Fever
1 One shot
Notas iniciais
Escrevi esta one shot em relativamente pouco tempo, tendo em conta que ultimamente demoro milénios para escrever algo (não sou nada exagerada hein?)
Espero que gostem.
Foi quando finalmente o ruivo sucumbiu contra o portão da escola que Kuroko teve a certeza de que aquilo não era uma simples constipação como Kagami insistia em dizer.
Aproximou-se cautelosamente do amigo e levou uma mão à sua testa, afastando-se logo depois.
— Kagami-kun, estás a arder em febre! – E realmente estava, Kuroko nem conseguia perceber como raio o outro conseguia andar ou simplesmente manter-se consciente.
— Eu estou bem. – Resmungou tentando erguer-se para logo a seguir voltar a sucumbir apoiando-se de costas numa parede enquanto arfava e suava como se tivesse acabado de dar mais de dez voltas ao campo de basquete a correr, quando na realidade tinham acabado de sair das aulas (às quais Kagami não prestara a mínima atenção) e estava um frio horrível; havia neve por todo o lado e o vento cortante que passava parecia gelar o sangue que lhes corria nas veias.
— Não estás em condições de andar, muito menos de ir ao treino. – Apertou o cachecol à volta do seu pescoço. – Não tens ninguém que te possa vir buscar?
— Eu moro sozinho, caso não te lembres, idiota. – Ofegou fechando os olhos por alguns segundos e abrindo-os lodo depois, esforçando-se por se manter acordado.
— Eu até te levava, mas para além de ter de ir para o treino, não aguentaria com o teu peso. – Calou-se por momentos parecendo pensar em algo. – Só consigo pensar numa pessoa que conseguiria. – Concluiu tirando o seu telemóvel do bolso.
— O quê? Quem? – Perguntou alarmado.
— O Aomine-kun. – Respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— O quê!? – Quase gritou. – Eu não quero a ajuda desse idiota! – E tossiu pelo esforço que exercera sobre a garganta.
Kuroko simplesmente limitou-se a ignorá-lo e a digitar o número do antigo companheiro de equipa.
*
— Não me chateies Satsuki, eu vou para casa. – Aomine resmungou pela terceira vez, tentando que a rapariga de cabelos rosa o deixasse em paz de uma vez por todas.
— Baka! Não podes continuar a faltar aos treinos. – Voltou a insistir.
— Como queiras. – Bufou aborrecido, decidido a ignorá-la e continuar o seu caminho, mas o vibrar inesperado do seu telemóvel fê-lo parar.
Retirou o aparelho do bolso do seu casaco e franziu a testa estranhando o facto do nome “Tetsu” estar a piscar no ecrã.
— Tetsu? – Indagou confuso, revirando os olhos ao ver a rapariga ao seu lado mostrar-se totalmente interessada no assunto.
— Aomine-kun, podes vir até Seirin? – Kuroko perguntou indo direto ao assunto.
— O quê? Para quê? – Ficou ainda mais confuso. Primeiro Kuroko telefonava-lhe pela primeira vez desde que tinham seguido diferentes caminhos e depois pedia-lhe para ir ter com ele?
— O Kagami-kun está com uma gripe horrível e precisa de alguém que o leve para casa. – Explicou simplesmente.
— E porque raio tenho de ser eu a levar esse idiota? – Perguntou evasivo, no entanto quando deu por si já estava a dar meia volta e a dirigir-se para a escola do ex-colega.
— Porque tu consegues e porque, como sempre, não deves ir ao teu treino, logo estás livre.
Aomine deu por si a revirar os olhos uma vez mais e a suspirar nervosamente. – Vou a caminho. – E desligou.
— Era o Tetsu-kun? O que é que ele queria? Onde vais? – Satsuki disparou perguntas ansiosas umas atrás das outras não dando tempo ao amigo para responder. Se bem que ele também não fazia questão em fazê-lo.
— Leva a mina mala, tenho de ir a Seirin. – Disse simplesmente, ignorando displicentemente as perguntas da rosada, e passou-lhe descuidadamente a sua mochila para os braços.
— O quê? Mas… — Não teve tempo para dizer mais nada pois Aomine disparou a correr no sentido contrário. – Ele é realmente rápido! – Bufou aborrecida.
*
— Eu não acredito que o chamaste mesmo! – Kagami resmungou assim que viram Aomine correr na direção dos dois.
Kuroko não lhe respondeu e fixou os seus olhos azuis no ex-colega de time que parou à sua frente sem parecer, de todo, afetado pela corrida. Tendo em conta a distância razoável entre as duas escolas era de esperar que estivesse, no mínimo, um pouco ofegante, mas é de Aomine que estamos a falar afinal.
— Ainda bem que pudeste vir Aomine-kun. – Kuroko estendeu a mão dando-lhe um papel. – Está aí a morada do Kagami-kun, caso ele adormeça pelo caminho. Ja ne! – E, num piscar de olhos, desapareceu.
— Oi, Kuroko! – O ruivo ainda tentou protestar, mas já não via o menor em lado nenhum.
De repente uma onda de tosse assolou-o novamente e as suas pernas estremeceram quase levando-o ao chão se não fossem os braços fortes do moreno a segurá-lo a tempo.
— Bakagami, és mais idiota do que eu pensava para saires de casa com uma gripe!
— Cala a boca Ahomine. – Resmungou roucamente para espirrar logo depois.
Aomine revirou os olhos e um sorriso malicioso começou a desenhar-se nos seus lábios. – Escolhe: queres que eu te leve ao colo ou nas costas?
— O quê? – Corou furiosamente. – Eu posso andar! – Protestou.
— Muito bem, então levo-te ao colo. – E o seu sorriso alargou-se.
— Nas costas! – Disse rapidamente, sentindo como as suas bochechas ficavam cada vez mais quentes – e não era por causa da febre.
Com cuidado Aomine largou-o e baixou-se à sua frente, e Kagami sabia que não tinha outra hipótese a não ser subir para as costas do moreno. Aomine suportou o peso do outro com os seus braços e apoiou-o com as suas costas sentindo as mãos do ruivo juntarem-se no seu peito em busca de apoio. Kagami apoiou a cabeça no ombro do moreno e suspirou, fechando os olhos e permitindo-se relaxar, já que parecia não ter outra opção.
— Baka, não adormeças, senão ficas mais pesado. – Aomine falou, só mesmo pelo prazer de provocar o rival.
— Urusai! – Resmungou cansado.
O moreno apenas sorriu vitorioso e olhou para a morada no papel que Kuroko lhe tinha dado; não era muito longe.
…
— Oi, Kagami, acorda! – Abanou-o ligeiramente tentando fazê-lo voltar da sua semi inconsciência.
Kagami não tinha realmente adormecido; derivava entre a realidade e o mundo dos sonhos, não percebia nada do que se passava à sua volta, mas tinha consciência do corpo que o carregava para casa. Abriu os olhos lentamente e piscou algumas vezes tentando focar a sua visão no que quer que fosse que estivesse à sua frente. Quando finalmente conseguiu, reconheceu que estavam à porta da sua casa.
Aomine fez com que o ruivo descesse das suas costas com cuidado e apoiou-o com a lateral do seu corpo, passando um dos braços dele pelos seus ombros e rodeando a sua cintura com um dos seus.
Kagami percebeu que precisariam da sua chave para entrar e levou a sua mão livre ao bolso das suas calças, tirando as chaves e, mecanicamente, entregou-as ao moreno que logo tratou de abrir a porta.
Assim que deitou o ruivo na cama, Aomine tomou a liberdade de ir à cozinha e depois de muito procurar acabou por encontrar um recipiente, que encheu de água, e um pano, voltando para o quarto logo depois.
— O que estás a fazer? – Kagami perguntou ainda meio tonto pela febre.
— O que é que te parece idiota? – Resmungou. Molhou o pano na água fria e dobrou-o, colocando-o sobre a testa do ruivo.
Kagami estremeceu com o contacto frio, mas logo depois sentiu-se relaxar sob as cobertas quentes. Queria perguntar ao outro porque raio ele parecia estar a preocupar-se tanto, queria perguntar se ele estaria ali quando acordasse; sabendo, apesar de tentar negar a si próprio, que sim, queria que ele estivesse. No entanto, não pôde perguntar mais nada já que a inconsciência abateu-se sobre si de vez.
…
Aomine acordou num sobressalto com um barulho vindo da cozinha, tinha acabado por adormecer na cadeira que tinha puxado para o lado da cama para vigiar o ruivo. Normalmente não acordaria nem que uma bomba explodisse lá fora, mas por alguma razão os seus sentidos estavam mais alerta que o normal.
Olhou para a cama onde o outro estava deitado… “estava” sendo a palavra-chave pois neste momento a cama encontrava-se vazia.
De repente lembrou-se do barulho que tinha ouvido e pulou da cadeira correndo até à cozinha; perto da bancada Kagami estava desmaiado no chão de barriga para baixo.
— Merda, Kagami! – Apressou-se para junto do ruivo e virou-o pondo uma mão na sua testa e constatando que a febre tinha piorado e suava sem parar. – Baka. – Resmungou baixinho e, com cuidado, pegou-o ao colo levando-o de volta ao quarto.
Tirou-lhe a roupa que ele ainda vestia, deixando-o apenas em boxers para poder limpar todo aquele suor que lhe escorria pelo corpo. Feito isto voltou a tapá-lo e a pôr um pano húmido na sua testa. Ficou, por momentos, a olhar para o ruivo deitado na cama, pensando no que fazer a seguir. Olhou a cadeira e voltou a olhar para o outro decidindo-se.
— Daiki… - Kagami sussurrou meio acordado ao sentir um corpo deitar-se ao seu lado e um braço fazer peso na sua cintura.
Aomine prendeu a respiração por momentos ao ouvir o seu primeiro nome, mas logo se recompôs clareando a garganta. – Dorme. – Pronunciou baixinho ao seu ouvido.
— Hum… — Gemeu ensonado virando-se de frente para o outro. Abriu os olhos lentamente fixando as suas iris vermelhas nos olhos azuis-escuros do moreno que o miravam atentamente.
Por instantes Aomine sentiu-se perder nos olhos febris do ruivo e logo uma força invisível parecia puxá-lo na sua direção.
O beijo não durou mais que alguns segundos, apenas um tocar de lábios; no entanto, fora o suficiente para despertar algo desconhecido dentro de cada um, mesmo que nenhum deles se desse conta disso no momento.
Talvez fosse o ponto de partida para algo, mas por agora o que importava era que o ruivo estava doente e precisava melhorar.
— Ao… - Hesitou. – Daiki? – Indagou confuso. Por alguma razão parecia certo chamá-lo pelo primeiro nome. Ou talvez fosse o seu estado febril que não lhe permitia pensar coerentemente.
— Dorme. – Repetiu. Sentia-se confuso com tudo aquilo, mas não valia apena pensar nisso agora.
Por fim, Kagami deu-se por satisfeito (ou simplesmente não conseguiu resistir mais ao sono) e rendeu-se à inconsciência.
Aomine olhou para o relógio em cima da mesa-de-cabeceira e depois para a janela do quarto constatando que já tinha anoitecido. Decidiu que ficaria ali, afinal, alguém tinha de tomar conta daquele idiota.
Aquilo que acontecera há minutos atrás fora estranho, confuso e impensado, mas ao mesmo tempo parecera tão certo. Talvez no dia seguinte eles discutissem por causa daquilo, pois ambos eram teimosos e orgulhosos até dizer chega. Como Kuroko costumava dizer, ambos eram dois grandes idiotas que não sabiam quando dar o braço a torcer. Oh sim, eles iriam discutir. Mas talvez o resultado disso não fosse ruim.
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