Felipe Augustus e as Quatro Classes
1 Capítulo 1 - Descobertas, Aulas, Amores
Notas iniciais
CAPÍTULO 1
Olá, meu nome é Felipe Gabriel Augustus, tenho cabelo castanho e olhos castanhos, sou magro e baixo, mas isso nunca me deu problemas. Tenho treze anos, e sempre fui meio incomum. Nunca fui como os outros garotos da minha idade. Sempre fui mais amigável com quase todos, o que irritava bastante gente que retribuía com xingamentos quase tudo o que eu dizia. Então, aprendi a ficar mais “na minha” sem irritar ninguém. Os meus pais, Amanda e Gabriel (daí vem o meu sobrenome) sempre me viam tristes e tentavam ajudar, na maior parte das vezes tudo acabava bem, até que chegou um ponto em que eles decidiram que eu tinha que mudar de escola.
Essa nova escola, o Colégio Preparatório Rio-Mar era diferente das outras que eu já havia frequentado, sua fachada era gigante com enormes pilares pintados em roxo claro e amarelo areia. Ao entrar nela, se via cinco blocos diferentes, cada um do tamanho de um prédio de oito andares, um deles era laranja com uma letra C na lateral, outro era vermelho com uma letra O na lateral, também havia um azul com uma letra E na lateral, um preto com uma letra R na lateral e um branco com nenhuma letra na lateral. Ela era repleta de quase tudo que se podia imaginar. Havia uma piscina do tamanho de duas piscinas olímpicas, um vulcão (isso mesmo, um vulcão com lava de verdade) do tamanho dos prédios coloridos, um jardim do tamanho de um Maracanã inteiro, quinze televisões de sessenta polegadas uma do lado da outra, uns dez ventiladores chiques (daqueles que o vento sai de dentro do que parece um círculo), etc.
No folheto que os meus pais tinham na mão, dizia para irmos até a sala A do oitavo andar do prédio branco, chamado de Matriz. A recepção do prédio parecia a de um hospital, branca de doer os olhos, com apenas uma bancada para a recepcionista e dois elevadores. Pegamos o elevador esquerdo, e assim que entramos no elevador, uma mulher loira, alta, bonita e gentil, parecendo ter uns vinte e cinco anos nos pergunta:
– Oitavo andar, não é? – disse a mulher
– Correto. Você é uma professora? – perguntou meu pai empurrando a minha mala para mim.
– Sou a diretora, meu nome é Fernanda Castro, mas pode me chamar de Fê. – respondeu a diretora.
– Você não é meio nova para ser diretora? Ou meus olhos me enganaram? – perguntou minha mãe
– Eu ouço essa pergunta mais do que deveria nessa minha idade, tenho 40 anos. – respondeu a diretora com um tom de risada.
Minha mãe olhou para o meu pai com uma cara de raiva até chegarmos ao oitavo andar, onde a diretora nos guiou até a sala A, que ficava no final do corredor. Quando chegamos lá, ela disse.
– Essa sala é somente para os alunos novos, a sala dos pais é por aqui. – disse a diretora.
Enquanto eu entrava na sala, meus pais eram guiados para uma sala de vídeo aulas onde outros pais estavam.
Quando entrei na sala, me deram uma água, cuja eu tomei, então, fui guiado por uma instrutora de classe até um dos computadores que pareciam máquinas de fliperama, onde eu deveria iniciar minha seleção de classe. O controle da máquina era escolhido pelo participante entre três, o pincel, o joystick, a caneta, ou simplesmente o próprio dedo. Eu escolhi o joystick para começar o teste. Ele consistia em perguntas de personalidade, algumas bem inusitadas como “O que você faria se um palhaço de monociclo pegasse fogo na sua frente” ou “Você prefere suco de abacaxi ou de mamão” e quando percebi que não conseguia mentir, o teste já havia acabado. Então, apareceu uma seleção de quinhentos jogos sugeridos pela máquina, eu escolhi então o meu jogo favorito: The Legend of Zelda – Ocarina of Time. Fiquei jogando durante 8 horas seguidas até zerar o jogo. Quando terminei de jogar, uma tela se abriu no jogo dizendo para escolher meu poder. Eu não havia entendido direito sobre o que ele falava, porém, dentre milhares de poderes listados lá, escolhi o de eletricidade.
Depois de ter clicado “A” no meu joystick para selecionar o poder, o fliperama foi arrastado para a esquerda, dando acesso a uma porta. Quando abri a porta, fui levado pela instrutora até um corredor onde havia uma sala cheia de cabos de eletricidade. Quando entrei, a instrutora disse:
– Para terminar seu teste, manipule a eletricidade.
– O problema é que eu não sei como. – respondi.
– É simples. Somente agarre a parte desencapada do cabo de eletricidade. Você disse que manipulava eletricidade – ela disse.
Reparei que qualquer tentativa de ir contra ela iria falhar então, com um pouco de medo de tomar choque, fiz o que ela me instruiu. Quando reparei, havia absorvido a eletricidade do cabo.
Fiquei com medo de eletrocutá-la, então, peguei umas luvas de inverno que estavam em cima da mesa, e fui levado por ela até outra sala, que parecia uma daquelas aulas de tiro. Nessa sala havia dois outros alunos Lucas Jonas e Amanda Severus. Lucas era alto, tinha cabelo preto e olhos pretos, ele era meio magro, mas nada de incomum. Amanda era da minha altura, tinha cabelos loiros como mel e seus olhos eram azuis. Passamos algumas horas conversando até que a instrutora nos chamou. Fomos até a sala que ela nos guiou, onde ela disse:
– Para manipular melhor o material de vocês, precisam praticar. Ah, e meu nome é Luiza. – disse a instrutora.
Ela instruiu Luiza e Lucas a como atirar e criar escudos com o material deles, que era, respectivamente, água e gelo. Enquanto eles já conseguiam atirar, eu mal conseguia fazer um feixe de luz com o meu material. Então, entrou na sala um professor que se identificou como Miguel. Ele manipula eletricidade, assim como eu. Ele decidiu me ajudar a aprender a atirar e criar escudos assim como os meus amigos, porém ele me deu também um cartão e quinze pilhas nove volts da Duracell. Nesse cartão havia o número dele com os seguintes dizeres no verso: “Se precisar de aulas extras, garoto elétrico”.
Retirei minhas luvas e minhas mãos começaram a soltar pequenos raios de eletricidade em direção às minhas pilhas. Quando segurei as pilhas, minhas mãos se carregaram de eletricidade. Miguel me explicou que quando um material é absorvido, ele fica lá até que acabe. Então, comecei a atirar. No início, a eletricidade saía bem fraca nos tiros, mas com o tempo, os tiros saíam cada vez mais fortes fazendo com que os alvos pintados na madeira fossem jogados contra a parede e quebrassem.
Quando nós deixamos a tal sala de aulas de tiro, fomos guiados até uns dormitórios (a escola deixa os alunos dormirem em seus prédios se quiserem, mas eles podem sair quando quiserem). Eu fui guiado até o prédio vermelho com a letra O na lateral, o Bloco dos Ousados, Lucas foi guiado até o prédio laranja com a letra C na lateral, o Bloco dos Criativos, e Amanda foi guiada até o prédio azul com a letra E na lateral, o Bloco dos Espertos.
Fui direcionado ao dormitório H7, no sétimo andar. Peguei o elevador esquerdo e fui direto até a sala H, onde haviam três camas separadas por escrivaninhas com cadeado, e armários do outro lado da sala. Em cima da escrivaninha de um dos meus colegas de quarto, Alexandre, um garoto de 13 anos, com um cabelo loiro com um topete, um pouco mais alto que eu, tinha olhos azuis, um sorriso bobo e poder de transmissão, havia um celular daqueles gigantes, e em cima da escrivaninha do outro garoto, João Victor, um garoto de 14 anos, da minha altura, gordo, de cabelo preto, olhos castanhos e poder de tinta, havia vários potes com tintas guache vermelha. Coloquei as minhas pilhas em cima da minha escrivaninha, desempacotei a minha mala no armário, coloquei meu pijama e quando eu estava quase pra dormir, Alex me acordou:
– Você não vai desativar o seu material? – ele me perguntou.
– Como é que eu faço isso? – eu perguntei.
– É só bater a lateral da mão que você usa mais contra o seu braço oposto. – ele disse.
Desativei o material e, antes de poder agradecer, fui direto dormir.
Depois de acordar, já que os outros estavam fora do quarto, peguei minha guitarra, uma Strinberg EGS-216 azul, e meu amplificador e comecei a tocar “Solo Quédate en Silencio” do RBD. Alex e João entram no quarto, e, de tanta vergonha, a tal música do RBD rapidamente se transforma em “Charlie Brown” do Coldplay.
– Essa música que você estava tocando era... – disse João.
– Charlie Brown! Aquela música legal e masculina do Coldplay! Você conhece? É minha favorita! – interrompi.
– Aham, sei... – falou Alex com um tom bastante sarcástico para a sua idade.
Descemos para o primeiro andar do prédio, onde havia o café-da-manhã. Eram várias mesas fartas de frutas, cereais, pães, queijos, doces, cafés de todos os tipos e sucos de todos os sabores e quase todos os refrigerantes do mundo. Sentei-me à mesa e pedi Mello Yello com um waffle e geleia de morango. Enquanto comia, alguém estava me chamando. Era o nosso monitor, o Daniel.
– Então você deve ser o aluno novo, Felipe, não é? – perguntou.
– Sim, sou eu, Felipe Augustus. – respondi com a boca cheia de waffle com geleia de morango.
– Você é do dormitório H7, não é? – perguntou.
– Aham, ele é de eletricidade. – respondeu Alex, que estava ao meu lado.
– Bom saber... Qualquer coisa que precisarem, o meu dormitório é o B2. – falou o monitor.
Subimos então para nossas aulas. Era uma segunda-feira então tínhamos Matemática e Manipulação. Matemática era a única aula que eu, Lucas e Amanda tínhamos em comum. Era uma fila para usar o banheiro, primeiro eu, depois o Alex e então o João Victor. Assim que me arrumei saí correndo para o prédio branco para a aula. Entrando na sala, esbarro com um garoto dos Raivosos, Tomás Severus, irmão da Amanda, que ao contrário dela, era burro como pedra, irritante como uma buzina e esnobe como só ele. Atrás dele, ficava sua irmã Amanda, meu amigo Lucas, e então eu, lá no fundo da sala. Gostei da aula, pois ficava junto dos meus amigos, mas em compensação, a professora, a Aline era tão rabugenta que a cada minuto dava um discurso sobre como nós éramos ruins e tínhamos duas faces, etc. Quando a aula acabou, eu tive que despedir dos meus amigos, porém nos encontramos alguns minutos depois.
Na escola, todos os alunos maiores de 12 anos tem a opção de fazer uma tatuagem, dependendo de sua classe. Eu, então, decidi que iria fazer a tal tatuagem. O tal lugar onde se faz tatuagens é o porão do prédio dos Criativos e quem faz as tatuagens é a monitora dos criativos, Isabella. Enquanto estava na fila para fazer a tatuagem, reparei que cada classe tinha uma tatuagem específica: os Criativos tinham um pincel, os Ousados tinham uma espada, os espertos tinham um “π = 3,14”, e os Raivosos eram indeterminados. Quando chegou a minha vez, sentei na cadeira, estiquei meu braço achando que ia doer, quando de repente, ela já tinha terminado. Todas as tatuagens eram feitas com o poder de tinta, então eram indolores, porém permanentes.
Lá estava eu, e minha nova tatuagem de espada no meu braço esquerdo, quando me aparece ninguém mais, ninguém menos que Tomás, com sua tatuagem de um tigre no braço esquerdo. Eu fingi que não o vi, mas foi difícil quando ele veio falar comigo.
– Olhe quem resolveu aparecer, Felipe Augustus. – ele disse.
– Ah, olá, Tomás. Diga pra sua irmã que eu mandei um oi pra ela. – respondi.
– Olha só o que temos aqui, uma espada, que falta de individualidade! – ele disse
– Deixa ele, Tomás, a culpa não é dele se você tá de TPM! – gritou Amanda.
– Oi, Amanda. Sabe cadê o... – eu disse
– Oi, gente, ninguém me chamou, que feio. – disse Lucas
– Tchau, Tomás! – eu disse enquanto via o garoto ir embora para seu prédio.
Amanda estava com sua nova tatuagem e Lucas também. Nós conversamos até dar o horário da próxima aula, Manipulação.
Nosso professor de Manipulação era Miguel, foi muito bom vê-lo de novo desde quando ele me ensinou a atirar com eletricidade.
– Bem, alunos. Meu nome é Miguel, eu sou o professor de Manipulação de vocês nesse ano. Teremos aulas nas segundas, quartas e quintas nessa sala. Alguma pergunta?
Ninguém falou.
– Já que não possuem perguntas, quero que, um por um, digam nome, classe e poder.
Depois que todos falaram seus nomes e seus poderes, reparei que todos os Raivosos eram Manipuladores de fogo, e todos os Manipuladores de fogo eram Raivosos. Já que eu era o último, não me importei de falar:
– Oi, meu nome é Felipe Augustus, sou dos Ousados e sou um Manipulador de eletricidade.
Então, Miguel voltou a falar:
– Vamos começar com algo básico, quero que cada um crie uma esfera de poder. Para fazer isso, vocês precisam somente imitar o movimento que fariam se estivessem usando argila. Como se estivessem fechando uma garrafa de água, então, expandam a esfera e a joguem neste recipiente. – explicou nosso professor.
Alguns manipuladores tiveram que absorver material antes de usá-lo, e eu era um deles. Peguei minhas pilhas e segurei-as, assim absorvendo sua eletricidade.
Eu fiz o movimento explicado pelo professor, porém algo estranho aconteceu, ao invés de sair uma esfera de eletricidade, não saiu nada. Miguel explicou:
– Pode não funcionar como esperado, Felipe, mas é porque você não se concentrou direito. Use as duas mãos igualmente. – ele disse.
Provavelmente seria fácil isso, sou ambidestro, o que eu poderia fazer errado? Muita coisa. Mas foi até fácil, esqueci todos os meus problemas, foi só não pensar em nada exceto a esfera de eletricidade. E, pronto. A esfera estava pronta em seu devido lugar. Depois disso, a aula acabou, saímos da sala e fomos nos deitar. As aulas foram bem mais longas do que pareceram, cada uma durou três horas com um intervalo de uma hora.
Alguns dias depois, aconteceu o que, provavelmente, foi o dia mais incomum da minha vida. Não diria o melhor, mas foi algo perto disso. Tudo começou depois da aula de História. No intervalo de uma hora entre as duas aulas. Algumas pessoas, entre elas, eu, decidiram jogar “Verdade ou Desafio” perto da piscina da escola. Estavam jogando eu, Alex, Lucas, Amanda, Rafaela, Mário e Luiz Fernando. Na primeira rodada, quase que obviamente, foi eu e o Alex. Ele teve que jogar a monitora dos Criativos na piscina, mas ela não ficou chateada. Ao contrário, ela ficou nadando lá até sairmos. Algumas rodadas depois, fui eu e o Alex de novo, só que dessa vez eu reparei um olhar diferente no rosto dele.
– Verdade ou Desafio? – ele perguntou, com um olhar inusitado e ao mesmo tempo hipnótico.
– Desafio – respondi, e pouco depois me arrependi.
– Te desafio a me beijar. – ele respondeu.
Um silêncio assombrou toda a área da piscina, foram somente alguns segundos sem ninguém falar nada, mas pareceram horas. Pouco depois, ele me puxou, me guiou até seu rosto. E eu me deixei levar. Nunca havia sentido isso por um garoto, será que ele iria mesmo me beijar? E assim o fez. Ele segurou-me pelo queixo enquanto me beijava, e eu conseguia ouvir seus batimentos cardíacos acelerados. Quando terminou, eu fiquei vermelho. Mas continuei o jogo, fingindo que nada havia acontecido. Durante todo o resto do jogo, reparei que o Alex estava vermelho como um tomate e ficava piscando com o olho esquerdo para mim. Quando voltamos para a aula de Matemática, ele ficava me olhando toda a vez em que nossa professora Aline virava para escrever algo no quadro. Eu, macho como sou, não fiz nada além de ficar vermelho como um camarão e enfiar a cara no meu livro novinho de Matemática do Oitavo Ano.
A aula acabou, e tínhamos que voltar para o dormitório. E agora? Como seria ver de novo o garoto que me beijou? E eu ainda gostei! Teria sido normal, se ele não tivesse falado comigo no quarto.
– Felipe, você ainda tá acordado? – ele perguntou, com um tom de culpa na voz.
– De que modo eu dormiria? Depois do... – eu teria terminado a frase, se ele não tivesse me interrompido.
– Do nosso beijo? Olha, eu gosto de você, desde o dia que você que você entrou por aquela porta e deixou suas pilhas na escrivaninha e foi dormir. Se você não gostar de mim do mesmo jeito, não tem problema, agora se... – ele iria ter continuado se eu não tivesse o interrompido. Com um beijo.
Desta vez, não foi por causa de um desafio. Foi real. Eu nunca saberia que ele gostava de mim se não fosse aquele jogo estúpido. Mas eu tinha que ter batido a mão pote de tinta do João Victor. A minha mão começou a absorver a tinta derramada, e eu fiquei assustado. Porém, eu não queria que ele soubesse disso, então, eu o joguei na cama e pus um travesseiro em seu rosto enquanto fazia o tal movimento de cancelar material. Como era mesmo? Acho que ele tinha dito que era só bater a lateral da mão que você usa mais contra o seu braço oposto. Foi difícil, mas consegui. Então tirei o travesseiro do rosto dele.
– Felipe? O que foi isso? – ele perguntou.
– Eu queria um modo de dizer que eu também gosto de você. – eu respondi. – Mas acho que não deu muito certo. Desculpe-me.
– Claro que deu certo, olha. – ele me empurrou contra a cama e continuou a me beijar. Eu havia gostado, então decidi que iria me concentrar apenas nele. Então dormimos. Quando deu uma hora da manhã, eu pude o ouvir caindo da minha cama e acordando nossos vizinhos do H6.
No outro dia, nós quase não nos falamos, exceto na hora em que eu lhe pedi para me dar a manteiga de amendoim (com comida na boca, é claro) e quando lhe pedi uma caneta emprestada. Quando voltamos para o dormitório, obviamente nos falamos. Tivemos um diálogo muito bem elaborado sobre ciência espacial:
– Boa noite – eu lhe disse.
– Boa noite – ele respondeu. E dormimos. Dessa vez ele estava na cama dele. E eu no chão.
Não falar com ele me matava por dentro. Eu não conseguia mais viver um dia sem falar com... Um garoto? Minhas preferências nunca me haviam surpreendido até agora. Gostar de um garoto nunca esteve nos meus planos, mas ali estava eu, querendo um rapaz para mim. Merda de “Verdade ou Desafio”. Tinha que ter caído em mim.
E quando deu três da manhã...
– Felipe, quer conversar? – ele me perguntou.
– Achei que você tinha dormido. – respondi.
– E eu achei que você estava na cama. – e com um rápido pulo entrei na minha cama.
– Você... Beija bem. Eu nunca achei que eu iria... – ele disse.
– Gostar de um garoto? Nem eu. Aquele jogo estúpido. – respondi.
– Sabe, Felipe... Eu manipulei aquela garrafa de alumínio. Eu sou um Manuseador, e adquiri poder de magnetismo pra atrair a garrafa pra mim. – disse ele, com um tom de culpa familiar na voz.
– O que é um Manuseador? – perguntei.
– É uma pessoa que consegue manipular todos os poderes existentes. – ele respondeu. – Mas temos que ficar escondidos, ou nos mandam para testes.
– Eu acho que sou isso daí também... – eu disse. – Enquanto eu te beijava, eu derrubei um pote de tinta do João, e o absorvi. Então eu coloquei um travesseiro no seu rosto para você não ver, e fiz aquela manobra de cancelar material. – continuei.
Decidi parar de falar para não assustá-lo mais ainda, então, fui dormir.
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