Notas iniciais
O Juan é o México do Sul. A imagem que eu tenho do Portugal é aquela que ele tem uma cicatriz no olho esquerdo.
O nome do Brasil é Luciano e o nome do Portugal é Afonso. Por que? Porque sim.
Fiz hoje de tarde na pressa, então os acontecimentos podem estar muito rápidos (Mas é uma one-shot, então whatever).

Boa leitura.

Dublin, capital da Irlanda. Esse fora o local escolhido para ser o local da reunião deste bimestre. Luciano não gostou muito da ideia de ir para um lugar frio como o norte da Europa, mas ficou feliz por não ter que ir para a Argentina. Como lá era outono, estava um dia chuvoso e muito frio, obrigando todos a se esconderem atrás de casacos, e alguns até tiveram que recorrer a um cachecol ou luvas, como a doce Angola.

E era por conta deste frio que o brasileiro não se desgrudava de seu copo de café. Bebericava-o enquanto lia um livro que uma amiga avia-o indicado. Na verdade, ela tinha mais o forçado a ler do que o indicado, mas tudo bem. Os países que eram mais íntimos de Luciano ficaram um tanto surpresos quando o viram com um livro com mais de 200 páginas na mão, mas ele mesmo havia se espantado quando se flagrou interessado naquela história um tanto monótona. E por isso Luciano logo descobriu um grande drama de todo leitor: Não poder ficar lendo o quanto quiser. A reunião estava começando, e o barulho era ensurdecedor.

O moreno de belos olhos verdes continuava com seu café a mão, olhando pra Francis e Arthur brigando, enquanto Alfred incentivava a discussão. Lembrou-se do quão grande Inglaterra já fora, e agora perdia seu posto pra um idiota, infantil e irresponsável como USA. É incrível como as coisas mudam sem você sequer notar. Acabou tomando Afonso por exemplo. O lusitano fora o império mais importante da Europa no começo da era moderna, sendo detentor de várias terras e riquezas. Ao pensar nisto, Luciano lembrou-se de que já fora uma dessas terras, além de ter sido uma boa fonte dessas tais riquezas. Tomou mais um gole de café, não queria encarar as coisas dessa forma. Talvez estivesse passando muito tempo com Cristina, aquela garota complicada que reclamava do Brasil a cada cinco minutos. Se bem que, muitas vezes, ela tinha razão e... NÃO! Não podia ficar olhando por esse lado amargurado, pois isso só o faria ficar com raiva de Afonso, assim como praticamente todos os seus Hermanos queriam a morte de Antônio. Tinha um apreço enorme pelo lusitano, e sempre que lhe perguntavam sua opinião sobre a relação colônia-metrópole que tiveram, dizia que fora boa e que Portugal havia lhe ensinado muito sobre os europeus e seus costumes. O que não era uma completa mentira, mas não era nem de longe uma verdade.

O barulho de coisas se quebrando o fez voltar de seu mundo de pensamentos, fazendo-o encarar a nova briga que começara. Ótimo, agora quase metade da sala estava discutindo! Olhou em volta e suspirou, levando o copo de café aos lábios mais uma vez, percebendo que este já se encontrava vazio. Soltou outro suspirou e foi tentar separar os socos e chutes que Antônio e Juan trocavam entre si. Não antes de, é claro, dar uma rápida olhada para Afonso, que lia um livro de poesias de Fernando Pessoa. O moreno pensou tê-lo visto com os olhos pesarosos, mas julgou ser apenas sua imaginação tola. Balançou a cabeça e se concentrou em separar os dois á sua frente.

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- Feliz dia da “independência” deveras mercenária que você teve. – Disse a garota de cabelos castanhos claros e pele ligeiramente queimada de Sol, deixando bem claras as aspas que fizera com ambas as mãos.

- Obrigado, eu acho. – Disse Luciano enquanto sorria para a tela de seu notebook.

- Mas eu ainda não engoli essa. – A garota virou o rosto, fechando a cara.

- E algum dia vai? – Retrucou ele, suspirando e mexendo nos cabelos negros.

- 98% de chances de que não.

- Eu imaginei. – Ele sorriu derrotado. Cristina sabia de cada detalhe de sua independência, e digamos que ela não estava nem um pouco satisfeita com isso, muito pelo contrário.

- Mas mudando de assunto, como está indo seu relacionamento com o Afonso? – Indagou enquanto levava uma xícara de achocolatado até os lábios rosados.

- O que quer dizer com isso? – Levantou uma sobrancelha.

- Ora Luciano! Só pelo jeito que você fala dele eu já sei que você é irremediavelmente apaixonado por ele. Agora, a questão é: Já se confessou para aquele ser? – A brasileira bateu o fundo da xícara em sua escrivaninha, encarando Luciano com seus olhos de ébano. Alguns segundos se passaram somente com uma troca de olhares.

- Você já terminou de ler “A esperança”?

- NÃO MUDE DE ASSUNTO, LUCIANO DA SILVA! – Ele encolheu os ombros ligeiramente. Suspirou de novo e apoiou o rosto nas mãos olhando para baixo.

- Não. – Sua voz não passou de um sussurro, mas como estava usando um headset sua voz era audível. Ouviu-a suspirar também.

- E por que não está indo se confessar agora, idiota? – Luciano levantou a cabeça rapidamente, piscando algumas vezes para a tela predominada pela imagem encorajadora de sua menina rebelde.

- Como?!

A garota rolou os olhos. — Você me ouviu.

- Cristina, não é assim tão simples e...

- É sim. – Ela rebateu, cruzando os braços e levantando uma sobrancelha. – Não sei o que está esperando. Você não tem nada a perder mesmo, já que quase nunca se falam.

- Eu sei, mas...

Ela deu outro suspiro, mas desta vez ele era entediado, como se estivesse explicando uma coisa simples para uma criança de raciocínio lento.

- Olha, Brasil. Portugal está em crise e ninguém sabe o quanto a união europeia vai durar, então pode ser que você não tenha muito mais tempo. Se eu fosse você desligava esse notebook e ia correndo para o quarto do Afonso dizer tudo o que eu sinto.

Ele a encarou e sorriu. A garota com os olhos ligeiramente puxados podia sempre reclamar de si, mas era a primeira a defendê-lo, o alegrar ou incentiva-lo a tomar alguma decisão. Era, apesar dos apesares, uma filha excelente.

- Cristina.

- O que?

- Obrigado, e até amanhã. Vou ter uma conversa com Portugal. – Ela sorriu largo e acenou positivamente com a cabeça.

- Vá lá. Boa sorte. – O brasileiro estava prestes a fechar a desconectar-se de seu Skype quando ela o chamou. – Espera, espera! Depois que você dizer pra ele sobre os seus sentimentos, diga que eu o mandei ir se ferrar, por todas as coisas que ele fez.

O mais velho riu alto, e se despediu mais uma vez, desligando seu notebook. Ela realmente não conseguia ser compreensiva com ele por muito tempo.

Levantou-se apressado e seguiu para a porta, saindo e fechando-a com mais força do que pretendia. Correu até o fim do corredor, que era onde ficava o quarto de seu amado no grande e luxuoso hotel em que os países estavam hospedados.

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Afonso não estava em seu melhor humor. Ler as poesias de Pessoa, que tanto falavam de sua época de glórias, na presença de suas ex-colônias nunca o fazia bem. Sentia um remorso horrível, ainda mais sabendo que aquele era o dia da independência do Brasil. Ficar sozinho naquele quarto de hotel, se entupindo de chá feito Arthur, não o ajudava em nada. Mergulhado em pensamentos emos, quase derrubou sua xícara no chão ao ouvir o barulho da campainha. Levantou-se e pôs o objeto em mãos na mesa de centro, logo se encaminhado para a porta. Qual não fora sua surpresa ao dar de cara com um brasileiro ansioso em frente a ela?!

- Luciano? Que fazes aqui? – Indagou o lusitano. Não obteve uma resposta. E qual não fora sua surpresa ao ser beijado repentinamente por esse brasileiro ansioso?!

Ficou estático, não sabia o que fazer. Espalmou as mãos no peito do maior, com a intenção de fazê-lo se afastar, mas não o empurrou. Sua mente ficou deleitosamente vazia. E quando Luciano passou a língua por seus lábios, pedindo passagem, nada mais importava. Entreabriu os lábios, concedendo a passagem tão aguardada pelo brasileiro, e envolveu o pescoço deste com seus braços, enquanto este segurava sua cintura, aprofundando o beijo. Mas o ar se fez necessário, e eles tiveram que se separar.

- Luci...

- Eu estou apaixonado por você, Afonso. – Interrompeu-o, acariciando uma das bochechas do lusitano com uma das mãos. Os dois abriram os olhos e se encararam, verde com verde. Um pouco relutante, Luciano aproximou os rostos e levou a mão do rosto até os cabelos macios e ligeiramente compridos do menor, sem nunca romper o contato visual. Esperou até que Afonso anulasse o espaço entre as duas bocas, o que não demorou a acontecer. Um beijo mais intenso se formou, fazendo com que eles tivessem que se separar mais cedo que dá última vez. Uma luzinha se acendeu na mente do brasileiro e ele sorriu faceiro.

- Afonso.

- Sim?

- Por tudo o que você fez, vá se ferrar.

Notas finais
A parte que eu falo que Portugal está em crise e a união europeia pode acabar a qualquer minuto foi inspirada na one-shot Gone, da Labi.
Não tenho beta, então me informem de qualquer erro ortográfico.
A Cristina foi inspirada em mim (Na verdade, eu faço muito isso).
Obrigada por lerem mesmo com uma sinopse tão clichê e um título tão ruim, mas era o que tínhamos pra hoje.
Comentem se puderem.

Beijos de trufa
Tchau
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!