Feu
1 Feu - one shot
Notas iniciais
A explosão foi ouvida, e enquanto todos tentavam sair do departamento, ele corria contra eles para conseguir passar e entrar no prédio. Os dois policiais tentaram impedi-lo de entrar, zelando pela segurança dele.
- Beckett e meu filho estão lá dentro — ele afirmou — Não vou deixá-los morrer.
E empurrou as mãos dos colegas, que o impediam de entrar. Correu pelas escadas — onde encontrou maior dificuldade para andar pois mais e mais policiais, prisioneiros algemados e advogados corriam abaixo.
Quando se tocou que a porta da qual ninguém mais saía era a porta que ela procurava, seu coração quase subiu pela garganta, mostrando claramente o medo que ele sentia.
O medo de perder sua noiva e filho. O fogo quase havia tirado três de seus amigos, e ele não deixaria que, por vingança, levasse os dois amores da sua vida.
- Papai! — ele ouviu o grito.
Quando se virou para a porta, Alexis estava ali, parada com Pi. As lágrimas caíam de seus olhos inchados e o menino — que ele nunca aprovara — assentia com a cabeça, aprovando sua decisão.
- Alexis — ele gritou de volta — Fique aí! Pi, saia daqui com ela e não tentem voltar aqui.
O moço assentiu, abraçando a menina e saindo do prédio com ela rapidamente. Só o pensamento de ser engolido em chamas devia ser assustador o suficiente. Mas ele reuniu todas as forças e correu para as salas de interrogatório.
Abriu todas as portas e olhou pelos vidros. Nada. Correu para os banheiros e entrou no feminino, abrindo cada porta de cada cabine. Ela não estava ali. E foi quando ele se tocou.
A sala de descanso, do café. Seus pés se entrelaçaram e ele mal conseguia caminhar. Talvez pela fumaça do fogo. Mas quando conseguiu finalmente caminhar, seus pulmões ardiam e ele correu o mais rápido que pôde. Ao chegar lá, ele viu que a pequena máquina de cappuccino estava em chamas, mas aquela era a menor das suas preocupações.
Olhou ao redor e viu o pequeno bolo de gente com fuligem no rosto e as roupas chamuscadas. Ele correu até ela, puxando-a pela camisa.
- Kate! — ele gritou, e ela abriu os olhos.
Quando os olhos focaram no rosto dele, ela sorriu abertamente, abraçando-o com força. A barriga de oito meses quase a impediu de abraça-lo, mas o medo de perder a vida e a gratidão de o noivo tê-la salvado era maior que tudo.
- Venha — ele pediu — Vamos, antes que a fumaça prejudique-nos ainda mais.
O fogo aumentou ainda mais, e a única opção que tinham era descer pelas escadas.
- Não vou conseguir — ela murmurou.
- Por quê? — ele perguntou.
Ao ver que ela sentia medo, ele olhou para baixo, onde os olhos dela se prendiam. A poça que caía das pernas dela o assustaram. Era a hora. Ela estava parindo. As chamas novamente estalaram, e ele não deixaria que lhe tirasse mais ninguém. Ela gemeu de dor e apertou a barriga, apoiando-se nele.
Sem outras opções, ele a segurou no colo e começou a descer as escadas rapidamente, sentindo o líquido quente descer pelo seu braço. Os pulmões também ardiam, e ele teve certeza que iam cair das escadas.
- Castle! — ela gritou — Eu não vou conseguir! — ela pausou e gemeu de dor — Dói muito!
- Eu sei, babe. — ele murmurou — Mas aguente só mais um pouco! Nós já vamos sair!
Ela gemeu e trincou os dentes, prendendo a mucosa — músculo que permitiria que o bebê saísse.
~.~
- Eu vou lá dentro. — ele murmurou.
Ryan pôs a mão no peito dele, impedindo-o de ir. Esposito olhou-o com os olhos marejados. Era sua amiga-irmã, seu sobrinho e um de seus melhores amigos ali dentro.
Porém, antes que ele conseguisse explicar, eles ouviram o grito dela, saindo do prédio. Viraram-se rapidamente e ouviram a súplica do escritor:
- Por favor! — ele berrou, imerso às lágrimas — Nosso filho está nascendo!
Esposito gritou — eles diriam "como uma menina" — e saiu correndo até uma ambulância, abrindo caminho para que o casal passasse.
- Ah! — ela gritou novamente — Eu odeio isso!
Mas ninguém riu ou achou fofinho. Ela estava parindo no meio do caos do fogo, e isso lhes lembrava do incidente há algum tempo atrás. Ryan ajudou Esposito a abrir a ambulância e pediu a todos que se afastassem, pois somente eles dois, o casal e Lanie estariam presentes.
Apesar da fuligem, nenhum dos dois se importou de ter o bebê no meio do caos. Afinal, nem tinham tantas opções assim. Puseram-na deitada e Lanie colocou um lençol branco sobre as pernas dela — que logo foram abertas gentilmente.
- De quanto em quanto tempo vêm as contrações? — perguntou a médica. — Ah, dane-se.
Castle se sentou ao lado dela, apertando a mão da noiva e chorando junto com ela, sentindo sua dor. Deu uma espiada na intimidade dela, vendo que já estava inchada e dilatada. E, assim que Lanie afirmou que ela estava pronta, Ryan e Esposito fecharam as portas da ambulância.
~.~
— Push! — Lanie berrou — Vamos, Kate!
O suor já se formava na testa dela, e ele sorria dentre as lágrimas que saíam de seus olhos. Kate fez força e berrou — e teve certeza que seus gritos eram escutados do lado de fora, mas não sentia vergonha de ninguém.
Afinal, ela estava parindo.
- Eu já vejo a cabeça! — ela gritou para os dois — Push!
E foi a última coisa que a médica disse antes de ouvirem a vozinha aguda chorando. Ela jogou a cabeça no travesseiro, respirando fundo e rindo ao mesmo tempo. Castle fez o mesmo, beijando-a de leve enquanto Lanie procurava algo para esquentar a criança.
- Lanie? — ela chamou, ofegante — Eu quero meu filho...
- É um menininho — ela murmurou, sorridente.
Kate olhou para o noivo e riu com vontade. Quando a doutora pôs a criança nos braços dela, o choro cessou, e o menino balançou os bracinhos, fechando os olhos. Lanie suspirou, saindo da ambulância e fechando a porta.
~.~
Ele a ajudou a colocar a saia longa chamuscada — e molhada — enquanto ela acariciava o rostinho do filho. Seus olho brilhavam, e ela não esperava que fosse tudo feito às pressas. Depois de vesti-la adequadamente — ou pelo menos, dentro do possível — e enrolar o bebê no lençol ensanguentado, ele abriu as portas da ambulância, onde só quatro pessoas mostravam-se presentes — além do resto dos bombeiros e pessoas machucadas do lado de fora, nas ambulâncias.
Os sorrisos enormes ao vê-la segurando a criança foram a recompensa pelo terror que passaram do lado de dentro da delegacia em chamas. Lanie estava com as mãos e o uniforme médico azulado com sangue, abraçada com Esposito, que tinha os olhos marejados ao ver o afilhado.
Castle ajudou todos a subirem na ambulância e, juntos, todos viram o menino bocejar e reclamar pela primeira vez.
- Espo, não quer segura-lo? — ela perguntou, estendendo o menino.
- Sério? — ele indagou, extasiado.
- Sim, sério — interviu Castle — Você é o padrinho, Javi.
~.~
Tudo ocorreu bem, e os bombeiros finalmente conseguiram apagar o fogo que lambeu mais da metade do edifício — incluindo o andar da Homicídios. Eles haviam permitido a passagem só depois que o fogo apagou — e graças a Deus, não havia chegado à sala dos arquivos -, mas ao perguntarem ao casal se queriam subir, nenhum dos dois afirmou.
- Quero ir pra casa — ela murmurou, quase adormecida.
Os bombeiros assentiram e ajudaram a colocá-la de pé e acenaram para o pequeno menino, que dormia serenamente, sem, ao menos, se preocupar com o caos e com tantas pessoas machucadas ao seu redor.
Esposito abraçou a médica novamente e ela selou seus lábios. Observaram quando Castle juntou seus lábios com a futura esposa e acariciou a cabeça do neném.
- Acho que devemos planejar o nosso — ele sorriu.
- Sabe — ela respondeu, rindo — Eu também acho que seria uma ótima ideia...
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