Fica do meu lado?
16 Histórias, nossas histórias
Notas iniciais
Entrei na ambulância e me sentei ao lado de Eduardo, peguei em sua mão e percebi que ele dormia por conta dos medicamentos, dei um sorriso fraco pensando que toda aquela situação poderia ser pior, e que ele fez tudo aquilo para me proteger, nunca tinha duvidado do amor dele, mas às vezes ele me provava que me amava mais do que eu imaginava... Passei o caminho pensando o que seria da minha vida sem ele e no dia que nos conhecemos.
Flashback on
– Ei olha por onde você anda pirralha – Eduardo me olhou com cara de desprezo após esbarrar em mim
– Não fala assim comigo, ninguém pode falar assim comigo hoje, é meu aniversário – Eu disse com a cara emburrada, afinal eu era apenas uma criança...
Flashback off
Nos conhecemos quando eu estava fazendo 9 anos e Eduardo estava com 10 anos, minha irmã era bem novinha ainda, então eu era uma criança muito mimada, meu aniversário era em uma lanchonete que eu amava na época, aliás eu ainda amo aquela lanchonete, que por sinal é a que vamos todas as vezes que saímos do colégio.
Flashback on
– Garota mimada! – Eduardo mostrou a língua, eu comecei a chorar e corri até a minha mãe.
– Porque está chorando filha? – minha mãe passou a mão em meu rosto para enxugar as lágrimas
– Um menino esbarrou em mim, me chamou de mimada e me mostrou a língua – eu fiz beicinho para mostrar que eu estava triste com a situação.
– Ah filha não fique assim, vamos lavar o rosto – minha mãe disse pegando em minha mão e me direcionando até o banheiro – e você vai voltar para sua festa, é seu aniversário querida!
Eu abri um sorriso por lembrar que era meu aniversário, lavei o rosto e voltei para a “mesa” em que meus amigos estavam sentados, foi quando o tal menino que havia esbarrado em mim sentou ao meu lado.
– Ei sai daqui, é meu aniversário – eu disse olhando para ele com cara de autoridade.
– Desculpe, é que depois que eu esbarrei em você, te vi chorando e quis saber por que, eu te machuquei? – ele disse com cara de preocupação
– Não, não machucou não! – eu disse dando ombros, e me virei para me falar com os meus amigos.
Olhei de canto e vi que ele tinha saído da mesa, eu voltei a conversar com as meninas, e ouvir comentários idiotas como “a Gabi tá apaixonada”, o vi indo embora e resolvi não falar nada, afinal ele tinha me chamado de mimada, cantamos parabéns e segui para minha casa.
Cheguei em casa e percebi que a casa vizinha já não estava mais a venda e pude ouvir gritos parecidos com de crianças entre 9 e 11 anos, então pensei que iria dormir e amanhã iria ver quem estava morando naquela casa. Dormi e acordei disposta, mas um pouco cansada, agora eu estava com 9 anos e estava me sentindo a dona do mundo, tomei café com a minha mãe e fui em direção a casa ao lado, toquei a campainha lentamente e uma mulher muito bonita abriu a porta
– Oi – eu disse totalmente envergonhada – vi que vocês se mudaram agora e vim dar oi, sei que também tem uma criança, ouvi gritos ontem – dei um pequeno sorriso.
– Entre querida – a mulher sorriu – Eduardo! Desce a vizinha nova quer brincar – Eduardo? OI? UM MENINO? Ah não, alguém me tira daquela casa!
– O que você tá fazendo aqui – ouvi uma voz conhecida e me virei.
– Eduardo seja educado – disse a mulher – já volto crianças, vou até a cozinha.
– Você que se mudou pra cá? – eu disse num tom irônico – bom saber, não acredito que vou ter um vizinho chato – eu disse colocando as mãos na cintura e fui saindo quando ele pegou em meu braço – Ai! – soltei um baixo gemido de dor.
– Desculpa – ele soltou meu braço e deu um sorriso de canto – Ei, podemos nos conhecer direito? Eu sou o Eduardo, queria te pedir desculpas por ontem menina mimada – ele deu uma risadinha e eu sorri de canto.
– Não tem problema – eu disse passando a mão onde ele tinha apertado porque ainda doía um pouco – Eu sou a Gabriela, e não me chama de mimada – rolei os olhos – Eu quero brincar, vamos?
Assim que avisamos a mãe dele que iriamos sair, fomos em direção aos nossos quintais e ficamos brincando a tarde inteira.
Flashback off
Todas essas lembranças tomaram conta do meu pensamento que eu nem pude perceber que estávamos chegando ao hospital, liguei para a minha mãe dizendo que em menos de cinco minutos estaríamos lá e ela disse que já estava indo com a mãe do Edu, chegamos ao hospital e encaminharam ele direto para um quarto, apesar da bala só ter passado de raspão ele precisaria ficar em observação até o dia seguinte de tarde. Estávamos no quarto e pude ouvir a mãe dele chegando, porém ele ainda dormia... Ela entrou no quarto desesperada e foi quando viu que eu estava sentada na cadeira segurando a sua mão.
– Ei querida – ela disse em um sussurro percebendo que ele dormia.
– Oi tia – eu disse dando um beijo em sua bochecha – ele está dormindo por causa dos remédios, não foi nada demais, a bala pegou de raspão somente, o cara já está preso, e ele vai ficar em observação aqui até amanhã a tarde por precaução e depois vai descansar.
– Sim senhora – ela disse dando um sorriso de canto – vá pra casa querida, tome um banho e descanse, amanhã volte na cabana para pegar o que é de vocês, assim que ele for liberado te ligo e você vai vê-lo ok?
– Ok tia, o médico disse para não fazer muitas perguntas, então amanhã te conto tudo – me despedi dela, deu um beijo na testa de Eduardo e sai do quarto.
Encontrei minha mãe do lado de fora, e ela me abraçou forte, dei um leve sorriso e seguimos em direção ao carro, minha mãe sabia que não queria falar sobre aquele assunto então colocou uma música animada e começou a cantar, me fazendo dar altas gargalhadas.
– Canta muito bem mãe – eu disse em meio às risadas – já pode participar do American Idol.
Ela riu mais ainda, e chegamos em casa, eu subi, tomei banho e coloquei meu pijama, desci e jantei com ela, depois fui para meu quarto e adormeci. Dormi pesado a noite inteira, estava muito cansada com tudo o que tinha acontecido, quando acordei a casa estava em silêncio, então deduzi que a minha mãe ainda dormia... Preparei um café e levei na cama para ela para podermos comer juntas, eu a acordei e enquanto comíamos pedi para ela me levar a cabana para pegar as minhas coisas e as coisas do Eduardo, senti meu celular vibrar no bolso do shorts do pijama e sorri ao ver que era uma mensagem.
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