Notas iniciais
Whoiz faz novas amizades após espantar Augusto. Mas Augusto não era O Valentão, e Whoiz agora iria provar o verdadeiro significado de Bullyng, começando a notar que viver em sociedade pode ser tão desagradável quanto viver sozinho no deserto.

Whoiz passou a ser mais respeitado na sua turma após ter feito o valentão Augusto chorar, e o mesmo estava se sentindo o máximo por isso. Mas Whoiz não podia fazer o que queria e sair impune dali, Celes deu uma bronca enorme em Whoiz e ambos tiveram um momento mãe e filho.

Mas a bronca de Celes era apenas o começo do retorno das ações de Whoiz.

— Como você se chama? — Whoiz senta ao lado de um garoto com olhos puxados no refeitório, como sempre estava uma baderna de crianças correndo de um lado para o outro, havia a fila para a merenda ao lado.

— Meu nome.- Responde o garoto de olhos puxados com a boca cheia, após uma colherada de sopa.

— Seu nome, fala.- Pede Whoiz olhando para o garoto, o garoto tomava sopa e sorria para Whoiz.

— Meu nome.- Afirma o garoto com um sorriso bobo no rosto, e Whoiz fica mais confuso.

— Eu quero saber o seu nome!- Diz Whoiz ficando irritado com o garoto de olhos puxados enquanto o mesmo ria. Até que a sopa do 'meu nome' voa no rosto dele, e a graça do garoto acaba em um instante. E então Whoiz olha para frente e vê o garoto negro e alto rindo após ter jogado a sopa de 'Meu nome' no rosto dele, Gustavo, o garoto mais temido da turma de Whoiz, junto do baixinho sapeca.

Gustavo olha para Whoiz, e Whoiz encara o garoto sem entender o que havia acontecido. E quando Whoiz nota, todos no refeitório estavam olhando a situação, um pouco tensos.

— Sorte sua que tá todo mundo olhando agora...- Diz Gustavo, percebendo que todo o refeitório estava olhando para eles.- Você vai se arrepender do que fez com o Augusto...- Gustavo puxa o baixinho e sai do refeitório, e Whoiz fica um pouco apreensivo, em seguida ajuda o pequeno 'meu nome'.

— Você bateu no Augusto, agora o Gustavo quer bater em você.- Whoiz conversava com Wanderson e Marcelo, procurando entender a situação.- Você ta ferrado cara, o Gustavo brinca pesado com as crianças... Desde que foi trazido pro lar, todas as crianças tem medo dele.

— Se parece com você agora.- Brinca Marcelo, mas Whoiz não acha graça na brincadeira.- Fica longe do Gustavo, Whoiz, a gente não pode ajudar você se não a gente apanha.- Whoiz se sente agora assustado...

Em um dos intervalos da escola, Gustavo decide brincar com 'meu nome' novamente. Se juntou com alguns laranjinhas da escola para brincar de empurrar o garoto de um lado pro outro. Ao ver aquilo, Whoiz não pensa duas vezes.

— Para! — Whoiz entra no meio e puxa 'meu nome', ignorando todos os avisos de Marcelo e Wanderson, todos começam a observar.

— Quer brincar também?- Gustavo empurra Whoiz, e os outros começam a empurrar o menino de um lado pro outro sem ao menos dar chance de reação pro mesmo. Até que em um momento Whoiz apenas vê o punho de Gustavo vindo na direção direção, e ele cai de rosto no chão, acabara de tomar um soco no olho.

— Sujou! Chamaram o Raul! Corre galera! — Diz o baixinho sapeca, então todos os bagunceiros correm para longe, enquanto Raul se aproximava com seu olhar rigido e suas vestimentas militares.

Ele encara Whoiz no chão, na situação mediocre que o mesmo se encontrava, e Whoiz tem a sensação de que Raul estava gostando de ver a situação dele. O menino olha para Raul esperando que o mesmo o ajude. Mas Raul passa reto, indo na direção dos bagunceiros.

Após isso uma menininha de olhos puxados corre na direção de Whoiz. Ela tinha cabelos extremamente lisos, a pele não era tão branca.

— Levanta.- Ela pede, ajudando Whoiz a levantar do chão.

— Obrigado.- Ele diz, com o sangue quente, sem entender o que acabara de acontecer.

— Obrigado por defender o 'meu nome', ele é meu amigo.- Diz ela, e Whoiz fica surpreso.

— Ele se chama 'meu nome'?

— Ele gosta de ser chamado assim.- Afirma a menininha de olhos puxados, e assim como Whoiz, outras crianças também não sabiam quem eram, o que deixou ele mais aliviado.

— Eu sou o Whoiz...- Ele diz olhando para ela, seu olho estava inchando e ganhando cor.

— Meu nome é Esther.- Ela ajuda Whoiz a levantar.- Vou te levar pra Tia, vamos...- ela pega na mão dele e o leva para Vera. Esther era uma menina esperta pra idade dela, e determinada, e ver seu amigo 'meu nome' ser linchado pelos laranjinhas todos os dias estava a deixando com raiva de Gustavo.

— Obrigado Esther.- Mais tarde no dormitório, Whoiz estava reunido com seus colegas, com um gelo em cima do olho para diminuir o hematoma.

— Eu vou deixar o olho do Gustavo roxo algum dia.- Afirma Esther, estava sentada ao lado de 'meu nome'. Ao contrário de 'meu nome', Esther era muito corajosa e determinada, apesar de tudo ambos pareciam bem próximos.

— Vocês são irmãos? — Pergunta Wanderson para Esther, então ela e Meu nome se entreolham.

— Não, a gente venho do mesmo lugar, então Meu Nome e eu ficamos amigos.- Afirma Esther, Meu Nome assente.- Eu lembro da minha família quando olho para ele...- Esther fica encarando o garoto.- Mamãe era costureira...

— Meu pai era mecânico, ele tinha um corvete preto e todos queriam que meu pai levasse eles para passear...- Diz Marcelo se lembrando de quantas vezes não precisou pegar alguma ferramenta para o pai, ou quantas vezes tentou dirigir o corvete.

Todos começam a falar sobre suas famílias, sobre suas vidas antigas, e Whoiz fica apenas ouvindo, se perguntando como poderiam ter sido seus pais.

— Você não se lembra de nada Whoiz? — Pergunta Meu nome para Whoiz. Whoiz olha para o lado um pouco emburrado.

— Todos os adultos que eu conheci antes daqui tentaram me matar.- Ele diz, e então sai do dormitório deixando todos os outros sentindo-se culpados. Marcelo e Wanderson ficam surpresos, pela primeira vez o garoto não citou o número 16 ao perguntarem de seu passado.

Vera conta para Celes o que houve com Whoiz e Gustavo, e Celes promete ficar de olho nos passos deles a partir dali.

Para não se sentir amedrontado, Whoiz passou a andar sempre acompanhado de alguém, torcendo para Gustavo não se aproximar, Gustavo havia conseguido o que queria: O Medo de Whoiz. E o mesmo fazia o que quiser com isso, quando Whoiz estava comendo, Gustavo jogava o prato na cara do mesmo, e quando o mesmo estava bebendo, Gustavo obrigava Whoiz a entregar seu suco.

A Presença de Raul se tornou cada vez menos notável, e Gustavo estava fazendo que bem entendia com Whoiz e as outras crianças.

— Eu sinto muito Whoiz...- Diz Meu nome, enquanto Whoiz levava um curativo no rosto, havia ralado o queixo pois Gustavo colocou o pé na frente quando Whoiz estava correndo. Esther olhava preocupada para Whoiz, ambos se tornaram bem amigos após Whoiz ter demonstrado compaixão a Mu nome o defendendo.

— Queria que o Gustavo parasse de me bater.- Diz Whoiz olhando para o campo verde com seus amigos, Whoiz estava bem triste e desgastado com as brincadeiras de mau gosto de Gustavo, e isso estava apenas aumentando a fama de valentão de Gustavo e diminuindo a fama de herói que Whoiz ganhou após fazer Augusto chorar.

— Você podia fazer as luzes piscarem como fez com Augusto.- Afirma Marcelo, Whoiz da risada sem levar a sério o comentário de Marcelo.

— Não foi eu quem fez aquilo, foi energia que acabou por causa da chuva...- Ele responde seriamente usando o argumento de Celes para se defender.

— Por que o Raul não bateu no Gustavo ainda? — Pergunta Wanderson com um olhar revoltado.

— Ele bateu sim! Eu até vi marcar de cinta no corpo dele outro dia. As mãos dele estão todas machucadas, Raul deve usar as réguas, a sinta, o chinelo...- Afirma Esther um pouco assustada, só de pensar na surra que Gustavo tomou.

— Isso não adianta com ele.- Diz Meu nome encarando observando os times de futebol correrem para a quadra no fundo.- Para quem apanhava todos os dias da mãe, isso não é nada. Além do mais, ele já apanha desde que entrou aqui, o Gustavo não liga.- Meu nome estava certo, Gustavo era o maior valentão de toda escola, colocava medo em todos, e não havia nada que pudessem fazer, pois ele não tinha mais o medo da cinta, igual as outras crianças tinham.

— A gente vai bater nele então.- Diz Wanderson determinado, então uns olham para os outros, eles concordavam com Wanderson, e a partir dali, todos bolam uma estratégia para se vingar de Gustavo.

E então, todos eles se agruparam e foram atrás de Gustavo. Mas Gustavo era esperto, ele sabia qual era a intenção de cada criança que se aproximava dele. Então ele se junta aos laranjinhas e todos vão para o banheiro.

Whoiz e seus amigos seguiram Gustavo até o banheiro, certos de que haviam cercado Gustavo.

Todos entram no banheiro, e quando isso acontece, um dos laranjinhas de Gustavo fecha a porta, e para a surpresa dos amigos de Whoiz, Gustavo já estava esperando por isso.

Todos são fechados em uma roda feita pelos laranjinhas de Gustavo.

— Eu vou bater em todos vocês.- Diz Gustavo olhando para Whoiz e seus amigos encurralados.- E vou colocar o rosto de vocês na privada. Vocês acharam mesmo que eu não sabia que vocês iam fazer isso? Vocês acham que vocês são o primeiro grupinho da escola que tenta me pegar? Eu sou o dono desse lugar, bem antes de vocês aprenderem a escrever.- Afirma Gustavo com imponência, Marcelo e Wanderson tentam atacam primeiro, mas Whoiz, Meu nome e Esther não tem a mesma coragem, Marcelo e Wanderson acabam sendo jogados no chão.

— Privada neles.- Os laranjinhas pegam Gustavo e Wanderson e levam para os banheiros, fechando as portas.

— PARA GUSTAVO! CHEGA! PARA COM ISSO! — Esther grita desesperada ouvindo o som das privadas sendo acionadas, Whoiz se sente mais culpado pelo o que está acontecendo. Gustavo pega Esther pelo cabelo e puxa ela.

— Você é japonesa? Vai lutar Kung Fu comigo? — Ele pergunta, Meu nome tenta socar Gustavo, mas o baixinho que acompanha Gustavo dá alguns tapas em Meu nome e Meu nome começa a chorar. Um dos laranjinhas pega Meu nome e puxa para um dos banheiros.

As crianças do lado de fora ouviram Esther, Marcelo e Meu nome gritarem, e foram apressadas chamar algum dos anfitriões do Lar Maria Antonieta.

Enquanto isso do lado de dentro do banheiro.- Augusto, faz o que quiser com o esse estranho.- Diz Gustavo, e Augusto se aproxima de Whoiz pronto para bater no menino e descontar toda sua raiva pelo último evento.

— NÃO! Para com isso! — Augusto havia pego Whoiz pelo colarinho, Whoiz se encolhe e quando ele grita, os encanamentos do banheiro explodem jogando água para todos os lados, algo extremamente nojento e desconfortável para todos que estavam lá dentro.

Mas Celes entra no banheiro bem na hora, para a surpresa de todos. Os laranjinhas saem correndo para fora, Gustavo tenta mas Celes pega ele pelo braço.

— Não é o Raul quem irá te punir hoje.- Ela diz encarando Gustavo e o segurando com força, o mesmo a encara de volta sem medo.

Por hora, Whoiz e seus amigos estavam salvos, mas todos eles estavam extremamente tristes e envergonhados, e agora, todos estavam com medo de Gustavo. Acima de tudo, com medo de Whoiz...

Obviamente, todos tomaram aquele banho de uma semana.

— Acho que é melhor a gente não mexer com o Gustavo mais...- Diz Whoiz para seus colegas, mas Esther protesta, mais revoltada do que nunca.

— Eu não vou deixar ele fazer isso com a gente de novo! — Ela diz irritada.- Todos na escola já tiveram que apanhar dele, ou tomar pratada na cara, ou entregar o suco! Não podemos deixar acontecer mais...- Diz Esther brava, saindo do dormitório. Marcelo, Whoiz e Meu nome se encaram, os mesmos não tinham mais esperança de fazer alguma coisa que mudasse aquela situação, apenas aceitam.

— O que eu fiz no banheiro?- O garoto se perguntava em seus pensamentos, toda vez que alguma coisa quebrava ou falhava, ele estava perto.

Enquanto a Marcelo e Wanderson sentiam que as coisas mais esquisitas daquela escola estavam acontecendo, desde que o garoto pisou lá.

Whoiz nunca pensou que estar em sociedade, poderia ser tão desconfortável quanto estar sozinho no deserto...

(...)

Mais uma noite, o homem na parede aparece.

A Principio Whoiz sente medo e seu coração disparar, mas cansado de sentir medo, Whoiz se levanta e corre atrás do homem na parede. O homem vai caminhando pela luz da parede tranquilamente para fora enquanto Whoiz corre rápido na direção do mesmo.

O homem some na porta e Whoiz abre a porta, entrando em meio a uma grande escuridão infinita, sem retorno, pois a porta havia desaparecido.

O Mesmo começa a correr e a escuridão começa a se moldar em ondas, que Whoiz pula enquanto corre, até que as ondas vão jogando o garoto de um lado para o outro e o mesmo acaba caindo dentro delas.

As ondas, se tornam um liquido verde e Whoiz vai afundando no liquido aos poucos, até que o espaço vai diminuindo, e Whoiz se sente dentro de uma garrafa de vidro, enquanto flutua tranquilamente no líquido.

Mas então o garoto vai perdendo o ar, e perdendo, e perdendo.... e o ar desaparece, o vidro explode!

Whoiz acorda do pesadelo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.