Festim

1 Melodia


O grande salão está excepcional como de costume, lindas luzes brancas e douradas iluminam os casais que giram em um círculo perfeito. As mesas incrivelmente organizadas com copos de cristal cheios das mais caras bebidas e a bela sinfonia tornam claro o tipo de recinto.

Uma linda mulher vem em minha direção, o longo cabelo loiro em trança passa sobre seu ombro, pousando em seus seios. Seu longo vestido branco e dourado toca o chão, arrastando-se pelo polido mármore do salão.

—Seria uma honra dançar com o senhor. — Fala enquanto me cumprimenta.

Eu a havia convidado para uma dança sem perceber?

Caminhamos até o círculo de dança, meu peito, com um pesar sem resposta. Ao entrarmos no círculo meus olhos pousam em seu corpo, não para admira-lo, mas para me espantar: uma linda boneca de porcelana em minhas mãos.

A música se aproxima do fim e sua melodia torna-se rápida e de notas fortes.

Uma delicada mão toca meu rosto.

—Senhor? A música acabou, venha se sentar.

Encaro seus olhos vazios, sim, vazios e negros como meu estado de espírito.

Por que senhor? Ela não sabe meu nomo ou simplesmente não tenho um?

As luzes parecem aumentar, o salão se torna abafado e por meus olhos vejo minhas mãos manchadas de sangue.

O salão desaparece e com ele todos os convidados, menos ela. Em seus olhos o tempo para, mais somente para mim, e quando fecho os olhos ela também se vai.

A melodia recomeça fluida, fluida como o sangue que pinga de minhas mãos.

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