Fifty Shades of Doom
15 Capítulo 15
Notas iniciais
– Ana, você não precisa ir embora — ele disse puxando-me para perto dele ao entrarmos no elevador
– Para que eu vou ficar Christian? — respondi contendo a raiva — Eu não tenho nada para fazer aqui.
– Não é uma coisa com você, Ana — ele apertou um botão para o elevador parar — Eu que não consigo amar uma mulher — ele abaixou a cabeça.
– Por que? — peguei-lhe o queixo e olhei-o nos olhos.
– Ana, eu não quero falar disso — de repente sua expressão tornou-se lívida.
– É difícil para mim também — respondi — Eu que estou sendo rejeitada.
Ele suspirou alto, parecendo estar pensativo. De repente, me pressionou contra a parede do elevador, prendendo meus braços ao lado do meu corpo, e dando-me um beijo intenso. Abri a boca permitindo o contato de nossas línguas. Ele soltou meus braços e eu os envolvi em sua nuca, puxando-o para mais perto, e as mãos dele escorregaram para minha cintura. Ele então parou o beijo e tomou uma distância mínima apenas para pordermos controlar nossas respirações ofegantes.
– Eu te amo — acariciei seu rosto.
Ele suspirou alto, sua tristeza refletida nos olhos. O que aconteceu de tão grave para ele não conseguir amar? Minha dúvida fica no ar.
– Desculpe — ele me beijou novamente.
Entreguei-me ao beijo, pensando somente na possibilidade daquele ser o nosso último.
– Você não precisa ir embora — ele repetiu.
Dei-lhe um abraço forte, sentindo seu coração acelerar. Algo ele sente, eu tenho certeza. Olhei-o nos olhos e dei-lhe um selinho.
– Preciso ir — disse com a voz arrastada — Amanhã a gente se fala.
– Não vai trabalhar? — ele perguntou debochado — Achei que iria na parte da tarde.
– Vou pedir para meu chefe me liberar — sorri — Será que ele acredita se eu disser que peguei um resfriado? — Ele sorriu malicioso.
– Acho que ele lhe aplicaria uma punição severa — ele riu.
Corei. Lembrei-me do meu sonho, e da minha punição. Um arrepio subiu por minha espinha e meu corpo inteiro pareceu responder aos estímulos da minha libido ao lembrar dele me punindo com uma foda gostosa. Meu rosto parecia estar pegando fogo de tanta vergonha. Ele se aproximou de repente e mordeu meu lábio inferior.
– Eu vou arriscar a punição — disse com o pouco de voz que me restava — Deixe o elevador descer Christian.
– Vou pensar direito em como puni-la. — ele sorriu ao apertar o botão fazendo-o descer.
(…)
Kate estava com um notebook na mão, sentada no sofá ouvindo música quando adentrei meu apartamento. Ela sorriu meio amarelo. Sabia que eu ainda ia dar uns tapas nela pelo que me aprontou ontem. Fechei a porta com força e ela tirou o fone de ouvido.
– Onde você estava? — sua voz parecia preocupada enquanto me encarava e percebia que eu estava com a mesma roupa de ontem.
– Dormi na casa do Christian — respondi.
A boca da Kate pareceu cair de dez metros de altura. Sabia o que ela estava pensando. Pensando não, ela já tinha sua própria certeza, afinal, conheço ela melhor do que me conheço.
– Ana vocês ... — ela se levantou do sofá e veio até mim segurando meus braços — Vocês… Nossa — parecia feliz, não sei bem o porquê — Achei que depois de tudo aquilo com o… Enfim, o Tadeu — sua voz ficou séria de repente — Achei que não fosse conseguir.
– Não transamos Kate — disse irritada — Isso também não te interessa.
Ainda estou brava. Kate havia rompido um dos nossos combinados de uma não interferir diretamente na vida da outra. Lei número um quando se trata de dividir casa com a amiga. Se não o convívio fica impossível.
– Ainda está brava? — ela perguntou.
– Sim — respondi séria — porra Kate, você me prometeu que não ia se meter nisso.
– Desculpe — ela abaixou a cabeça fazendo uma carinha de dar dó. Sorri para ela e a abracei.
– Desculpada, mas se fizer de novo, raspo sua cabeça durante a noite — nos duas rimos.
– Vocês transaram, ou não? — ela perguntou.
– Não, Kate — respondi — Não sei se tenho coragem de transar com um homem tão cedo.
– Ana bola para frente, isso foi há 9 anos — Kate deslizou uma mecha solta do meu cabelo para atrás da orelha — Deixa eu te falar… Você não pode ter medo de sexo. Tenha calma, não vai doer. Quando você fizer com um homem que valha a pena, você só sentirá prazer.
– Doeu — minha voz saiu falhada — Doeu muito, mas foi pior por dentro do que por fora.
– Eu sei, meu amor — Kate me abraçou — Mas isso foi há 9 anos.
– Eu sei — fechei os olhos em seu abraço — Mas eu tenho medo. Eu experimentei coisas na vida que não desejo a ninguém.
– Ana, vamos esquecer disso, vamos falar de outra coisa — ela sorriu — Vamos pensar no quão gostoso este homem é — apontou para a televisão, mostrando-me Colin O'Donoghue. Um puta gostoso, confesso.
(…)
Horas mais tarde, já de banho tomado, estava deitada em minha cama assistindo alguns episódios de OUAT. Fui, porém, interrompida pelo barulho estridente do toque do meu celular.
– Alô — atendi, um pouco irritada.
– Srta. Anastácia Steele— um homem com uma voz um pouco grossa falou do outro lado da linha.
– Eu mesma — respondo — Quem está falando?
– Tudo bem, Anastácia? — sua pergunta foi retórica — Bom, estou ligando em nome da direção da Central Star Produções — arregalei os olhos de surpresa — e bom… Estávamos à procura de alguns perfis de atrizes para um folhetim. E nós, ao observarmos sua ficha, acreditamos que você tem o perfil certo para o personagem.
– E…Eu — estava desorientada. Deixei meu currículo de atriz, que não era muito amplo, na Star há anos. Nem devo estar com ele atualizado. Aliás, isto foi antes de vir morar em São Paulo. Como isto pode ser possível? Logo eu? — Estou bastante surpresa — sorrio — O que preciso fazer?
– Bom — o homem continuou — Se tiver o interesse em participar da novela, deve vir na segunda-feira até a Star. Deve portar algum documento original com foto (identidade, carteira de habilitação, passaporte… Etc), Cpf, e seu registro de atriz (DRT). Faremos o teste com algumas outras atrizes e escolheremos a que estiver mais apta para a personagem.
– Entendi — estou meio zonza com o excesso de informações — Devo decorar algum texto específico?
– Claro — riu — Te enviaremos a cena que deverá ser apresentada por e-mail. Qualquer dúvida estaremos à disposição. Obrigado.
– Eu que agradeço — e desligo.
Estou entusiasmada com a ideia, mas minha vida, desde que mudei para São Paulo, tomou um rumo tão diferente. Sinto saudade do tempo em que eu morava no Rio e fazia teatro no tablado. Sinto saudade dos diversos comerciais que eu fazia. Sinto saudade dos mil testes de elenco em que eu reprovava. Até os 22 anos, eu tinha certeza de que essa seria minha vida. Aos 19 eu havia deixado meu material para fazer meu cadastro de atriz na Star. Aos 20 me mudei para São Paulo e fui forçada a deixar esse sonho para trás enquanto fazia uma faculdade, mas ainda acreditava na possibilidade. Hoje aos 25, eu já estava completamente desacreditada das chances. Uau, uma novela.
Chamei Kate afobada. Ela demorou cerca de dois minutos até largar o que estava fazendo e vir até o meu quarto. Sua expressão era de — puta que pariu, porque me fez levantar? — mas eu a ignorei.
– Acredita em milagre? — perguntei e ela franziu a testa.
– O que? — ela perguntou.
– Acredita ou não acredita? — sorri — Um cara da Star me ligou me convidando para fazer um teste para uma novela — disse com um sorriso estampado no rosto — Kate, você lembra de quando eu falava o tanto que eu sonhava com isso? — o rosto dela era de choque —Pode ser minha chance, meu Deus.
– Como isso aconteceu, Ana? — Kate estava estática.
– Não sei, Kate — respondi — Ele ligou e disse que olhou minha ficha, algo assim — continuei — Então na segunda-feira eu terei que estar no Rio de Janeiro.
– E o trabalho? — Kate perguntou — Já falou com o Christian?
– Não, né — revirei os olhos — vou pedir para ele uma folguinha para ir fazer o teste. Se eu passar eu peço demissão.
– E ai você não vai mais vê-lo… — Kate disse.
Droga. Eu não pensei nisso. A ideia de deixar Christian não me desce. Engulo em seco. Preciso falar com ele. Não posso recusar uma oportunidade dessas, mas também não posso deixá-lo. Martirizo-me mentalmente.
– O que você vai fazer, Ana? — Kate perguntou.
– Ótima pergunta — respondi e ela riu — Não sei.
Por Christian Grey:
O dia hoje na empresa foi repleto de surpresas. Ótimas notícias, aliás. A primeira foi que o acordo com uma concessionária carioca foi feito. Isso significa que vamos mudar sede para o Rio de Janeiro. A segunda foi o reembolso de 2 milhões de reais que recebemos. Isso significa que estamos bem no mercado novamente, mas ainda estamos colocando em prática o nosso replanejamento econômico. Queria que Ana tivesse vindo hoje, mas ela merece um descanso. Começo a pensar nos nossos beijos e a ideia de não tê-la para mim me assusta. Eu queria tanto poder retribuir o amor que ela sente por mim, mas não consigo.
O telefone toca me tirando do meu devaneio.
– Grey — atendo — Quem está falando?
– Sr. Grey — uma mulher cujo a voz parecia atribuir-lhe uns 50 anos falou do outro lado — Estou ligando a pedido do Sr. Antônio. Vou transferi-lo.
A musiquinha de transferência tocou por pouco tempo até que do outro lado da linha um senhor com a voz grossa, muito grossa atendeu.
– Christian — Antônio disse — Como vai?
– Bem, senhor, o que deseja? — perguntei evitando o blablabla que podeira surgir.
– Vou ser breve — ótimo — Segunda-feira precisaremos fazer uma reunião com todos os representantes das concessionárias. Portanto, preciso que o senhor e seus sócios estejam presente na reunião que acontecerá aqui na Barra da Tijuca.
– Certo, senhor — disse, por fim — Posso levar minha secretária, certo?
– Não vejo problemas — ele disse — Até breve, Sr. Brichta.
Então desligou. Eu tenho uma grande simpatia por quem é breve no telefone. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Anastácia.
"Não veio trabalhar mesmo, Srta. Steele, o que farei a respeito?"
Não demorou muito até a resposta dela.
"Eu disse que não iria, então se quiser me aplicar algum castigo, pode fazer, exceto na segunda-feira, vou precisar de uma folguinha "
Droga. A resposta dela me fez lembrar de que eu queria levá-la para o Rio na segunda. Ela não pode ter outro compromisso.
"Acho que não vou poder liberá-la. Precisarei de você na segunda"
Enviei e fiquei esperando ansioso pela resposta dela. Ela não podia acabar com nossa viagem antes mesmo de saber dela.
"Vou precisar viajar, é muito importante para mim"
Viagem. Droga. Para onde?
"Para onde, Anastácia? Eu vou precisar de você"
Percebi que mesmo frustrado, estava com um sorriso idiota na cara esperando pela resposta dela. Não demorou muito até meu telefone vibrar.
"Rio de Janeiro. O senhor vai me deixar descansar? Juro que minha intensão era dormir"
Rio de janeiro. Agradeci a Deus por essa coincidência. Precisava falar com ela sobre a reunião, mas resolvi dizer depois, afinal, a ida dela ao Rio já estava garantida. Sorri vitorioso.
(…)
Estava a caminho de casa, quando percebi que estava desviando o caminho para o apartamento de Anastácia. Já estava bem longe do centro de São Paulo, então resolvi dar uma passada lá para visitá-la. Cerca de quinze minutos depois cheguei ao prédio dela. Subi o elevador tentando imaginar o que falaria para ela quando ela perguntasse o porquê deu estar aqui. Bati na porta e Anastácia atendeu. Os cabelos bagunçados, mas bonitos. Estava de moletom e uma blusa grande. Achei engraçada, mas ainda sim, estava linda.
– Oi — murmurei
– Christian — ela sorriu e me abraçou.
Primeira vez que ela me chamou desse jeito. Sorri ao receber seu abraço e beijei-lhe o topo da cabeça.
– Tudo bem? — ela perguntou ainda sorrindo — O que você esta fazendo aqui?
– Não sei — eu ri junto com ela — Acho que errei o caminho de casa.
– Entra, então — ela riu — Vai me dar folga na segunda?
– Claro que não — eu ri e a vi transformar sua expressão para indignação — Vou precisar de você na segunda.
Seu rosto se empalideceu, de forma que eu só consegui pensar o que de tão importante ela tem para fazer no Rio.
– Mas Christian… — ela insistiu — Eu preciso viajar para o Rio, é muito importante.
– Você vai para o Rio — eu disse e sua expressão tornou a mudar — Comigo.
– O que? — ela riu, parecia estar feliz — Como você soube?
– Soube de que? — eu ri — Não soube de nada. Eu preciso que você vá comigo à uma reunião, segunda-feira na Barra da Tijuca.
– Eu? — ela perguntou — Por que eu?
– Não só você — eu disse — Vamos você, eu, Ethan e Elliot.
– Okay — ela riu — Você e seus sócios, mas por que eu?
– Porque eu quero que você vá — respondi.
– Por que você quer me levar? — perguntou novamente
– Porque eu posso — disse, por fim.
Ela pareceu ponderar, então abriu seu longo sorriso.
– Tudo bem, eu sei que você não me quer na reunião, só quer que eu vá para o Rio com você — ela riu — Segunda eu tenho compromisso.
– O que você vai fazer de tão importante? — perguntei.
– Tenho um teste de elenco na Star — ela sorriu.
Lembrei, então, do dia em que fomos assistir "A Máquina". Ela me disse que sonhava em ser atriz, mas que tinha mudado os planos para algo mais rentável. Sorri quando ela disse sobre seu teste. Fico feliz em vê-la realizada. Ainda mais que se ela passar para o teste, vai ter que morar no Rio, assim como eu terei que me mudar para lá quando a sede da concessionária for transferida.
– Parabéns — sorri e beijei-lhe a boca de surpresa.
Entramos aos beijos até encostar no sofá. Ela parou o beijo e sorriu.
– Eu sonhei tanto com isso — ela me abraçou.
– Estou muito feliz por você — dei-lhe um selinho demorado — Mas, estou torcendo para sua personagem ser uma virgem que não vai ter par romântico nenhum — sorri ao receber um tapa.
– Primeiro, vou considerar que você está com ciúmes — ela riu — Segundo, espero muito uma cena com um cara muito gostoso.
Fechei a cara, ao vê-la falando daquela forma. Para que desejar esses caras se ela pode me ter assim que quiser? É só ela estalar os dedos em aprovação que eu a jogo na cama, fodendo-a de 50 formas diferentes. Se ela quiser, é claro.
– Você tem um Christian Grey para você — fiz cara de bravo.
– Tenho? — ela perguntou.
– Tem — beijei-a — Eu preciso aplicar-lhe uma punição por ter faltado ao trabalho sem justificativa.
– Qual punição? — ela me beijou.
– Você quer mesmo saber? — perguntei, lançando-lhe meu melhor sorriso lateral.
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