Festim De Sangue

14 Os Irmãos Parker


Os olhos vermelhos e sangrentos da criatura da noite estão fixos na pequena Hellsing adormecida, ao mesmo tempo em que seus perigosos caninos se aproximam mais e mais do pescoço alvo da inocente criança. Está prestes a cravar os seus dentes no pescoço da criança quando um tiro acerta o seu braço, impedindo-o de morder a criança.

O vampiro então, com os olhos brilhando de raiva, olha para trás e vê Alucard, sorrindo para ele de forma triunfante e apontando a sua poderosa Jackal para o inimigo que está bem diante de seus olhos.

— Ora, ora. – a voz do lixeiro da Hellsing é carregada de cinismo – E não é que minha intuição estava certa? Era suspeito demais vampiros aparecerem assim do nada, então decidi mandar a Seras obliterar os vampiros, e ficar aqui para vigiar a menina Hellsing. Nunca imaginaria que minhas teorias estariam mais certas do que eu poderia supor.

— Você deve ser Alucard. – a voz do vampiro forasteiro se faz ouvir – O lixeiro da Hellsing!

— Exatamente! – Alucard aponta a Jackal para o inimigo de forma assustadora – E não me interessa quem você é! Acabarei com sua existência e isso será um recado para seu mestre, porque o próximo será ele!

O vampiro forasteiro está prestes a responder a provocação, mas, um grito infantil se faz ouvir e, as atenções das duas criaturas mortas se voltam para Isabelle, que encara aquele ser forasteiros com os olhos azuis carregados de surpresa e de pavor.

A pequena Hellsing não imaginava um vampiro no quarto de sua mãe, mas não é burra e, sabe quem é o alvo desta criatura. Por mais que queira ser forte para parecer com sua mãe, às vezes sua personalidade oscila e ela acaba demonstrando o que realmente é, uma criança que pouco sabe sobre a vida. Mas, mesmo sendo uma criança, é uma Hellsing e o seu sangue fala mais alto. É Isabelle Fairbrook Wingates Hellsing, e, deve agir como tal!

Se refaz rapidamente do susto inicial e, sua expressão se torna tão fechada e séria quanto à de sua mãe, ao mesmo tempo em que encara Alucard com a obstinação e ousadia características da linhagem dos Hellsing.

— Oblitere-o, Alucard! – a voz da pequena Hellsing se faz ouvir – Mas não antes de conseguir qualquer informação que possa ajudar a localizar a minha mãe!

— Entendido, minha pequena mestra! – responde o lixeiro da Hellsing, fazendo uma pequena reverência.

— Acha mesmo que é capaz de me vencer, Alucard? – zomba o vampiro forasteiro.

— Porque não experimenta? – Alucard não se deixa levar pela provocação – Mas não aqui. Não vou profanar o chão do quarto de minha mestra com seu sangue podre.

— E o que te faz pensar que abandonarei a minha caça, Alucard?

Alucard não responde e, ao invés disso, dá um tiro que acerta o abdômen de seu adversário, causando um impacto tão grande que o vampiro é arremessado contra a parede, que se quebra e, ele caí no verde gramado do jardim da mansão Hellsing.

Em seguida, o lixeiro da Hellsing saí por este mesmo rombo na parede, dá um salto e, se coloca no jardim, olhando de forma ameaçadora para o vampiro que continua caído no chão.

— Agora sim, é hora da diversão. – fala Alucard, com um sorriso demasiado assustador em seus lábios.

E, após dizer estas palavras, o vampiro parte para o ataque, sem dar tempo para que seu adversário se levante do chão. Alucard o acerta com um poderoso chute, que faz com que a criatura voe longe e, sem perder tempo, atira mais uma vez, só que, dessa vez, o seu adversário consegue reagir e, desvia com facilidade do tiro de Alucard.

— Não pense que vai me vencer com tanta facilidade assim, Nosferatu Alucard. – a voz do vampiro se faz ouvir – Não sou como os outros que você já enfrentou! Eu, Adam Parker serei aquele que colocará um fim a sua existência de uma vez por toas!

— Veremos o quão bom você é para me desafiar, Adam Parker! – fala Alucard, se preparando para atirar mais uma vez.

Sem perder tempo, Adam saca a sua arma e, os dois vampiros começam a atirar um no outro ao mesmo tempo. Porém, enquanto Adam toma o cuidado necessário para desviar de todas as balas de Alucard, o lixeiro da Hellsing não se dá ao trabalho de desviar e, propositalmente, se deixa atingir por todas as balas de seu inimigo, ao mesmo tempo em que dá tiros e mais tiro com sua Jackal.

O lixeiro da Hellsing tem certeza de que esse tal de Adam Parker sabe algo a respeito de sua mestra e, está disposto a tomar o sangue da criatura, para desvendar todos os segredos que este vampiro insignificante esconde!

Com um sorriso sádico em seus lábios, Alucard continua a atirar, enquanto seu corpo vai sofrendo buracos e mais buracos, provenientes das balas da pistola de seu adversário.

— É só isso que você sabe fazer, vampiro de nível inferior? – provoca Alucard, com uma voz terrivelmente sádica e cruel.

Completamente enfurecido, Adam Parker salta contra o lixeiro da Hellsing, disposto a tudo para acabar com a existência desta criatura. Atira mais uma vez contra Alucard, porém, desta vez, o lixeiro da Hellsing não se deixa atingir e, ao invés disso, transforma seu corpo em centenas de morcegos que começam a voar no céu noturno, por cima da lua cheia que brilha vermelha e imponente no céu.

Ao ver a façanha do Nosferatu Alucard, os olhos do vampiro brilham de forma mais intensa, ao mesmo tempo em que os morcegos se juntam, e, o vampiro volta a se materializar na frente de Adam Parker, totalmente recomposto dos buracos de bala que havia levado minutos atrás.

— Agora, Adam Parker, é que a nosso jogo realmente vai começar! – a voz de Alucard é uma gargalhada tétrica.

E, após dizer estas palavras, Alucard pega a sua Jackal e volta a atirar, só que dessa vez, com uma velocidade muito maior do que estava atirando antes.

Adam Parker só tem tempo de desviar das balas e, a velocidade de Alucard é tanta que, não consegue encontrar uma brecha para atirar. Tem que pensar rápido em uma estratégia para vencer seu adversário, ou morrerá, não nas moas do Nosferatu, mas nas mãos de seu mestre, o que seria muito pior.

*****

Em uma deserta rua no centro de Londres, Seras Victoria encara séria e destemida o seu adversário. Um vampiro com uma pele mais pálida do que o normal, olhos vermelhos e sedentos por sangue característicos dos vampiros e, se vestindo com blusa, calça e sapatos pretos. Seus cabelos são curtos e, tão negros quanto suas vestes e, ele encara Seras com um sorriso vitorioso em seus lábios.

— Você deve ser Seras Victoria. – sua voz sua alta e aterrorizante – A vampira serva do Nosferatu Alucard.

Seras não se surpreende ao perceber que, seu adversário sabe quem ela é. O que só confirma a teoria de seu mestre de que este ataque é uma armadilha. Mas, conforme prometera, não vai deixar que ele perceba que, ela sabe que isso é algum tipo de distração ou de isca.

— E como sabe quem sou? – pergunta Seras, sem se deixar intimidar.

— Eu, James Parker, não preciso te dar qualquer tipo de explicação! Ao contrário, tudo o que você precisa saber é que eu serei aquele que irei acabar com a sua existência!

Seras nada responde, e, ao invés disso, parte para o ataque, pegando a sua arma e, dando um tiro certeiro, sem dar tempo a seu adversário de desviar, muito menos de sacar a sua arma.

A vampira da Hellsing ataca com uma grande força, pois prometera a seu mestre que iria beber o sangue da criatura e descobrir todos os seus segredos e, é exatamente isso que ela pretende fazer.

Sem dar tempo para que James possa reagir, Seras dá mais um tiro, dessa vez atingindo o braço de seu adversário. Com a sua grande velocidade, a vampira larga a sua arma no chão e se lança contra James, arrancando com uma grande brutalidade o braço de seu adversário, que urra de dor e, no segundo seguinte, saltando para trás e pegando a arma que propositalmente havia deixado cair no chão.

— E então? – ironiza a vampira, com seus olhos vermelhos brilhando de forma ameaçadora e sedentos por sangue, mesmo que seja o sangue de um vampiro – Onde está o vampiro que iria obliterar a minha existência?

— Eu ainda não mostrei todo o meu poder! – esbraveja James, ante uma grande fúria e com os olhos brilhando de ódio.

A resposta de Seras é um sorriso provocante, que causa o efeito esperado em James Parker. O vampiro rapidamente saca a sua arma e, atira contra Seras, que desvia sem qualquer dificuldade do ataque adversário.

Mas James não se deixa intimidar e continua atirando com todas as suas forças e sua velocidade de vampiro, enquanto Seras continua a desviar, só procurando a melhor oportunidade para fazer o seu ataque.

Conforme seu mestre suspeitava, esse vampiro que está na sua frente sabe alguma coisa sobre o misterioso desaparecimento de Sir Integra e, ela está disposta a tudo para descobrir o que ele sabe!

Durante anos, foi omissa, escondendo o que via e, fingindo que nada estava acontecendo quando, na verdade, tudo estava acontecendo! Não sabe exatamente o que, mas, desde o nascimento de Isabelle, de alguma forma, Philip controla Integra e agora, este controle fora longe demais...!

Seu mestre está disposto a tudo para libertar Sir Integra e, é sua obrigação ajudá-lo nesta complicada tarefa! Irá expiar seus pecados, em fingir, ao longo dos anos, que nada estava acontecendo!

Fará isso por ela mesma, por seu mestre, por Isabelle, e, principalmente, por Sir Integra!

Ao longo dos anos vira Philip abusar de Integra e nada fizera, apenas observara, como um telespectador quando assiste a um filme. Mas agora, com a volta de seu mestre e o desaparecimento de Sir Integra, parece que acordou para a realidade!

É como se, nos últimos anos, estivesse entrado em um tipo de transe e agora, finalmente está de volta à realidade! Uma realidade cruel em que as vidas das duas pessoas que mais respeita no mundo estão em perigo!

Seras Victoria desvia habilmente dos tiros dados por James Parker, que não para de atirar por um minuto. Ele quer vencer de qualquer forma...! Quer cumprir com perfeição a ordem que lhe fora dada e, para isso, ele é capaz de tudo!

Não irá deixar que esta vampirinha, serva do mais poderoso dos vampiros acabe com sua existência, afinal de contas ele fora criado para acabar com a existência de Seras Victoria!

Continua atirando sem parar, com Seras desviando de todas as balas e com um olhar focado e determinado, que o desestabiliza cada vez mais. Atira várias e várias balas até que, quando tenta atirar mais uma vez, percebe, para sua infelicidade, que sua pistola descarregou.

Quando Seras Victoria percebe o que aconteceu, um sorriso vitorioso surge em seus lábios, com os caninos a mostra, ao mesmo tempo em que seus olhos brilham de forma assustadora.

— Já acabou? – a voz da vampira serva de Alucard é ameaçadora – Confesso que eu esperava mais de você, vampirinho!

CALE A BOCA!!!— esbraveja James Parker – EU AINDA VOU ACABAR COM VOCÊ, VAMPIRA INSIGNIFICANTE!!!

Em resposta, Seras Victoria gargalha de prazer e, TAL QUAL SEU MESTRE, se prepara para o que já deveria ter feito desde o início, obliterar o vampiro. Com sua arma em mãos, mira sem qualquer dificuldade e, dá um único tiro, que acerta a cabeça de James Parker, explodindo-a e fazendo com que seu sangue de vampiro comece a jorrar. Em seguida, a serva de Alucard larga a arma no chão e se lança contra o corpo de James Parker, usando sua mão para atravessar o seu peito, acabando de vez com sua vida.

O sangue de James Parker rapidamente se espalha no chão e, com os olhos vermelhos sedentos, Seras se prepara parar beber aquele líquido vermelho e saboroso e descobrir todos os segredos que ele esconde.

Notas finais
CONTINUA...