Feroz

1 Venous Love


adivinhas o conteúdo, a mensagem do meu coração. Amo-te, perverso meu. Senhor dos mares, rei do oculto.

O "te amo" que ofereço é o mais puro dentre todos, abriga mais furor do que qualquer coração ferido!

E é pior, porque sabes, nesta hora. Por dias me pisa, por segundos me eleva.

Este é um amor que atravessa o tempo, que avança junto com as horas. Quanto mais me debato, mais me afogo.

Teu abraço e teu sorriso são irmãos, ambos concebidos como cilada...

Para mim, são mortal perigodelicioso, como o pecado. Uma luz pura, o sol brilhando para mim, na hora morta de meio-dia.

Nada me prende mais do que a tua imagem, a não ser teu toque. Quando me envolve, quando abriga meu corpo, sinto-me aquecida e segura.

Como Santa Teresa foi transpassada pela seta de Amor do serafim, assim se faça comigo.

Vem! Tenho comigo café e rosas de paixão. Parece que há anos está longe. Vem! Tenho muito a dizer! Muito a cantar.

Ocupe meu coração!

A gratidão amarga sempre me rodeia. Vive comigo. Veio até mim quando te conheci.

Esqueço o início e o fim destruidores, fico com o meio maravilhoso.

Cismas nos detalhes? Pouco me importam eles! Apenas me envolva. Me deixe inebriada e perdida.

Não sei quem sou. Caí dos lençóis de Salomão? Qual seria o meu desígnio entre o fogo dos mortos, essa terra pútrida?

Angústia! São apenas memórias, e não quero. Se são memórias, já se foram. A Lua está ciente.

Pareço-te sã? Eu poderia ascender, completamente alva se te visse uma última vez.

O que me queima o peito? O amor da lusitana alma? O sentimento é contraditório, dói. Em mim, é agressivo.

Quando te abraço, ele arranha e investe contra as paredes do meu coração, faz cócegas... Eu me sinto feliz! O mundo lá fora é insignificante!

Quando desaparece, quando se vai... Investe contra as paredes do meu estômago. Não são borboletas.

Se reviram aqui dentro várias coisas que não sei, sinto frio. Me encolho na cama, parece que melhora.

Tremo violentamente na tua presença. Não devia julgar as moças da torre, pois de alguma forma sou pior que elas, que desfalecem.

Eu experimento o êxtase, mal sinto meus membros, espero que me ampare. Estou definhando!

Seu olhar é terrível, tua boca é feroz como o exército babilônio. Quando sorri, é como se desse o sinal do início, tocasse a trombeta da batalha contra mim, pobre e fraca.

O amor é tão dual como o próprio homem, e o coração, sendo seu abrigo, é pura vileza má...

Maldita a hora! A que eu provei dos licores que emanam da tua língua. És Salomão? Lúcifer antes da queda merecida?

Quem poderá me salvar agora?

Alguém me afoguedepressa! Preciso que a vidainvada meus pulmões.

— Visceral!


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