Ficlets And Drabbles
3 Drug-induced
Notas iniciais
Minúsculo, eu sei .-.
As coisas começam a entrar em foco aos poucos, como se ela estivesse sendo lentamente puxada de uma névoa densa. A claridade gera um pequeno desconforto às íris mais sensíveis do que o habitual, e Maura reflexivamente tenta levantar o braço a fim de bloquear a trajetória da luz, apenas para perceber que não pode fazer isso, visto que dito braço está conectado a um tubo médico.
É aí que ela se lembra do motivo de se sentir desse jeito: o processo de recuperação pós-nefrectomia.
Na poltrona em frente à maca, Jane acorda subitamente do cochilo, como se sentisse o exato momento em que Maura abriu os olhos.
–Hey, você acordou! – diz a morena, enquanto se aproxima da outra, segurando levemente uma das mãos da legista entre as suas.
–Conseguiram? Ela conseguiu? – mesmo Maura não estando tão coerente quanto o normal, a detetive sabe do que ela está falando.
–Sim, Maura, o transplante foi um sucesso. Como você está se sentindo?
–Como se faltasse um pedaço de mim. – respondeu a loira, um pequeno sorriso nos lábios.
Jane não pode evitar, e sorri também.
–Parece que você está um pouco mais engraçada que o habitual.
–Você está linda como sempre. — Maura retruca, o sorriso bobo ainda no rosto. – Eu amo você, sabia?
–Eu amo você, também. – responde a morena, sorrindo.
–Não, não. – Maura balança a cabeça veementemente de um lado para o outro, as ondas douradas do cabelo movimentando-se preguiçosas. – Eu amo você, Jane, entende o que eu quero dizer? – as palavras saem num ritmo mais lento do que o habitual, como se a legista estivesse tendo de fazer um esforço consciente para se expressar.
Jane para por um momento, e então se inclina para a frente, depositando um beijo na testa da loira. – Eu sei.
–Sabe mesmo? – Maura tenta lutar contra os analgésicos que a puxam de volta para o limbo do sono. Jane aperta a mão da loira entre as suas, e, quando fala, seu rosto está milímetros à frente do de Maura.
–Claro que sei, sua boba.
–Bom. – Maura se permite afundar um pouco mais no travesseiro, ficar um pouco mais sonolenta. – Porque eu vou me lembrar disso quando acordar.
–Espero que sim. Se bem que eu não esperaria outra coisa de você.
–Tenho certeza que vou lembrar. Até porque nós teremos um encontro de quatro a seis semanas a partir de hoje, dependendo do meu ritmo de recuperação. – Maura diz, e abre um olho apenas o suficiente para estabelecer contato com as orbes castanhas à sua frente. – Fica aqui comigo?
Jane arrasta sua cadeira um pouco mais para perto da maca, e, com a outra mão, coloca algumas mechas douradas rebeldes atrás da orelha da legista, enquanto sorri em sua direção.
–Não há nenhum outro lugar em que eu queira mais estar.
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