

— Você é idiota, Patch. — disse rindo levemente com receio.

— Desculpe, eu não quis ofender seu novo amigo. — disse sorrindo com desdém até voltar-se ao lago a frente e dar de ombros. — Então, agora sim o tour acabou e você pode elogiar a vontade.

— Isso aqui é tudo muito lindo, de verdade, todos deveriam ter o privilégio de vir a esse lugar algum dia na vida, obrigada mesmo, foi a melhor coisa que alguém já fez por mim. — confessei maravilhada sentindo meus olhos brilharem como a água cristalina, encarei Patch sinceramente grata.

— É verdade que poucas pessoas sabem da existência, isso aqui é o meu santuário particular! — repensou ele admirando ao redor como se realmente considerasse e muito o local, então desviou-me o olhar e abriu um sorriso de canto malicioso. — Bem, você pode me agradecer por isso.

— Como você descobriu? — perguntei curiosamente. Encarei sua expressão com um sorriso condescendente. — Ah posso? E como?

— Assim. — ele respondeu inclinando-se em minha direção, aproximando o rosto do meu e envolvendo minha cintura, cobrindo minha boca com a sua em um beijo delicioso.

Envolvi seu pescoço esmagando minha boca contra a sua no nosso beijo enlouquecedor, era tão envolvente que me fazia querer ter a boca na dele o tempo inteiro, os lábios insanos avançando os dele sobre os meus e vice-versa, as línguas esfomeadas a lutarem na nossa batalha deliciosamente privada pelo controle de nossas bocas. Patch deslizou as mãos pela lateral de meu corpo, espremendo minhas coxas com elas e segurando minha bunda com força, erguendo-me do chão e me pondo em seu colo, me mantendo presa a si, nossos corpos unidos, tão juntos que era como se fossemos apenas um.

— Gosto de você toda molhada, anjo. — ele sussurrou em uma pausa para respirar de nosso beijo. — O que acha?

— Acho uma boa. — sussurrei em resposta com um leve sorriso, percebendo o proposital duplo sentido no que Patch disse.

— Ah é?! — ele dominou minha boca em outro beijo e senti que estávamos em movimento, onde Patch nos levava?

Quando paramos eu tive uma sensação de alerta imediata já percebendo onde estávamos e o que ele estava planejando, ele mordeu meu lábio inferior separando nosso beijo devagar.

— Me dê um bom motivo para não joga-la na água. — ameaçou me derrubar no lago fazendo com que me segurasse mais firme em si.

— Patch, por favor, não. — supliquei com expressão pidona, falando desesperada.

— Hm, péssima tentativa, parece que alguém vai se molhar! — declarou dando-me um último selinho.

De um jeito bem rápido, eu me vi sendo desamparada por seus braços e ele me soltou na água, adentrando ao lago com um mergulho espalhafatoso. Senti a pressão de meu corpo ao cair na água que por sorte não estava fria, a sensação foi surpreendente mas a água estava agradável e assim que me recuperei do choque inesperado movendo pés e braços freneticamente ao cair antes de mexê-los em conjunto para nadar e voltar a superfície da água. A sensação quando meu rosto e ombros ficaram fora da água foi de uma corrente de ar mais frio, parecendo se intensificar devido a minha pele molhada deixando-me pouco arrepiada e estremecida, contive o riso a apenas um sorriso.

— Patch, seu filho da mãe! — esbravejei, jogando jatos de água em sua direção, mesmo sem conseguir alcança-lo.

— Você fica linda assim anjo, eu não resisti. — respondeu com uma curta risada, afastando-se mais da beira da rocha em direção ao lago.

— Vai á merda! — eu disse nadando em direção á beirada com a intenção de subir novamente.

— Se ficar com essas roupas molhadas vai pegar um resfriado, anjo. Eu sugiro que tire. — disse muito convenientemente dando um de seus sorrisos de canalha, de um jeito que até conseguia deixar o momento mais sensual.

— Vou tirar meus tênis e grudar na sua cara! — respondi com petulância, arqueando uma sobrancelha e gesticulando em desdém.

— Que tal fazer isso com a sua calcinha? — ele sugeriu arqueando a sobrancelha devolvendo a petulância. Não pude negar que era tentador, mas não com a calcinha.

— Que tal você calar a boca já me irritou demais por hoje! — afrontei o encarando com certa indignação.

— Como você pretende me fazer calar a boca? — perguntou me tentando a aqueles pensamentos impróprios para uma hora como esta.

— De um jeito nada sutil, pode ter certeza! — cuspi as palavras. Ele riu.

— Assim como as suas calças? — soltou ele diretamente, meu queixo ameaçou cair. — Vamos combinar que sutileza não é o seu forte, anjo.

— Como se você não gostasse Patch! Ugh que ódio! — me exaltei jorrando água para o alto com a expressão furiosa.

— Você sabe que eu prefiro sem. — ele deu uns passos para trás enquanto eu jogava água, rindo da minha cara. — Nossa anjo, você está precisando melhorar a sua pontaria.

— Cala a boca e me ajuda aqui! — reclamei batendo com as mãos na água e fazendo uma expressão emburrada.

— O que eu ganho com isso? — ele perguntou arqueando uma sobrancelha interessado, eu já aprendi a conhecer suas segundas intenções.

— Você já ganhou, não estou toda molhada?! Não é assim que você gosta? Pronto. — repliquei.

— Hmm, muito pouco. Melhore essa oferta. — Patch disse pensativo antes de dirigir o olhar para mim maliciosamente.

— Certo, tudo o que você quiser, está bom agora? — propus cansada com um suspiro, franzindo a boca.

— Minha proposta: joga sua roupa para cá e eu ajudo. Feito? — refez a proposta, bem favorável, a ele só se for. Torci a expressão.

— Ah qual é Patch, sério?! — perguntei incrédula dando de ombros.

— É pegar ou largar. — ele reafirmou arqueando uma sobrancelha com um sorriso indecente.

— Eu largo. — comecei a me aproximar mais da borda me segurando na pedra e inclinando o corpo para cima tentando sair da água.

— Ah que pena. — respondeu ele fazendo beicinho, enquanto eu terminava de subir voltando a me por em pé na superfície. — Então, você vai ter que me dar um bom motivo para não jogar você de novo.

— Não começa, chega disso! — eu percebi que ele vinha se aproximando em minha direção e nossa, voltar ao lago nem era uma má ideia considerando o frio que estava fora da água. — Patch, para.

— Hm, péssima proposta, tenta outra. — ele disse vindo com um caminhar marrento e convencido em minha direção, como se o sorriso dissesse mais uma chance.

— Não sei droga, de repente tiro minha roupa? — sugeri ironicamente, cruzando os braços e sentindo meu corpo molhado principalmente com aquela roupa se arrepiar ao entrar em contato com o vento frio.

— É uma boa, ou eu posso tirar para você. — Patch parou em minha frente abrindo um sorriso condescendente.

— Está frio, não vou tirar. — disse na defensiva, preparada para caso ele me jogasse na água outra vez.

— Eu posso aquecer você. — ele sugeriu segurando minha cintura, então se aproximou-se de minha orelha me causando mais arrepios e sussurrou: — Ou você está com medo por que estamos sendo observados pelo seu anjinho de plantão?

— Não estou com medo, eu só não quero tirar, qual é, você já me viu sem roupa. — argumentei revirando os olhos e balançando a cabeça negativamente ao ouvir a segunda frase.

— É, e eu nunca canso disso.

— Está na hora de começar então.

— Engorde, comece a beber Diet Coke o tempo todo, crie pneuzinhos e estrias, ai talvez eu canse. — zombou soltando uma curta risada e eu já imaginei que ele havia pensado na cena.

— Certo, esta anotado. — ironizei empurrando seu peito levemente.

— Você faria isso por mim, anjo? Hm, o que mais você faria? — indagou com uma curiosidade travessa.

— Não sei Patch, você me faz fazer coisas que eu nunca faria antes. — confessei repensando sobre tudo o que já havia feito após conhece-lo, e que realmente eram coisas que jamais imaginaria fazer.

— Como fugir do colégio interno? — ele sugeriu mordendo o lábio em um sorriso.

— Isso também.

— Também?! No que você estava pensando? — ele perguntou espremendo os olhos em uma expressão safada, como se adivinhasse: sacanagem.

— Em tudo o que você já me fez fazer. — conversei pensativa ainda incrédula de tudo o que já tinha passado pela minha cabeça do que havíamos feito.

— Acrescente mais uma. — ele disse segurando minha cintura com mais força e me unindo a ele levantando-me do chão com facilidade abrindo um sorriso maroto. — Essa.

Ele se jogou comigo em seu colo de volta ao lago, afundamos na água descendo em união e antes de subirmos ele puxou meu rosto e me beijou abaixo d'água, esse sim seria um beijo mais molhado do que os de costume, e mais prazeroso também, eu sempre via nos filmes os casais se beijarem abaixo d'água e nunca pensei que era tão bom como parecia, mas realmente era e com Patch eu estava descobrindo mais isso. Alguns segundo depois nós voltamos a superfície da água, respirando ofegantes após a surpresa daquele mergulho, Patch riu e seus olhos ficavam mais intensamente brilhantes e azuis e seus dentes mais brancos, eu imaginei se ficava assim também ou se era uma qualidade só dele, ri devido a como sua risada era contagiante.

— Você é louco. — me atrevi a dizer jogando um jato de água em seu rosto, ele desviou continuando a rir.

— Sou mesmo, por você. — admitiu se aproximando de mim e me puxando para mais perto.

— Obrigada, eu acho. — agradeci fazendo uma careta e rindo levemente, erguendo os braços para o seu pescoço.

— Obrigada? É só isso? — ele perguntou puxando minhas pernas para sua cintura fazendo-me segurar nele. Seu sorriso era entre o divertido e ultrajado.

— É, o que você queria? — perguntei arqueando a sobrancelha com a expressão duvidosa.

— Mais do que um obrigada.

— Seja mais específico.

— Seja menos sútil. — replicou ele sorrindo convencido do seu jeito irônico.

— Seja menos idiota. — arqueei a sobrancelha.

— Vem fazer. — Patch se atreveu, roçando os lábios nos meus, provocando-me descaradamente.

— Tudo bem.

Avancei em sua direção unindo nossos lábios com um beijo extravagante de tirar o fôlego e nada sútil. Patch me apertou contra si virando-nos em direção a rocha atrás de nós, me prensando contra ela e seu corpo, flexionando o quadril em direção ao meu e arrancando suspiros de minha boca entre o nosso beijo cada vez mais voraz. Apertei as pernas em torno de sua cintura me unindo mais a ele, ele desceu a boca pelo meu pescoço beijando-o e sugando minha pele com força com certeza deixando marcas.

Ouvimos um grande estrondo ao lado de fora da caverna, algo que parecia tão forte e estridente quanto ensurdecedor, um raio? Ou trovão? Continuamos aos beijos enlouquecidamente sem dar importância, Patch parecia nem ter prestado a atenção no que ocorria, e eu comecei a nem me lembrar mais a medida que ele me beijava e tocava, até que o chiado vibrante e ecoante ressoou sobre a caverna a fora e enquanto Patch dominava meu pescoço, desviei o rosto em direção a entrada da caverna, observando o que ocorria lá fora tentando compreender o que se passava e me deparando com uma situação nada favorável para mim, pelo menos que teria de voltar para o Elementary.

— Patch... — eu chamei ao encarar a tempestade caindo lá fora.

Um vento forte a ponto de estremecer as árvores e areia no chão, jogando-a ao vento, os pingos se uniam e chegavam a ser visíveis de tão fortes, a chuva estava densa e pesada, me perguntei se conseguiríamos nos virar na estrada com a chuva deste jeito, as árvores estavam se balançando tanto que tive medo de que elas caíssem, lá fora estava escuro e nublado.

— Hm? — perguntou com um breve gemido sem dar muita importância ao meu chamado.

— Como vamos fazer agora? A chuva está muito forte! — disse preocupada ainda encarando o tempo lá fora.

— O quê?! — ele pareceu despertar de repente exaltado e sobressaltado, encarando a caverna a fora com uma expressão preocupante. — Porra, que merda!

Ele apertou minhas pernas com mais força em sua cintura e imediatamente compreendi que deveria me segurar firme nele. Patch apoiou-se a rocha para a superfície atrás de nós e se ergueu em direção a ela, virando-se de costas e sentando sobre o rochedo, me mantendo em seu colo, então, ajudou-me a levantar e segurou minha mão levando-me consigo em direção a saída da caverna, porém paramos abruptamente na entrada ao percebermos a tamanha força do temporal se erguer a cada segundo, tomando ainda mais força constantemente e o tempo fechado juntamente com o lugar cercado por árvores e plantas, além da trilha que teríamos de seguir para voltar ao barranco ser constituída por estas árvores e plantas, dificultavam ainda mais nosso trajeto para o Jeep.

— Vai se foder! — Patch resmungou erguendo os braços para trás da cabeça indignado.

— O que vamos fazer agora? — perguntei nervosamente encarando a tempestade e depois ele, preocupada.

— Vamos ter que encarar. — constatou, dizendo exatamente o que eu temia. Se, com muita sorte, sobrevivêssemos a sair da depressão, como chegaríamos ao Jeep passando por aquela trilha suicida?

— Ok, certo, tudo bem! — ironizei com desdém, olhando atentamente para o lugar sendo tomado pela tempestade furiosa. — Vamos morrer.

— Seu pensamento positivo é animador! Obrigado. — ironizou em resposta com um sorriso incrédulo. Ele parecia encarar o céu atentamente como se praguejasse interiormente com a mãe natureza, talvez.

— Desculpe. — pedi sem conseguir conter uma risada, um tanto nervosa. — Vamos logo!

— Vamos diretamente as garras da morte, então! Mal posso esperar! — debochou desdenhoso, soltando uma última risada irônica.

Patch segurou minha mão com uma certa força protetora, me mantendo bem próxima atrás de si, então saímos da proteção da caverna e começamos a correr pelos espaços rochosos do lugar, nos dirigindo a trilha a caminho do penhasco. Atravessamos o local com certa pressa, o vento forte parecia querer me levar de volta atrás, mas Patch me mantinha firme atrás de si, a chuva forte ricocheteava ao meu rosto e tinha de manter meus olhos baixos para protege-los da força dos pingos. Finalmente alcançamos a trilha, mas Patch parou bruscamente antes de começarmos a atravessa-la, ele parecia calcular cuidadosamente inspecionando o local, as árvores eram estreitas cercando o caminho agora formado pelo barro vermelho da terra molhada que em algumas partes pareciam possas de lama escorregadias.

— Você vai ter de subir na minha garupa. — anunciou-me como precaução, inclinando-se para baixo em minha direção preparando para que eu subisse.

— Está bem. — concordei de prontidão.

Segurando-me em seus ombros, me pus na ponta dos pés inclinando-me para cima em direção a suas costas, passando as pernas ao seu redor, e ele as segurou na lateral de seu corpo passando os cotovelos nas dobras de meus joelhos. Me agarrei com toda a força em seu pescoço, e me mantive firme enquanto ele corria tão depressa que eu mal podia perceber por onde íamos, a visão das árvores ficava corrida e turva, só conseguindo decifrar as cores a minha volta com os olhos espremidos devido a tempestade.

Finalmente conseguimos subir ao cume da montanha, onde o Jeep se encontrava parado nem tanto, mas próximo ao penhasco. Percebi ao olhar diretamente para o carro, que os vidros dianteiros estavam abertos de ambos os lados e comecei a entender depressa o motivo de Patch vir tão rápido ao invés de me convencer ficar. Ele me soltou ao chão e eu desci de sua garupa, enquanto fomos depressa as laterais do carro.

— Ah, agora entendi o motivo da pressa! — cuspi as palavras enquanto abria a porta do carona para adentrar ao carro.

— Graças a sua estátua, a chuva não pegou o interior! — ele suspirou enquanto entrava depressa conferindo o painel de controle com um sorriso largo.

Revirei os olhos cansada e subi, sentando ao banco e passando as pernas para dentro, puxando a porta enquanto Patch tratou de fechar os vidros.

— Você está bem? — ele perguntou enquanto ligava o carro dando vida ao motor que roncou alto, enquanto ele deu ré encarando o retrovisor atentamente.

— Ah, obrigada por perguntar, estou ótima! — disse ironicamente agradecendo por ele finalmente se preocupar comigo ao invés do seu precioso carro!

— Na verdade, eu estava falando com esse cara aqui, mas que bom que você está bem. — ironizou com um sorriso sarcástico.

— Vai se foder, Patch. — bufei o encarando incrédula e indignada. Ele soltou uma curta risada.

Já estávamos contornando a montanha no retorno, e era ainda mais assustador a visão lá de baixo com a tempestade desabando sobre nós. Estávamos nos aproximando cada vez mais do retorno para a cidade quando de repente, ouvimos roncos seguidos no motor, que pareciam ter alguns longos intervalos, e cada vez mais Patch pareceu perceber um problema, não que fosse muito difícil já que eu notava a velocidade reduzindo a quase nada de repente. Só houve tempo para que Patch nos guiasse ao acostamento na estrada lentamente antes de uma fumaça preta começar a escapar pelo capô do Jeep continuamente.

— Qual é, você não está falando sério! — Patch reclamou com uma expressão irritada e indignada ao mesmo tempo, e pelo jeito como ele parecia se controlar para não socar o volante, eu que não o questionaria.

Patch deixou o Jeep batendo a porta com certa força, o que me surpreendeu já que ele ama esse carro. O vi erguer o capô, cobrindo minha visão a frente com o metal preto e tive de esperar alguns instantes até ele desce-lo outra vez, aproximando-se de minha porta e abrindo-a, apoiando o braço sobre ela ao me encarar.

— Parece que estamos a pé. — contou com um sorriso irônico mas eu podia ver a raiva por trás de sua expressão. — O cara já era.

— Está falando sério?! Nossa, que ótimo, e agora? — reclamei revirando os olhos e encarando a estrada a frente pensativa balançando a cabeça em negativa.

— Não, é brincadeira, a fumaça foi só um efeito especial. — disse ele ironicamente exatamente para me provocar como ele adorava fazer. — Bem, podemos andar até conseguir uma carona, o que não vai ser nada fácil já que ninguém vem aqui, ou podemos ir em algum lugar aqui perto para telefonar.

— Que lugar, Patch?! Isso aqui é vazio, não tem nada! — quis saber irritada.

— Tem um motel a beira da estrada, não é o que você está acostumada mas deve ter um telefone. — sugeriu ele encarando a estrada a frente.

— Na verdade, eu não estou acostumada com motéis em si. Mas se é a única saída. — reclamei me inclinando para frente e descendo do carro enquanto Patch se afastava da porta eu a grudei com uma certa força desejando quebrar não só ela mas o carro em si.

— Para tudo na vida tem uma primeira vez, anjo. — disse ele com o sorriso zombeteiro.

— Dá pra ir logo? Estou congelando. — perguntei agradecendo pela chuva começar a diminuir enquanto nos afastávamos do Jeep a caminho da estrada.

— Até parece que foi o seu carro que estragou. — Patch disse revirando os olhos ao pensar no Jeep parado na estrada, imobilizado.

— É só um carro Patch, ele conserta. — esbravejei rancorosa revirando os olhos outra vez cruzando os braços.

— Para você é fácil falar, não teve de fazer uma difícil jogada para ganha-lo! — Patch esbravejou ainda parecendo ressentido pelo seu carrinho.

— Grande coisa! — exclamei olhando para frente sádica, me esforçando para não congelar. — Onde fica esse lugar, afinal?!

— Eu poderia dizer exatamente se tivesse um GPS, não espera... Eu tinha no Jeep, mas é só um carro, não é?! Ele conserta! — ironizou minha frase anterior, é, o carrinho é mesmo precioso para a senhora, viu bicha!

— Por que você não vai tomar no seu cu? — perguntei com um sorriso irônico sem vontade alguma de discutir com ele por causa daquele Jeep idiota.

— Eu adoro quando você fica irritada assim. — Patch disse passando os braços ao meu redor e me puxando para ele, me surpreendi em como eu estava congelando e ele nem estava tão gelado estando de manga curta.

— Eu odeio quando você me deixa irritada assim ao ponto de querer soca-lo. — confessei o abraçando fortemente.

— E eu amo deixa-la assim. Você fica tão provocante com esse beicinho! — ele riu me segurando com mais força, era bom como seu peito subia e descia me levando consigo.

— Idiota. — não iria confessar a parte de mim que amava aquilo.

E assim continuamos andando o mais rápido possível em direção ao tal motel a beira da estrada citado por Patch, enquanto enfrentávamos o frio congelante e a chuva tempestuosa com o vento batendo em nosso rosto para ajudar, com pouca roupa e para minha sorte, Patch estava de manga curta, ou seja, sem nada para me emprestar. Não tinha nada a não ser seu corpo para me manter aquecida, grudada em seu peito como se fosse minha vida, e seus braços a minha volta me mantendo mais quente graças ao calor humano, e foi assim que encaramos a estrada em frente a caminho de um motel provavelmente bem suspeito, e levando em conta que seríamos nós dois sozinhos no lugar, eu não estava gostando nada da ideia.

Notas finais
Gente, o próximo tá ó, demais!! Só esperando por vocês, então comentem logo porque não queremos nos afastar tanto tempo da história assim! Se vocês não gostarem desse, bom, o 22 com certeza irão amar. Enfim, estamos esperando o retorno, está nas mãos de vocês, até logo. ♥ Succubus