Notas iniciais
uma one básica sherlolly de aniversário, porque eu amo aniversários!

Bolo? – John está na porta aguardando Sherlock pegar seu casaco. – Bolo – respondeu o detetive o encontrando na saída. Sherlock está um pouco desconfortável com a situação inusitada que iria viver, mas precisava daquele momento com seu amigo depois de tudo que passaram desde a morte de Mary. Era a primeira vez que saía com o companheiro e isso era uma forma de conforto e perdão que ele buscava secretamente.

— Molly já está com Sra. Hudson aguardando no café, acredito que Greg também está. John tentava parecer natural. Sherlock não esperava que fossem tantas pessoas, na verdade não queria ninguém exceto o amigo, infelizmente não teve escolha quando o médico descobriu sobre seu aniversário pela mensagem que recebeu de Irene Adler. John estava sem forças para discutir situações, desejava também que as coisas voltassem a ser mais tranqüilas o quanto antes e o aniversário é um ótimo pretexto para se focar em coisas boas.

A cafeteria estava praticamente vazia, apenas umas duas mesas ocupadas, quando os dois chegaram, Sra. Hudson acenou para que eles fossem até a mesa que ela estava sentada junto com Greg.

— Onde está Molly? – Sherlock perguntou assim que chegou a mesa.

— Ela foi ao balcão buscar seu bolo – explicou a senhora sorrindo para ele. Ele olhou para o local onde a Sra. Hudson havia dito e seus olhos encontraram o de Molly que já os observava desde a chegada. Ela deu um meio sorriso e ele sabia o porquê. Não havia contado a ninguém sobre seu aniversário, somente A Mulher sabia e provavelmente Molly teria se chateado, mas a legista mantinha um jeito tímido e feliz ao mesmo tempo. Ela era tão carinhosa com ele, sempre se questionava da onde vinha tanto carinho que ela depositava em sua pessoa. Antes mesmo, naquela mesma semana haviam discutido sobre sua overdose, era a última vez que tinham se encontrado e mesmo assim ela não parecia guardar mágoa alguma. Como conseguir afastar alguém assim? Tinha muito medo de ferí-la.

— Sherlock, não vai se sentar? – John olhava para o amigo com certa estranheza. – Sim, mas não ficarei muito com vocês, eu preciso organizar a bagunça que deixei meu flat. Todos olharam com surpresa, porém Sra. Hudson riu – Oh Sherlock não precisa ficar sem graça, e não precisa mentir querendo sair disso porque a única coisa que você arruma são pedaços de gente para colocar na minha geladeira. Molly havia chegado à mesa com um pequeno bolo redondo, suficiente para os todos. Ela colocou no centro e se sentou ao lado de Sra. Hudson e Greg.

— Então...ficando velho Sherlock? – tentou brincar. – Ora Molly, a velha aqui é a Sra. Hudson e pouco me importa a idade, já que fiz muito mais do que todos aqui nessa mesa. Depois de dizer essas palavras, não soube dizer se sorria de sarcasmo ou apenas permanecia em silêncio. Decidiu pela segunda opção. Estava sem ânimo para festas.

— Vamos então cortar o bolo e simplesmente agradecer que você está vivo para provar isso – disse Greg ao bater nas costas de Sherlock. O detetive concordou e Molly lhe ofereceu uma faca para cortar o bolo. – Não esqueça seu pedido de aniversário, lembrou a moça. Sherlock pegou a faca e não disse nada, apenas começou a cortar seu bolo. Esse ato o fez lembrar-se de algumas cenas da semana anterior. O hospital, a briga, o bisturi, e a sensação de talvez não conseguir enganar o serial killer que desmascarou. John percebendo isso ajudou o amigo a distribuir os pedaços, chamando sua atenção para o presente.

— Parecemos normais comendo doce num fim de tarde. Melhor ainda, Sherlock comemorando aniversário. Um verdadeiro milagre! John era mesmo um verdadeiro amigo sempre entendendo quando precisa sorrir ou quando precisa brigar com Sherlock. Comemoram em silêncio, trocando alguns olhares e meio sorrisos. Greg foi o primeiro a levantar e se despedir, não antes sem tirar uma foto para provar que um dia comemorou o aniversário do frio e intocável Sherlock Holmes. Claro que o detetive não participou da foto, mas seu bolo e seus amigos sim. John estava também se preparando para despedir, Sherlock tentou impedi-lo.

— Porque não voltamos no flat e sra Hudson prepara um chá e conversamos melhor, aqui é público demais.

— Acho que vou para casa, Rosie está com a babá e preciso acertar algumas coisas. O amigo se levantou e agradeceu pelo bolo e pela tarde de conversas, embora as frases que foram ditas tinham pouco humor e nenhum envolvimento. Era preciso tempo até tudo ficar mais leve. Sherlock pensou que se John demorou meses para superar a falsa morte do detetive, o que dirá de uma morte verdadeira, ainda mais da mulher que ele amava. John deu os devidos abraços e a sra. Hudson resolveu acompanhá-lo. – Te levarei para casa John, nada de taxis. – Ok, obrigado sra. Hudson, disse ele por fim aceitando a ajuda e saíram juntos do café. Isso deixava Sherlock apenas com Molly, o que ele não previa que fosse ocorrer. A garota não havia dito mais nada e isso conclui que estava nas mãos dele encerrar a noite e despedir dela sem muitos rodeios e a menor grosseria que se esforçaria a fazer. Surpreendeu com suas palavras que logo seguiram.

— Molly... não quero ir pra casa ainda, quer dar uma volta comigo? — propôs. Molly olhou-o assustada. Não sabia se estava sendo sarcástico ou se realmente queria dar uma volta.

— Você não queria ir logo pra casa e arrumar seu flat? – indagou a morena sendo sincera e querendo ver se ele realmente queria a companhia dela.

— Já que vocês resolveram comemorar meu aniversário, eu quero dar uma volta e você está aqui então...mas caso não queira ir, posso ir sozinho — respondeu rápido e depois pensou se isso soou grosseiro, mas o que não soa grosseiro da parte dele visto pelos outros. Molly sorriu, Sherlock às vezes parece menino birrento. – Vamos então, ela disse já se levantando e o surpreendendo.

As ruas de Londres estavam calmas devido ao frio que aquele dia fazia, os dois caminharam em silencio pela calçada enquanto admiravam a cidade. Uma rajada de vendo bateu e Molly se abraçou para se proteger, e não percebeu quando Sherlock tirou o casaco e colocou em seu ombro.

— Oh, Sherlock não precisa, você passará frio – olhando para o detetive que havia se aproximado tão rapidamente. – Já passei coisas muito piores do que frio, Molly – disse sorrindo para a legista. Como ele conseguia fazer coisas que a deixavam tão sem palavras? Ao ver que ela continuava em silencio, Sherlock resolveu perguntar algo que havia sentido no café. — Pensei que estivesse brava comigo por não ter dito sobre meu aniversário – ele dizia aquilo tentando não parecer um adolescente bobo. – Eu já sabia dele, respondeu a morena — Do seu dia digo. Eu perguntei ao seu irmão. Gosto de aniversários, você sabe, mas como você nunca se manifestou sobre isso, achei melhor não invadir essa sua privacidade. Sherlock sorriu com essa revelação, Molly sempre o surpreendia. Ao mesmo tempo em que ela era uma presença notável, também deixava-o livre para suas loucuras particulares. – Obrigado – ele respondeu sinceramente. Ela não conseguiu evitar seu espanto, Sherlock a agradecendo, isso era tão raro quanto ele querer receber parabéns pelo aniversário. E então ela o surpreendeu novamente e o abraçou pela cintura. Ficaram uns segundos assim, aquecendo um ao outro, ouvindo suas respirações. Então Molly subiu na ponta dos pés para ficar mais próxima dos ouvidos do detetive e disse num suspiro – Feliz aniversário Sherlock Holmes. Isso o fez arrepiar e ela sorriu novamente, ele poderia ser o mais frio homem, mas no fim ele era um homem e ela uma mulher que o amava. Sherlock abaixou para também tocar seus lábios nos ouvidos de Molly, não sabia ao certo porque aquilo tudo estava acontecendo, em um momento era o frio e no outro estavam trocando carícias no meio de Londres. Molly era um verdadeiro mistério e Sherlock amava mistérios. – Meu flat também é frio, podemos aquecê-lo. – disse tocando os lábios no pescoço de Molly. Ela suspirou e apertou ainda mais seu abraço – Sim, podemos – respondeu enquanto desejava mentalmente muitos outros aniversários frios.

Notas finais
Esse casal que a gente ama é uma delícia de escrever! Se gostou, comente porque eu sou iniciante e quero saber se as coisas estão saindo de acordo :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!