Festim De Sangue
13 Supresa na Mansão Hellsing
Alucard, acompanhado de Seras Victoria, se encontra no escritório da mansão Hellsing, onde a pequena Isabelle Hellsing está sentada na cadeira que pertence a sua mãe. Os olhos azuis da menina de dez anos refletem a determinação dela, que, Alucard sabe perfeitamente bem ter sido herdada da mãe, pois aquele monstro do marido dela não passa de um crápula, ao qual ele irá matar com suas próprias mãos.
Mas, apesar de Isabelle Hellsing estar determinada a querer encontrar a mãe e acabar com a vida do pai, ele sabe que a menina não sabe por onde começar e, apesar de Isabelle ser uma cópia fiel de sua mãe em aparência e até mesmo em certas atitudes, falta a ela certa maturidade.
E, além de tudo, ele também é obrigado a admitir que, não sabe por onde começar as buscas. Mas, diferente da mini Integra que está na sua frente, tem uma pista que, certamente, sabe mais do que quer falar, e essa pista se chama Seras Victória, a vampira se sabe mais do que conta.
Seus olhos vermelhos e sedentos por sangue encaram o olhar de sua serva, que, ao perceber que está sendo observada por seu mestre, imediatamente desvia o olhar, encarando a pequena Hellsing sentada na cadeira da mãe.
— Por que estamos aqui? – quer saber a vampira.
— Estamos aqui porque vocês dois precisam encontrar a minha mãe. – a voz de Isabelle se faz ouvir – Sei que vocês acham que sou apenas uma menina, mas, na minha idade, a minha mãe matou o tio dela e assumiu a liderança da Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes. E, se ela fez isso aos dez anos, eu posso encontrá-la com a ajuda de vocês e matar o Philip!
— Isabelle, o Philip é seu pai...! – Seras Victoria tenta argumentar.
— Ele sequestrou minha mãe, sua mestra! – a voz de Isabelle é dura – Leve isso em consideração!
A cada palavra proferida por Isabelle, Alucard a acha mais parecida com a mãe e, assobia, em sinal de satisfação. A menininha mimada que conheceu inicialmente desapareceu, dando lugar aquela que, futuramente, será a sucessora da Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes, Isabelle Fairbrook Wingates Hellsing!
— Nós vamos encontrar a sua mãe, minha pequena mestra! – a voz do Nosferatu se faz ouvir – E, quando este momento chegar, pode ter certeza de que eu vou encontrar e matar o seu pai, e da forma mais cruel possível!
— Eu já disse que quem vai matar o Philip serei eu, e, isso não está em discussão! – a voz de Isabelle soa enfática – Mas isto não vem ao caso agora. Infelizmente, eu conheço as minhas limitações e, sei que eu não passo de uma garotinha, que pouco sei sobre este mundo sobrenatural. Portanto, eu conto com os dois para descobrirem qualquer coisa que nos leve ao Philip e a minha mãe.
Alucard escuta em silêncio as palavras de sua pequena mestra, ao mesmo tempo em que seus olhos avermelhados encaram o céu, onde a lua cheia ilumina a noite. Sabe que precisa encontrar a sua mestra o mais rápido possível, e, é isso que fará!
O lixeiro da Hellsing volta sua atenção para sua serva, Seras Victoria e, assim que a vampira percebe o olhar intimidador sobre si, propositalmente desvia o olhar. Ela sabe o que se passa na cabeça de seu mestre, sabe que, ele pensa que ela sabe mais do que diz e, infelizmente, as coisas não são tão simples quanto seu mestre julga...!
Infelizmente, existem coisas que ele não faz ideia...! Anos atrás, ela fez um juramento a Sir Integra e, deve cumprir esse juramento até o fim. Não importa o que seu mestre diga, manterá sua palavra e, irá cumprir seu juramento.
Até o fim!
Seu olhar se vai para a pequena Isabelle, que está sentada no lugar que outrora pertenceu à mãe, Sir Integra Fairbrook Wingates Hellsing e, ver aquela pequena criança ali, só faz lembrar-se do que jurou com muito mais força.
Quer deixar aquela sala, pois o olhar intimidador e ao mesmo tempo acusador de seu mestre a está deixando sufocada. Precisa de ar puro para pensar, pois ali, não consegue fazer isso. Não com o Nosferatu a acusando de saber o que Philip faz ou para onde ele pode ter isso.
Se ela tivesse a resposta para esse enigma, certamente contaria a seu mestre e, neste instante, estariam indo ao resgate de Integra, deixando Isabelle em um lugar seguro. Mas não sabe...! Aliás, ela não sabe quase nada no que diz respeito ao mistério envolvendo Philip...!
Como disse ao seu mestre uma vez, ela tem quase certeza de que algo aconteceu na noite em que Isabelle veio ao mundo, mas é só...! Não estava presente quando Sir Integra deu a luz...! Mas foi ali que todo este mistério efetivamente teve início.
Ali...! Naquela noite, em que Isabelle Hellsing veio ao mundo, é que todo este mistério teve início...!
Seras Victoria está pronta para falar com seu mestre, dizer a ele que o ponto de início para tudo isso é a noite do nascimento de Isabelle Hellsing, porém, o telefone começa a tocar e, o pensamento da vampira é interrompido.
— Hellsing. – fala Isabelle, atendendo ao telefone.
A pequena Hellsing escuta com atenção o seu interlocutor ao telefone, sua face ficando pálida, a cada palavra que ela escuta. E, por um momento, a pequena filha de Integra fica completamente sem reação, mas então ela pensa em sua mãe e, o sangue Hellsing que corre em suas veias fala mais alto.
Como sucessora de sua mãe, é seu dever fazer o trabalho dela, até que ela possa ser encontrada e seu pai morto, a fim de pagar por seus crimes. E, pensar assim faz com que seus olhos azuis, tão idênticos aos de sua mãe, brilhem de determinação e, ainda com o fone do telefone em seu ouvido, sua voz se faz ouvir, alta e clara:
— Não se preocupe, daremos um jeito.
E, após ouvir a resposta de seu interlocutor, Isabelle Hellsing desliga o telefone, para então voltar a encarar os dois vampiros a sua frente.
— Qual é o problema, Isabelle? – questiona Seras Victoria.
— Um vampiro está atacando o centro de Londres. – anuncia à pequena Hellsing.
*****
Philip está em uma sala escura e sombria, sentado em uma poltrona desfrutando uma saborosa taça de vinho tinto. Todas as luzes do cômodo estão apagadas, com exceção de uma vela, que trás uma fraca luz para o ambiente, iluminando o rosto do homem.
Seus olhos verdes estão fixos na taça em suas mãos, enquanto ele observa o líquido na taça, pensando em como as coisas estão até aqui. Pensa em Integra, seu grande amor, e só de pensar nela, já sente seu coração batendo muito mais rápido, seu corpo começando a queimar de desejo pela mais bela mulher que já viu, e que pertence a ele e a mais ninguém.
Integra é a mulher mais incrível e bela que já conheceu, cheia de si e de determinação, capaz de fazer com que qualquer homem enlouqueça de amor por ela, como foi o seu caso. Desde o primeiro instante em que a viu, ele a amou. A amou como nunca amou mulher nenhuma em sua vida e, é por isso que ele faz o que faz. Porque estes anos todos Integra apenas brincou com seus sentimentos, preferindo o maldito morto vivo a ele, um homem de verdade!
Mas agora ela é sua e de ninguém mais. E, nem mesmo aquele maldito vampiro será capaz de lhe roubar seu grande amor! Ele pode passar sua existência toda procurando, mas jamais a terá de volta!
— Procure o quanto quiser, maldito vampiro, porque você jamais a terá novamente!
Ao dizer estas palavras, um sorriso cheio de ironia estampa os lábios do homem, ao mesmo tempo em que ele volta a levar a taça com vinho tinto aos lábios.
Saboreia a doce bebida bem devagar, enquanto pensa no próximo passo de seu plano. A essa altura do campeonato, a notícia de que um vampiro está atacando o centro de Londres já deve ter chegado a Hellsing e, certamente, aqueles dois vampiros já devem ter partido, a fim de obliterarem a criatura e, provavelmente, deixaram sua filhinha sozinha na mansão, sem nenhum tipo de proteção.
Sem Integra, que é a cabeça da organização, os vampiros não passam de um mero obstáculos, pois os dois mortos vivos não passam de cachorrinhos, que obedecem cegamente a todas as ordens de sua mestra.
Durante todo o seu casamento, conseguiu suportar Seras Victoria, mas, o outro, o lixeiro da Hellsing, aquele de quem sua amada Integra se orgulha, este ele nunca conseguiu suportar!
Alucard é a pior pedra que poderia ter surgido em seu caminho, uma da qual está tendo um trabalho imenso para se livrar. Seu plano, até o presente momento, tem dado mais do que certo e, graças a isso, já tem sua esposa onde é o lugar dela, a seu lado!
Agora, tudo o que precisa é se livrar do vampiro e, ele tem a mais absoluta das certezas de que isso não irá demorar muito a acontecer!
Muito em breve, o Nosferatu Alucard será uma carta fora do baralho!
E, quando este momento chegar, ele efetivamente será o grande vencedor.
Alucard pode até se alimentar de sangue. Mas, nesta dança, aquele que controla o sangue, é somente ele. Controla um verdadeiro festim de sangue, e o sangue de sua amada é que lhe dá poder!
Termina de tomar sua taça de vinho e, a coloca em uma mesinha ao lado da poltrona em que está sentado para, em seguida, levar a mão até o bolso interno de seu paletó e, tira um pequeno vidro, com um líquido vermelho intenso, e, o olhar para aquele pequeno vidro em suas mãos, um sorriso mais do que satisfeito estampa os seus lábios.
Ali está a chave de sua vitória!
Sangue!
O mais belo e puro sangue!
O sangue da mulher que ama com todas as forças de seu ser!
Sua mente se volta para o passado, para a mais bela noite, desde que se casara com Integra. À noite em que sua filha veio ao mundo e que, consequentemente, fez com que Integra perdesse todo aquele sangue...!
A mais bela noite que já viveu, com exceção da noite em que teve Integra em seus braços pela primeira vez!
Aquela noite fora mais do que especial, e, possuí-la, mesmo que contra a vontade dela fora um verdadeiro deleite. Não existe nada mais prazeroso do que possuir a mulher que ama, ele, só há uma mulher que ele é capaz de amar, e, esta mulher é Integra!
Sua amada e adorada Integra!
Fecha os olhos e a imagem de sua bela esposa vem em sua mente, e, isso faz com que o loiro de olhos verdes mais uma vez volte a sorrir. Pensa em acordá-la, mas, sabe que ainda não é o momento certo para isso! Deixará que sua amada esposa sofra mais um pouco antes e acordá-la, pois assim, ela estará bem dócil e submissa, do jeito que uma mulher tem que estar!
E, quando os seus planos forem todos concluídos, mostrará a sua amada Integra os restos mortais do vampiro que ela tanto ama, para que enfim ela perceba que não tem salvação, e que o destino dos dois estão selados para sempre!
Ninguém, não importa se esteja vivo ou morto, será capaz de lhe separar de Integra e, ele faz questão de mostrar isso a ela, quando enfim se livrar daquele maldito vampiro!
E este momento será a sua grande vitória!
O momento em que irá apresentar a sua amada esposa os restos mortais do vampiro que todas as mulheres Hellsing parecem idolatrar!
E, enquanto Integra estiver chorando pela perda do vampiro, ele estará comemorando e, mostrará a ela que ele sempre foi e sempre será o vencedor deste jogo!
Volta a guardar o vidrinho com sangue no bolso interno de seu paletó e se levanta da poltrona, começando a caminhar pelo escuro salão e, novamente, com os pensamentos voltados para a sua esposa.
— Integra, meu amor, muito em breve, nada e nem ninguém irá nos separar!
*****
Após ordenar a Alucard e a Seras Victoria que partissem a fim de obliterar o vampiro que apareceu no centro de Londres, Isabelle deixa o escritório e começa a caminhar pelos silenciosos corredores da mansão, com seus olhos azuis preocupados, não somente com o vampiro que apareceu no centro de Londres, mas principalmente por sua mãe...!
Fecha os olhos e a imagem de sua mãe vem em sua mente, e, sente um aperto em seu peito...! Um aperto de dor...! Como nunca antes havia sentido em toda a sua vida...!
Desde que se entende por gente, sua mãe sempre esteve a seu lado, sempre a protegeu...! E nunca, em nenhum momento, deixou que algo de ruim lhe acontecesse...! Ao contrário de Philip, que sempre foi meio de lua, às vezes lhe tratava como filha, outras vezes, ela era quase como que um móvel, estando ali apenas de enfeite, e, a grande maioria das vezes, sempre a tratou como se ela nunca houvesse existido...! Mas não a sua mãe...! Para sua mãe, ela sempre foi tudo...!
E agora Philip a levou...! Levou sua mãe para longe dela e, não pode sentir o calor do corpo de sua mãe contra o seu...!
Mas isso não vai ficar assim...! Se o desaparecimento de sua mãe serviu para alguma coisa, foi para ela crescer, precisa deixar a criança para trás e amadurecer! Precisa ser uma boa líder para a Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes, precisa ser a mestra de Alucard e precisa encontrar uma forma de trazer a sua mãe de volta, custe o que custar!
E ela fará isso!
Mostrará que o sangue dos Hellsing corre em suas veias e que ela é sim, a continuação de sua mãe!
— Mamãe, por favor, aguente mais um pouco...! Eu vou te encontrar...! – Isabelle sussurra, enquanto continua a caminhar pelos corredores da mansão.
A pequena Hellsing para em frente à porta de seu quarto, segura a maçaneta e está pronta para entrar, mas, sente algo em seu coração, uma pontada, como se fosse um mau pressentimento e, solta a maçaneta, dando meia volta e rumando para o quarto de sua mãe.
Sem perder tempo, a pequena Hellsing adentra o quarto de sua mãe, fecha a porta atrás de si e, por alguns minutos fica ali, de pé, apenas olhando para o amplo quarto, que tem o cheiro de sua mãe.
Ali, naquele quarto, sente as lembranças muito mais forte, e, a falta de sua mãe é imensa...! Nunca imaginou que fosse sentir tanto a falta de sua mãe...! Nunca imaginou que seu pai fosse capaz disso, de tirar a sua mãe. Seu coração bate forte de saudade, ao mesmo tempo em que sente o desejo de se vingar e trazer Integra de volta, para casa e para ficar ao seu lado, onde é o seu lugar.
Caminha até a cama de sua mãe e se deita ali, sentindo o cheio de Integra mais forte nos lençóis, cobertores e travesseiros. Não demora muito e, a pequena Hellsing acaba pegando no sono, devido ao cansaço.
E, é neste momento que, das sombras da parede surge um vampiro, de aparência sinistra. A pele anormalmente pálida, características dos vampiros, bem como os olhos vermelhos e sedentos por sangue. Cabelos negros até a atura da cintura, e camisa, calça e sapatos negros. A criatura da noite se aproxima da cama, em que a menina Hellsing está em sono profundo. Toca a face quente da menina e abre boca, mostrando os seus caninos e se preparando para tomar o sangue virginal da criança.
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