Fifty Shades of Doom
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Por Anastácia Steele:
– E qual vai ser o meu castigo? – perguntei.
– Quando eu aplicá-lo você verá – ele sorriu – Aliás, creio que teremos uma boa oportunidade nessa viagem.
– Devo ficar com medo e cancelar a minha passagem? – dei-lhe um selinho.
– Se eu estivesse no seu lugar – ele riu com malicia – Eu ficaria ansiosa, e anteciparia minha passagem para amanhã.
– Eu perdi a noção do tempo – eu disse e recebi um selinho – Mas a gente tem um final de semana todo para pensar.
– Pensar em que? – ele franziu a testa.
– Sinceramente – eu disse – Não queria ter que falar sobre isso agora.
– Quer que eu te leve para o quarto? – ele perguntou, deixando escapar seu melhor sorriso malicioso.
– Preciso te contar uma coisa – disse – É meio embaraçoso.
– Fala – ele me deu um selinho.
– Bom eu – senti meu rosto enrubescer – Sonhei com você.
– Isso é bom ou ruim? – ele riu – O que aconteceu no sonho?
Senti meu rosto inteiro corar. Porra. Para que diabo eu fui abrir minha boca? Christian me encarava com um sorriso divertido no rosto, certamente, se perguntando o que eu estava pensando. Eu estava com vontade de beijá-lo. Bom, se eu o fizesse, eu teria a oportunidade de fugir da situação, certo?
Errado.
Beijei-o e o empurrei até cairmos no sofá. Quando abri os olhos, ele ainda me encarava. Droga. Não consegui.
– O que aconteceu no sonho? – ele me perguntou – Vai falar por bem? – ele segurou meus braços e me virou no sofá, ficando por cima de mim e prendendo meus pulsos ao lado da minha cabeça – Ou por mal?
– A gente pode tentar – ele arrastou a barba no meu pescoço – Christian – sussurrei com o pouco de voz que me restava – Christian, eu… – ele mordeu o lóbulo da minha orelha e deixei escapar um gemido.
– Vai falar? – ele riu malicioso.
– Vai ficar me torturando assim? – perguntei com a voz afetada.
– É só você me falar o que você sonhou – ele disse e me deu um selinho.
– Eu sonhei que você… – suspirei – Sonhei que você ia me comer na sua mesa.
– Do trabalho? – ele parecia estar chocado.
– Sim, e você falava sobre me punir por não ter te entregado um trabalho que você me pediu – seu rosto pareceu se iluminar em um sorriso sincero e malicioso – E você me jogou na sua mesa e me deu uns tapas na bunda.
– Sonhou com sexo agressivo, Anastácia? – ele sorriu malicioso e mordeu meu lábio inferior – Interessante, continue.
– Christian – sussurrei, sentindo minhas pernas esquentarem – Você falou sobre me punir na vida real. Isso me deixa excitada, mas é só uma relação com o sonho. Se você me bater, eu enfio a minha mão na sua cara.
– Anastácia – ele sorriu – Você me surpreende a cada dia – ele deu um chupão forte no meu pescoço – O que mais aconteceu?
– Christian – pedi com a voz afetada – Eu não quero falar mais…
– Tudo bem – ele soltou meus pulsos – Eu não quero entrar a fundo em seu inconsciente pervertido – enrubesci.
Seu celular tocou, interrompendo o que estávamos fazendo. Meu inconsciente gritou “quem é a filha da puta que está ligando justo agora?” Senti meu corpo todo esfriar. Toda euforia foi embora a partir do momento em que eu o ouvi pronunciar o nome “Suzanna”.
– Ela ligou?… Ela disse o que?… Você está na minha casa?… Sim… Estou indo para casa, me dê trinta minutos. – e desligou.
– Era ela – minha voz estava duas oitavas abaixo do normal.
– Me desculpa – ele se levantou do sofá e me beijou – É um problema que eu preciso resolver.
– Suzanna está em sua casa? – perguntei.
– Está – ele suspirou – Me desculpe, amanhã venho aqui, e te explico tudo. Não fique triste, por favor.
– Tudo bem – suspirei. Eu já estava triste. Droga. – Eu te amo.
Ele suspirou pesado. Parecia estar em uma luta interna. Ele me deu um beijo na testa e saiu apressado. Droga. Isso doeu para caralho. Um choque de realidade filho da puta. Ele não é meu, e não vai ser meu até a empresa dele sair do buraco e ele parar de depender do pai da namorada dele. Nossa, que merda ele ficar dependendo dela.
Levantei do sofá ainda em choque. Resolvi não pensar em nada, apenas em dormir e esquecer toda essa merda.
Por Christian Grey:
Cheguei em casa atordoado. Estava desacreditado da possibilidade de depois de um ano a Helena deixar minha filha ligar para mim. Achei que esse dia jamais fosse chegar. Eu amo tanto essa menina. Senti-me um idiota por deixar Anastácia sozinha, de novo. Droga. Bati algumas vezes a cabeça na parede por ter sido tão estúpido. Ela estava entregue, e confiava em mim. Detesto a ideia de tê-la decepcionado, mas pela minha filha eu faço qualquer coisa.
– Suzanna, você está ai? – gritei ao entrar no apartamento.
– No quarto – ela disse.
Entrei no quarto com urgência. Suzanna me disse que Phoebe retornaria, então fiquei ao lado do telefone esperando-o tocar. Foi em vão. Uma hora se passou. Duas se passaram e eu continuei ali inerte esperando uma droga de uma ligação. Imaginei todo tipo de coisa que Helena poderia ter dito a ela. Afinal, ela ligou e eu não estava em casa. Droga. Deve estar dizendo para minha filha que eu não me importo com ela. Suzanna se manteve deitada na cama assistindo televisão. Era estranho tê-la ali. Principalmente quando meu pensamento revezava entre minha filha e o “eu te amo” dito por Anastácia.
– Vai ficar parado ai? – ela perguntou – Vem dormir, se o telefone tocar, você atende.
– Você vai dormir aqui? – perguntei e ela assentiu.
– Droga – murmurei baixinho, quase que em pensamento.
– O que você disse? – ela perguntou. Sua expressão estava impassível.
– Eu vou dormir no quarto de hóspedes – levantei-me e peguei o telefone sem fio – Você pode ficar à vontade.
– Christian, o que está acontecendo com você? – ela inquiriu – Não é sobre sua filha, faz tempo que você está me evitando – ela comprimiu os lábios – É por causa dela, né? – seu olhar fervia em uma súbita raiva.
– Ela quem? – fui em direção ao banheiro, tentando evitar essa conversa desagradável – Não faço ideia do que você está falando.
Abri a gaveta do banheiro, peguei minha escova de dente e voltei ao quarto. Ela estava em pé, frente à porta.
– Você transou com ela? – ela interrogou – Ela é melhor que eu na cama? – comecei a me sentir incomodado – Como você pode gostar dela? Ela não passa de uma secretariazinha subalterna e medíocre.
Meu sangue ferveu de raiva. Não admito em hipótese alguma ninguém falando assim da Anastácia. De subalterna aquela mulher não tem nada. Muito pelo contrário, ela coloca Suzanna em posição negativa numa escala de vantagens.
– Não fala assim dela – gritei – Ela é muito melhor do que você sabe por quê? – cuspi as palavra – Porque ela é inteligente, habilidosa, competente, gostosa, tudo que você não é – respirei fundo tentando conter a vontade de socar a parede – Sabe, não se preocupe, existem coisas que você tem e ela não, e eu poso citá-las – a vi se reprimir em um canto – Soberba, auto-suficiência, histeria, ganância, incompetência, imaturidade, egoísmo.
– Cala boca – seus olhos marejaram – Você é um filho da puta.
– E você uma desqualificada que quando não consegue o que quer, usa do artifício mais baixo e fraco ao qual uma pessoa pode recorrer – disse – A influência alheia.
– Depois disso tudo que você está me falando, você acha que meu pai vai contribuir com sua empresa de merda? – ela gritou – Você vai falir Grey, e eu vou estar lá para rir de você.
– Eu posso até falir, mas eu vou glorificar o fato de não ter mais a obrigação de olhar para você.
Ela saiu do quarto batendo a porta. E no meu rosto, um sorriso se iluminou. Era um misto de alivio e sossego. Senti meu corpo todo relaxar. Sem me preocupar com porra nenhuma de dinheiro, foda-se a empresa agora. Só conseguia pensar que agora eu estou livre. Livre não, eu sou o homem Anastácia.
Joguei as coisas que eu segurava em cima da cama e me permiti relaxar. Fiquei cinco minutos parado, olhando para o teto com o maior sorriso idiota estampado na cara. Pensei em ligar para a Ana para dizer que eu era dela, e que me considerava o homem mais feliz do mundo, mas não o fiz. Resolvi deixar para dar-lhe a noticia pessoalmente. Olhando por esse lado, foi até bom não ter acontecido nada entre nós hoje. Assim eu posso tornar a primeira vez dela um momento único.
Por Anastácia Steele:
Acordei cerca de dez da manhã. Olhei diversas vezes para o celular esperando uma mensagem de Christian. Ele disse que me explicaria o que aconteceu, então passei a noite pensando nisso. Porém, não recebi nenhuma mensagem.
– Bom dia – Kate entrou no quarto – Eu não sei se você reparou, mas eu não dormi em casa.
– E dai? – perguntei com a voz carregada de sono.
– Acontece que quando eu estava na garagem do prédio, vi Christian subindo. E eu quero saber tudo o que vocês fizeram.
– Vai se foder – joguei-lhe um travesseiro.
– Pelo seu humor, suponho que vocês não transaram – ela debochou.
– E por que você acha que eu vou ficar feliz quando a gente transar? – questionei – Bom, as minhas referências de sexo não são as melhores.
– Sua referência de homem não é das melhores – ela riu – tenho certeza que quando o Christian te foder bem gostoso, você vai ficar louca.
– Vai se foder – afundei o rosto no meu travesseiro e ouvi o vibrar do meu celular.
“Espero que tenha dormido bem, e que tenha sonhado comigo daquele jeito. Desculpe por ontem. Aconteceram alguns problemas que eu prefiro te contar pessoalmente. Espero, também, que você possa me contar mais sobre seus sonhos. Posso ir para sua casa? Ou você prefere uma manhã no parque? Tenho uma surpresa para você. Um beijo MINHA gostosa.”
Deixei meu rosto amarrotado ser tomado por um sorriso bobo que fez Kate gargalhar. A loira estendeu a mão para que eu lhe entregasse o celular, e eu assim o fiz. Ela manteve sua expressão impassível, mas deixou alguns risinhos escaparem no decorrer da mensagem.
– Ai meu Deus – ela exclamou – Vocês estão ficando sérios.
– Claro que não – não disfarcei o tom de decepção em minha voz – Ele tem namorada.
– Bela merda – Kate revirou os olhos – Ela e nada é a mesma coisa.
– Tá bom – tomei-lhe o celular – Vou responder.
“Dormi bem sim, meu amor, espero que tenha resolvido tudo. Quero saber o que houve. Quem sabe eu possa ajudar. Estou louca para te contar meu sonho. Estou te esperando aqui em casa em uma hora, não se atrase. Quero meu dia no parque. Estou louca para saber a surpresa. Um beijo meu chefe gostoso.”
Mal pude terminar de enviar a mensagem e Kate tomou o celular de minhas mãos para ler minha resposta.
– MEU CHEFE GOSTOSO – ela exclamou – Anastácia, essa mensagem está a representação de uma secretaria vadia de pornô americano — ela riu.
– Idiota – dei-lhe um tapa no braço.
– Que história é essa de sonho? – ela questionou.
– Contei para ele que eu tinha sonhado que ele estava me comendo na mesa dele, nada demais – disse e ri da expressão de chocada dela.
– E o que ele disse sobre isso – ela parecia bastante chocada.
– Nada demais – respondi – Mas algo me diz que ele quer realizar meu sonho — sorri maliciosa.
– E você? – ela perguntou.
– Eu estou disposta – respondi – Muito disposta.
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