Felix Felicis

2 A chama da meia noite.


Notas iniciais
Estou adorando escrever essa história. Se tiver o alcance esperado pretendo aumentar dois capítulos, o que acham? Preferem uma fic mais curta ou mais longa? Espero que gostem!

"Quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo."

Nos dias que seguiram, Harry não conseguia focar em nada. Ele passara todas as aulas apenas de corpo presente, preso em pensamentos. Por mais que tentasse se concentrar, sua cabeça tornava, incansavelmente, a levá-lo de volta a noite que encontrara Malfoy na Sala Precisa. Ele revivia repetidamente todos os acontecimentos, um por um.

— Sr. Potter? – a Prof. McGonagall olhava para ele com olhos sérios, em espera.

— Desculpe, professora. Pode repetir? – Harry esfregou os olhos, tentando entender por quanto tempo ele ficara fora do ar.

— Eu perguntei se estava me ouvindo, Sr. Potter. – ela ergueu as sobrancelhas, com seu habitual olhar ameaçador. – Poderia fazer a gentileza de me responder qual o feitiço usado para transfigurar os ratos, que trabalhamos na aula passada?

Harry vasculhou sua cabeça pela resposta, mas, obviamente, não encontrou. Ele olhou para Hermione, em busca de ajuda, mas ela apenas deu com os ombros.

— Não me lembro, professora.

— Cinco pontos da Grifinória. – a velha ajeitou os óculos redondos e continuou com a explicação.

Massageando as têmporas, Harry xingou a si mesmo por não prestar atenção nas aulas, ainda mais quando o motivo era Draco Malfoy, a pessoa que ele mais odiava no mundo. Talvez não Malfoy em si, mas toda a situação. Havia algo estranho sobre tudo aquilo: o cômodo, a fotografia bizarra, a sensação que ele tivera ao entrar lá... Forçando-se a afastar os pensamentos ruins, ele pegou sua pena e começou a anotas as palavras da Prof. McGonagall, determinado a prestar atenção no restante da aula.

***

— Harry, tem certeza que está tudo certo com você? – Hermione perguntou, erguendo a cabeça do livro que lia com as sobrancelhas arqueadas.

Embora ficasse agradecido com a preocupação da amiga, Harry não pode deixar de se sentir irritado com a pergunta. As pessoas ao seu redor pareciam insistir em saber como ele estava o tempo todo, e isso estava começando a deixá-lo com raiva.

— Por que não estaria? – ele respondeu, tentando ser o mais educado possível.

— Você está tão... – ela tentou encontrar palavras para continuar a frase – distante.

O olhar de Harry encontrou o olhar preocupado de Hermione.

— Estou bem, de verdade. – ele forçou um sorriso – Só tenho muita coisa na cabeça...

Parecendo satisfeita com a resposta, ou apenas sem vontade de discutir, Hermione balançou a cabeça e voltou sua atenção novamente para sua tarefa de Transfiguração.

Harry passou o resto da tarde se esforçando ao máximo para terminar suas tarefas do dia, além das várias atrasadas que haviam se acumulado ao longo da turbulenta semana, mas ele continuava se perdendo em seus próprios pensamentos.

Depois de um longo dia de trabalho, ele só conseguia pensar em tomar um banho quente. Seu corpo inteiro doía, desde sua cabeça até seus pés. Ele sentia como se tivesse sido pisoteado por milhares de centauros raivosos. O pensamento de um quente e relaxante banho no banheiro dos monitores parecia muito apelativo, mas a chance de ser pego era alta. Aquele banheiro era de uso restrito apenas de monitores e capitães do time de quadribol, e nenhuma dessas categorias o incluía. Não havia a mínima chance do banheiro estar vazio antes das dez da noite, então ele resolveu esperar até depois do jantar para evitar confusões desnecessárias.

Sentando com seus melhores amigos, Harry se forçou a comer um pouco do jantar, torta de carne, peixe defumado e suco de abóbora. Ao seu lado, Ron repetia o prato pela segunda vez, mastigando violentamente e parando para respirar somente quando muito necessário.

— Céus, como você aguenta comer tanto? – Hermione reclamou, franzindo a sobrancelha.

Ron apenas deu de ombros e murmurou algo com as palavras “muita fome” e voltou a afundar sua cara no prato cheio. Eles todos riram e, por um segundo, Harry esqueceu de tudo aquilo que abarrotava sua cabeça nos últimos dias.

***

Depois de esperar Ron adormecer, Harry se levantou da cama com cuidado. Tomando em mãos sua Capa da Invisibilidade, seu mapa e um par de pijamas limpos, ele rumou para o banheiro dos monitores para um banho relaxante. Depois da semana maluca que ele tivera, era um prêmio mais do que merecido.

Ouvindo os resmungos da Mulher Gorda por acordá-la no meio da noite, ele seguiu pelos corredores escuros com cuidado, sempre parando para checar se Filch ou sua gata, Madame Nora, estavam por perto.

Quando alcançou a porta, ele implorou internamente que a senha que Cedrico lhe passara algum tempo atrás não tivesse mudado. Ao ouvir o clique da porta abrindo, Harry respirou aliviado. Retirando sua capa, Harry deslizou pra dentro do banheiro e trancou a porta.

Ao entrar, o grande lustra que pendia do teto se acendeu, iluminando o ambiente com as milhares de pequenas velas que pendiam dele. O belo banheiro era coberto por mármore branco e cortinas de linho. A banheira começou a encher lentamente pelas inúmeras torneiras que derramavam água morna e essências perfumadas.

Já despido, Harry deslizou para dentro da banheira. A sensação da água quente envolvendo seu corpo era relaxante. Ele sentiu toda a tensão se esvaindo lentamente. O perfume do banheiro adentrava suas narinas e purificava todo aquele sentimento ruim que ele carregava no peito.

Era difícil saber quanto tempo ele passara lá, apenas imerso na água morna relaxando. Pareciam apenas alguns minutos, mas Harry sabia que já haviam se passado horas.

O clique na porta o pegou desprevenido. Alguém havia dito a senha e a porta se abria lentamente. Ele não teve tempo de espiar a identidade da pessoa no mapa. O garoto agarrou a toalha que pendia ao lado da banheira e se escondeu atrás das cortinas de linho, rezando para que não fosse Filch.

O desconhecido entrou no cômodo e fechou a porta atrás de si. Pelo menos não é Filch, pensou Harry. Mas ele poderia se meter em encrenca se quem quer que fosse que o flagrasse fosse um monitor. Espiando de trás das cortinas, ele viu suas vestes jogadas no chão, ao lado do Mapa do Maroto. Merda!

A figura do desconhecido caminhou até a luz do lustre e Harry pode ver seu rosto. Era Draco Malfoy. Ele desabotoava suas vestes lentamente. Seu coração disparou em seu peito, embora Harry não soubesse exatamente o motivo. Vendo-se em uma situação constrangedora, ele não sabia se devia se manter escondido ou se mostrar para Malfoy, correndo o risco de ele dedurar que ele estava fora da cama muito além do horário permitido.

Porém, algo na expressão de Draco chamou sua atenção. Seu rosto estava vermelho e seus olhos inchados. Harry soube imediatamente que ele estava chorando novamente. As memórias de Malfoy chorando desesperadamente no canto daquela sala escura ocuparam sua mente novamente. Ele podia ouvir os gemidos lamentosos do menino ecoando em seus ouvidos.

Em uma decisão impulsiva, ele saiu de seu esconderijo, enrolando sua toalha ao redor de sua cintura.

A expressão de Draco mudou abruptamente. Ele cerrou os olhos e endireitou as costas, retornando a sua pose de superioridade, e cobriu seu peito nu com uma toalha.

— Que diabos você está fazendo aqui, Potter? – ele cuspiu. Sua voz era fria e insensível.

— Tomando banho... – Harry sussurrou, indicando a banheira com os olhos. As bolhas já haviam sumido quase completamente, o que fez Harry pensar que já havia passado da meia noite.

O loiro analisou o outro garoto com os olhos, tentando decidir o que fazer em seguida. Ele sabia que se dedurasse Potter por estar perambulando pelos corredores além do horário, provavelmente seria punido também. Além do mais, teria que explicar o constrangedor motivo de estar fora da cama, o que era pior ainda.

— Saia daqui. – Malfoy exigiu, sem olhar nos olhos de Harry. Internamente, ele rezava para que Potter não tivesse percebido seu rosto inchada de choro.

Harry o encarou em resposta. Ele queria dizer que Draco podia confiar nele. Que ele sabia como era sentir aquela dor em seu peito, embora ele não soubesse o motivo do desespero de Malfoy. Queria que ele soubesse que, embora fossem inimigos declarados, ninguém da Sonserina precisava saber daquilo. Seria o segredinho deles. Mas ele não conseguiu. As palavras entalaram em sua garganta.

— Vá logo! – o loiro explodiu, virando-se para não ter que olhar os olhos cheios de piedade de Potter. Se tinha algo que ele odiava era que sentissem pena dele.

— Certo! – Harry rugiu. – Não sei por que me importei... – resmungou baixinho.

Draco sentiu seu peito afundar. Ele tinha visto. Alguém tinha visto ele chorando, demonstrando seus sentimentos mais profundos. Ele se odiou por permitir que aquilo acontecesse. Virando-se novamente para gritar com ele, ele se surpreendeu ao ver Harry parcialmente nu, se vestindo. Seu rosto enrubesceu e ele ficou parado, sem reação.

Harry o encarou com as sobrancelhas erguidas. Sem nem perceber, Draco estava encarando o outro garoto.

Abruptamente, sentindo seu corpo enrijecer, ele se virou novamente, fitando o chão. Harry terminou se vestir e caminhou para fora do banheiro, dando uma última olhada no menino loiro, que agora se despia lentamente, expondo sua pele perolada.

Enfeitiçado pela visão, Harry parou por alguns segundos para admirar. A pele dele parecia a de um anjo, branca como leite e belamente rosada. Seus músculos definidos esculpiam todo seu corpo, desde seus braços fortes até seu abdômen rijo. Ele desejou que pudesse tocá-lo, apenas para saber qual era a sensação. A impressão que ele tinha era que a pele dele era macia como um travesseiro e perfumada como um bebê. Harry se imaginou passando os dedos por toda a extensão de seu corpo.

Percebendo o olhar caloroso de Harry, Draco sentiu suas bochechas corarem novamente. Ele estava pronto para soltar mais alguns insultos ao menino, mas antes que tivesse a oportunidade, Harry já havia fechado a porta do banheiro apressadamente.